terça-feira, 29 de junho de 2010

iPraga



Meu combalido aparelho de som, após longa agonia, emitiu sua última nota. Aproveitando uma obrigatória passagem da minha irmã pelo Free Shop, lhe encomendei logo um iPod com respectivas caixas de som. Domingo passado ela voltou de viagem, mas me trouxe só a primeira parte da encomenda.

Depois do almoço de boas-vindas, lá fui eu zanzar por todas as lojas de produtos eletrônicos do gigantesco Barra Shopping. Não tinha visto nada que eu gostasse até que já cansado tive o que, parecia ser uma miragem: uma mega loja da Apple. Mas não! Era real! Inaugurada uma semana antes, a maior loja da Apple no Brasil, com vários modelos do que eu queria. As menores caixas tinham também um som bem pouco potente, a única que não testei foi uma em forma de porco, ah não, porco não dá, né?!

Escolhi uma na melhor relação potência/ tamanho/ preço e fui feliz pagar. Atrás de mim chegou uma tia. Devia ter seus sessenta e poucos, cabelos e sobrancelhas gritantemente tingidos de acaju e um porco nas mãos.
- Nossa que grande sua caixa.
-É.. (eu, sem vontade nenhuma de começar uma conversa)
- Vou levar o porquinho, é pequeno, mas tem um som ótimo.
-Legal...
Ufa! Chegara minha vez.
Enquanto pago, a tia me adverte:
-Não vai pedir pra testar? Olha que às vezes dá problema
Testar significava tirar do embrulho e conectar às duas caixas à base, esperar não sei qual funcionário chegar com o iPod dele, o único disponível em toda a loja já que eu não estava com o meu.
- Não vou não. Tô com pressa.
-Olha lá, hein...
Sem dar mais atenção pra tia, peguei minha sacola e saí.

Em casa conectei o iPod, ele funcionou, vi que estava carregando. Só que o som não saía de jeito nenhum! Reconectei as caixas, nada. Troquei-as de lado, nem um pio, nadinha da linda voz de Rufus Wainright. Agonia. Lembro então das sobrancelhas arqueadas e da voz da tia maldita que agora sai em lenta rotação: “Olha que às vezes dá problema”... inferno! Acho que a bruxa de Acaju me lançou uma iPraga.
Se tem alguma coisa que eu detesto é quando as coisas não dão certo. Semanas esperando meu novo som e agora, nada. Merda! Fiquei rogando várias pragas pra tia: que trocassem, na sua próxima ida ao salão, a tinta acaju por ácido sulfúrico, ou que as sobrancelhas caíssem, ou que o porco fosse na verdade uma bomba terrorista que se destinava à Apple dos E.U.A. e veio pra cá por engano. Quando já tinha desistido e pego de volta a caixa para guardar o aparelho, me dei conta de algo: tinha esquecido de ligá-lo na tomada.

A luz se acendeu nas caixas e o som começou a tomar toda a minha sala: Coldplay, cantando uma das minhas favoritas: Clocks. Vou tomar banho. Lá dentro do box, o som chega estranho, ruidoso. Fora também! Na verdade, tem uma caixa que está chiando pacas, saco! Me aparece de novo a figura da tia de acaju. Desta vez, torço para que ele, ao sair da loja, tenha tropeçado e o porco rolado para o meio da Av. das Américas, sendo triturado por um rolo-compressor que estivesse fazendo obras no local.

O jeito é ir até a Barra na manhã seguinte para trocar a porcaria.
Dia seguinte, acordo cedo e saio com a pesada sacola na mão: metrô até a estação Ipanema, ônibus para a Barra, longe, muito longe e engarrafado. Morte às tias de acaju! Já na loja uma recompensa, quem me atende é um vendedor gatinho, com aquele sotaque-delícia do Sul. Testamos o som, desta vez, a caixa que estava chiando, nem funciona. Pegamos outro aparelho, Ele já ia mandar embrulhar quando eu exijo que o abram para testar, Tia deve estar dando gargalhadas e repetindo mentalmente: “Eu te avisei, hahaha... Eu te disse...”.

Testamos o novo aparelho e... um canal de som não funciona! De novo! O gerente pergunta se eu não quero levar outro modelo. Digo que quero um som mais potente e aqueles que estavam ali não me satisfaziam. Foi quando o vendedor-gaúcho-gato me disse:
- O iPig é mais potente que este que você comprou.
O porco!
Contrariado, resolvo testá-lo. Impressionante a capacidade da coisa.
Reflexão mental: Hum... é um porco, não! É bem menor que o outro, sim! O som é ainda mais potente, Yes! e é R$ 200 mais caro, Puta que o pariu!
- Você só tem em amarelo?
Olhos verdes, além de tudo o cara tem olhos verdes.. aiai
- Não senhor, temos ele em branco e preto também.
(Putz, não me chama de “senhor” que eu já imagino uma coisa dominadora.. você preso a correntes, de sunga de couro.. e eu com uma chibata...)
-Senhor?
-Hum... – Olhei de novo pro porco, de repente, tive uma luz. Ele parece, parece... um extra-terrestre, sim! Uau!! Que legal uma caixa de som no formato de um E.T.!

Paguei os R$ 200 a mais e cá estou feliz e contente ouvindo “A menina dança” dos Novos Baianos no meu iE.T. enquanto escrevo este post.
Mas pensa que me arrependi das pragas contra a tia? Tsc... tsc... tsc... Não mesmo.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Você tem sede de que? Você tem fome de quê?

É claro que se você tem o bastante para investir em tudo o que deseja e satisfazer todos os seus sonhos de consumo, não há impasse nenhum em como ivestir/ gastar/ desperdiçar sua grana. Mas para a imensa maioria das pessoas, inclusive para este blogueiro que vos escreve, não é assim que as coisas acontecem.

Pagas as contas, sobra, Graças a Deus, sempre uma graninha. Disso que sobra, eu tiro sempre mais um dinheirinho para manter guardado, afinal sabe-se lá quando você vai ter uma emergência.

E o resto? Em geral eu mantenho o máximo possível na conta. Fico com uma pena danada de gastar meu suado salário. Mas há fases em que invisto.

Logo quando eu deixei a vida religiosa, há quatro anos, quis gastar me proporcionando tudo o que eu não tinha vivido até então. Isto significa todo um novo guarda-roupa, pois eu só usava conjuntos sociais bem tradicionais, leia-se, totalmente sem graça. Gastava muito na night também. Saia, às vezes, Sábado e Domingo. E era habitual na Sexta ir para uma bar/boate, chamado The Copa aqui no Rio. Música pop, caras na faixa dos quarenta e noites inesquecíveis. O problema é que só durava até umas quatro e meia da manhã e eu queria muito mais. Fácil pegar um táxi e ir para o after na Dama de ferro, lugar então dos moderninhos, muito escuro, muito eletrônico, total piração. Por volta de onze e meia, meio-dia, a luz do sol quase me desintegrava quando eu saía, sonâmbulo, para me jogar no sofá de casa sob os olhares aterrorizados da minha mãe, morava com meus pais na época.

Tive a fase também de cuidar da pele obstinadamente. Dá-lhe peelings e outros tratamentos com luzes miraculosas e nomes esquisitos. Até que percebi que poderia passar a vida toda, e gastar tudo o que tinha com aquilo. Talvez tenha sido a decepção pós-preenchimento. Saí do consultório lindo, sem marca nenhuma de acne, e acordei no dia seguinte como se não tivesse gasto uma grana com a porcaria. Minha dermato na época disse que como o produto era à base d´água, poderia evaporar alguma coisa, ela só não disse que poderia ser tudo.

Ultimamente tenho gasto muito com livros. Sempre fizeram parte da minha cesta básica é verdade, mas estou numa fase ensandecida. Quero comprar todos os clássicos das Ciências Sociais, e me dá um frisson danado ver minha biblioteca aumentando. Evito as livrarias, corro pra longe dos sebos, retirei dos favoritos a “Estante Virtual”, mas mesmo assim, caio em tentação. Porém, ei de vencer! Talvez procure algo como um “Compradores Compulsivos de Livros Anônimos”. Quando isto acontecer, já sei o que fazer, começar a investir minha minguada graninha num novo projeto: viajar mais. Mas pra isto é preciso poupar. Com minha grana atual, não dá nem pra um sofá-cama em Paraopeba.


E porque hoje é Sexta:

terça-feira, 22 de junho de 2010

Total Eclipse of the Heart

Sugestão brega: Leia o post ouvindo:




Sentado à mesa de um bar novo na lapa, com o copo da pura cachaça ainda na mão e o gosto quente que começava a se espalhar pela boca, pergunto a Marcelo:
- Você acha que se apaixona rápido demais?
A surpresa é nítida em seu rosto. Ele me disse que não está apaixonado por Hugo, seu namorado. O que me soa como uma contradição.
- Por que você está namorando então?

Um outro amigo, uma vez disse-me que sabe que é hora de começar a namorar quando sente que está extrapolando demais na vida de solteiro, precisa sossegar o facho.

Meio brincando, meio séria, Jú me pergunta por que eu não tento com o bonitinho que ficou me dando mole. “– Porque não to a fim dele, Jú”. Diante da minha resposta ela exclama inconformada: “-Depois não reclama de ficar pra titia”.

Causam-me muita estranheza os motivos que levam alguém a começar um namoro. E eu tenho achado que, na verdade, estou equivocado em esperar que alguém realmente me chame a atenção a tal ponto que seja nítida minha vontade em começar uma história com a pessoa. Nas vezes em que forcei a barra, no esquema de “vamos ver o que rola”, em menos de das semanas, estava completamente saudoso da minha solteirice. Eu não sei se por comodismo, medo, costume, a verdade é que eu me acostumei e descobri o lado bom da minha solidão. Ou a pessoa entra de forma suave e bem-vinda, há um desejo real de tê-la comigo, ou não acontece namoro algum. Manter alguém fazendo esforço, por alguns momentos de prazer a dois, ou para ter a sensação de companhia e cumplicidade, é um esforço tão hercúleo para mim que fico logo exausto.

Faz oito meses que estou solteiro. De Outubro pra cá ninguém me chamou minimamente a atenção. Tenho sentido tesão, feito novas amizades, procurado gente diferente para juntos descobrir novos mundos, mas nada que se aproximasse de algo como um “namorado”. Não acho isto estranho, embora em momentos de carência seja meio desesperador. O fato é que estou chegando num ponto em que “ficar” já não me atrai tanto, a facilidade e o caráter absolutamente descartável dos encontros me cansa e até mesmo o sexo se torna algo requentado, ainda que não possa anular minha fome. No entanto, como fugir disso? Não há como produzir um encontro realmente significativo. Você pode estar aberto, estar atento, mas provocá-lo, não.

Se eu pudesse escolher, modificaria meus padrões, abaixaria meus critérios e seria infeliz para sempre ao lado de alguém que eu não gosto. Mas isto não é uma opção. O difícil é quando depois de um dia de trabalho, sentado no metrô, voltando pra casa, você começa a pensar o quanto seria bom ter alguém à sua espera. Os amigos estranham a minha constante falta de companhia (e como eu tenho amigos casados!) e começo a me perguntar se não há nada errado comigo. Seria um eclipse total do coração?

domingo, 20 de junho de 2010

I MEDDIETOPEBCS !!

Cheguei exatamente à hora marca no Cafeína, tenso. Só tinha o telefone do Lobo e do Daniel, que já dissera que iria se atrasar. O sábado à tarde estava como se esperava na Farme, cheio de gays para todos os lados. Se há algum lugar no Rio onde os héteros podem fazer a experiência do que é ser uma minoria, definitivamente é naquela rua de Ipanema.

Sentei, juntando logo duas mesas e, aos poucos, o café foi enchendo. A disputa habitual por mesas foi se tornando mais acirrada e eu defendia como podia minhas quatro cadeiras desocupadas. Vi que na mesa da frente, um rapaz também esperava, protegendo 2 cadeiras contra as investidas dos que chegavam. 4: 15.

Meia-hora depois do horário combinado, minha tensão atingiu o clímax. Já imagina como escrever um post sobre o fracasso do encontro. E o quanto Foxx iria dizer: “É.. ta vendo? Tsc...tsc...tsc.. cariocas!”. Foi quando do outro lado da rua, reconheci o Lobo, ufa! Mas ele atravessou direto para cumprimentar o rapaz na mesa da frente que, sim! era também blogueiro, o Diego do “Câmera de vigilância”. Sentados os três, eu já bem mais aliviado, começamos a fazer planos maquiavélicos de como introduzir (ui!) o Lobo no submundo gay do qual até hoje ele se mantém imune.

Mais uns dez minutos e chega Daniel. Pedimos os primeiros cafés e a conversa seguia animada, afinal, apesar de ser a primeira vez juntos, já freqüentamos os respectivos blogs a algum tempo. Foi então que surgiu a primeira figura feminina da trupe: Hellomotta seguida pouco tempo depois pela imbatível Mulher *. O time se completa com o Fernando do Lost und found in tranlation.

Falou-se sobre a total amplitude de temas que um encontro como este nos permite. Tudo regado aos deliciosos acepipes do Cafeína. Eu estava animado com a encarnação real, visível, daqueles que a gente só tenta vislumbrar a identidade por meios dos comentários.

Foi de fato uma tarde deliciosa, devidamente registrada em fotos, que não serão publicadas aqui! Não, nada disto, ver-nos é o prêmio para quem for aos próximos encontros... hehe.

Quatro horas de muito blá-blá-blá depois cada um foi seguindo o rumo do seu Sábado à noite. E eu fui feliz tomar umas cervejas com amigos pensando o quanto é legal a gente fazer este movimento do virtual para o real.

Que venha o II MEDDIETOPEBCS !!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Descompasso... Desatino

O menino percebeu cedo que não se encaixava. Diferente dos seus brinquedos de montar, o módulo que era não se acoplava em nenhuma peça até então conhecida. E sabia como peças soltas se perdiam facilmente. Telhados triangulares de fábricas de tijolinhos, uma parte do nariz de palhaço do quebra-cabeça sumiram, para nunca mais voltar. Não era possível haver coisa pior do que não se encaixar.

Vez por outra, viu seu pai fazer força, muita força até que a hélice finalmente compusesse parte integrante do helicóptero. Também sua mãe forçava, de quando em vez, uma parte qualquer de um eletrodoméstico, até que este funcionasse como prova irrefutável de sua bem encaixada inteireza. E assim, o menino foi se forçando pela vida.

E o melhor de tudo é que havia sempre situações, esquemas, propostas pedindo novas peças. E se era para se acoplar que fosse a algo grande, definitivo, eterno. Assim o fez. Diferente de qualquer lego que um esbarrão derruba, pensou que se encaixar em Deus era a melhor coisa a fazer. Aquilo que garantiria para a eternidade a sensação reconfortante de “fazer parte”. E aí, o menino sorriu sorrisos ensaiados, repassou teorias prontas, tinha a resposta para qualquer pergunta, porque o universo inteiro, todas as ambivalências, sonhos e afetos tinham um lugar, um escaninho rotulado e perfeito para ser transmitido com a naturalidade de quem conseguiu decifrar em fórmulas tudo o que a vida pode ser.

O menino não era medíocre, nem falso. Realmente ser conhecedor dos códigos e detentor do segredo da existência foi sua salvação durante anos. Até mesmo o desconforto, a sensação de não pertencimento, que o acompanhara desde sempre, ganhavam nomes pomposos e honras celestiais. O menino então vestia-se como se esperava, falava o que condizia com o que era e parecia ser a encarnação perfeita da função que desempenhava. E isto lhe dava um lugar no mundo, um ponto no tempo-espaço a partir do qual olhava o universo inteiro calculando geometricamente distâncias, régua e compasso para tudo.

Um dia, batem à sua porta. E ele que sempre desmascarara o inesperado nos outros, cobrindo-o de nomes conhecidos e teorias familiares percebeu que não era um outro que ali estava. Atrás da porta, estava ele mesmo, mas não etiquetado, não confortável. O incômodo descompasso continuou batendo até que seu som foi, aos poucos, arruinando as harmonias serenas de tudo na vida do menino. E o que eram as altas paredes, os janelões de toalhas ao vento em dias de sol aprazível, revelou-se cenário, realidade fake de filme ou novela, dos piores.

O menino sabia que seu mundo acabara ali. Que não mais haveria possibilidade de uma realidade inventada, mas crida como verdadeira. Seria preciso vender beleza a quem olhasse para ele, enquanto no seu interior, tudo estaria em ruínas.

E foi então que, por sua conta e risco, o menino aceitou sua estranheza e descompasso em relação ao que, ordinariamente, chamam “vida”.

E neste momento, o menino tornou-se homem.

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I MEDDIETOPEBCS - É AMANHÃ UHUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU !!!!
Dia: 19/06 (Sábado)
Horário: 16h
Local: Cafeína (R. Farme de Amoedo - Ipanema)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cof... Cof... Cof... Atchim!... Bruuuh

A gripe me pegou, por isto, peço que não estranhem este post: desconexo e em retalhos.

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Mal-educado

Querid@s tod@s: Nem agradeci o interesse de vocês pelos meu trabalho da facul, aquele citado em “Outing Acadêmico”. Assim que o tiver corrigido repasso para aqueles que manifestaram o desejo de ler.

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Pra aqueles que experimentaram um D`éjà vu ao assistir o novo clipe de Lady Gaga “Alejandro”, saiba não ocorreu nenhum fenômeno psíquico ou paranormal contigo. Eis a prova:



Precisava do sutiã de metralhadora? Definitivamente Lady Gaga já pode aposentar, deu sua colaboarção inestimável para o pop com a música e o clipe de Bad Romance. E é só.

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Gerundiando

Lendo: “A descoberta do mundo” de Clarice Lispector.
Comentário: Incrível pensar que esta é uma compilação das crônicas publicadas todo Domingo pelo Jornal do Brasil. O que já foi nossa imprensa? Clarice não é de uma leitura fácil, rápida, enquanto se espera o ônibus, na maioria das vezes. Adoro Clarice, sendo que nada, até agora barra o meu preferido dela: “A aprendizagem ou o livro dos prazeres”.

Ouvindo: “I Just Want To Make Love To You” com Etta James.
Comentário: Voz incrível, interpretação eletrizante de uma das minhas cantoras de jazz favoritas.

Vendo: Mad Men
Comentário: Série de Tv americana que retrata em meio ao cotidiano de uma agência publicitária nos anos 60, os questionamentos de um dos seus melhores profissionais, Don Draper. Chama a atenção o descompasso entre a vida do dia-a-dia com suas obrigações e prazres familiares e profissionais e o desejo de algo diferente, mas que não se sabe bem o quê. Além do mais pra quem gosta de homem de verdade, o protagonista, Jon Hamm é uma coisa toda boa, apesar de muito engomadinho na série.

Comendo: Pastel de queijo,
Comentário: Muito. Obstinadamente. Quase uma compulsão. E o pior é que tem uma pastelaria quase na minha esquina... aiai. Bom, mas pra quem quer provar uma versão mais classuda de pastel recomendo aqui no Rio, os do “Bar do Adão”. A matriz é em Vila Isabel e tem uma filial, toda arrumadinha, em Botafogo. Muitas combinações, bem recheado.. uma delícia!

Pensando: Acaba semestre! Acaba logo... ai, acaba vai...
Comentário: Sem comentários.

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Trecho
“A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo”. (Clarice Lispector)
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I MEDDIETOPEBCS - FALTAM 3 DIAS UHUUUUUUU!!!
Dia: 19/06 (Sábado)
Horário: 16h
Local: Cafeína (R. Farme de Amoedo - Ipanema)

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Estranho caso dos SMS’s

Domingo à noite, eu entretido com o meu episódio de Mad Men bipa o celular, torpedo: “Desculpe, acordei super tarde e fui fazer umas coisas, academia, depois família. Maneiro te conhecer. Aqui é meu telefone. Longo beijo”. Hãn? Como assim? Pensei logo: Algum (a) FDP que ficou com o cara/ a moça e deu o telefone errado no fim da noitada!

Educado que sou, e com o coração solidário, respondi: “Eu acho que vc mandou a mensagem pra o número errado. Este é o meu, Rafael”. E continuei entretido a acompanhar as angústias existenciais de Don Draper.

Pouco tempo depois outro SMS: “Pois é vc disse que seu nome era Rafael e o meu é Carlos, mas me chamam Kaká. Não lembra? :(“ Que? Deveria ser uma brincadeira, tratei de ligar logo pro número, mas estranhamente nenhuma das várias tentativas completava a ligação.

Minha resposta: “Que estranho! Eu não conheci ninguém ontem. Até tentei te ligar para desfazer o mal-entendido mas não completa. Sorte aí”. Achei que enfim estava resolvido o mal-entendido. Foi quando aconteceu o mais esquisito de tudo:
“Rafael a genti (sic) se conheceu no Tv-Bar e vc me deu seu cel. Não to entendendo, desculpe se estou incomodando”. Caraca! Eu fui ao tv bar com 2 amigos naquela noite! Mas nem fiquei com ninguém, só dancei horrores. Como assim?
Respondi mais uma vez negando e ainda chegaram mais duas mensagens do cara!

Hipóteses:
1) Algum dos meus 2 amigos brincando comigo(... ridículo). Mesmo assim liguei para eles que alegaram que não tinham nada a ver com a história.
2) Havia um ex-peguete meu lá que estava com um cara esquisito. Será que o FDP deu o meu número e usou o meu nome? Hum... sei não, é muita falsidade ideológica pra uma pessoa só.
3) É o Além querendo unir, de forma inusitada, duas almas gêmeas e sedentas de volúpia e prazer.... Será?

Enfim, um caso bizarro de SMS’S!

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I MEDDIETOPEBCS - FALTAM 4 DIAS UHUUUUUUU!!!
Dia: 19/06 (Sábado)
Horário: 16h
Local: Cafeína (R. Farme de Amoedo - Ipanema)

domingo, 13 de junho de 2010

Respeito

Então tem uma hora que você percebe que a coisa toda está demais. Em algum momento bobo, sem nenhum motivo especial, uma sensação reveladora toma conta de você, uma intuição certeira com a clareza de um “2 + 2”: Você está se desrespeitando.

Tudo isto acaba tomando muito sua energia. Não que você pense nisto obstinadamente, mas a questão está lá, como um pano de fundo de cena, emoldurando, mal ou bem, tudo o que de tão variado se desenrola no palco da sua existência. E energia, pra você, a esta altura de uma vida que está se reconstruindo em amplos sentidos, aos trinta e dois anos, é uma coisa preciosa demais pra você não prestar atenção nela.

E o mais chato de tudo é que tanta energia é gasta em algo que você sempre imaginou que para se autêntico e bom, deveria ser uma fonte renovadora, real e fluída de energia. As coisas estão ao contrário. É preciso tomar uma decisão. Ou a gente se torna eterno servidor da coisa, se arrastando por ruas cheias de pedintes como nós, mãos estendidas aqueles que passam sem nem menear a cabeça e que, na verdade, nem tem nada pra dar, ou a gente descobre que esta fonte de aconchegante calor, de luminosidade criativa, de afeto real está em nós e naqueles que amamos.

Não é uma decisão fácil, não sei nem se uma decisão assim, nascida de uma percepção direta, mas que ocorre no “tão lá dentro da alma” tem alguma relevância prática, se ela vira algo como uma mudança de atitude. Mas deveria, deveria. Porque é preciso que a gente se respeite: a dignidade primeira, basilar é esta afinal.

sábado, 12 de junho de 2010

I MEDDIETOPEBCS ATENÇÃO!!!

Querid@s,

Cometi um erro, dissemos que o nosso I MEDDIETOPEBCS seria sem ser neste Sábado, Dia do Correio Aéreo Nacional, o outro,ou seja, dia 19/06 e não dia 26!
Lobo já disse que pra ele é melhor mesmo dia 19 e eu nem posso no sábado seguinte. Tenho uma festa junina. Enfim ficamos então assim:

I MEDDIETOPEBCS
Dia: 19/06 (Sábado)
Horário: 16h
Local: Cafeína (R. Farme de Amoedo - Ipanema)

P.S.1 Possibilidade de emendarmos com um ou vários chopes depois. Sou sempre a favor do àlcool... rs
P.S.2 Galera seria MUITO BOM se a gente pudesse ter os telefones uns dos outros. Mandem-me por email para rafaelmorello@yahoo.com.br que eu repasso para a galera que vai.
P.S.3: Vamos ser pontuais! (Sou neurótico com horário... rs)
P.S.4: Vamos arrasar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Vamos celebrar este dia!

Todos nós sabemos a importância fundamental do que celebramos hoje. Por isto toda a comemoração é pouca para esta data que é uma das centrais do nosso calendário. Sem o motivo de nossas celebrações hordiernas, o que seria de nós?

Por isto: Viva o Dia do Correio Aéreo Nacional! (12/6).

O Correio Aéreo Nacional (CAN) é um serviço postal militar brasileiro iniciado em 1931. Ele tem a imporantíssima missão de integrar o vasto território ancional e possibilitar a ação governamental em áreas de difícil acesso, possuindo um relevante papel social. Por isto, sem dúvida nenhuma, o Dia do Correio Aéreo Nacional é a COISA MAIS IMPORTANTE EVER DESTE 12/6, não é mesmo?

Viva O Correio Aéreo Nacional!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Outing acadêmico + I MEDDIETOPEBCS

Eu fui fazer Ciências Sociais porque a Filosofia não me bastava mais. Na verdade o que me interessa é ficar ali na encruzilhada entra as duas. Mas a filosofia por si só é muito teórica, versa sobre compreensões que sem dúvidas originam coisas, práticas, hábitos muito concretos, mas não parte destes.

Eu fui fazer ciências sociais porque quero estudar a questão de gênero e diversidade sexual. Compreender os processos de construção social da identidade gay, dar a minha colaboração intelectual para uma questão que me toca tão pessoalmente.

Por isto, apesar do nervosismo, foi com enorme vontade que, ao ser perguntado pelo professor de Antropologia III qual seria o assunto do meu seminário, não titubeei: A relação entre igualdade e hierarquia no segmento LGBT. A proposta era analisarmos em algum aspecto da sociedade a relação entre hierarquia e igualdade.

Quando disse o tema, as pessoas olharam pra mim com aquela cara de “Hum...” e o professor, de uma maneira meio tola, disse que um amigo dele fez um trabalho sobre travestis e era muito bem-casado com uma mulher, que nem sempre a gente estudar um tema significa que “somos aquilo”. Eu fiquei calado, com uma cara de “è, mas não é o meu caso”.

O trabalho ficou ótimo, modestamente (rs). Parti do emergir dos sujeitos LGBT’s como produtores de um discurso sobre si mesmos na década de setenta, que inexistia de forma relevante antes disto. E de como a figura do gay até então era só a do efeminado, a “bicha louca” da qual se pode fazer rir. É preciso rir das bichas porque elas embaralham as noções clássicas atribuídas aos gêneros. São homens que remetem ao feminino. E pior, na cabeça de todos são passivas, “passividade” é algo tipicamente feminino, ao contrário da atividade, força, domínio do macho.

A partir da emersão social do segmento LGBT há uma luta intensa por ampliar a cidadania desses sujeitos, o que vem se realizando num projeto assimilacionista, de alargamento dos direitos já facultados aos héteros. Para isto é necessária uma intensa campanha para assegurar a “normalidade” dos homossexuais o que também se faz, afastando-se da imagem tradicional da bicha tão presente na sociedade ainda hoje. Mostrar que se é um gay másculo, que se é de uma espécie fundamentalmente distinta do viado risível é uma forma de angariar simpatias e possibilidades de interação social muito maiores. Assim, no interior do próprio segmento se reproduz contra os efeminados, um preconceito que, em última instância, por exemplo, na legislativa, todos sofremos. Apesar da igual condição homossexual, há uma hierarquia dentro do próprio segmento com vistas à uma maior aceitação social.

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ATENÇÃO! I MEDDIETOPEBCS

Data: 26/6 (Sábado)
Hora: 16h
Local: ????????
Blogueiros do Rio e Simpatizantes interessados: Manifestem-se!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

I Maravilhoso, Estupendo e De Dar Inveja Em Todo O País Encontro de Blogueiros Cariocas e Simpatizantes (I MEDDIETOPEBCS)

Para esclarecer: Não tenho o menor problema com paulistas/ paulistanos! Adoro São Paulo e seus habitantes. Meu melhor namorado (até agora, please) era de Sampa! Durante 1 ano fui figurinha fácil na Benedito Calixto, no Pedaço de Pizza da R. Augusta, e tantos outros lugares desta megalópole maravilhosa.

Não é implicância é inveja branca! O querido povo de Sampa já fez vários encontros de blogueiros, rolam lanchinhos no ipê do Edu, e o povo carioca, até agora nada. Mas isto vai mudar!

Estamos iniciando os preparativos do “I Maravilhoso, Estupendo e De Dar Inveja Em Todo O País Encontro de Blogueiros Cariocas e Simpatizantes (I MEDDIETOPEBCS)”. Sim!

Já sei que além de mim, Lobo Cinzento, Mulher *, Hellomotta, Yag e Daniel moram no Rio! Os queridos Paulo Faysano (que sugeriu um encontro interestadual) e Paulo Braccini também poderiam vir, além, é claro, do mega requisitado Foxx que já esteve em encontros de blogueiros nos quatro cantos deste país varonil, mas não leva fé na capacidade de reunião dos cariocas... tsc...tsc...tsc... Nós te perdoamos, sua raposa incrédula, e te acolhemos de braços abertos, ok?

Enfim, quem conhecer outros blogueiros cariocas ou simpatizantes de outros estados tão interessantes quanto nós (hehehe...) entrem em contato.
O mais fácil é depois marcar um sábado, em algum café charmoso para horas de boa conversa e muita cafeína.

Contato: rafaelmorello@yahoo.com.br / MSN: rafael-morello@hotmail.com
Tô animado!!!!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mundo virtual... afeto real!

Então, várias coisas acontecendo nesta blogosfera. É muito legal perceber como a gente se sente íntimo daqueles blogueiros que acompanhamos. A vida que perpassa cada post, os sonhos, alegrias, tristezas e ilusões de cada um parecem materializar a pessoa diante de nós e o que temos então, deixa de ser só um simples texto num monitor e ganha os ares de uma boa conversa de bar com amigos, ou de desabafo ao pé do ouvido.

Sei que nem tudo é verídico, que não sei nem a cara (nem o nome!) da maioria dos blogueiros que acompanho. Mas não importa, isto faz parte do mundo virtual mesmo. Mas o meu afeto é, sem dúvida, real.

Fico emocionado em acompanhar o romance entre dois blogueiros que está rolando. Sou leitor assíduo de um deles e me identifico muito com seu “histórico afetivo”. Saber que ele teve um encontro extremamente significativo, lindo por si só, independente do que acontecer daqui para frente é enternecedor. E mostra que mesmo quando a gente se entende seco, a terra é boa por baixo da fina camada áspera e tudo pode brotar de novo.

Conversei a primeira vez com Visão e Mauri no MSN. Que sensação boa, a primeira vez que você fala com alguém e parece que estávamos só continuando um papo que já rolava pelos comentários nos respectivos blogs.

Fiquei meio chocado em ouvir a voz da Vaca Jersey na entrevista para o Yag! Sei lá, “uma voz”: entonação, timbre, palavras é tão mais concreto do que um texto. Adorei o gauchês. E fiquei feliz de conhecer um pouco mais o homem por trás do mito (rs)

A relação com a Bia do “A arte da Palavra” é diferente. Amiga do mundo real, ler seu blog me dá sempre a impressão de um convite para a intimidade, para acessar, para além de todos os outros contextos nos quais nos encontramos, uma dimensão única e muito pessoal, o que me deixa muito feliz.

Muitas vezes o blog é para mim uma forma de me conectar às coisas, treinar meu olhar a respeito da vida, outras, sair da estreiteza das minhas questões e mergulhar no mundo que é cada outra pessoa. Frequentemente, escrever é uma espécie de salvação. As palavras que aliviam, trazem alento... pode ser mesmo só uma teimosia, uma maneira de cismar que mesmo a pior dor, o dia mais sem sentido, se transforma num texto belo e a beleza tem sempre razão de ser.

P.S. Quantos blogam do Rio? Quem? Precisamos organizar nosso “I Maravilhoso, Estupendo e De Dar Inveja Nos Paulistas Encontro de Blogueiros Cariocas” rsrs

Cinza sobre a alma

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu” já dizia o poeta.
Dias claros que são nublados aos olhos. E não há tristeza ou dor, só um inexplicável pairando sobre qualquer alegria, como um fino véu sobre o espelho que então, não brilha.

Dias que os amigos parecem poucos e distantes, no qual se recorda os amores com dificuldade e a vida parece só um tronco seco de outono. Só que a gente nem lembra que virá a primavera.

Mas é também em dias assim que se operam os pequenos milagres. Talvez porque a própria tessitura do ser esteja toda diversa da normal, estamos mais sensíveis, embuídos de nós mesmos, como que recolhidos a nos acariciar, repetindo um “já passa” que ecoa por dentro.

Talvez seja a esperança de algo bom, talvez seja mesmo o bom de todo o dia, acolhido com avidez da necessidade, da expectativa. O fato é que o pequeno milagre surge. O sair à rua num sol de Maio no Rio, folhear as páginas bobas de uma revista qualquer tomando um café fumegante depois de cumprida exaustiva tarefa. Encontrar amigos on-line e descobrir a voz de vaca cheia de gauchês por aí.
Tudo te lembra que apesar do nublado dos olhos, do oco da alma, há vida. E então arranja-se uma esperança qualquer de que ela vá se esgueirando por tudo, espalhando-se sobre o que está disperso e morno sobre o piso e promovendo aquela robustez, que afinal é preciso, para mais um dia.