-Por que a gente tem que perder tudo o que ama?
E o olho luziu numa provável lágrima. Eu ali, parado, absorto no instante deste quase choro. Mas o olho se fechou e a boca aberta procurou a minha. Por uma espécie de piedade chinfrim eu correspondi. A língua quente, aquele sabor de gente passando por poros e cantos, a língua com a língua. Sobre nós nenhum deus, nenhum céu, só as pás do ventilador numa sinfonia zumbida, sem vento. O suor empapando o lençol, meu corpo sobre, o dele em mim. Teso, a barba por fazer, seu cabelo negro nublando meus olhos irritados de suor. O corpo magro, a vida pouca, a idade em flor.
Então os derradeiros raios horizontais mal venciam a persiana torta, entravam, a custo no quarto, jogando-se sobre a parede num lento suicídio. O garoto me abraçava como a garantir qualquer coisa, a cabeça incômoda no meu peito, seu pau murcho a roçar minhas pernas vez em quando.
Afasto-o e começo a me vestir. Sem quase ter se mexido, meio submerso na bagunça de lençóis úmidos, seus grandes olhos me perscrutam:
- Me responde.
Camisa posta, olho-o imóvel na cama. A bunda boa e branca, as costas quase infantis, lisas de músculos e trabalhos. Só seu olhar.
- Por que a gente tem que perder tudo o que ama. E isso, é só o começo, garoto.
A porta bate. Detenho-me um instante, nenhum som, só o monótono zumbido de um ventilador inútil.
A lágrima cai em silêncio.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Manhã preguiçosa
A greve dos professores da rede estadual me liberou do estágio hoje. Nada de acordar as seis da matina. Tempo pra fazer o café do namorado e manhã livre. Arrumo um pouquinho a casa, faço mais uma garrafa de café e sabe o que "encontro"? Um baú cheio de meus textos: coisas curtas para o blog, contos, outros contos ainda maiores, coisas inacabadas, páginas revisadas e em estado bruto.
Este brevíssimo aí em baixo foi uma das primeiras coisas que postei no blog. E tem tanta coisa mais! Ah, se eu pudesse, se meu dinheiro desse, eu queria ser mesmo era escritor.
"Prezada A.
Ontem, enquanto o estrondo da porta batida ainda ecoava pelas paredes brancas e nuas do apartamento, tive o impulso de correr atrás de você. Mas não fiz. Descer os dois lances de escada, ofegante, tonto, com a sua última e certeira frase a girar em mim como num looping interminável, e ir procurar-te assim, não nos faria bem. Pensei que hoje, talvez te achasse no metrô, estação Carioca, de blusa azul e cabelo num corte que ficaria esquisito para o seu rosto, como da primeira vez. Ou em qualquer outro lugar que nesses quatro anos freqüentamos religiosamente. Mas também decidi não ir.
Estou aqui, sentado à mesa posta para dois, esperando o empadão de que tanto gostas assar e acompanhado só pela flor que detestastes, mesmo com o meu argumento invencível à época: “é de plástico, não morre.”.
Resolvi escrever-te. Não mandar um email que é coisa muito comercial e moderna, como somos ambos. Mas mandar-te minhas palavras, nossos momentos, com a minha letra. Eu mesmo numa caligrafia, impresso num papel de carta. Nem sabia que ainda existiam, desci agora a pouco e comprei um bloco. Mas escreverei esta única carta, talvez numa única folha. A verdade é que não sei se quero que voltes. Ontem quando a porta bateu era tudo o que eu mais queria na vida, que voltasses, arrependida, carinhosa, humilhada e depois de uma trepada nervosa e rápida instalar-se-ia novamente o cotidiano das coisas, aquele tão próprio de nós dois. Mas ter passado a noite só, iluminado porcamente pelo Néon do bar aqui em frente, já que a porra da persiana emperrou mais uma vez, me fez pensar.
Por que nos agarramos um ao outro de forma tão desesperada e inútil? Pelas ilhas de descanso aos Domingos à tarde quando todas as ofensas, injúrias e mesquinharias já foram ditas ao longo da semana? Vale a pena morrer de sede de ti para saciar-me em oásis repentinos e breves quando a tua amargura adormece e o meu cinismo e cansaço de tudo se distrai?
Não sei se reflexões etílicas, a meia garrafa de um uísque vagabundo, feitas ao ritmo de uma música incompreensível qualquer vinda da rua, mas suficientemente ruim para ser percebida logo como tal, são confiáveis. Mas a questão é que, quando tudo começou a perder seu aspecto soturno, porque sempre me parece que a noite nunca vai acabar, e eu vi as primeiras claridades, pensei que, de fato, nós precisamos um do outro, mas não ficaremos juntos.
É injusto precisar desesperadamente de alguém só para confirmar o quanto a vida pode ser sem sentido e o quanto estamos certos em não nutrir mais nenhum sonho. Você me recorda a todo instante, não pelo que diz ou faz, mas por ser isso que você é, que não vale a pena mesmo muita expectativa, que o melhor é se acostumar, viver uma vida em horário comercial, pedir uma comida qualquer por delivery, e se emputecer com as atendentes de telemarketing ao telefone.
No entanto, caramba, o sol nasceu de uma forma tão absurda e original esta manhã que me fez pensar que algo novo pode estar prestes a irromper. Não é que não te queira mais, mas acho que não podemos fazer isso um com o outro. Vou tomar um banho, sair, ver o mar. Se esta carta chegar até você, amanhã ou depois - estás na casa da tua mãe, né? – te peço, por favor, não voltes.
Com Carinho, N.
Este brevíssimo aí em baixo foi uma das primeiras coisas que postei no blog. E tem tanta coisa mais! Ah, se eu pudesse, se meu dinheiro desse, eu queria ser mesmo era escritor.
"Prezada A.
Ontem, enquanto o estrondo da porta batida ainda ecoava pelas paredes brancas e nuas do apartamento, tive o impulso de correr atrás de você. Mas não fiz. Descer os dois lances de escada, ofegante, tonto, com a sua última e certeira frase a girar em mim como num looping interminável, e ir procurar-te assim, não nos faria bem. Pensei que hoje, talvez te achasse no metrô, estação Carioca, de blusa azul e cabelo num corte que ficaria esquisito para o seu rosto, como da primeira vez. Ou em qualquer outro lugar que nesses quatro anos freqüentamos religiosamente. Mas também decidi não ir.
Estou aqui, sentado à mesa posta para dois, esperando o empadão de que tanto gostas assar e acompanhado só pela flor que detestastes, mesmo com o meu argumento invencível à época: “é de plástico, não morre.”.
Resolvi escrever-te. Não mandar um email que é coisa muito comercial e moderna, como somos ambos. Mas mandar-te minhas palavras, nossos momentos, com a minha letra. Eu mesmo numa caligrafia, impresso num papel de carta. Nem sabia que ainda existiam, desci agora a pouco e comprei um bloco. Mas escreverei esta única carta, talvez numa única folha. A verdade é que não sei se quero que voltes. Ontem quando a porta bateu era tudo o que eu mais queria na vida, que voltasses, arrependida, carinhosa, humilhada e depois de uma trepada nervosa e rápida instalar-se-ia novamente o cotidiano das coisas, aquele tão próprio de nós dois. Mas ter passado a noite só, iluminado porcamente pelo Néon do bar aqui em frente, já que a porra da persiana emperrou mais uma vez, me fez pensar.
Por que nos agarramos um ao outro de forma tão desesperada e inútil? Pelas ilhas de descanso aos Domingos à tarde quando todas as ofensas, injúrias e mesquinharias já foram ditas ao longo da semana? Vale a pena morrer de sede de ti para saciar-me em oásis repentinos e breves quando a tua amargura adormece e o meu cinismo e cansaço de tudo se distrai?
Não sei se reflexões etílicas, a meia garrafa de um uísque vagabundo, feitas ao ritmo de uma música incompreensível qualquer vinda da rua, mas suficientemente ruim para ser percebida logo como tal, são confiáveis. Mas a questão é que, quando tudo começou a perder seu aspecto soturno, porque sempre me parece que a noite nunca vai acabar, e eu vi as primeiras claridades, pensei que, de fato, nós precisamos um do outro, mas não ficaremos juntos.
É injusto precisar desesperadamente de alguém só para confirmar o quanto a vida pode ser sem sentido e o quanto estamos certos em não nutrir mais nenhum sonho. Você me recorda a todo instante, não pelo que diz ou faz, mas por ser isso que você é, que não vale a pena mesmo muita expectativa, que o melhor é se acostumar, viver uma vida em horário comercial, pedir uma comida qualquer por delivery, e se emputecer com as atendentes de telemarketing ao telefone.
No entanto, caramba, o sol nasceu de uma forma tão absurda e original esta manhã que me fez pensar que algo novo pode estar prestes a irromper. Não é que não te queira mais, mas acho que não podemos fazer isso um com o outro. Vou tomar um banho, sair, ver o mar. Se esta carta chegar até você, amanhã ou depois - estás na casa da tua mãe, né? – te peço, por favor, não voltes.
Com Carinho, N.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Teste para um projeto secreto
Foi só pôr o primeiro pé na rua e ela começou, uma chuvinha lenta, mas insistente, de um friozinho histérico. Saco! Com a minisaia e a blusa que eu tava iria sentir um puta frio até chegar em casa.
“Merda! Chuva...”
Espantada, olhei pro lado. Havia me esquecido completamente dele.
“Qual teu nome mesmo?”
“Porra, tu não lembra?”
“Cara, se lembrasse eu tava te perguntando?”
Apressei o passo. Porque todo cara bonitinho e que beija bem, sim do beijo eu lembrava, fode com tudo quando abre a boca?
“Marco”
“Ah... Tu não parece”
“Que?”
“Tua cara não é de Marco.. sei lá, parece mais Bruno ou Antônio”.
Ele fez uma cara escrota e a chuva apertou. Merda, vou chegar toda molhada em casa. A água insistia e penetrava em arrepios contínuos a malha fina da minha blusa, ensopava o jeans da saia, nem o tecido mais grosso das meias quase até os joelhos eram capazes de resistir.
“Merda de chuva!”
Ele sorriu divertido, com sua cabelerira rebelde amansada pelo dilúvio. Tinha olhos grandes o Marco.
“Vem”
Debaixo da marquise, ainda atingidos pela água onipresente, mas um pouco mais a salvo esperávamos. Seu braço tocou o meu. Eu quis lhe secar os cabelos agitando-os com minhas mãos molhadas. Beijo, beija bem o danado.
Uma língua quente no frio de uma esquina em Botafogo no meio da madrugada não é nada ruim. Aqui e ali um certo amargor de cerveja é sentido, mas não quero que ele pare. Estou molhada e com frio. Seus braços finos mas decididos me abraçam, vasculham minhas costas, apertam minha bunda. Eu não deixaria, mas ali somos só nós e a chuva. Nem um mendigo, um cachorro qualquer estaria tão desamparado debaixo daquela marquise.
Aperto-o com vontade. Começo a tremer de frio, estou molhada. Ele me aperta ainda mais e suas mãos deslizam em meu corpo, sinto a ranhura de seus dedos sobre meius peitos, vencendo minha blusa, ultrapassando o vigor do sutiã novo, a aspereza gelada de sua mão aperta os bicos dos meus peitos. Penso em protestar, mas molhada numa esquina escura no meio de uma madrugada onde o mundo desaba em água?
Dos peitos pra barriga, quando descobre meu piercing, vejo-o sorrir, eu o impeço de falar. Me beija, não pára é o que ele advinha no meu corpo fortemente junto ao dele. Molhada, peciso do seu calor. Ele desliza suas mão pra baixo do meus jeans, abre minhas coxas e, sem pudor, invade minha calcinha. Eu tremo e me lembro de minha mãe falando das meninas fáceis de hoje em dia “Que horror, que horror” e torce o nariz arrebitado em plástica. Não pare, a forma como prendo seus dedos entre minhas coxas úmidas lhe diz. Um, dois, quase três dedos. Molhada, quente.
Ele me põe contra a parede e num gesto automático, como se fizesse isso em todas as madrugadas chuvosas por todas as esquinas da cidade, abre o zíper, tira uma camisinha do bolso e se joga sobre meu corpo. Penso em gritar, mas minha boca chupa os dedos de sua mão; em pedir que pare enquanto algo se rompe definitivamente na minha vida, mas minha boca em sua orelha não deixa; minha voz arfante em palavras desconexas, minha boca na dele. Uma quentura viscosa sai de mim, enquanto esta mesma quentura em ondas se projeta em círculos desde a minha barriga, captada pelos bicos dos meus seios em ondas que me contraem o abdômen, retesam meus músculos. Vonta de rir, descontroladamenete, enquanto ele geme como se tivesse sido atingido por uma dor estranha. Mordo-lhe a orelha.
“Porra! Tá maluca, sua escrota?” Ele tenta reter o sangue que mancha agora seu pescoço. O pau já murcho, num espetáculo deprimente devidamente guardado. Marco saiu furioso e eu, rindo de gargalhar.
Sozinha, depois de dois segundos a chuva pára. Acendo o último cigarro, tento prender o cabelo e tomo o rumo de casa, ainda molhada.
“Merda! Chuva...”
Espantada, olhei pro lado. Havia me esquecido completamente dele.
“Qual teu nome mesmo?”
“Porra, tu não lembra?”
“Cara, se lembrasse eu tava te perguntando?”
Apressei o passo. Porque todo cara bonitinho e que beija bem, sim do beijo eu lembrava, fode com tudo quando abre a boca?
“Marco”
“Ah... Tu não parece”
“Que?”
“Tua cara não é de Marco.. sei lá, parece mais Bruno ou Antônio”.
Ele fez uma cara escrota e a chuva apertou. Merda, vou chegar toda molhada em casa. A água insistia e penetrava em arrepios contínuos a malha fina da minha blusa, ensopava o jeans da saia, nem o tecido mais grosso das meias quase até os joelhos eram capazes de resistir.
“Merda de chuva!”
Ele sorriu divertido, com sua cabelerira rebelde amansada pelo dilúvio. Tinha olhos grandes o Marco.
“Vem”
Debaixo da marquise, ainda atingidos pela água onipresente, mas um pouco mais a salvo esperávamos. Seu braço tocou o meu. Eu quis lhe secar os cabelos agitando-os com minhas mãos molhadas. Beijo, beija bem o danado.
Uma língua quente no frio de uma esquina em Botafogo no meio da madrugada não é nada ruim. Aqui e ali um certo amargor de cerveja é sentido, mas não quero que ele pare. Estou molhada e com frio. Seus braços finos mas decididos me abraçam, vasculham minhas costas, apertam minha bunda. Eu não deixaria, mas ali somos só nós e a chuva. Nem um mendigo, um cachorro qualquer estaria tão desamparado debaixo daquela marquise.
Aperto-o com vontade. Começo a tremer de frio, estou molhada. Ele me aperta ainda mais e suas mãos deslizam em meu corpo, sinto a ranhura de seus dedos sobre meius peitos, vencendo minha blusa, ultrapassando o vigor do sutiã novo, a aspereza gelada de sua mão aperta os bicos dos meus peitos. Penso em protestar, mas molhada numa esquina escura no meio de uma madrugada onde o mundo desaba em água?
Dos peitos pra barriga, quando descobre meu piercing, vejo-o sorrir, eu o impeço de falar. Me beija, não pára é o que ele advinha no meu corpo fortemente junto ao dele. Molhada, peciso do seu calor. Ele desliza suas mão pra baixo do meus jeans, abre minhas coxas e, sem pudor, invade minha calcinha. Eu tremo e me lembro de minha mãe falando das meninas fáceis de hoje em dia “Que horror, que horror” e torce o nariz arrebitado em plástica. Não pare, a forma como prendo seus dedos entre minhas coxas úmidas lhe diz. Um, dois, quase três dedos. Molhada, quente.
Ele me põe contra a parede e num gesto automático, como se fizesse isso em todas as madrugadas chuvosas por todas as esquinas da cidade, abre o zíper, tira uma camisinha do bolso e se joga sobre meu corpo. Penso em gritar, mas minha boca chupa os dedos de sua mão; em pedir que pare enquanto algo se rompe definitivamente na minha vida, mas minha boca em sua orelha não deixa; minha voz arfante em palavras desconexas, minha boca na dele. Uma quentura viscosa sai de mim, enquanto esta mesma quentura em ondas se projeta em círculos desde a minha barriga, captada pelos bicos dos meus seios em ondas que me contraem o abdômen, retesam meus músculos. Vonta de rir, descontroladamenete, enquanto ele geme como se tivesse sido atingido por uma dor estranha. Mordo-lhe a orelha.
“Porra! Tá maluca, sua escrota?” Ele tenta reter o sangue que mancha agora seu pescoço. O pau já murcho, num espetáculo deprimente devidamente guardado. Marco saiu furioso e eu, rindo de gargalhar.
Sozinha, depois de dois segundos a chuva pára. Acendo o último cigarro, tento prender o cabelo e tomo o rumo de casa, ainda molhada.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Puto
Os sóis claríssimos sobre o asfalto ainda quente iluminam minha passarela de todas as noites. Se não tenho endereço certo, fico por ali, sentindo o friozinho que, vez por outra, sopra vindo do mar, dois ou três quarteirões ao norte. Gosto de observar as manchas estranhas, borrões metálicos dos néons sobre os carros que passam. Ao lado do meu hidrante, no meio da madrugada, eu estou em casa.
Sei adivinhar o tipo de cara só pela maneira que se aproxima: a quantidade de vezes que passa por mim antes de parar, a velocidade com que abaixa o vidro e faz contato, a música que ecoa lá de dentro.
Gosto de trepar. Até com mulheres, vez por outra. Mas os caras é que me dão tesão de verdade, além de ser um mercado infinito. Muitos chegam tensos, tímidos como se o que fosse ocorrer dali a instantes fosse a coisa mais extraordinária do mundo: pau na boca, no cú, enfim, o óbvio e costumeiro. Eu tenho um jeito especial com estes, converso, os acalmo, ponho a mão em seus ombros o mais rápido que posso, para eles sentirem segurança e sorrio, sempre. O meu melhor sorriso. Há sempre cerveja, ou vinho, até whisky e, então, o álcool faz o resto. Depois de ultrapassada a barreira inicial os fodo com vontade, batendo o saco em suas bundas, mordendo-os na nuca, na pressão exata para que sintam quem manda ali, mas que nunca fiquem marcados e então possam voltar sãos e salvos para suas esposas, namoradas e namorados.
A melhor coisa numa noite é diversificar. Tem uma hora, depois de quatro, cinco encontros comendo que tudo o que você precisa é de alguém que queira apenas que você o chupe, bote o pau do cara lá na garganta e deixo-o esporrar lá dentro. Cobro muito mais barato e é um alívio no meio da madrugada. Ou senão dar a bunda. Faço isso com uma facilidade tremenda: não importa tamanho, calibre ou o quanto o cara enfia a rola em você, tiro de letra e, quase sempre antes que o cara queira, ele se entrega e goza: chave de cu é isso.
Acho o sexo uma das formas mais completas de carinho. Você quer um abraço? Deixe que eu aperto seu corpo junto ao meu enquanto enfio gostoso na sua bunda. Precisa de atenção, sente-se desvalorizado? Durante trinta, quarenta minutos você será o centro do mundo numa dedicação exclusiva e entrega total: tudo o que você quiser.
Se isto é o melhor que eu posso oferecer aos caras, uma espécie de talento nato, porque não ganhar por isso? As pessoas fazem sexo por tantos motivos: carência, auto-afirmação, estresse, porque não posso fazer por dinheiro? Eu não tenho nenhuma espécie de constrangimento, faço com carinho, com vontade, sou, no momento, tudo aquilo que o outro quer que eu seja, que ele precisa que eu seja, isto não é uma forma de amor? Pra mim é e o dinheiro, também. Ah, faço tudo mesmo, só não beijo na boca, ok? Sei lá, é algo assim... muito íntimo, né?
terça-feira, 26 de abril de 2011
Farmacon
A sua loucura, ela punha-a em potes. Em épocas de tensões hormonais, reuniões de avaliação, prazos de entrega: grandes baldes que se espalhavam pela casa toda, sempre respingando e, por isto, não podia mesmo evitar shots de cachaça às segundas, noites insones com homens que sabia não valer a pena nas quartas. Mas tudo bem, o excesso estava mesmo contido em baldes, panelas e vasilhames por toda a a casa.
Normalmente, no entanto, pequenos potes de requeijão, de antigos perfumes, de outros tantos conteúdos lhe bastavam. E assim passava por uma mulher independente, culta e que já chegou a orgasmos inúmeras vezes na vida, uma mulher “Cláudia” ou, até mesmo, uma fêmea “Marie Claire”.
Até bem pouco tempo tampava com força cada pote, a fim de evitar qualquer emanação de loucura. Queria prendê-la, negá-la, tampando-a à vácuo. No entanto aqui e ali, o cabelo tão amansado de secador e escova rebelava-se em cacho, misteriosamente a saia comportada se abria em fendas e ela em confraternizações de trabalho e happy hours para networking se via dando mole de forma horrorosamente vulgar para os mais reprováveis tipos. A loucura havia escapado.
Hoje, a carrega em ampolas na bolsa. Quando o trânsito vai mal, abre suavemente o vidrinho e aspira: aumenta o som e balança a cabeça como num derradeiro show de Metal. No meio da reunião, metas a serem atingidas, capital a ser conquistado; para escapar à carranca de tédio absoluto que ameaça se formar, passa um pouquinho de loucura no pulso e a cheira como um perfume; então, enquanto se decifram os balancetes do ano anterior, desce a mão discretamente, apalpa as próprias cochas, vasculha o interior da saia sentindo a suavidade do tecido que roça sua pele em arrepio e chega, em brevíssimas investidas, na fonte úmida de seu prazer.
Ontem bebeu um vidrinho inteiro e, diante das preocupações do chefe sisudo, riu solta e deliberadamente, pegou suas coisas e, antes de bater a porta com estrondo, jogou, como uma bóia a um náufrago, um pote médio de loucura no colo do patrão com o rótulo: Consumir todo. Acredite, você precisa.
Normalmente, no entanto, pequenos potes de requeijão, de antigos perfumes, de outros tantos conteúdos lhe bastavam. E assim passava por uma mulher independente, culta e que já chegou a orgasmos inúmeras vezes na vida, uma mulher “Cláudia” ou, até mesmo, uma fêmea “Marie Claire”.
Até bem pouco tempo tampava com força cada pote, a fim de evitar qualquer emanação de loucura. Queria prendê-la, negá-la, tampando-a à vácuo. No entanto aqui e ali, o cabelo tão amansado de secador e escova rebelava-se em cacho, misteriosamente a saia comportada se abria em fendas e ela em confraternizações de trabalho e happy hours para networking se via dando mole de forma horrorosamente vulgar para os mais reprováveis tipos. A loucura havia escapado.
Hoje, a carrega em ampolas na bolsa. Quando o trânsito vai mal, abre suavemente o vidrinho e aspira: aumenta o som e balança a cabeça como num derradeiro show de Metal. No meio da reunião, metas a serem atingidas, capital a ser conquistado; para escapar à carranca de tédio absoluto que ameaça se formar, passa um pouquinho de loucura no pulso e a cheira como um perfume; então, enquanto se decifram os balancetes do ano anterior, desce a mão discretamente, apalpa as próprias cochas, vasculha o interior da saia sentindo a suavidade do tecido que roça sua pele em arrepio e chega, em brevíssimas investidas, na fonte úmida de seu prazer.
Ontem bebeu um vidrinho inteiro e, diante das preocupações do chefe sisudo, riu solta e deliberadamente, pegou suas coisas e, antes de bater a porta com estrondo, jogou, como uma bóia a um náufrago, um pote médio de loucura no colo do patrão com o rótulo: Consumir todo. Acredite, você precisa.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
"Quando Setembro chegar" ou "À tarde, com Borboleta"
Sair deste escritório, romper o ensurdecedor barulho dos carros, da britadeira na esquina, esquecer o zumbido constante das pequenas preocupações dos transeuntes. Arregaçar mangas, expulsar a gravata e num rodopio olímpico ver os sapatos pendurados em qualquer fio de alta-tensão.
Quero te encontrar na praia. Deve ser à hora precisa: 17h45. Porque assim falaremos sobre o obscuro dos dias, o pesado da alma, o quanto é preciso ser forte a cada instante e matar um leão a cada três horas neste mundo louco, até que, surpreendidos pela luz rósea, olharemos o Dois Irmãos e, diante do sol, que se vai num último êxtase espalhando sua luminosidade difusa sobre a areia branca, entenderemos que tudo na vida se põe. E que enquanto estamos vivos e de pé não se pode negligenciar o milagre.
Deixaremos lentamente a praia junto à caravana de crianças saltitantes e pais cansados e procuraremos o bar mais simples, com mesas de alumínio, balcão velho, azulejos azuis e cerveja gelada. Do centro do mundo onde estamos, abriremos uma, duas, mais garrafas e ouvindo a noite começar ao redor, fixar-me-ei em teus olhos risonhos que são uma celebração.
Quero te encontrar na praia. Deve ser à hora precisa: 17h45. Porque assim falaremos sobre o obscuro dos dias, o pesado da alma, o quanto é preciso ser forte a cada instante e matar um leão a cada três horas neste mundo louco, até que, surpreendidos pela luz rósea, olharemos o Dois Irmãos e, diante do sol, que se vai num último êxtase espalhando sua luminosidade difusa sobre a areia branca, entenderemos que tudo na vida se põe. E que enquanto estamos vivos e de pé não se pode negligenciar o milagre.
Deixaremos lentamente a praia junto à caravana de crianças saltitantes e pais cansados e procuraremos o bar mais simples, com mesas de alumínio, balcão velho, azulejos azuis e cerveja gelada. Do centro do mundo onde estamos, abriremos uma, duas, mais garrafas e ouvindo a noite começar ao redor, fixar-me-ei em teus olhos risonhos que são uma celebração.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Trecho
Virou-se e a partir da janela, desenhada na parede longínqua, no outro extremo do quarto, adivinhou a luz tênue que recortava fantasmagoricamente os poucos móveis do lugar àquela hora. Ao seu lado, o outro se mexeu. Não precisou se virar pra saber que se levantava e ia em direção ao box: Pode usar a toalha azul. Ok. Respondeu o outro. Em sua própria boca sentiu o ácido suor alheio que ainda lhe impregnava os sentidos. Aqui e ali pelos claros em contraste com seus densos pentelhos negros. O pau murcho, caído de lado, exausto. O tempo do membro rijo é tudo o que soube do outro. Seu nome. Você vem sempre aqui? Tenho este DVD lá em casa. E então todo o amor possível entre o erigir-se e o descanso exausto de um pau que, um pouco antes, ofegava em jarros quentes e torpes sua porra branca sobre o peito do outro. A intimidade do que há entra as pernas, o namoro do cú. Era noite quando o outro saiu com um educado e inútil: a gente se fala.
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