Há tempos que parei de brigar com minha urgência de tudo. Às vezes ela me castiga, estala às costas duras, verdades impróprias. Faz desabar sobre mim como escombros de uma demolição, o fazer-se lento de tudo e eu me acuso. Sei que ela quer velocidades impossíveis, frutos maduros que não passam pelo verde, soluções onde nem sempre se entendeu direito os problemas.
Mas ela é também um brado, um grito que rompe as cadeias, e lança pra fora o que quer me subtrair ao movimento da vida. No fundo, eu sei, é a vida que grita urgente em mim, por tudo e sempre desejosa de mais, como se a consciência do privilégio de se estar vivo, porque logo depois a morte espreita, fizesse qualquer coisa pequena demais diante do que pode ser, ainda, existir.
Eu demorei a aceitar o grito da vida em mim. E ainda hoje, tento encobrí-lo, sufocá-lo. Apelo a pensamentos ponderados, busco psicologicamente sua origem, finjo desmascará-lo em sua loucura inútil. Mas ele está aqui, em mim. É como se após uma briga qualquer com palavras certeiras de separação e abandono, seu homem pousasse a mão dele sobre suas coxas,e só ao contato áspero, ao toque quente, você soubesse que fugir é inútil. Que entregar-se é o mais burro e o melhor a se fazer.
Minha urgência sonha ser artista, acha que é no escrever como única salvação, no rir com amigos como a maior prova de amor que alguém oferece e em todo vinho veritas que está o sentido de fato. E eu que tento ganhar dinheiro, organizar minha agenda, fazer meu projeto de doutorado e votar consciente nas eleições, deixo minha urgência solta, distraída, de peruca e livros na mão, fones no ouvido, sorvendo cálices e cálices, até que ela me tome novamente, até que, de novo, ela me lembre que em meio a tudo, o que importa, é viver.
terça-feira, 27 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Lerê..Lerê...
“Do trabalho de tuas mãos hás de viver”. Esta é uma frase bíblica. Não sei exatamente de qual livro, em qual contexto está escrita, mas, para mim, parece uma benção. Que cada ser humano possa viver do que faz. O verbo usado não é “sobreviver” nem há uma locução adverbial de modo qualificando a vida como, por exemplo: “Do trabalho de tuas mãos hás de viver mal e porcamente”.
Trabalho numa editora pequena e além da minha função sou o quebra-galho, quando posso, para assumir funções que originalmente, pertencem a outros. A assistente administrativa terá que passar por uma cirurgia no início de Agosto e, por um acréscimo no meu salário, aceitei substituí-la no período. É um trabalho muito detalhista, cheio de papéis, senhas, notas fiscais. Coisas que passam longe de qualquer coisa que já tenha feito na vida.
Mas para, além disto, eu fiquei pensando como seria infeliz se aquilo fosse o meu trabalho há mais de dez anos, como é o caso desta funcionária. Sei que as pessoas são diferentes, com diferentes gostos, mas não é possível que ficar numa salinha isolada de todos, organizando toda a burocracia que envolve uma pequena empresa no Brasil seja muito realizador para ninguém. Junte-se isto o salário magro e a distância enorme de casa ao trabalho e a referência com que passei a tratar esta funcionária, quase que inclinando-me diante de um nobre, se explica totalmente.
Eu ainda não tenho o trabalho da minha vida, aquele que para além de ser algo que eu faça, é o que realizo de mais pessoal, minha máxima contribuição, expressão mesma do que acredito. Mas eu estou buscando isto e, graças aos deuses, posso me dar este luxo de perseguir não só o que paga minhas contas, mas aquilo que verdadeiramente quero.
Uma das coisas mais legais que já ouvi sobre esta coisa de trabalho como realização pessoal e não só financeira foi numa aula que tive sobre Hegel. Para este filósofo alemão no trabalho o ser humano sai de si mesmo e se lança sobre o mundo, sobre a matéria, o objeto de seu trabalho e quando volta a si, o faz sempre de maneira mais rica, mais profunda, porque neste processo experimenta sua capacidade, explora e desenvolve seus dons, cresce em autoconfiança.
O fruto do trabalho é muito mais que o salário.. mas isto, infelizmente, não é pra todos.
Trabalho numa editora pequena e além da minha função sou o quebra-galho, quando posso, para assumir funções que originalmente, pertencem a outros. A assistente administrativa terá que passar por uma cirurgia no início de Agosto e, por um acréscimo no meu salário, aceitei substituí-la no período. É um trabalho muito detalhista, cheio de papéis, senhas, notas fiscais. Coisas que passam longe de qualquer coisa que já tenha feito na vida.
Mas para, além disto, eu fiquei pensando como seria infeliz se aquilo fosse o meu trabalho há mais de dez anos, como é o caso desta funcionária. Sei que as pessoas são diferentes, com diferentes gostos, mas não é possível que ficar numa salinha isolada de todos, organizando toda a burocracia que envolve uma pequena empresa no Brasil seja muito realizador para ninguém. Junte-se isto o salário magro e a distância enorme de casa ao trabalho e a referência com que passei a tratar esta funcionária, quase que inclinando-me diante de um nobre, se explica totalmente.
Eu ainda não tenho o trabalho da minha vida, aquele que para além de ser algo que eu faça, é o que realizo de mais pessoal, minha máxima contribuição, expressão mesma do que acredito. Mas eu estou buscando isto e, graças aos deuses, posso me dar este luxo de perseguir não só o que paga minhas contas, mas aquilo que verdadeiramente quero.
Uma das coisas mais legais que já ouvi sobre esta coisa de trabalho como realização pessoal e não só financeira foi numa aula que tive sobre Hegel. Para este filósofo alemão no trabalho o ser humano sai de si mesmo e se lança sobre o mundo, sobre a matéria, o objeto de seu trabalho e quando volta a si, o faz sempre de maneira mais rica, mais profunda, porque neste processo experimenta sua capacidade, explora e desenvolve seus dons, cresce em autoconfiança.
O fruto do trabalho é muito mais que o salário.. mas isto, infelizmente, não é pra todos.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Rapidinhas

Em primeiro lugar devo esclarecer que há certo blog cuja autora é uma bovina muito conhecida em Blogsville que ROUBOU o nome da minha seção. Sim, eu uso “Rapidinhas” desde 29/01/2009 e já entrei com um processo no Juizados de Pequenas e Ridículas Causas.. quero uma enorme indenização e paga em favores sexuais!
****
Dislexia ou ninfomania?
Quando era criança, acho que lá pela terceira ou quarta série, deram-me um texto para ler em voz alta. Ele começava assim: “Por aqui... por ali”. Na hora, eu simplesmente disse: “Porra aqui, porra ali” E fui mandado para a diretoria, a professora não acreditou que foi sem querer de jeito nenhum.
Trabalho revisando conteúdo editorial de música clássica. Já por duas vezes ao invés de “Concerto grosso em fá maior”, escrevi: “Como é gosto em fá maior”.. será um obsessão inconsciente por coisas grossas e gostosas?
Subindo no elevador do prédio onde trabalho, esta semana. Há um monitor no qual são veiculadas diversas propagandas. Qual não foi minha surpresa ao ler numa delas, do KFC uma oferta de “Boquete parmeggiano”?! Como assim? Escandalizado olhei para a cara de todos os estranhos do elevador que estavam com aquela mesma cara que todos os estranhos de elevador possuem, até que li de novo a oferta: “Banquete parmeggiano”
Serei eu um tarado ou um anafalbeto?
****
Sobre o dia do amigo, nada falarei pra aqueles que me são próximos. Dar-lhes-ei meu melhor abraço, aquele que nem é da família, nem da paixão voluptuosa, aquele que só se dá mesmo nos verdadeiros amigos. Acompanhado de olhos úmidos e cafunés furtivos como se o corpo todo tentasse exprimir o indizível: o quanto vale um amigo de verdade.
Para vocês, quero dizer que, mesmo sendo a nossa amizade (ainda) virtual, meu afeto por todos que fazem parte de Blogsville é, de fato, real.
****
Não me sai da cabeça, Versão maravilhosa da música dos Beatles e olha que clipe lindo!
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Por entre caminhos e veredas
Se o terreno pelo qual se caminha é desconhecido, é preciso sempre confiar nas sinalizações. Alguém passou por ali e dispôs as placas para que os transeuntes não percam tempo e energia tentando orientar-se: siga a seta, dobre à direita. Ma se você sabe onde pisa, se acha que pode antever as curvas e tem um senso geral de orientação, apesar de não desprezar as placas, você vez por outra, entra por atalhos, encurta distâncias, trilha veredas mais aprazíveis em fortes tardes de calor e, você pode tudo isto, porque é um iniciado.
Em conversas despretensiosas, em diferentes momentos do Domingo, senti que só eu mesmo posso fazer meu caminho e que há algumas estradas amplas e largas, bem sinalizadas por onde transitam multidões que me são completamente estranhas e sinistras.
Almocei com amigos queridos, dentre os quais se inclui J., mulher balzaquiana elegante, prendada e articulada que descobriu, num encontro hollywoodiano, o amor da sua vida em C., e confirmando o que, antes eu achava ser uma lenda urbana sobre o amor lésbico, em um mês se mudou para a casa desta, vivendo as duas felizes até o dia de hoje. J. possui muitas e reconfortantes certezas, daquelas que aplainam o escarpado caminho da vida e uma das mais fundamentais é a de que alguém só pode ser realmente feliz se casar.
E adivinhem qual tem sido o tema recorrente de nossas conversas? O assunto que sempre reaparece? Sobre o que, basicamente, J. se preocupa em relação a mim? Claro, o fato de eu estar solteiro.
À tardinha, fui tomar um chope com uns amigos, dois deles de Campinas que estavam aqui. Todos homens, gays, sendo um casal e um solteiro. Contaram-me das duas baladas que tinham ido na sexta e no sábado, de como o solteiro bebeu e beijou mil bocas em cada noite. E eu espantei-me pela sofreguidão do relato. Não foi um espanto moralista, que reivindicasse “certo” ou “errado”, mas fruto de uma percepção muito nítida de que, para mim, se você beija cinco numa noite, você não saboreou de verdade nenhum beijo. E este não é o meu caminho.
Que J. e o solteiro sejam felizes em suas trilhas, que cheguem onde querem, ou a lugar algum, se esse for seu desejo. Eu, porém, sigo pela vida no meu ritmo, na minha andança, que às vezes acho cansativa demais, demorada demais, mas que na qual, sem dúvida alguma, reconheço meus passos, os meus próprios passos pelo caminho.
Em conversas despretensiosas, em diferentes momentos do Domingo, senti que só eu mesmo posso fazer meu caminho e que há algumas estradas amplas e largas, bem sinalizadas por onde transitam multidões que me são completamente estranhas e sinistras.
Almocei com amigos queridos, dentre os quais se inclui J., mulher balzaquiana elegante, prendada e articulada que descobriu, num encontro hollywoodiano, o amor da sua vida em C., e confirmando o que, antes eu achava ser uma lenda urbana sobre o amor lésbico, em um mês se mudou para a casa desta, vivendo as duas felizes até o dia de hoje. J. possui muitas e reconfortantes certezas, daquelas que aplainam o escarpado caminho da vida e uma das mais fundamentais é a de que alguém só pode ser realmente feliz se casar.
E adivinhem qual tem sido o tema recorrente de nossas conversas? O assunto que sempre reaparece? Sobre o que, basicamente, J. se preocupa em relação a mim? Claro, o fato de eu estar solteiro.
À tardinha, fui tomar um chope com uns amigos, dois deles de Campinas que estavam aqui. Todos homens, gays, sendo um casal e um solteiro. Contaram-me das duas baladas que tinham ido na sexta e no sábado, de como o solteiro bebeu e beijou mil bocas em cada noite. E eu espantei-me pela sofreguidão do relato. Não foi um espanto moralista, que reivindicasse “certo” ou “errado”, mas fruto de uma percepção muito nítida de que, para mim, se você beija cinco numa noite, você não saboreou de verdade nenhum beijo. E este não é o meu caminho.
Que J. e o solteiro sejam felizes em suas trilhas, que cheguem onde querem, ou a lugar algum, se esse for seu desejo. Eu, porém, sigo pela vida no meu ritmo, na minha andança, que às vezes acho cansativa demais, demorada demais, mas que na qual, sem dúvida alguma, reconheço meus passos, os meus próprios passos pelo caminho.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Eu quero saborear os frutos!
Eu acho mesmo que estamos no alvorecer de uma lenta, trabalhosa, mas real mudança sobre a questão gay no mundo. Apesar das resistências que são inúmera vemos, cada vez mais, os Estados reconhecerem legalmente os direitos homossexuais seja sob a modesta figura jurídica da “união civil”, seja na forma plena do “casamento”.
Emocionei-me com os argentinos que esperavam em vigília pelo resultado da votação no Senado e que, às 4h da manhã, celebraram a aprovação do casamento gay no país. Eles já tinham a união estável em Buenos Aires e em alguns outros estados e agora podem adotar crianças, ter garantido o direito de herança e tantos outros que fazem com que um cidadão seja, de fato, reconhecido como tal, independente de com quem ele se deita.
Aqui, tudo permanece evasivo e medroso. Basta ver como se pronunciam a respeito da questão os nossos presidenciáveis. Marina Silva é contra, e nem poderia ser diferente, sendo da Assembléia de Deus. Dilma ficou completamente em cima do muro, apesar do governo Lula ter avançado muito em algumas questões sobre a cidadania gay, pelo menos, organizando e reconhecendo fóruns de discussão em todos os níveis municipal, estadual e federal. Sobre o Serra eu realmente estou desinformado.
Meu voto este ano será bem utilitário e o critério será a questão do reconhecimento dos direitos LGBT. Não gosto muito da atuação política do Sérgio Cabral aqui no Rio. Mas tenho que reconhecer que, desde de que ele foi presidente da Assembléia Legislativa ele vem trabalhando em prol dos nossos direitos. Voto nele.
É vergonhoso que enquanto nos congratulamos com nossos hermanos pela possibilidade legal do casamento gay, enquanto o Uruguai e Chile aprovaram a união civil, o máximo que temos em termos legais no Brasil é uma brecha ridícula na legislação: registrar a união como uma parceria, quase um contrato comercial.
Estamos mesmo num momento de transição, se pararmos e olharmos para trás, cinqüenta, sessenta anos atrás veremos o quanto avançamos, mas que eu quero ver esses brotos mudados em frutos, todos maduros, pendentes dos cachos, os ramos verdes abertos em flor, ah! Eu quero.
Emocionei-me com os argentinos que esperavam em vigília pelo resultado da votação no Senado e que, às 4h da manhã, celebraram a aprovação do casamento gay no país. Eles já tinham a união estável em Buenos Aires e em alguns outros estados e agora podem adotar crianças, ter garantido o direito de herança e tantos outros que fazem com que um cidadão seja, de fato, reconhecido como tal, independente de com quem ele se deita.
Aqui, tudo permanece evasivo e medroso. Basta ver como se pronunciam a respeito da questão os nossos presidenciáveis. Marina Silva é contra, e nem poderia ser diferente, sendo da Assembléia de Deus. Dilma ficou completamente em cima do muro, apesar do governo Lula ter avançado muito em algumas questões sobre a cidadania gay, pelo menos, organizando e reconhecendo fóruns de discussão em todos os níveis municipal, estadual e federal. Sobre o Serra eu realmente estou desinformado.
Meu voto este ano será bem utilitário e o critério será a questão do reconhecimento dos direitos LGBT. Não gosto muito da atuação política do Sérgio Cabral aqui no Rio. Mas tenho que reconhecer que, desde de que ele foi presidente da Assembléia Legislativa ele vem trabalhando em prol dos nossos direitos. Voto nele.
É vergonhoso que enquanto nos congratulamos com nossos hermanos pela possibilidade legal do casamento gay, enquanto o Uruguai e Chile aprovaram a união civil, o máximo que temos em termos legais no Brasil é uma brecha ridícula na legislação: registrar a união como uma parceria, quase um contrato comercial.
Estamos mesmo num momento de transição, se pararmos e olharmos para trás, cinqüenta, sessenta anos atrás veremos o quanto avançamos, mas que eu quero ver esses brotos mudados em frutos, todos maduros, pendentes dos cachos, os ramos verdes abertos em flor, ah! Eu quero.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
alegrias...
O que se procura com ardor, pelas estradas, não se acha. As fomes ancestrais que devoram os estômagos, corações e vidas de todos os homens só crescem. O desejo nunca saciado estala por todas as paragens, campos e seu uivo ecoa desde a rua aos últimos andares dos edifícios.
O homem, este mendicante. Pensar dói, desejar é loucura. Por isto nos distraímos. Precisamos de apetrechos, gadgets, fofoca, porque se nos concentramos sobre o que nos falta, então, nossos olhos se abrirão. Se ao menos chegássemos perto de agarrá-lo, ele simplesmente saltaria por sobre nossas cabeças e se tornaria, de novo, o inalcançável. Somos os eternos insatisfeitos, os nunca realizados por completo, aqueles que só precisam variar os motivos de sua carência, já que estes não faltam.
E isto nos faz estranhamente humanos. Nos dá a arte, esta mentira necessária de alguma plenitude, a técnica, para nos distrairmos construindo um mundo, o amor, a forma mais sublime de escapar do trágico destino que nos pervade a todos: nascer e morrer absolutamente só.
E nada disto quer dizer que a vida seja má. Mas que, sem desconsiderar a necessidade de um pouco de utopia para temperar sua rudeza, é preciso abraçá-la nua, como esta nos chega. Se não esperamos nada depois que dê sentido ao agora, nenhum fim redentor que aja retrospectivamente, o que nos resta? Agora.
Sol bom na pele fria, uma vista, café quente e amargo, antes o cheiro deste a se espalhar por tudo, qualquer coisa com amigos. Um amor quando em vez. Tudo o que se comunique a nós e sem palavras transmita a sensação certeira de se estar vivo. E isto é bom. As pequenas alegrias. Isto importa.
Quer mais?
Ouça aí embaixo...
O homem, este mendicante. Pensar dói, desejar é loucura. Por isto nos distraímos. Precisamos de apetrechos, gadgets, fofoca, porque se nos concentramos sobre o que nos falta, então, nossos olhos se abrirão. Se ao menos chegássemos perto de agarrá-lo, ele simplesmente saltaria por sobre nossas cabeças e se tornaria, de novo, o inalcançável. Somos os eternos insatisfeitos, os nunca realizados por completo, aqueles que só precisam variar os motivos de sua carência, já que estes não faltam.
E isto nos faz estranhamente humanos. Nos dá a arte, esta mentira necessária de alguma plenitude, a técnica, para nos distrairmos construindo um mundo, o amor, a forma mais sublime de escapar do trágico destino que nos pervade a todos: nascer e morrer absolutamente só.
E nada disto quer dizer que a vida seja má. Mas que, sem desconsiderar a necessidade de um pouco de utopia para temperar sua rudeza, é preciso abraçá-la nua, como esta nos chega. Se não esperamos nada depois que dê sentido ao agora, nenhum fim redentor que aja retrospectivamente, o que nos resta? Agora.
Sol bom na pele fria, uma vista, café quente e amargo, antes o cheiro deste a se espalhar por tudo, qualquer coisa com amigos. Um amor quando em vez. Tudo o que se comunique a nós e sem palavras transmita a sensação certeira de se estar vivo. E isto é bom. As pequenas alegrias. Isto importa.
Quer mais?
Ouça aí embaixo...
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Não sabe, não sabe... Cabeça de burro, orelhas de E.T.
Eu faltei a aula. Aquela em que ensinam as pessoas normais que algo parecido com “namorar” significa ligar todo dia, mais de uma vez por dia, para o pretê. Devo ter perdido uma semana inteira da classe de “Alfabetização afetiva” já que não entendo o motivo pelo qual, só porque você teve um fim de semana ótimo com um cara legal: companhia agradável, intimidade real, sexo maravilhoso e, disto tudo, surgiu o recíproco desejo de se verem mais, de se conhecerem melhor, é necessário fazer um relatório ao final do dia das suas atividades.
Num antigo namoro, uma crise surgiu do nada porque não nos falamos dois dias. E eu, inocente que só, achava a coisa mais natural do mundo. O interessante é que todos os meus amigos pra quem relatei a discussão, acharam um absurdo também eu não ter ligado: 2 dias!
E isto não porque eu seja um cara frio, difícil de expressar sentimentos, não mesmo. Sou carinhoso, beijoqueiro, aquele tipo que pode passar agarrado horas e horas fazendo absolutamente nada que vai estar feliz só por estar junto ao outro. Ou seja, sou um bom pretê ao vivo. Fico em recuperação mesmo nesta coisa de “Como expressar seu interesse e carinho quando você não está com o outro”. Preciso dizer que comi rúcula hoje na salada? Fui duas vezes ao banheiro e bati o dedão na quina da porta? Digo que tenho saudades, isto sim. Ou melhor, na maioria das vezes, escrevo. Torpedeio meus sentimentos à distância, porque, no meio de uma reunião chata, no clima monótono de um elevador que sobe cheio de estranhos, o pretê recebe: “Pensando em você. Saudades, meu lindo. Bj”. Acho bem melhor do que ligar e: “Oi, lindão. Pensando em você. Saudades... Ah, comi rúcula hoje na salada... fui duas vezes ao banheiro e bati o dedão na quina da porta. Bj, tchau”.
Mas tudo bem, estou aqui pra aprender. Alguém tem anotado estas lições no caderno? Há um blogueiro com mestrado e doutorado em “Como manter a chama acesa demonstrando interesse pela vida do pretê enquanto se está longe”? Por favor, estou precisando, mesmo
Num antigo namoro, uma crise surgiu do nada porque não nos falamos dois dias. E eu, inocente que só, achava a coisa mais natural do mundo. O interessante é que todos os meus amigos pra quem relatei a discussão, acharam um absurdo também eu não ter ligado: 2 dias!
E isto não porque eu seja um cara frio, difícil de expressar sentimentos, não mesmo. Sou carinhoso, beijoqueiro, aquele tipo que pode passar agarrado horas e horas fazendo absolutamente nada que vai estar feliz só por estar junto ao outro. Ou seja, sou um bom pretê ao vivo. Fico em recuperação mesmo nesta coisa de “Como expressar seu interesse e carinho quando você não está com o outro”. Preciso dizer que comi rúcula hoje na salada? Fui duas vezes ao banheiro e bati o dedão na quina da porta? Digo que tenho saudades, isto sim. Ou melhor, na maioria das vezes, escrevo. Torpedeio meus sentimentos à distância, porque, no meio de uma reunião chata, no clima monótono de um elevador que sobe cheio de estranhos, o pretê recebe: “Pensando em você. Saudades, meu lindo. Bj”. Acho bem melhor do que ligar e: “Oi, lindão. Pensando em você. Saudades... Ah, comi rúcula hoje na salada... fui duas vezes ao banheiro e bati o dedão na quina da porta. Bj, tchau”.
Mas tudo bem, estou aqui pra aprender. Alguém tem anotado estas lições no caderno? Há um blogueiro com mestrado e doutorado em “Como manter a chama acesa demonstrando interesse pela vida do pretê enquanto se está longe”? Por favor, estou precisando, mesmo
sábado, 10 de julho de 2010
Post excessivamente teórico de auto-ajuda chinfrim numa tarde morna de sábado
Sem dúvida alguma as grandes crises não se dão por causa da desvalorização da bolsa, do déficit na balança comercial ou das onipotentes ameaças ecológicas. Não se deflagram quando países como o Irã ou a Coréia do Norte tem o know-how pra a bomba atômica, ou se você, blogueiro querido e maludo, não ganhou o concurso que a Vaca Jersey bolou só para renovar o estoque de fotos de machos de cueca a serem postadas em breve no Pelo Tesão do Boi Zebu.
A maior crise planetária se dá no campo das relações. Temos inteligência, vontade, dizem que, somos seres sociáveis, logo, deveria ser natural, fácil, quase indolor pôr-se em relação, seja familiar, de amizade, ou algo que eu chamaria de “romântica”. Mas não é. E eu descobri uma coisa importante a respeito do porquê disto.
Não é a solução para este problema ancestral e onipresente. Se fosse, ao invés de divulgá-la de graça aqui no blog, escreveria um livro e chamaria a Ana Maria Braga e o Cid Moreira para um áudio-book. Mas, de qualquer modo, talvez seja uma importante percepção a respeito de mim.
É preciso estar centrado. Tranqüilo, minimamente satisfeito consigo próprio e ir às pessoas como quem se dirige a um passeio turístico, sabendo que por mais que você vislumbre minimamente o que vai encontrar, esta expectativa não condiz, muitas e muitas vezes, com a realidade, para o bem e para o mal.
Sei que é o óbvio lulante, escrito num livro não venderia nada (hum... se bem que “O Segredo” vendeu horrores e Paulo Coelho é um Best-seller), mas quando de alguma maneira isto passa do plano das idéias para a vida prática o que ocorre é uma sensação de confiança e empoderamento bem interessantes.
Os episódios reais que motivaram este post excessivamente teórico de auto-ajuda chinfrim numa tarde morna de sábado ainda se desenrolam, por isto, antes de me referir factualmente a eles, aguardo seu grand finale ou ao menos, as cenas dos próximos capítulos.
P.S. De volta, galera! Pra falar a verdade, nem sei o porquê do sumiço. Foi a semana mais tranqüila do ano. Além da única obrigação de dar as últimas aulas dos cursos no semestre, o que fiz foi dormir horrores. Por volta de umas onze, doze horas, coisa que não fazia a séculos.
A maior crise planetária se dá no campo das relações. Temos inteligência, vontade, dizem que, somos seres sociáveis, logo, deveria ser natural, fácil, quase indolor pôr-se em relação, seja familiar, de amizade, ou algo que eu chamaria de “romântica”. Mas não é. E eu descobri uma coisa importante a respeito do porquê disto.
Não é a solução para este problema ancestral e onipresente. Se fosse, ao invés de divulgá-la de graça aqui no blog, escreveria um livro e chamaria a Ana Maria Braga e o Cid Moreira para um áudio-book. Mas, de qualquer modo, talvez seja uma importante percepção a respeito de mim.
É preciso estar centrado. Tranqüilo, minimamente satisfeito consigo próprio e ir às pessoas como quem se dirige a um passeio turístico, sabendo que por mais que você vislumbre minimamente o que vai encontrar, esta expectativa não condiz, muitas e muitas vezes, com a realidade, para o bem e para o mal.
Sei que é o óbvio lulante, escrito num livro não venderia nada (hum... se bem que “O Segredo” vendeu horrores e Paulo Coelho é um Best-seller), mas quando de alguma maneira isto passa do plano das idéias para a vida prática o que ocorre é uma sensação de confiança e empoderamento bem interessantes.
Os episódios reais que motivaram este post excessivamente teórico de auto-ajuda chinfrim numa tarde morna de sábado ainda se desenrolam, por isto, antes de me referir factualmente a eles, aguardo seu grand finale ou ao menos, as cenas dos próximos capítulos.
P.S. De volta, galera! Pra falar a verdade, nem sei o porquê do sumiço. Foi a semana mais tranqüila do ano. Além da única obrigação de dar as últimas aulas dos cursos no semestre, o que fiz foi dormir horrores. Por volta de umas onze, doze horas, coisa que não fazia a séculos.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
O Pecado da carne
Durkheim, um dos sociólogos mais importantes da França, classificava a religião como um fato social total. Isto porque, classicamente, a religião não diz respeito apenas à uma dimensão da vida do indivíduo, mas é algo que o influencia em todas as áreas: na vida familiar, em sua visão política, em seus juízos morais sobre o mundo.
Hoje em dia, isto é bem discutível. Pode-se aderir parcialmente a um credo, ou mesmo, elaborar a sua própria espiritualidade, juntando elementos de religiões distintas. Mas não nos enganemos. Há redutos onde a religião é ainda a força que determina tudo na vida.
Aaron Fleishman herdou o açougue Kosher após o falecimento de seu pai. Kosher é o tipo de comida certificada como pura pelos rabinos para a alimentação dos judeus ortodoxos. Ele contrata como funcionário, Ezri, que chega em Jerusalém com a intenção de estudar numa escola de Rabinos.
O Pecado da carne, título original “Einaym Pkuhot” (alguém sabe hebraico, aí?) é um filme sobre o desejo. Mas um desejo escuro, sombrio, que se esconde sobre as pesadas roupas pretas, as longas barbas, os aparatos religiosos dos judeus ortodoxos. Uma paixão vivida como tormenta, que se espalha no corpo acelerando os batimentos cardíacos, formigando as mãos, provocando movimentos que são entendidos como os sintomas de um mal a ser combatido, recusado, vencido pela fé. O tesão como tentação, a capacidade de resistir vista não como covardia, mas amor a Deus. Quando uma parte de você clama e este grito ameaça estilhaçar tudo o que você tem, ruir as estruturas todas do mundo e te precipitar no nada, no vazio total onde só há o desejo: forte, desconhecido, imperioso, é preciso, desesperadamente sufocar este grito, calar sua voz.
Lembrei-me de outro filme judeu sobre o tema, o fofíssimo “The Buble”. Ainda que o final seja triste, a história consegue ser leve, colorida. Há espaço, vãos pelos quais o amor entre os personagens respira, cresce, se satisfaz. Tel-Aviv, a capital de Israel, tão mais moderna e ocidental que Meah Shearim, o bairro ultra-ortodoxo de Jerusalém. Em Meah Shearim o amor se confina a cubículos escuros, bagunçados e ao menor sinal de visibilidade, foge pelas ruas estreitas, cercadas por amplas muralhas de pedras.
O filme repercutiu em mim porque fiquei pensando na minha própria história, os conflitos todos entre minha sexualidade e a religião, e porque num vislumbre, entendi que é a realidade de milhares de pessoas neste momento. Não só lá em Israel mais aqui. Católicos, protestantes, e sabe-se lá em que outras religiões. O Amor, ainda mais o maior deles, o de Deus, não deveria ser uma libertação?
Deixo uma música que diz, como só Chico pode fazer, esta realidade toda aqui escrita, de forma belíssima: “Será que o deus que criou nosso desejo é tão cruel, mostra os vales onde corre o leite, o mel e estes vales são... de deus”.
Hoje em dia, isto é bem discutível. Pode-se aderir parcialmente a um credo, ou mesmo, elaborar a sua própria espiritualidade, juntando elementos de religiões distintas. Mas não nos enganemos. Há redutos onde a religião é ainda a força que determina tudo na vida.
Aaron Fleishman herdou o açougue Kosher após o falecimento de seu pai. Kosher é o tipo de comida certificada como pura pelos rabinos para a alimentação dos judeus ortodoxos. Ele contrata como funcionário, Ezri, que chega em Jerusalém com a intenção de estudar numa escola de Rabinos.
O Pecado da carne, título original “Einaym Pkuhot” (alguém sabe hebraico, aí?) é um filme sobre o desejo. Mas um desejo escuro, sombrio, que se esconde sobre as pesadas roupas pretas, as longas barbas, os aparatos religiosos dos judeus ortodoxos. Uma paixão vivida como tormenta, que se espalha no corpo acelerando os batimentos cardíacos, formigando as mãos, provocando movimentos que são entendidos como os sintomas de um mal a ser combatido, recusado, vencido pela fé. O tesão como tentação, a capacidade de resistir vista não como covardia, mas amor a Deus. Quando uma parte de você clama e este grito ameaça estilhaçar tudo o que você tem, ruir as estruturas todas do mundo e te precipitar no nada, no vazio total onde só há o desejo: forte, desconhecido, imperioso, é preciso, desesperadamente sufocar este grito, calar sua voz.
Lembrei-me de outro filme judeu sobre o tema, o fofíssimo “The Buble”. Ainda que o final seja triste, a história consegue ser leve, colorida. Há espaço, vãos pelos quais o amor entre os personagens respira, cresce, se satisfaz. Tel-Aviv, a capital de Israel, tão mais moderna e ocidental que Meah Shearim, o bairro ultra-ortodoxo de Jerusalém. Em Meah Shearim o amor se confina a cubículos escuros, bagunçados e ao menor sinal de visibilidade, foge pelas ruas estreitas, cercadas por amplas muralhas de pedras.
O filme repercutiu em mim porque fiquei pensando na minha própria história, os conflitos todos entre minha sexualidade e a religião, e porque num vislumbre, entendi que é a realidade de milhares de pessoas neste momento. Não só lá em Israel mais aqui. Católicos, protestantes, e sabe-se lá em que outras religiões. O Amor, ainda mais o maior deles, o de Deus, não deveria ser uma libertação?
Deixo uma música que diz, como só Chico pode fazer, esta realidade toda aqui escrita, de forma belíssima: “Será que o deus que criou nosso desejo é tão cruel, mostra os vales onde corre o leite, o mel e estes vales são... de deus”.
sábado, 3 de julho de 2010
Say NO To homofoby
Muito dos avanços que o segmento LGBT vem alcançando em termos de aceitação social se deve à maior visibilidade que sujeitos gays e lésbicas tem em muitas áreas da sociedade. De certa forma conquistamos boa parte da chamada “opinião pública” para nossa causa.
Olhando outros movimentos em prol do reconhecimento da dignidade humana podemos ter uma idéia de até onde é possível chegar. Das quartas=de-final até o último e decisivo jogo da copa, há um momento de campanha contra o racismo. Uma faixa é estendida e os capitães dos times lêem uma espécie de convocação incitando os torcedores a lutar contra a discriminação racial.
As piadas nas quais se ria dos negros desapareceram dos meios de comunicação e por mais que haja ainda muito preconceito contra negros, não é politicamente correto expressá-lo. Vai se construindo uma moralidade que reprime quem discrimina e por mais que cada um possa pensar o que quiser no âmbito privado o que interessa é que isto não se manifeste na dimensão pública. Há um cerceamento positivo de certa liberdade de expressão para proteger aqueles que são alvo histórico de atitudes racistas.
Uma das críticas levantadas contra o PLC 122 que criminaliza a homofobia é justamente que este cercearia a liberdade de expressão ao tornar passível de processo judicial quem exteriorize posturas discriminatórias em relação aos sujeitos LGBT. Troque “gay” no texto por “negro” ou “judeu” e todos o considerarão justo. A questão é que nós, os gays, ainda somos alvo explícito de discriminação, não só velada e individual, mas pública e ostensiva; não só na opinião privada mas nas instâncias legais do Estado.
Se o politicamente correto incomoda muita gente, para as minorias ela é a maneira de se construir resistências e de reagir contra preconceitos historicamente arraigados na sociedade.
Será que um dia veremos uma campanha contra a homofobia numa copa do mundo?
Olhando outros movimentos em prol do reconhecimento da dignidade humana podemos ter uma idéia de até onde é possível chegar. Das quartas=de-final até o último e decisivo jogo da copa, há um momento de campanha contra o racismo. Uma faixa é estendida e os capitães dos times lêem uma espécie de convocação incitando os torcedores a lutar contra a discriminação racial.
As piadas nas quais se ria dos negros desapareceram dos meios de comunicação e por mais que haja ainda muito preconceito contra negros, não é politicamente correto expressá-lo. Vai se construindo uma moralidade que reprime quem discrimina e por mais que cada um possa pensar o que quiser no âmbito privado o que interessa é que isto não se manifeste na dimensão pública. Há um cerceamento positivo de certa liberdade de expressão para proteger aqueles que são alvo histórico de atitudes racistas.
Uma das críticas levantadas contra o PLC 122 que criminaliza a homofobia é justamente que este cercearia a liberdade de expressão ao tornar passível de processo judicial quem exteriorize posturas discriminatórias em relação aos sujeitos LGBT. Troque “gay” no texto por “negro” ou “judeu” e todos o considerarão justo. A questão é que nós, os gays, ainda somos alvo explícito de discriminação, não só velada e individual, mas pública e ostensiva; não só na opinião privada mas nas instâncias legais do Estado.
Se o politicamente correto incomoda muita gente, para as minorias ela é a maneira de se construir resistências e de reagir contra preconceitos historicamente arraigados na sociedade.
Será que um dia veremos uma campanha contra a homofobia numa copa do mundo?
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Adooro! – Séries
Iniciando mais uma (existe já alguma?) coluna no blog. A “Adooro!” vai falar sobre tudo o que eu.. hãn.. adoro no mundo do entretenimento, da cultura, da arte e é uma chance de eu dar uma de crítico no único espaço em que alguém (talvez) me leia nesta função: o meu próprio blog.
Começaremos com a melhor série de todos os tempos: Sixt Feet Under (No Brasil: A Sete Palmos). Resumo da Wikpédia: “Na série, criada por Alan Ball, Peter Krause é "Nathaniel ("Nate") Fisher Jr.", filho do dono de uma funerária que relutantemente se torna sócio do negócio da família com o seu irmão "David", estrelado por Michael C. Hall – agora em “Dexter”. A família "Fisher" também inclui a mãe "Ruth" (Frances Conroy) e a irmã "Claire" (Lauren Ambrose). Incluem-se em torno da família o assistente da funerária, o amigo "Federico Diaz" (Freddy Rodriguez), a namorada e eventual esposa de "Nate" chamada "Brenda Chenowith" (Rachel Griffiths – Agora em “Brothers and sisters”), e o namorado (e eventual marido) de "David", o polícial "Keith Charles" (Mathew St. Patrick). Toda a trama se desenvolve em torno do mundo da Fisher & Sons Funeral Home, uma fictícia empresa funerária nos dias atuais em Los Angeles, Califórnia”.
A série traz constantemente a questão da finitude humana e o quanto o se deparar com a morte modifica a maneira como vivemos, os laços que construímos. Pode-se dizer que o que os personagens tem em comum é um desamparo diante da vida, já que esta não tem sentido em si mesmo é preciso inventar algum ou simplesmente fugir desta tarefa, prendendo-se ao imediato.
O sem sentido da vida se evidencia na maneira banal como a morte acontece. Cada episódio começa com uma pequena história de como morreu a pessoa que terá seu funeral preparado pelos irmãos Fisher. A série é permeada por um humor ácido, mas não é seca ou mórbida, como poderia parecer à primeira vista. A identificação com os personagens se dá porque vamos percebendo que, eles e nós, estamos todos no mesmo barco: procurando viver o que realmente vale a pena, encontrar o melhor da existência mesmo em meio aos imprevistos, distrações e burradas, nossas e dos outros em relação a nós.
Os personagens são, em sua maioria, multifacetados e a relação entre eles muda muito ao longo das temporadas. É interessante acompanhar David e seus conflitos em relação à homossexualidade, a relação conturbada e abissal de Nate e Brenda e os trancos e barrancos que Claire enfrenta e provoca na difícil passagem para a vida adulta. O trabalho de Frances Conroy como Ruth é fenomenal. Uma mulher anulada pela vida familiar que, depois da morte do marido, tem de se redescobrir, se reiventar e faz isto em tãos variados estados de espírito, que vão da placidez à histeria, que é impossível não se apaixonar por Ruth.
Os últimos episódios, que não serão contados obviamente, são ousados e a seqüência final é belíssima. Apesar de tudo, a vida segue e se a gente não pode garantir que ela seja sempre como a gente projeta, nós podemos aprender a ficar com o melhor do que nos é oferecido. Fica a dica!
Começaremos com a melhor série de todos os tempos: Sixt Feet Under (No Brasil: A Sete Palmos). Resumo da Wikpédia: “Na série, criada por Alan Ball, Peter Krause é "Nathaniel ("Nate") Fisher Jr.", filho do dono de uma funerária que relutantemente se torna sócio do negócio da família com o seu irmão "David", estrelado por Michael C. Hall – agora em “Dexter”. A família "Fisher" também inclui a mãe "Ruth" (Frances Conroy) e a irmã "Claire" (Lauren Ambrose). Incluem-se em torno da família o assistente da funerária, o amigo "Federico Diaz" (Freddy Rodriguez), a namorada e eventual esposa de "Nate" chamada "Brenda Chenowith" (Rachel Griffiths – Agora em “Brothers and sisters”), e o namorado (e eventual marido) de "David", o polícial "Keith Charles" (Mathew St. Patrick). Toda a trama se desenvolve em torno do mundo da Fisher & Sons Funeral Home, uma fictícia empresa funerária nos dias atuais em Los Angeles, Califórnia”.
A série traz constantemente a questão da finitude humana e o quanto o se deparar com a morte modifica a maneira como vivemos, os laços que construímos. Pode-se dizer que o que os personagens tem em comum é um desamparo diante da vida, já que esta não tem sentido em si mesmo é preciso inventar algum ou simplesmente fugir desta tarefa, prendendo-se ao imediato.
O sem sentido da vida se evidencia na maneira banal como a morte acontece. Cada episódio começa com uma pequena história de como morreu a pessoa que terá seu funeral preparado pelos irmãos Fisher. A série é permeada por um humor ácido, mas não é seca ou mórbida, como poderia parecer à primeira vista. A identificação com os personagens se dá porque vamos percebendo que, eles e nós, estamos todos no mesmo barco: procurando viver o que realmente vale a pena, encontrar o melhor da existência mesmo em meio aos imprevistos, distrações e burradas, nossas e dos outros em relação a nós.
Os personagens são, em sua maioria, multifacetados e a relação entre eles muda muito ao longo das temporadas. É interessante acompanhar David e seus conflitos em relação à homossexualidade, a relação conturbada e abissal de Nate e Brenda e os trancos e barrancos que Claire enfrenta e provoca na difícil passagem para a vida adulta. O trabalho de Frances Conroy como Ruth é fenomenal. Uma mulher anulada pela vida familiar que, depois da morte do marido, tem de se redescobrir, se reiventar e faz isto em tãos variados estados de espírito, que vão da placidez à histeria, que é impossível não se apaixonar por Ruth.
Os últimos episódios, que não serão contados obviamente, são ousados e a seqüência final é belíssima. Apesar de tudo, a vida segue e se a gente não pode garantir que ela seja sempre como a gente projeta, nós podemos aprender a ficar com o melhor do que nos é oferecido. Fica a dica!
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