Eu não te quero aqui. Vá embora. Quero jogar copos na parede, pratos no chão, o som no último volume até que você desista.
Não quero ver seu rosto, olhando encantador pra mim, sua boca molhada e boa na minha, sua língua em caminhos e arrepios por sobre o que eu sou, o calor do seu tato. Não mordo mais sua nuca perfeita para a minha boca, quero que parta.
Não ande comigo pela rua calma de fim de Domingo, depois de um dia bom com amigos, não me lembre dos seus braços fortes em abraços apertados de namorados à minha frente.
Eu vou preencher este espaço que, surpreso, percebi que você ainda ocupa. Vou arrancá-lo à força, a fórceps, com sexo sem vontade e paixões inventadas e idiotas que não conhecerão dia seguinte.
Eu vou mentir uma outra vida e me esquecer do que, um dia, parecíamos ter.
Eu vou fazer. Ainda que, por ora, você insista em permanecer pulsando em mim.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Quem tem medo dos gays?
Prezadas famílias de comercial de margarina, células fundamentais da nossa sociedade, núcleos familiares formados por um pai provedor-bonachão-de-bigodes, mãe-de-avental-fazendo-bolinhos-de-chuva-no-Domingo-de-tarde e crianças-loiras-e-sapecas-comendo-seus-sucrilhos-no-café-da-manhã: Nós os gays, também chamados de bichas, viados, boyolas existimos!
Talvez vocês não tenham reparado, mas aquele tio solteirão, o primo que raramente comparece às festas de família e sempre que vai, leva um amigo, sãos gays. Desculpem-me avisá-los assim, mas há entre nós senhores de respeitável aparência e família solidamente formada e mulheres eternamente insatisfeitas com os maridos que, uma única vez, numa Quinta à noite tocaram suas amigas por sobre a blusa. Isto e pegações em lugares escuros, encontros fortuitos e uma psique destroçada era todo o possível para nós, as bichas, até algumas décadas atrás.
Felizmente hoje, nós temos maior visibilidade e aceitação social. A sensação que se tem de que a “ameaça gay” está se alastrando é só isso: uma impressão. O que acontece é que homens e mulheres gays deixaram de constituir famílias heterossexuais que seriam infelizes e não precisam se esconder tanto, ainda que não seja fácil assumir-se em muitas instâncias sociais. Mas fiquem tranqüilos: estatisticamente não estamos nos multiplicando.
O pânico que despertamos nos setores conservadores da sociedade supõe que a humanidade inteira é composta por bissexuais e que se estes descobrirem o terrível e fascinante segredo de que o sexo entre os que tem o mesmo sexo é muito mais prazeroso, a espécie humana estará terminada. Apesar de concordar com vocês que o sexo com outro homem é bem mais interessante do que com mulheres, minhas amigas lésbicas aqui discordarão, devo lhes dizer que há homens que gostam de mulher de verdade. É sério! Gostam de beijar-lhes, ternamente, o seio, passar a língua no bico intumescido e descobrir-lhes o quente e úmido do entre as pernas enquanto aspiram ao perfume que, em ondas, emana de seus cabelos É estranho, mas é verdade, existem homens que gostam de mulheres e vice-versa. Ou seja, o pânico de que, se reconhecerem nosso modo de amar como legítimo, a humanidade findará é só uma imensa bobagem.
Outra novidade: crianças criadas por casais gays não se tornam necessariamente homossexuais. A imensa maioria dos gays que conheço e eu próprio fomos criados em lares heterossexuais, numa escola heteronormativa, numa sociedade heterosexista e somos viados. Ou seja, há algo muito forte e real na forma como cada ser humano ama e deseja, capaz de contradizer as instâncias mais fundamentais da vida social. Seu filho, sua linda filha de maria-chiquinha e vestido florido não vão “virar” gay por ver um casal de homens com seu filho na capa de uma revista, nem duas mulheres se acarinhando românticas à luz do dia, pelo contrário, talvez isto os ajude a se tornar seres humanos melhores: mais plurais, humanamente fraternos e capazes de reconhecer o brilho da vida em toda a parte em que ele refulge.
Pra dizer a verdade, os gays não são uma ameaça à família ou a humanidade em geral. O que corrói estas sagradas instâncias é a falta de amor, de interesse no outro, de diálogo e partilha e estes males não tem gênero, nem orientação sexual definida. Lamento informá-los, mas nós não somos os monstros que se pensa, procure-os dentro de vocês. Eu sei dos meus e mantenho-os vigiados, sem deixar que se projetem no outro só porque esse é diferente de mim.
Talvez vocês não tenham reparado, mas aquele tio solteirão, o primo que raramente comparece às festas de família e sempre que vai, leva um amigo, sãos gays. Desculpem-me avisá-los assim, mas há entre nós senhores de respeitável aparência e família solidamente formada e mulheres eternamente insatisfeitas com os maridos que, uma única vez, numa Quinta à noite tocaram suas amigas por sobre a blusa. Isto e pegações em lugares escuros, encontros fortuitos e uma psique destroçada era todo o possível para nós, as bichas, até algumas décadas atrás.
Felizmente hoje, nós temos maior visibilidade e aceitação social. A sensação que se tem de que a “ameaça gay” está se alastrando é só isso: uma impressão. O que acontece é que homens e mulheres gays deixaram de constituir famílias heterossexuais que seriam infelizes e não precisam se esconder tanto, ainda que não seja fácil assumir-se em muitas instâncias sociais. Mas fiquem tranqüilos: estatisticamente não estamos nos multiplicando.
O pânico que despertamos nos setores conservadores da sociedade supõe que a humanidade inteira é composta por bissexuais e que se estes descobrirem o terrível e fascinante segredo de que o sexo entre os que tem o mesmo sexo é muito mais prazeroso, a espécie humana estará terminada. Apesar de concordar com vocês que o sexo com outro homem é bem mais interessante do que com mulheres, minhas amigas lésbicas aqui discordarão, devo lhes dizer que há homens que gostam de mulher de verdade. É sério! Gostam de beijar-lhes, ternamente, o seio, passar a língua no bico intumescido e descobrir-lhes o quente e úmido do entre as pernas enquanto aspiram ao perfume que, em ondas, emana de seus cabelos É estranho, mas é verdade, existem homens que gostam de mulheres e vice-versa. Ou seja, o pânico de que, se reconhecerem nosso modo de amar como legítimo, a humanidade findará é só uma imensa bobagem.
Outra novidade: crianças criadas por casais gays não se tornam necessariamente homossexuais. A imensa maioria dos gays que conheço e eu próprio fomos criados em lares heterossexuais, numa escola heteronormativa, numa sociedade heterosexista e somos viados. Ou seja, há algo muito forte e real na forma como cada ser humano ama e deseja, capaz de contradizer as instâncias mais fundamentais da vida social. Seu filho, sua linda filha de maria-chiquinha e vestido florido não vão “virar” gay por ver um casal de homens com seu filho na capa de uma revista, nem duas mulheres se acarinhando românticas à luz do dia, pelo contrário, talvez isto os ajude a se tornar seres humanos melhores: mais plurais, humanamente fraternos e capazes de reconhecer o brilho da vida em toda a parte em que ele refulge.
Pra dizer a verdade, os gays não são uma ameaça à família ou a humanidade em geral. O que corrói estas sagradas instâncias é a falta de amor, de interesse no outro, de diálogo e partilha e estes males não tem gênero, nem orientação sexual definida. Lamento informá-los, mas nós não somos os monstros que se pensa, procure-os dentro de vocês. Eu sei dos meus e mantenho-os vigiados, sem deixar que se projetem no outro só porque esse é diferente de mim.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Das Palavras que existem e daquelas que invento
O mundo é feito de palavras e silêncios. Uma cama só é assim porque alguém, num certo momento a disse: cama. Fico pensando na origem das palavras, como estas surgiram, de onde veio cada nome que é alguma coisa, que outras remotas possibilidades existiram para algo e que, simplesmente, submergiram no rio do esquecimento, naquele desaparecer lento e banal do que não se populariza, do que não se diz de novo e de novo.
Eu trabalho com palavras, eu me divirto com elas. Em meio à minha indefinição financeira a médio-prazo: terminar a licenciatura, começar o doutorado, pensei que, talvez, eu pudesse me dedicar aos números, aos cálculos ou às coisas. Abriu um concurso para a Petrobrás: inspetor de segurança interna, técnico de administração e controle, técnico de comercialização e logística... tenho certeza que tudo muito interessante, e honrado é tudo aquilo que com o suor se ganha o pão de cada dia. Mas eu não sei os números, as tabelas me cansam e as coisas o são enquanto podem ser ditas, retorcidas para que delas escoe a poesia.
As humanas são isso. Rigor científico, linguagem técnica e, no entanto, a crença de que a vida pode ser expressa, dita, desmembrada em páginas, teorias e um todo sistemático de fundamentações que são no fundo, palavras. A eterna tensão entre o que é e o que pode ser dito do que é.
Essas serão as minhas palavras. Ainda que, no fundo, sejam outras as que me encantam. Eu gosto mesmo é de sair num dia de sol e sentir despertar em mim: ”cálido”. O céu de nuvens, com ventos apressados e o ar denso: som terrível do temporal. O riso aberto e solto dos que envolta da mesa deixam o tempo de Domingo passar: conforto, ternura, abraço, amigo.
Encantam-me as palavras escondidas em tudo. No negro asfalto sob o sol a pino, na flor banal que nasce em brechas de muros, nas juras solenes dos humanos e no existir de plantas e bichos.
Passo pela vida, colhendo-as, aqui e ali, como, quando e “se” posso e vez por outra, deixo alguma cair da minha cesta na esperança de que outros, aqueles que me precederam nos caminhos, façam o mesmo por mim.
Eu trabalho com palavras, eu me divirto com elas. Em meio à minha indefinição financeira a médio-prazo: terminar a licenciatura, começar o doutorado, pensei que, talvez, eu pudesse me dedicar aos números, aos cálculos ou às coisas. Abriu um concurso para a Petrobrás: inspetor de segurança interna, técnico de administração e controle, técnico de comercialização e logística... tenho certeza que tudo muito interessante, e honrado é tudo aquilo que com o suor se ganha o pão de cada dia. Mas eu não sei os números, as tabelas me cansam e as coisas o são enquanto podem ser ditas, retorcidas para que delas escoe a poesia.
As humanas são isso. Rigor científico, linguagem técnica e, no entanto, a crença de que a vida pode ser expressa, dita, desmembrada em páginas, teorias e um todo sistemático de fundamentações que são no fundo, palavras. A eterna tensão entre o que é e o que pode ser dito do que é.
Essas serão as minhas palavras. Ainda que, no fundo, sejam outras as que me encantam. Eu gosto mesmo é de sair num dia de sol e sentir despertar em mim: ”cálido”. O céu de nuvens, com ventos apressados e o ar denso: som terrível do temporal. O riso aberto e solto dos que envolta da mesa deixam o tempo de Domingo passar: conforto, ternura, abraço, amigo.
Encantam-me as palavras escondidas em tudo. No negro asfalto sob o sol a pino, na flor banal que nasce em brechas de muros, nas juras solenes dos humanos e no existir de plantas e bichos.
Passo pela vida, colhendo-as, aqui e ali, como, quando e “se” posso e vez por outra, deixo alguma cair da minha cesta na esperança de que outros, aqueles que me precederam nos caminhos, façam o mesmo por mim.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Simples assim
Eu finalmente me tornei uma pessoa sem grandes expectativas. O que eu quero mesmo é, tendo sol, ir à praia, me espalhar na canga e deixar que os raios dourados do universo produzam aquela sensação incrível de bem-estar que sei lá porque acontece.
Eu só quero poder alugar os clássicos do cinema na locadora perto de casa, 3 dvd’s por 3 dias a R$10, e viajar no incrível mundo da sétima arte.
Quero almoços de fim-de-semana na casa das meninas queridas, com os amigos que tanto amo. Quero chopes e conversas, cafés e tardes de inverno com eles.
Quero continuar estudando bastante e depois sair fazendo concurso pra qualquer biboca de faculdade deste imenso país que é o Brasil.
Pronto, agora eu sou capaz de desejar o simples, afeiçoar-me ao cotidiano, encontrar alguma graça no ordinário.
Muita sensibilidade, desejos imensos e vontades absurdas são maravilhosas em filmes e livros, mas pra vida... no thanks.
Eu só quero poder alugar os clássicos do cinema na locadora perto de casa, 3 dvd’s por 3 dias a R$10, e viajar no incrível mundo da sétima arte.
Quero almoços de fim-de-semana na casa das meninas queridas, com os amigos que tanto amo. Quero chopes e conversas, cafés e tardes de inverno com eles.
Quero continuar estudando bastante e depois sair fazendo concurso pra qualquer biboca de faculdade deste imenso país que é o Brasil.
Pronto, agora eu sou capaz de desejar o simples, afeiçoar-me ao cotidiano, encontrar alguma graça no ordinário.
Muita sensibilidade, desejos imensos e vontades absurdas são maravilhosas em filmes e livros, mas pra vida... no thanks.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Estoy aqui
Queridões e queridonas,
Estou vivo, e não, não foi desta vez que parti com um cafuçú vindo de alguma fazenda de cacau do interior da Bahia.
Segunda voltaremos à nossa programação normal. Enquanto isto, ótimo final-de-semana e curte aí que é bom demais!
Estou vivo, e não, não foi desta vez que parti com um cafuçú vindo de alguma fazenda de cacau do interior da Bahia.
Segunda voltaremos à nossa programação normal. Enquanto isto, ótimo final-de-semana e curte aí que é bom demais!
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Trecho
Virou-se e a partir da janela, desenhada na parede longínqua, no outro extremo do quarto, adivinhou a luz tênue que recortava fantasmagoricamente os poucos móveis do lugar àquela hora. Ao seu lado, o outro se mexeu. Não precisou se virar pra saber que se levantava e ia em direção ao box: Pode usar a toalha azul. Ok. Respondeu o outro. Em sua própria boca sentiu o ácido suor alheio que ainda lhe impregnava os sentidos. Aqui e ali pelos claros em contraste com seus densos pentelhos negros. O pau murcho, caído de lado, exausto. O tempo do membro rijo é tudo o que soube do outro. Seu nome. Você vem sempre aqui? Tenho este DVD lá em casa. E então todo o amor possível entre o erigir-se e o descanso exausto de um pau que, um pouco antes, ofegava em jarros quentes e torpes sua porra branca sobre o peito do outro. A intimidade do que há entra as pernas, o namoro do cú. Era noite quando o outro saiu com um educado e inútil: a gente se fala.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Blogsville, lugar real
Os mineiros e o que está em minas, Paulo Braccini, Wanderley e Foxx, já relataram nossa agradável convivência na capital mundial dos bares e pães de queijo durante o Reveillon. Devo aqui confessar uma vaidade: adoro ser citado nos blogs. Sinto-me felicíssimo quanto viro personagem real nestes cantinhos de palavra que adoro ler e comentar.
Paulo Braccini e Wanderlei são um agradável mistério para mim. Tão, já a primeira vista, diferentes um do outro e tão numa sintonia fina. Eu que sempre fico pensando no que se perde, e as vezes me perco de mim mesmo, numa relação e no que se ganha do outro tive a impressão que os dois só vem se encontrando a trinta e seis anos, porque sabem muito bem quem são, o que querem e o que esperar um do outro. Caso típico de “eu quero ser assim quando crescer”.
Foxx é de uma sagacidade incrível. Tem um olhar que desnuda tudo e no qual rapidamente você percebe que ele atingiu o ponto em questão de um assunto, ou até de uma pessoa. Foi um ótimo companheiro e um fofo, se prontificou a me hospedar e me conduzir pela cidade, caso não eu conseguisse entrar em contato com meus amigos de Bel Zonte.
Este sábado temos, no Rio, o nosso terceiro encontro de blogueiros. O primeiro foi um café, ainda tímido e de pouco quorum, na Farme de Amoedo, Ipanema. O segundo foi no meu lugar do coração: a Lapa, com cerveja de garrafa e botequinho GLS-Chinfrim. Meti o pé na jaca. Se o meu, então sabe-se-lá namorado, não tivesse vindo me resgatar acho que nem levantar da cadeira teria sido possível. Agora nos encontraremos na charmosa Rua do Rio num shopping que era uma antiga fábrica. Especialmente por causa do Daniel que se recupera, muito bem, do incidente sofrido. Desta vez, infelizmente não teremos intercâmbios interestaduais, Paulo não poderá vir. Adoramos ele de cara, e o esperamos, assim, como outros tantos queridos em uma bem próxima ocasião.
Borboleta esteve aqui num vôo rápido, mas tão gostoso que a espero ansioso com mais calma e muito mais cerveja, em Abril, junto com S. para bebermos tudo e falarmos muito mal dos homens.
Rafa está vindo pro Rio de férias. E já acertamos uma praia. Oportunidade não vai faltar se continuar este calor senegalês que faz há dias na cidade maravilhosa. Outro que aporta em terras cariocas é o Introspective. Já falamos em um pós-praia qualquer por Ipanema.
2011 promete! E se você é do Rio ou estará por aqui no sábado, anota aí e aparece:
III MEDDIOTEXX
Dia: 15/ 01/2011
Local: Shopping Nova América (tem uma saída do metrô lá dentro)
Horário: 18h
Paulo Braccini e Wanderlei são um agradável mistério para mim. Tão, já a primeira vista, diferentes um do outro e tão numa sintonia fina. Eu que sempre fico pensando no que se perde, e as vezes me perco de mim mesmo, numa relação e no que se ganha do outro tive a impressão que os dois só vem se encontrando a trinta e seis anos, porque sabem muito bem quem são, o que querem e o que esperar um do outro. Caso típico de “eu quero ser assim quando crescer”.
Foxx é de uma sagacidade incrível. Tem um olhar que desnuda tudo e no qual rapidamente você percebe que ele atingiu o ponto em questão de um assunto, ou até de uma pessoa. Foi um ótimo companheiro e um fofo, se prontificou a me hospedar e me conduzir pela cidade, caso não eu conseguisse entrar em contato com meus amigos de Bel Zonte.
Este sábado temos, no Rio, o nosso terceiro encontro de blogueiros. O primeiro foi um café, ainda tímido e de pouco quorum, na Farme de Amoedo, Ipanema. O segundo foi no meu lugar do coração: a Lapa, com cerveja de garrafa e botequinho GLS-Chinfrim. Meti o pé na jaca. Se o meu, então sabe-se-lá namorado, não tivesse vindo me resgatar acho que nem levantar da cadeira teria sido possível. Agora nos encontraremos na charmosa Rua do Rio num shopping que era uma antiga fábrica. Especialmente por causa do Daniel que se recupera, muito bem, do incidente sofrido. Desta vez, infelizmente não teremos intercâmbios interestaduais, Paulo não poderá vir. Adoramos ele de cara, e o esperamos, assim, como outros tantos queridos em uma bem próxima ocasião.
Borboleta esteve aqui num vôo rápido, mas tão gostoso que a espero ansioso com mais calma e muito mais cerveja, em Abril, junto com S. para bebermos tudo e falarmos muito mal dos homens.
Rafa está vindo pro Rio de férias. E já acertamos uma praia. Oportunidade não vai faltar se continuar este calor senegalês que faz há dias na cidade maravilhosa. Outro que aporta em terras cariocas é o Introspective. Já falamos em um pós-praia qualquer por Ipanema.
2011 promete! E se você é do Rio ou estará por aqui no sábado, anota aí e aparece:
III MEDDIOTEXX
Dia: 15/ 01/2011
Local: Shopping Nova América (tem uma saída do metrô lá dentro)
Horário: 18h
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Sobre o perigo da combustão espontânea
Ontem eu explodi de maneira exagerada e ridícula com alguém que, só me fez sentir um pouco, algo que detesto: a minha falta de atitude em situações que clamam por uma. Nem dez minutos depois eu percebi que a minha reação firme e auto-defensiva estava completamente deslocada no tempo e no espaço. Atrasada dias, deslocada quilômetros. E então, a raiva de mim mesmo, a vergonha pelo exagero da resposta despropositada, e a constatação que há um irritante delay nas minhas reações tudo aflorou.
E o que eu fiz? Expliquei por alto para a minha vítima o ocorrido, que se tratava de um jorro de palavras há muito fermentadas e nauseadas no meu estômago e que, coitado, fora sobre ele o ocre e terrível jato, como poderia ter sido qualquer outro.
Na verdade, teria que ter sido sobre mim. Porque tem horas em que dizer que você vai dormir na sua casa e que o outro passe bem é a atitude mais digna que se pode tomar. Na falta dela, o sapo fica pulando no seu estômago até que desesperado sai por sua boca, na primeira oportunidade que tem.
Depois de tudo, resta confiar na sabedoria agrícola de que é fazendo merda que se aduba a vida, sentar no sofá com uma boa taça de vinho e deixar Nina Simone soprar ao seu ouvido suas mágicas canções.
Parece que deu certo. Hoje é outro dia e, lá fora, o sol brilha indiferente a tudo.
E o que eu fiz? Expliquei por alto para a minha vítima o ocorrido, que se tratava de um jorro de palavras há muito fermentadas e nauseadas no meu estômago e que, coitado, fora sobre ele o ocre e terrível jato, como poderia ter sido qualquer outro.
Na verdade, teria que ter sido sobre mim. Porque tem horas em que dizer que você vai dormir na sua casa e que o outro passe bem é a atitude mais digna que se pode tomar. Na falta dela, o sapo fica pulando no seu estômago até que desesperado sai por sua boca, na primeira oportunidade que tem.
Depois de tudo, resta confiar na sabedoria agrícola de que é fazendo merda que se aduba a vida, sentar no sofá com uma boa taça de vinho e deixar Nina Simone soprar ao seu ouvido suas mágicas canções.
Parece que deu certo. Hoje é outro dia e, lá fora, o sol brilha indiferente a tudo.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Os 7's
Então, O Rodrigo, um dos blogueiros mais naturalmente sofisticados de BlogsVille, me indicou para este "jogo dos sete" aqui. Vindo de um querido como ele não tem como recusar, né não? Ei-lo.
7 COISAS QUE TENHO QUE FAZER ANTES DE MORRER:
1 – Viver um real, sólido e infinito enquanto dure grande amor, com direito a todos os clichês ridículos de comédias românticas.
2 – Ficar um mês em Nova Iorque e tomar vinho em copos de café (tipo starbuck’s) andando por um gelado Central Park.
3 – Conseguir ganhar a vida especializando-me em questões de gênero e diversidade sexual.
4 – Ampliar ainda mais meu espectro de amigos incríveis e absolutamente essenciais.
5 – Mergulhar em profundidade.
6 – Morar, um tempo, fora do Rio, do País.
7 – Experimentar que nenhum esforço foi inútil e que, de uma forma ou de outra, tudo valeu a pena.
7 COISAS QUE MAIS DIGO:
1 – Sério?
2 - ... da porra!
3 – To com uma fome!
4 – Chega logo Sexta-feira!
5 – Bora beber?
6 - ... de cu é rola.
7 – Me passa o sal, por favor.
7 COISAS QUE FAÇO BEM:
1 – Dar aula
2 – Ouvir os amigos
3 – Beijar na boca
4 – Café
5 – Cafuné
6 – Terminar namoros (é sério...)
7 – Escolher trilhas sonoras
7 DEFEITOS MEUS:
1 – Quando quero mesmo... inseguro.
2 – De modo geral, eu acho as pessoas chatas (rs...)
3 – Facilmente irritável
4 – Indeciso muitas vezes
5 – Muito distraído!
6, 7 – Alguém completa a lista aí, mas com jeitinho, ok?
7 COISAS QUE AMO:
1 – Amigos
2 – Música
3 – Dias livres
4 – Pôr-do-sol
5 – Café
6 – “A aprendizagem ou o livro dos prazeres” (Clarice Lipsector)
7 – Liberdade
7 QUALIDADES:
1 – Fidelidade canina aos amigos
2 – Reta intenção
3 – Bom-humor ( a maior parte do tempo...)
4 – Otimismo (ou ingenuidade?)
5 – Paixão ( entenda de forma beem ampla...)
6, 7 – Completa aí, gente!
E as sete vitimas a responderem são:
Dan, do Naipes Flamejantes
Rafa do Cinzeiro Lotado
e todos os demais que quiserem!
7 COISAS QUE TENHO QUE FAZER ANTES DE MORRER:
1 – Viver um real, sólido e infinito enquanto dure grande amor, com direito a todos os clichês ridículos de comédias românticas.
2 – Ficar um mês em Nova Iorque e tomar vinho em copos de café (tipo starbuck’s) andando por um gelado Central Park.
3 – Conseguir ganhar a vida especializando-me em questões de gênero e diversidade sexual.
4 – Ampliar ainda mais meu espectro de amigos incríveis e absolutamente essenciais.
5 – Mergulhar em profundidade.
6 – Morar, um tempo, fora do Rio, do País.
7 – Experimentar que nenhum esforço foi inútil e que, de uma forma ou de outra, tudo valeu a pena.
7 COISAS QUE MAIS DIGO:
1 – Sério?
2 - ... da porra!
3 – To com uma fome!
4 – Chega logo Sexta-feira!
5 – Bora beber?
6 - ... de cu é rola.
7 – Me passa o sal, por favor.
7 COISAS QUE FAÇO BEM:
1 – Dar aula
2 – Ouvir os amigos
3 – Beijar na boca
4 – Café
5 – Cafuné
6 – Terminar namoros (é sério...)
7 – Escolher trilhas sonoras
7 DEFEITOS MEUS:
1 – Quando quero mesmo... inseguro.
2 – De modo geral, eu acho as pessoas chatas (rs...)
3 – Facilmente irritável
4 – Indeciso muitas vezes
5 – Muito distraído!
6, 7 – Alguém completa a lista aí, mas com jeitinho, ok?
7 COISAS QUE AMO:
1 – Amigos
2 – Música
3 – Dias livres
4 – Pôr-do-sol
5 – Café
6 – “A aprendizagem ou o livro dos prazeres” (Clarice Lipsector)
7 – Liberdade
7 QUALIDADES:
1 – Fidelidade canina aos amigos
2 – Reta intenção
3 – Bom-humor ( a maior parte do tempo...)
4 – Otimismo (ou ingenuidade?)
5 – Paixão ( entenda de forma beem ampla...)
6, 7 – Completa aí, gente!
E as sete vitimas a responderem são:
Dan, do Naipes Flamejantes
Rafa do Cinzeiro Lotado
e todos os demais que quiserem!
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Muito mais que lagartixa
Lembro de quando era criança e, estupefato, soube que o rabo da lagartixa se regenera depois de cortado.
Hoje, adulto, percebo que a lagartixa é fichinha perto da fibra de que nós, os seres humanos, somos feitos. Nos rasgamos, ferimos, acumulamos uma série imensa e diversificada de contragostos e, no entanto, choramos um pouquinho, praguejamos contra os céus e logo nos pomos a caminhar.
Vale tudo pra isto, marcar datas para recomeços: segundas, inícios de mês, anos-novos; inventar rituais e mandingas infalíveis para deixar o incômodo para trás e sentir-se de fato novo, virgem, limpo para o que ainda virá.
Eu, como todos nós, sou um sobrevivente. E um insistente na vida. Esta capacidade de ir mais além, de não acreditar no fim, de sofrer pacas, mas continuar, tudo isto é o melhor de mim. Não tenho sempre a firmeza emocional que gostaria, minha vida profissional não é o resultado de metas claras e certeiras que tracei a muito, mas isto eu tenho: a coragem de prosseguir, de refazer, de aquentar, de pé, os resultados todos das minhas escolhas e ainda aquilo que de inesperado cai sobre mim.
Num mundo onde a instabilidade é a regra, no jogo de aparências que constitui o real, que nos lembremos a todo instante de que há força em nós, há esta disposição e coragem que nascem sabe-se lá de onde e se, vez por outra, também estas declinam, que as recarreguemos em ombros disponíveis e nos colos afetuosos daqueles que amamos.
Que venha 2011!
Hoje, adulto, percebo que a lagartixa é fichinha perto da fibra de que nós, os seres humanos, somos feitos. Nos rasgamos, ferimos, acumulamos uma série imensa e diversificada de contragostos e, no entanto, choramos um pouquinho, praguejamos contra os céus e logo nos pomos a caminhar.
Vale tudo pra isto, marcar datas para recomeços: segundas, inícios de mês, anos-novos; inventar rituais e mandingas infalíveis para deixar o incômodo para trás e sentir-se de fato novo, virgem, limpo para o que ainda virá.
Eu, como todos nós, sou um sobrevivente. E um insistente na vida. Esta capacidade de ir mais além, de não acreditar no fim, de sofrer pacas, mas continuar, tudo isto é o melhor de mim. Não tenho sempre a firmeza emocional que gostaria, minha vida profissional não é o resultado de metas claras e certeiras que tracei a muito, mas isto eu tenho: a coragem de prosseguir, de refazer, de aquentar, de pé, os resultados todos das minhas escolhas e ainda aquilo que de inesperado cai sobre mim.
Num mundo onde a instabilidade é a regra, no jogo de aparências que constitui o real, que nos lembremos a todo instante de que há força em nós, há esta disposição e coragem que nascem sabe-se lá de onde e se, vez por outra, também estas declinam, que as recarreguemos em ombros disponíveis e nos colos afetuosos daqueles que amamos.
Que venha 2011!
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