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sábado, 25 de junho de 2011

Nós

Enquanto escrevo, você dorme. Adele canta e o café está quase pronto. Os primeiros sons da noite de sábado se fazem ouvir ao longe, lá fora homens riem. Uma criança chora.

No seu abraço, o travsseiro, não mais meu corpo entregue e feliz, como há momentos atrás. Em mim o selo da tua boca ainda está, o beijo bom de volta, o abraço cálido e saudoso de quem retorna.

Fiquei feliz que você tenha ido. Mesmo que eu não pudesse viajar no feriado, você o fez com seus amigos e isto me deu alegria, uma espécie de confirmação de que nessa nossa história que nasce, apenas dois meses, nenhum de nós se esqueceu de quem é, deixou a própria vida para tentar se fundir ao outro num romantismo tolo e sufocante.

O não saber estar em mim, estando com alguém, sempre foi uma questão. Parece que agora não mais. Você foi e voltou. E meus dias sem você também foram ótimos. Teve amigos e cervejas, trabalho e filme e é claro, saudade.

Eu quero você, não porque me falta algo, não para me disfarçar ou esqueçer-me. Te quero, porque, teus olhos sorriem e isto é tão simples, tua boca é a melhor em gerações e é tão nítido. Porque adormecer e acordar junto a ti é a razão pela qual comprei esta cama tão grande quando nem suspeitava, quando eu ainda não sabia.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Saudade das quase 17h

São 16h43 e me falta o ar ao me lembrar do jeito como ontem, entre um gole e outro no chope, nos olhamos. As quase cinco da tarde a saudade é uma pontada. Ela nem existia quando saí hoje de manhã e te deixei: de lado, tua pele morena sobre o lençol branco, teus lábios que mesmo em sono pareciam me prometer futuros. Assim, dormindo, só perdi teus olhos: grandes, atentos, que me falam de tanta doçura ainda que dele não saiam palavras.

Deixei-te o café pronto, um bilhete de bom-dia e saí feliz, porque minha casa não estava vazia. Fechei a porta cuidadosamente, porque lá dentro, no breu do quarto, na minha cama, estava você.

À porta do prédio deve ter começado. O dia sem você, sem os olhares que tudo entendem, as pequenas carícias que me confortam, a sede de tuas mãos nas minhas a cada instante, e eu fiquei feliz de sentir, ali na esquina da rua, a pouquíssimos metros de onde você estava, esta saudade nascente.

A madrugada fora estranha. Em algum momento, entre o acordado e o sonho, tive medo. Acho que depois que disseste o quão claramente você está envolvido, tremi. Eu posso ser bem idiota nessas horas e fui, ainda que tudo tenha se passado em mim, sem nem se quer um olhar que me traísse e revelasse essas sombras. Como um raio me veio o quão vulnerável o amor nos torna ao amado, por mais que nos cerquemos contra esta espécie de fragilidade que, no entanto, faz parte mesma do que é o amor. O cansaço das últimas vezes, o quanto decidido a me relacionar de forma diferente de tudo o que se pode chamar de “namoro” eu estava.

Agora? Não sei mais. Não há planos, decisões, ou estratégias. Só esta saudade imensa, este desejo do teu abraço, da tua boca na minha, tua barba brincando em meu pescoço, esta vontade de fechar os olhos e, em paz, sentir tua respiração ao meu lado.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Doce é

Leve. E isto é uma forma de ausência. Porque teu corpo sobre o meu não é jamais um peso, mas, sim, afago. Para meus ossos cansados dos atritos no longo caminhar, vigor; para minha pele, quebradiça à custa de tanto, sol, chuvas, intempéries, bálsamo; para minha boca, a tua é fonte.

Prazeres que eu não sabia; recantos agora vivos, antes em dormência de séculos, só porque você me abraça, no exato momento em que sinto teu respirar junto ao meu pescoço, tuas mãos a me bagunçar o cabelo, teu hálito, bom e quente, num convite tão próximo à minha língua sedenta.

Eu não sei de amanhãs e para sempres. Nunca soube. Mas hoje é tão bom, que, por onde passo os campos verdejam. Eu não sei de amanhãs ou depois, mas por ora, tudo em mim é vida e ela canta sua doce e perfeita melodia.