sexta-feira, 29 de abril de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Estilhaço-instante
Este é o momento para rasgar o instante.
À minha frente o monitor desdobra-se em mil telas, cada uma pendência de algo a se fazer.
Meio copo d’água e uma xícara de café vazia, borra na qual não se advinha futuro algum.
Mais à esquerda Edu liga, trabalha, suspira: conformado. E à direita, a cidade se move impávida e monótona, bem ao ritmo das Quintas-feiras por volta de 17h15 da tarde.
Vamos rasgar o instante?
Play, música, o amargo do café, o aperto no pau por sobre a calça, a lembrança do derradeiro abraço do último amor.
Vamos estilhaçar o momento inerte em frente desta geringonça devoradora de almas?
Intimidades que se comem junto com o almoço na companhia querida do amigo há horas atrás, amanhã é sexta, há vinho em casa e o último chocolate da páscoa ainda te espera em cima da geladeira.
Sábado beberei com Bia, Domingo será dia de dormir até não poder mais e tenho meia dúzia de pessoas queridas com quem conto pro que der e vier.
Pronto.
Salvo o instante, volto ao trabalho.
À minha frente o monitor desdobra-se em mil telas, cada uma pendência de algo a se fazer.
Meio copo d’água e uma xícara de café vazia, borra na qual não se advinha futuro algum.
Mais à esquerda Edu liga, trabalha, suspira: conformado. E à direita, a cidade se move impávida e monótona, bem ao ritmo das Quintas-feiras por volta de 17h15 da tarde.
Vamos rasgar o instante?
Play, música, o amargo do café, o aperto no pau por sobre a calça, a lembrança do derradeiro abraço do último amor.
Vamos estilhaçar o momento inerte em frente desta geringonça devoradora de almas?
Intimidades que se comem junto com o almoço na companhia querida do amigo há horas atrás, amanhã é sexta, há vinho em casa e o último chocolate da páscoa ainda te espera em cima da geladeira.
Sábado beberei com Bia, Domingo será dia de dormir até não poder mais e tenho meia dúzia de pessoas queridas com quem conto pro que der e vier.
Pronto.
Salvo o instante, volto ao trabalho.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Contracorrente
Fui preparado para o clássico roteiro de filme gay: Um amor incandescente e proibido entre dois machos, os conflitos, um querendo tornar pública a relação e o outro satisfeito com o armário e, claro, um final trágico. Há coisa mais sofrida que filme de biba?
Confesso que os atores serviram como um chamariz a mais. Dentre as miríades de tipos que me despertam o interesse, há um lugar especial para os barbudos, adoro-os. É o caso dos dois no filme. Um ainda é pescador: aquela wibe rústica, torso bronzeado ao sol, corpo trabalhado nas labutas ao mar... aiai.
Contracorrente fica no limiar entre o óbvio, sem fugir muito do esquema previsto e o surpreendente, porque o faz a partir de elementos inusitados. Confesso que o acontecimento que dá o mote à obra me deixou bem irritado quando o entendi, mas depois ele surge como metáfora maravilhosa para os amores no armário.
É um alívio e uma situação muito confortável para milhares de homens e mulheres que curtem o mesmo sexo, manter um estilo de vida socialmente aprovado e domesticar o desejo, deixando-o escondido ou vivê-lo em escapadelas, em hiatos, em breves momentos nos quais se pensa poder suspender sua inserção social, seu papel, sua identidade conquistada diante dos outros e realizar então o interdito desejo às margens, na penumbra esquizofrênica entre o que arde em nós e quem nos permitimos ser.
Não gosto de moralismos, mas acho mesmo que, de uma forma ou de outra, é assumindo em alguma instância o que se é, discreta ou corajosamente, que vai se naturalizando questões como a da homossexualidade. Às vezes para a nossa realização e para que outros encontrem mais espaço e possam respirar mais livremente sendo quem são é preciso mesmo nadar contracorrente.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Farmacon
A sua loucura, ela punha-a em potes. Em épocas de tensões hormonais, reuniões de avaliação, prazos de entrega: grandes baldes que se espalhavam pela casa toda, sempre respingando e, por isto, não podia mesmo evitar shots de cachaça às segundas, noites insones com homens que sabia não valer a pena nas quartas. Mas tudo bem, o excesso estava mesmo contido em baldes, panelas e vasilhames por toda a a casa.
Normalmente, no entanto, pequenos potes de requeijão, de antigos perfumes, de outros tantos conteúdos lhe bastavam. E assim passava por uma mulher independente, culta e que já chegou a orgasmos inúmeras vezes na vida, uma mulher “Cláudia” ou, até mesmo, uma fêmea “Marie Claire”.
Até bem pouco tempo tampava com força cada pote, a fim de evitar qualquer emanação de loucura. Queria prendê-la, negá-la, tampando-a à vácuo. No entanto aqui e ali, o cabelo tão amansado de secador e escova rebelava-se em cacho, misteriosamente a saia comportada se abria em fendas e ela em confraternizações de trabalho e happy hours para networking se via dando mole de forma horrorosamente vulgar para os mais reprováveis tipos. A loucura havia escapado.
Hoje, a carrega em ampolas na bolsa. Quando o trânsito vai mal, abre suavemente o vidrinho e aspira: aumenta o som e balança a cabeça como num derradeiro show de Metal. No meio da reunião, metas a serem atingidas, capital a ser conquistado; para escapar à carranca de tédio absoluto que ameaça se formar, passa um pouquinho de loucura no pulso e a cheira como um perfume; então, enquanto se decifram os balancetes do ano anterior, desce a mão discretamente, apalpa as próprias cochas, vasculha o interior da saia sentindo a suavidade do tecido que roça sua pele em arrepio e chega, em brevíssimas investidas, na fonte úmida de seu prazer.
Ontem bebeu um vidrinho inteiro e, diante das preocupações do chefe sisudo, riu solta e deliberadamente, pegou suas coisas e, antes de bater a porta com estrondo, jogou, como uma bóia a um náufrago, um pote médio de loucura no colo do patrão com o rótulo: Consumir todo. Acredite, você precisa.
Normalmente, no entanto, pequenos potes de requeijão, de antigos perfumes, de outros tantos conteúdos lhe bastavam. E assim passava por uma mulher independente, culta e que já chegou a orgasmos inúmeras vezes na vida, uma mulher “Cláudia” ou, até mesmo, uma fêmea “Marie Claire”.
Até bem pouco tempo tampava com força cada pote, a fim de evitar qualquer emanação de loucura. Queria prendê-la, negá-la, tampando-a à vácuo. No entanto aqui e ali, o cabelo tão amansado de secador e escova rebelava-se em cacho, misteriosamente a saia comportada se abria em fendas e ela em confraternizações de trabalho e happy hours para networking se via dando mole de forma horrorosamente vulgar para os mais reprováveis tipos. A loucura havia escapado.
Hoje, a carrega em ampolas na bolsa. Quando o trânsito vai mal, abre suavemente o vidrinho e aspira: aumenta o som e balança a cabeça como num derradeiro show de Metal. No meio da reunião, metas a serem atingidas, capital a ser conquistado; para escapar à carranca de tédio absoluto que ameaça se formar, passa um pouquinho de loucura no pulso e a cheira como um perfume; então, enquanto se decifram os balancetes do ano anterior, desce a mão discretamente, apalpa as próprias cochas, vasculha o interior da saia sentindo a suavidade do tecido que roça sua pele em arrepio e chega, em brevíssimas investidas, na fonte úmida de seu prazer.
Ontem bebeu um vidrinho inteiro e, diante das preocupações do chefe sisudo, riu solta e deliberadamente, pegou suas coisas e, antes de bater a porta com estrondo, jogou, como uma bóia a um náufrago, um pote médio de loucura no colo do patrão com o rótulo: Consumir todo. Acredite, você precisa.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
No currículo escolar
Comecei meu estágio, obrigatório para quem faz licenciatura, atrasado por motivos burocráticos. Hoje o professor corrigiu a prova bimestral e 2 trabalhos que complementaram a nota desta. E qual não foi minha surpresa ao ver que um destes trabalhos era sobre gênero e diversidade sexual.
A primeira questão pedia para citar 2 elementos que definem o sexo de uma pessoa, por exemplo, órgãos genitais e hormônios. A segunda era sobre gênero, definindo-o como a expectativa social a respeito dos sexos em determinada cultura. A última questão: Qual a orientação sexual de uma transexual?
O professor salientou que aceitou tanto quem considerou a orientação da trans antes da operação de mudança de sexo, que segundo ele seria então “homossexual”, quanto após a cirurgia, aí a resposta correta seria “heterossexual”.
Confesso que achei bem esquisita a questão. Mas ver meninos e meninas por volta de dezesseis anos em um colégio estadual discutindo sobre diversidade sexual como matéria de aula renovou minha esperança que, apesar de tanta caretice neste mundo, a gente está definitivamente conquistando espaços e preparando uma sociedade mais plural e colorida sem que se tenha que matar ou morrer tanto por causa disto. E viva o Gay Power!
A primeira questão pedia para citar 2 elementos que definem o sexo de uma pessoa, por exemplo, órgãos genitais e hormônios. A segunda era sobre gênero, definindo-o como a expectativa social a respeito dos sexos em determinada cultura. A última questão: Qual a orientação sexual de uma transexual?
O professor salientou que aceitou tanto quem considerou a orientação da trans antes da operação de mudança de sexo, que segundo ele seria então “homossexual”, quanto após a cirurgia, aí a resposta correta seria “heterossexual”.
Confesso que achei bem esquisita a questão. Mas ver meninos e meninas por volta de dezesseis anos em um colégio estadual discutindo sobre diversidade sexual como matéria de aula renovou minha esperança que, apesar de tanta caretice neste mundo, a gente está definitivamente conquistando espaços e preparando uma sociedade mais plural e colorida sem que se tenha que matar ou morrer tanto por causa disto. E viva o Gay Power!
quarta-feira, 20 de abril de 2011
"Comi uma cenora... tão GRANDE ela era..."
Querid@s, irmanados por este hino pornô-soft de Páscoa desejo a todos:
Ótima Páscoa
Excelente Feriado
Até semana que vem!!
Ótima Páscoa
Excelente Feriado
Até semana que vem!!
terça-feira, 19 de abril de 2011
Se acaso você chegasse
Eu já quis você em meus braços em tardes de domingo embaladas com sol, cerveja e amigos quando, aqui e ali, riríamos bobos de coisas que só nós saberíamos.
Já te quis como o ombro que não falta, o abraço que aquece e as mãos sempre dadas no cinema.
Quis te levar em almoços de família, em churrascos de colegas, te desejei expor em públicas manifestações, porque nosso amor seria motivo suficiente para desafiar todas as nossas próprias covardias, pelo menos, as mais complacentes com a caretice absurda do mundo.
Eu também já te quis apenas esta noite, enquanto a música está alta e a bebida faz efeito. Te desejei em fogos breves, na exata duração da tua boca em minha nuca, meu peso sobre o teu, enquanto minha sede não se encontrasse satisfeita em teu corpo másculo, no teu pau rijo.
Eu te amei de longe e no mais perto, para sempre e só por um instante ao saber de tuas belezas e medos mais sutis e sem nem ouvir teu nome.
E agora?
Falta-me disposição para me encantar contigo. Em cinco minutos de conversa me vêem trezentas opções melhores para se fazer àquela hora do que estar em teus braços.
Tudo que te interessa me parece já visto: teus sussurros são ecos de tantos outros, tuas percepções de mundo, compradas em bancas de jornal em qualquer esquina.
Teu amor reciclado me dá ânsias de vômito e tuas promessas e declarações se desfazem no ar, são um sopro, duram a medida exata da mesma voz que as pronunciou e depois, o vazio.
O que fazer num mundo de desertos? Pegar o que é seu, pôr ao ombro seu fardo e continuar caminhando. Estender o abraço aos amigos, perfurar com dificuldade e obstinação seu próprio poço e beber da sua água, satisfazendo-se, dando-a aos outros, saciando sedes, mas sem dar-se.
Até que você apareça, até que surjas tu que me capte num sorriso e vença meu olhar experiente de tudo já ter visto, com um brilho novo.
Até que as palavras se calem, as lógicas sejam vencidas e, num gesto absolutamente consciente e livre, eu abra a minha porta e, sereno, diga: Sê bem-vindo.
Por ora, meu ceticismo pergunta: Acaso você existe?
Já te quis como o ombro que não falta, o abraço que aquece e as mãos sempre dadas no cinema.
Quis te levar em almoços de família, em churrascos de colegas, te desejei expor em públicas manifestações, porque nosso amor seria motivo suficiente para desafiar todas as nossas próprias covardias, pelo menos, as mais complacentes com a caretice absurda do mundo.
Eu também já te quis apenas esta noite, enquanto a música está alta e a bebida faz efeito. Te desejei em fogos breves, na exata duração da tua boca em minha nuca, meu peso sobre o teu, enquanto minha sede não se encontrasse satisfeita em teu corpo másculo, no teu pau rijo.
Eu te amei de longe e no mais perto, para sempre e só por um instante ao saber de tuas belezas e medos mais sutis e sem nem ouvir teu nome.
E agora?
Falta-me disposição para me encantar contigo. Em cinco minutos de conversa me vêem trezentas opções melhores para se fazer àquela hora do que estar em teus braços.
Tudo que te interessa me parece já visto: teus sussurros são ecos de tantos outros, tuas percepções de mundo, compradas em bancas de jornal em qualquer esquina.
Teu amor reciclado me dá ânsias de vômito e tuas promessas e declarações se desfazem no ar, são um sopro, duram a medida exata da mesma voz que as pronunciou e depois, o vazio.
O que fazer num mundo de desertos? Pegar o que é seu, pôr ao ombro seu fardo e continuar caminhando. Estender o abraço aos amigos, perfurar com dificuldade e obstinação seu próprio poço e beber da sua água, satisfazendo-se, dando-a aos outros, saciando sedes, mas sem dar-se.
Até que você apareça, até que surjas tu que me capte num sorriso e vença meu olhar experiente de tudo já ter visto, com um brilho novo.
Até que as palavras se calem, as lógicas sejam vencidas e, num gesto absolutamente consciente e livre, eu abra a minha porta e, sereno, diga: Sê bem-vindo.
Por ora, meu ceticismo pergunta: Acaso você existe?
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Viciado
A primeira vez que a ouvi foi no blog do Dan. Na ocasião eu simplesmente "gostei", ou seja, nada que despertasse a minha ânsia de procurar na wikipédia sobre, conferir a discografia, baixar as músicas, como faço quando adoro.
Mas então houve o Brit Awards e Adele fez uma das apresentações mais tocantes que já vi. Sem saltitar no palco, se vestir de chã de dentro e patinho ou ter um ventilador constantemente diante da cabeleira, a jovem de apenas 22 anos(!) mostrou-se do porte de uma diva: voz, e que voz, e interpretação eletrizante.
Aí sim, quis saber tudo, baixei os dois CD`s da moça (19 e 21) e ouço quase todo dia, algumas músicas, como a da apresentação no Brit Awards, mais de uma vez... vício é assim.
Confere aí embaixo. É ou náo uma diva?
Mas então houve o Brit Awards e Adele fez uma das apresentações mais tocantes que já vi. Sem saltitar no palco, se vestir de chã de dentro e patinho ou ter um ventilador constantemente diante da cabeleira, a jovem de apenas 22 anos(!) mostrou-se do porte de uma diva: voz, e que voz, e interpretação eletrizante.
Aí sim, quis saber tudo, baixei os dois CD`s da moça (19 e 21) e ouço quase todo dia, algumas músicas, como a da apresentação no Brit Awards, mais de uma vez... vício é assim.
Confere aí embaixo. É ou náo uma diva?
quarta-feira, 13 de abril de 2011
"Quando Setembro chegar" ou "À tarde, com Borboleta"
Sair deste escritório, romper o ensurdecedor barulho dos carros, da britadeira na esquina, esquecer o zumbido constante das pequenas preocupações dos transeuntes. Arregaçar mangas, expulsar a gravata e num rodopio olímpico ver os sapatos pendurados em qualquer fio de alta-tensão.
Quero te encontrar na praia. Deve ser à hora precisa: 17h45. Porque assim falaremos sobre o obscuro dos dias, o pesado da alma, o quanto é preciso ser forte a cada instante e matar um leão a cada três horas neste mundo louco, até que, surpreendidos pela luz rósea, olharemos o Dois Irmãos e, diante do sol, que se vai num último êxtase espalhando sua luminosidade difusa sobre a areia branca, entenderemos que tudo na vida se põe. E que enquanto estamos vivos e de pé não se pode negligenciar o milagre.
Deixaremos lentamente a praia junto à caravana de crianças saltitantes e pais cansados e procuraremos o bar mais simples, com mesas de alumínio, balcão velho, azulejos azuis e cerveja gelada. Do centro do mundo onde estamos, abriremos uma, duas, mais garrafas e ouvindo a noite começar ao redor, fixar-me-ei em teus olhos risonhos que são uma celebração.
Quero te encontrar na praia. Deve ser à hora precisa: 17h45. Porque assim falaremos sobre o obscuro dos dias, o pesado da alma, o quanto é preciso ser forte a cada instante e matar um leão a cada três horas neste mundo louco, até que, surpreendidos pela luz rósea, olharemos o Dois Irmãos e, diante do sol, que se vai num último êxtase espalhando sua luminosidade difusa sobre a areia branca, entenderemos que tudo na vida se põe. E que enquanto estamos vivos e de pé não se pode negligenciar o milagre.
Deixaremos lentamente a praia junto à caravana de crianças saltitantes e pais cansados e procuraremos o bar mais simples, com mesas de alumínio, balcão velho, azulejos azuis e cerveja gelada. Do centro do mundo onde estamos, abriremos uma, duas, mais garrafas e ouvindo a noite começar ao redor, fixar-me-ei em teus olhos risonhos que são uma celebração.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Women in love -
Acabei de assistir o primeiro episódio da nova minissérie da BBC: Women in love. Adaptação para a TV de duas obras de D.H. Lawrence: The rainbow e sua sequência Women in love. Eu já havia lido, há muito tempo atrás, do mesmo autor O amante de Lady Chatterley, obra proibida na Inglaterra durante 32 anos. Foi escrito em 1927 e contava um romance entre uma aristocrática lady e um serviçal (escândalo) onde o desejo feminino é manifesto sem subterfúgios (mais escândalo), em narrativas que, se hoje não chocam nem o mais pudico dos homens, eram devastadoras para a época (ápice do escândalo!).
Pelo que percebi na minissérie, estas duas obras que a inspiram tem a mesma pegada de O amante de Lady Chatterley. Não há pornografia, o que se faz é desvelar o sexo como realidade essencialmente humana e, portanto que deve ser dita, representada, vista. Para além dos esquemas morais, o sexo surge como o abismo no qual o bem e o mal se mostram pontos eqüidistantes no desejo. Força incontrolável é capaz de comunicar o que é mais pessoal ao outro, e por isto se mostra fascinante e perigoso, porque afinal nunca estamos expostos a alguém como no sexo, sendo a nudez física apenas o primeiro dos desvelamentos.
Os personagens principais são duas irmãs: Ursula (Rosamund Pike), uma professora, e Gudrun Brangwen (Rachel Stirling - belíssima!) pintora, e dois amigos Rupert Birkin (Rory Kinnear) pastor, e Gerald Crich (Joseph Mawle) industrial.
Atenção para o texto que é incrível. Há uma cena em que Ursula revela à mãe o real motivo do seu desinteresse pelo noivo que é um dos diálogos mais lindos que vi recentemente. Bom, não quero falar mais para não cometer o sacrilégio imperdoável do spoiler. Mas fica a dica.
Não somos racistas?!
“O número de homicídios de jovens brancos caiu significativamente no período 2002/2008, passando de 6.592 para 4.582, o que representa uma queda de 30% nesses seis anos. Já entre os jovens negros, os homicídios passaram de 11.308 para 12.749, o que representa um incremento de 13%. Com isso, a brecha de mortalidade entre brancos e negros cresceu 43% num breve lapso de tempo. Da mesma forma, se as taxas brancas caíram 23,3% (de 39,3 para 30,2) as taxas negras cresceram 13,2% no período. Com esse diferencial de evolução entre brancos e negros, a brecha histórica de vitimização negra se incentiva drasticamente no quinquênio: Em 2002, morriam proporcionalmente 45,8% mais negros do que brancos. Se esse já é um dado grave, em 2005, esse indicador sobe mais ainda: vai para 77,8%. E, em 2008, o índice atinge 127,6%.”
Ano: 2008
Taxa de homicídio de jovens negros entre 15 e 25 anos: 70,6%
Fonte: WAISELFISZ, Julio Jacobo (coord.). Mapa da violência 2011. Instituto Sangari. Ministério da Justiça. p. 60-65.
Não dá pra diluir a questão racial no Brasil na gritante diferença social entre ricos e pobres. Há uma razão histórica para que a maioria destes últimos serem negros: Uma abolição quase pró-forma, realizada sem nenhuma preocupação de inserção social do contingento liberto de forma digna na sociedade brasileira. Aos negros restou permanecer nas cozinhas, realizando trabalhos braçais.
Ainda hoje se você é pobre, há mais probabilidade de ter uma arma apontada pra sua cabeça, mas se você além de pobre é negro esta possibilidade é 127% maior.
A celebrada democracia racial brasileira é um mito que serve à uma ideologia: a dos desejosos de perpetuar o status quo.
Ano: 2008
Taxa de homicídio de jovens negros entre 15 e 25 anos: 70,6%
Fonte: WAISELFISZ, Julio Jacobo (coord.). Mapa da violência 2011. Instituto Sangari. Ministério da Justiça. p. 60-65.
Não dá pra diluir a questão racial no Brasil na gritante diferença social entre ricos e pobres. Há uma razão histórica para que a maioria destes últimos serem negros: Uma abolição quase pró-forma, realizada sem nenhuma preocupação de inserção social do contingento liberto de forma digna na sociedade brasileira. Aos negros restou permanecer nas cozinhas, realizando trabalhos braçais.
Ainda hoje se você é pobre, há mais probabilidade de ter uma arma apontada pra sua cabeça, mas se você além de pobre é negro esta possibilidade é 127% maior.
A celebrada democracia racial brasileira é um mito que serve à uma ideologia: a dos desejosos de perpetuar o status quo.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Semeando em meio à chuva
A questão toda da vida é que ela “deveria ser”, é o “se ela fosse”, o “seu eu pudesse”, porque, na verdade, pura e simplesmente, a vida é. E isto tem uma densidade, um peso, paira no ar sobre todos com sua cor marrom. Como num quarto com paredes que vão se juntando, comprimindo o vão livre, tornando o espaço mais e mais exíguo, vamos crescendo nos tornando alguém, anulando as possibilidades que uma identidade, um emprego, uma inscrição no tempo e no espaço acarreta.
Há dias nos quais este confinamento é palpável: a conta do banco com jeito de fim de mês e nem dia 15 é ainda, caminhos rotineiros, dias cinzas, o mundo povoado de chatos, segunda-feira. E o que se faz com a vida que é?
A gente reclama um pouquinho, bebe pra esquecer, às vezes senta no meio-fio e chora. Mas depois de qualquer uma dessas opções o recomendável mesmo é fazer como eu. Num dia enclausurado, com as mãos grossas da vida sufocantes ao pescoço: tomei banho com meu produto importado que faz espumas milagrosas, descobri um novo som e fiz os caminhos de sempre, mas atento para detectar as rachaduras, as quebras, os hiatos e semear na homogênea rotina um pouco do frescor chamado “Liberdade”, algo de sutil e com cheiro de jasmim-Esperança, tendo o cuidado de aqui e ali não esquecer das sementes de alegria.
Sementes sim, porque, por ora espero germinarem, vê-las florescer em breve, não idealizando o impossível, mas que, um passo após o outro, eu possa colher em sol aquilo que semeei em meio aos ventos e à tempestade.
A vida é assim.
Mas eu ainda acredito na subversão.
Há dias nos quais este confinamento é palpável: a conta do banco com jeito de fim de mês e nem dia 15 é ainda, caminhos rotineiros, dias cinzas, o mundo povoado de chatos, segunda-feira. E o que se faz com a vida que é?
A gente reclama um pouquinho, bebe pra esquecer, às vezes senta no meio-fio e chora. Mas depois de qualquer uma dessas opções o recomendável mesmo é fazer como eu. Num dia enclausurado, com as mãos grossas da vida sufocantes ao pescoço: tomei banho com meu produto importado que faz espumas milagrosas, descobri um novo som e fiz os caminhos de sempre, mas atento para detectar as rachaduras, as quebras, os hiatos e semear na homogênea rotina um pouco do frescor chamado “Liberdade”, algo de sutil e com cheiro de jasmim-Esperança, tendo o cuidado de aqui e ali não esquecer das sementes de alegria.
Sementes sim, porque, por ora espero germinarem, vê-las florescer em breve, não idealizando o impossível, mas que, um passo após o outro, eu possa colher em sol aquilo que semeei em meio aos ventos e à tempestade.
A vida é assim.
Mas eu ainda acredito na subversão.
domingo, 10 de abril de 2011
A vida em um dia
O que surpreende em “A vida em um dia” não é a extrema diversidade de culturas e tipos de pessoas sobre a terra, é o fato de, apesar disso, sermos todos fundamentalmente humanos. Aproveitei o último dia do festival “É tudo verdade” que estava rolando aqui no Rio e em Sampa para conferir a instigante proposta de Ridley e Tony Scott: voluntários gravariam suas vidas em um dia preciso, 24/07/2010, e a partir deste material se faria um documentário. Mais de 80.000 inscritos em 192 países responderam ao chamado dos produtores em parceria com o Youtube, somando o total de 4.500 horas gravadas.
De meia noite à meia-noite do dia seguinte vemos passar pela tela um monte de gente nas mais variadas situações ao redor do mundo. A única trama são perguntas que foram respondidas por alguns voluntários como o que eles mais amavam, qual era o medo maior deles, entre outras. Tem gente que só aparece escovando o dente, fritando um ovo, mas há alguns personagens mais constantes como o coreano que dá a volta ao mundo numa bicicleta há 9 anos e um menino no Peru que trabalha como engraxate e que ama a Wikipédia. Duas participações brasileiras no documentário. Pés à beira d’água enquanto se ouve a confissão de que o que a menina mais ama é sentir a areia molhada e uma cena engraçadíssima de um pai filmando o parto do filho.
A transição entre as horas é um recorte de hábitos associados àqueles momentos: muitos desjejuns, sonecas de tarde (24/7 foi um sábado), tudo ao som de uma trilha sonora fofa com um certo quê de comercial da mastercard.
Gostei do filme, ajuda a gente a perceber como este mundão é grande e que estamos todos envolvidos na mais bela e difícil batalha, a do dia-a-dia, com suas pequenas glórias, seus momentos de puro regozijo e, vez por outra, muitos motivos para sentar e chorar. Mas prosseguimos, quase sempre, quase todo mundo.
P.S. O blog só voltaria na próxima sexta quando resolvo umas pendengas que tem tirado meus sono, mas blogsville é irresistível!
De meia noite à meia-noite do dia seguinte vemos passar pela tela um monte de gente nas mais variadas situações ao redor do mundo. A única trama são perguntas que foram respondidas por alguns voluntários como o que eles mais amavam, qual era o medo maior deles, entre outras. Tem gente que só aparece escovando o dente, fritando um ovo, mas há alguns personagens mais constantes como o coreano que dá a volta ao mundo numa bicicleta há 9 anos e um menino no Peru que trabalha como engraxate e que ama a Wikipédia. Duas participações brasileiras no documentário. Pés à beira d’água enquanto se ouve a confissão de que o que a menina mais ama é sentir a areia molhada e uma cena engraçadíssima de um pai filmando o parto do filho.
A transição entre as horas é um recorte de hábitos associados àqueles momentos: muitos desjejuns, sonecas de tarde (24/7 foi um sábado), tudo ao som de uma trilha sonora fofa com um certo quê de comercial da mastercard.
Gostei do filme, ajuda a gente a perceber como este mundão é grande e que estamos todos envolvidos na mais bela e difícil batalha, a do dia-a-dia, com suas pequenas glórias, seus momentos de puro regozijo e, vez por outra, muitos motivos para sentar e chorar. Mas prosseguimos, quase sempre, quase todo mundo.
P.S. O blog só voltaria na próxima sexta quando resolvo umas pendengas que tem tirado meus sono, mas blogsville é irresistível!
quarta-feira, 6 de abril de 2011
BLOG INTERDITADO TEMPORARIAMENTE
Motivos de "Força maior" (adoro esta explicação obscura)
Mas eu volto,
Bjão
Mas eu volto,
Bjão
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