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terça-feira, 12 de abril de 2011

Não somos racistas?!

“O número de homicídios de jovens brancos caiu significativamente no período 2002/2008, passando de 6.592 para 4.582, o que representa uma queda de 30% nesses seis anos. Já entre os jovens negros, os homicídios passaram de 11.308 para 12.749, o que representa um incremento de 13%. Com isso, a brecha de mortalidade entre brancos e negros cresceu 43% num breve lapso de tempo. Da mesma forma, se as taxas brancas caíram 23,3% (de 39,3 para 30,2) as taxas negras cresceram 13,2% no período. Com esse diferencial de evolução entre brancos e negros, a brecha histórica de vitimização negra se incentiva drasticamente no quinquênio: Em 2002, morriam proporcionalmente 45,8% mais negros do que brancos. Se esse já é um dado grave, em 2005, esse indicador sobe mais ainda: vai para 77,8%. E, em 2008, o índice atinge 127,6%.”

Ano: 2008
Taxa de homicídio de jovens negros entre 15 e 25 anos: 70,6%
Fonte: WAISELFISZ, Julio Jacobo (coord.). Mapa da violência 2011. Instituto Sangari. Ministério da Justiça. p. 60-65.

Não dá pra diluir a questão racial no Brasil na gritante diferença social entre ricos e pobres. Há uma razão histórica para que a maioria destes últimos serem negros: Uma abolição quase pró-forma, realizada sem nenhuma preocupação de inserção social do contingento liberto de forma digna na sociedade brasileira. Aos negros restou permanecer nas cozinhas, realizando trabalhos braçais.

Ainda hoje se você é pobre, há mais probabilidade de ter uma arma apontada pra sua cabeça, mas se você além de pobre é negro esta possibilidade é 127% maior.

A celebrada democracia racial brasileira é um mito que serve à uma ideologia: a dos desejosos de perpetuar o status quo.