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segunda-feira, 23 de abril de 2012
Curte aí
Goffman iria adorar o Facebook. Fico imaginando os 15 volumaços sobre o tema que iria escrever. A obra que, de fato, ele chegou a escrever, A representação do eu na vida cotidiana, versa sobre a interação social a partir de papéis simbólicos desempenhados pelas pessoas que interagem e que, em linhas gerais são determinados em suas possibilidades pela sociedade.
Na relação cliente-empregado, marido-mulher as possibilidades de interação são dadas pelo estatuto da sociedade, do grupo social, da época em que tais papéis são desempenhados, cabendo aos indivíduos interpretá-los, mais ou menos conscientemente, a partir deste repertório disponível.
No FB a gente só pode ser feliz. Esta semana duas queridas amigas postaram coisas que mereceriam um comentário animador e depois, um telefonema e um bom abraço real o quanto antes. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que um monte de gente havia "curtido" aquele status?! "Estou mal", "A vida não vale a pena", se eu postar isto, as pessoas vão curtir?!
O fato de só haver, pelo menos "oficialmente", um botão que não seja o "comentar/compartilhar" e que a função deste seja justamente "curtir" me parece uma mensagem bastante clara. Aqui é o reino das Happiest faces ever, por isto, esconda sua tristeza, vá cuidar de seus problemas sozinho, não incomode as pessoas com sua dor. Ficar triste, vez por outra, não é de bom tom, não é educado, as pessoas não precisam saber, mesmo que, graças a outro recurso do site, eu possa determinar quem lerá aquela minha publicação.
O FB é o retrato fiel da nossa sociedade: Além de ser magro, lindo e loiro, há de se ser feliz, sempre. Tristeza é brega, uma coisa assim tão 1998. Vá dançar um pouco de axé, fazer uma comprinha ou ler um bom livro que te dê o segredo do universo e o sentido da vida por R$ 42,99.
E viva o Fakebook!
Curtiu?
terça-feira, 21 de junho de 2011
Elocubrações cifradas ou "Um post que não diz" ou "Escrevo aqui porque terapia está muito caro"
Tudo na vida é assim: movimento, dinâmica, nada de bom que não traga, em algum momento, de alguma forma seu contrário, e, à exceção do mal absoluto e sempre injustificável que, desponta, tétrico, aqui e ali na história, também as situações ruins tem em seu bojo, algo que pode, se revelar de algum modo construtivo, algo que, mesmo à custa de anos depois, ser integrado de forma real a um sentido construído com esforço, às vezes dor, mas que dá norte à existência.
Eu não acredito em paraísos terrestres nem em infernos intermináveis sobre esta terra. Acho que, em cada situação, se tem um e outro, em medidas variáveis e mutantes e o que nós precisamos decidir em cada momento é o quanto suportamos de cada uma delas.
Bom, este post com ar de auto-ajuda chinfrim, elocubrando teorias com a sagacidade literária de um Paulo Coelho (nunca vou me perdoar por isto) é um disfarce. Uma forma de não dizer o que nem eu mesmo sei, mas que está aqui, eu sinto. Pode-se querer e não querer quase ao mesmo tempo?
Quando é precipitado cortar as situações? Antes de que ponto? Não é covardia deixá-las se esticar até o momento do não mais possível, quando por si só, elas arrebentam? E o mais importante: Como permanecer, de algum modo, fiel a si mesmo, o que quer que isto signifique?
Sabe o que mais? Vou ali tomar um café: bem forte e amargo.
Eu não acredito em paraísos terrestres nem em infernos intermináveis sobre esta terra. Acho que, em cada situação, se tem um e outro, em medidas variáveis e mutantes e o que nós precisamos decidir em cada momento é o quanto suportamos de cada uma delas.
Bom, este post com ar de auto-ajuda chinfrim, elocubrando teorias com a sagacidade literária de um Paulo Coelho (nunca vou me perdoar por isto) é um disfarce. Uma forma de não dizer o que nem eu mesmo sei, mas que está aqui, eu sinto. Pode-se querer e não querer quase ao mesmo tempo?
Quando é precipitado cortar as situações? Antes de que ponto? Não é covardia deixá-las se esticar até o momento do não mais possível, quando por si só, elas arrebentam? E o mais importante: Como permanecer, de algum modo, fiel a si mesmo, o que quer que isto signifique?
Sabe o que mais? Vou ali tomar um café: bem forte e amargo.
domingo, 20 de março de 2011
Post do fim do dia
A luminosidade que nunca é abundante se faz sombra àquela hora. Tudo parece ser sugado lentamente pela escuridão que se espraia em ondas e submerge todo o até então visível. Se eu posso acompanhar o crepúsculo acho lindo e paro qualquer coisa pra ver o sol descer preguiçoso ao seu esconderijo. Mas, de casa isto é impossível, só o que acontece é a noite invadindo tudo num degradée lúgubre.
Se é Domingo este espetáculo desolador atinge o ápice. Está decretado: Acabou o final-de-semana. Eu, normalmente, acendo as luzes, ligo o som, vou tomar um café com amigos. Mas não hoje. Enquanto a escuridão, dentro e fora, se fazia, não fugi. Postei-me de pé, de frente à janela, sem pensar em nada. Os pés firmes no momento. Os olhos só vendo o desaparecer gradual de tudo, os ouvidos no silêncio. Aceitei. O declinar do dia, a ferrugem dos sonhos, a corrosão do Domingo. Como um tecido que fosse a partir do interior se esgarçando, soltando sua trama, libertando seus fios complexos e unidos em pontas soltas. Buracos. É assim que a escuridão vence o dia. É assim que noite desfaz os sonhos, aqueles que se tem acordado.
E eu não tive medo e nem fiquei triste por ser assim. Aceitei. Porque, de algum modo, o que se desfaz não é tudo. O que se desfaz é o convite à nossa persistência, ao labor, à maturação do dia-a-dia.
Enquanto a escuridão lá fora grassa, permaneço de pé. E se já não vejo os passos dados, lá trás, por força de abismos e me é desconhecido o porvir, sinto que, pelo menos, estou com os pés bem firmes no chão que piso e que este é todo o necessário por agora. Ainda sem as amplidões desejadas, quiçá alcançáveis, e os campos para se correr livremente, tudo o que preciso e tenho no momento é a terra firme bem debaixo dos meus pés.
No escuro eu estou só. Sem um corpo quente junto ao meu num abraço, sem mãos amigas às minhas, mas permaneço ereto, a coluna pronta, a cabeça erguida, mesmo que sinta em meus joelhos, vez por outra, o cansaço dos anos e das despedidas.
Eu permaneço no escuro como só um homem pode fazer. Consciente de si, sabedor da noite, mas ainda com um coração em fogo, basta que se soprem as cinzas.
Se é Domingo este espetáculo desolador atinge o ápice. Está decretado: Acabou o final-de-semana. Eu, normalmente, acendo as luzes, ligo o som, vou tomar um café com amigos. Mas não hoje. Enquanto a escuridão, dentro e fora, se fazia, não fugi. Postei-me de pé, de frente à janela, sem pensar em nada. Os pés firmes no momento. Os olhos só vendo o desaparecer gradual de tudo, os ouvidos no silêncio. Aceitei. O declinar do dia, a ferrugem dos sonhos, a corrosão do Domingo. Como um tecido que fosse a partir do interior se esgarçando, soltando sua trama, libertando seus fios complexos e unidos em pontas soltas. Buracos. É assim que a escuridão vence o dia. É assim que noite desfaz os sonhos, aqueles que se tem acordado.
E eu não tive medo e nem fiquei triste por ser assim. Aceitei. Porque, de algum modo, o que se desfaz não é tudo. O que se desfaz é o convite à nossa persistência, ao labor, à maturação do dia-a-dia.
Enquanto a escuridão lá fora grassa, permaneço de pé. E se já não vejo os passos dados, lá trás, por força de abismos e me é desconhecido o porvir, sinto que, pelo menos, estou com os pés bem firmes no chão que piso e que este é todo o necessário por agora. Ainda sem as amplidões desejadas, quiçá alcançáveis, e os campos para se correr livremente, tudo o que preciso e tenho no momento é a terra firme bem debaixo dos meus pés.
No escuro eu estou só. Sem um corpo quente junto ao meu num abraço, sem mãos amigas às minhas, mas permaneço ereto, a coluna pronta, a cabeça erguida, mesmo que sinta em meus joelhos, vez por outra, o cansaço dos anos e das despedidas.
Eu permaneço no escuro como só um homem pode fazer. Consciente de si, sabedor da noite, mas ainda com um coração em fogo, basta que se soprem as cinzas.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Cá com meus botões...
Eu sou alguém que precisa de um Personal Organizator Tabajara. Se eu sei qual é a meta, percebo a direção a ser tomada, o objetivo final a ser alcançado me lanço e trabalho incansavelmente, entre suores e esforços e faço o que tem de ser feito. A questão é que nem sempre eu sei o que precisa ser feito. E me é extremamente difícil fazer mais de duas ou três coisas simultaneamente. (Nessa hora lembro das minhas amigas: ergueriam as sobrancelhas e depois do gole na cerveja diriam simplesmente: homens...)
Atualmente eu estou um pouco além da metade do meu curso de Licenciatura em Ciências Sociais e preparo um projeto de doutorado sabe-se-lá pra quando. E entre as exigências do presente e as do futuro imediato eu me perco. Olho pra minha situação profissional hoje e a única coisa que me dá real satisfação é pensar que é algo temporário, o necessário pra pagar as contas e pra uma cervejinha no sábado. Mas se eu não preparar esse projeto, não começar a pavimentar seriamente o futuro, ele, simplesmente, não virá.
Ontem, conversando com uma amigona querida entre uma garfada e outra de frango xadrez com champignon e broto de bambu, eu percebi o que preciso para, sem negligenciar ao que tenho de fazer hoje, começar a preparar o que quero amanhã.
Vai me exigir mais esforço, energia e disciplina, mas isso eu tenho, eu sei. Agora que entendi a missão, é realizar o que faço muito bem: direcionar todos os músculos, neurônios e o escasso e precioso tempo para ela.
Ajuda também realocar energias dissipadas de outras áreas, a afetiva, por exemplo. Eu já procurei o cara, já tive fases nas quais queria um cara legal e agora eu não quero. Pelo menos por agora, pelo menos por enquanto. Novo lema? Hum, deixa eu pensar.... “Aos amigos tudo, aos homens o meu corpo”... porque sete anos de celibato já foram suficientes, né não? (rs)
Atualmente eu estou um pouco além da metade do meu curso de Licenciatura em Ciências Sociais e preparo um projeto de doutorado sabe-se-lá pra quando. E entre as exigências do presente e as do futuro imediato eu me perco. Olho pra minha situação profissional hoje e a única coisa que me dá real satisfação é pensar que é algo temporário, o necessário pra pagar as contas e pra uma cervejinha no sábado. Mas se eu não preparar esse projeto, não começar a pavimentar seriamente o futuro, ele, simplesmente, não virá.
Ontem, conversando com uma amigona querida entre uma garfada e outra de frango xadrez com champignon e broto de bambu, eu percebi o que preciso para, sem negligenciar ao que tenho de fazer hoje, começar a preparar o que quero amanhã.
Vai me exigir mais esforço, energia e disciplina, mas isso eu tenho, eu sei. Agora que entendi a missão, é realizar o que faço muito bem: direcionar todos os músculos, neurônios e o escasso e precioso tempo para ela.
Ajuda também realocar energias dissipadas de outras áreas, a afetiva, por exemplo. Eu já procurei o cara, já tive fases nas quais queria um cara legal e agora eu não quero. Pelo menos por agora, pelo menos por enquanto. Novo lema? Hum, deixa eu pensar.... “Aos amigos tudo, aos homens o meu corpo”... porque sete anos de celibato já foram suficientes, né não? (rs)
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