quarta-feira, 27 de maio de 2009

Remniscências... Amorosas (?)

O estudante de arquitetura (FINAL)

Saímos pra um dos programas preferidos do meu quase-namorado: comer. O outro era ir às festas dos ursos. Ele não chegava a ser um, era, na classificação ursina algo aquém disto, mas do jeito que freqüentávamos rodízios de qualquer coisa, inclua aí uma experiência deplorável num rodízio de petiscos, logo, logo seria promovido.
Depois do rodízio, de pizza desta vez, fomos a “Imaginarium”, uma loja bem legal de produtos com design super arrojado. Ele precisava comprar um presente de amigo oculto, mas não gostou de nada, exceto de um porta-retrato móbile, muito caro para uma simples lembrancinha de natal.
Dia seguinte lá estava eu, de novo, na mesma loja, sozinho. Comprei o porta-retrato. Na hora de pagar pedi o embrulho de presente separado. A atendente me olhava e talvez para sanar uma dúvida do dia anterior, me perguntou:
- É pra dar pra sua mãe de Natal?
- Não. Pro meu namorado. Aquele que veio comigo ontem.
E na loja moderna de artigos com design arrojado, a mulher ficou com a cara de espanto mais conservadora que eu já tinha visto.
Mandei imprimir fotos nossas, daqueles quase 2 meses de relacionamento, as dispus cuidadosamente em cada posição do porta-retrato, empacotei-o e o deixei na mesinha de centro. Toda vez que passava pela sala, sorria, imaginando a reação do meu lindo. Faltavam 5 dias para o Natal.
Na véspera, dia 24 de Dezembro, depois de um sumiço de 3 dias, ele me disse que estava confuso e precisava ficar só. Chorei uma semana e depois, pedi a ele, que pelo menos, fosse pegar o presente que lhe tinha comprado.
Ele apareceu no primeiro dia do ano. E ficou constrangido quando abriu o pacote. Levou-me um CD horroroso, destes de coletâneas “The Best of”. Ao rasgar o embrulho, dei-me conta da situação toda. Instantes antes de abrir a porta, desde que, o porteiro anunciara sonolento seu nome, eu pensei em pedir que reconsiderasse, dizer-lhe que poderíamos achar um outro ritmo, encontrar uma outra forma. Suplicar-lhe que apenas me beijasse, ali naquela primeira tarde. Mas tudo o que fiz depois de abrir o pacote, foi dizer-lhe que então estava bem, as coisas eram assim mesmo. Que ele tivesse sorte no estágio, conseguisse a nota com aquele professor chato. Recomendações à sua mãe. Diga a seu pai que este ano o Brasileirão é do Flamengo e ninguém tasca. Antes da porta fechar, o beijo, quente e bom. E então, já sozinho, elas surgiram também quentes, as lágrimas, escorriam amargas pelo meu rosto: o choro final.

***
Queridos, assim encerramos a série “Reminiscências amorosas”, e para faze-lo em grande estilo o ponto final será uma citação da Diva (Ora! Como que Diva? Madonna, é claro...)

THERE’S NO LOVE, LIKE THE FUTURE LOVE

sábado, 23 de maio de 2009

Remniscências... Amorosas (?)

O estudante de arquitetura (PARTE II)

No dia seguinte, ele ligou, e no outro, e também no seguinte ao outro. E como ele era um estudante de arquitetura em férias, passamos a nos ver todos os dias. Cinemas com amigos dele, jantar na casa dos meus, fugas repentinas para beijos deliciosamente roubados em cantos escuros de shoppings, lojas e mercados. Eu sei dizer precisamente o momento em que me apaixonei. Ao entrar no seu carro, depois de mudar a marcha, suas mãos voltavam às minhas, pousavam em minhas pernas. O tempo do sinal fechado era sempre a ocasião perfeita para mais um beijo, um afago. Só havia uma questão. Depois de 20 dias, nós não havíamos transado ainda.
Foi numa noite de Sábado, num quiosque na praia, escolha esquisita para uma noite fria como aquela, que tocamos no assunto. Pela tangente, fazendo piada com o fato de termos nos conhecido num ponto de pegação e não termos pego mais do que as mãos um do outro em tardes de sessão de cinema. Então ele me disse olhando bem pra mim:
- Eu tenho o pau pequeno... e fino.
E eu olhando mais fixamente em seus olhos respondi:
- Eu quero fazer amor com você. Do jeito que você é.
Saímos dali e fomos para minha casa. De fato, ele tinha o menor pau que eu já vi em toda a minha vida. Mas eu o sugava com vontade, e ardia por ele, porque ali estava o homem que punha a mão nas minhas pernas enquanto dirigia pela cidade.
CONTINUA...

sábado, 16 de maio de 2009

Reminiscências... amorosas (?)


O estudante de arquitetura (parte I)

- Ah, vamos lá Tanta Coisa, só um pouquinho!
- Ta doido, Fulano. Morro de medo dessas coisas.
E era verdade. Além do Aterro do Flamengo ser um local perigoso à noite, meu amigo já tinha quase ido parar na delegacia por causa do tipo de atividade que se faz naquele local àquela hora: pegação.
- A gente dá só uma voltinha. Fica de longe pra ver o povo fervendo.
Enfim, mais algumas cervejas e lá fomos nós fazer copper no Aterro, às 2h da manhã. No local onde estacionamos o carro, havia vários outros parados. Alguns caras permaneciam de pé junto aos seus veículos. Há alguma distância de nós, dava para adivinhar alguém abaixado fazendo um apressado boquete num senhor. Coitado, o que é o desespero. Em respeito à memória de vovô, desviei rápido o olhar.
É lógico que eu sabia que o dar uma olhadinha era só o começo para meu amigo. Ele logo foi em direção às árvores, o canto mais escuro do lugar, onde tudo acontecia. Eu fiquei junto ao carro, numa parte mais iluminada. O Aterro beira a Baía de Guanabara, e à minha frente estava o Pão-de-açúcar, a vista mais linda do Rio. Um ventinho frio soprava e eu entre absorto com a paisagem e preocupado com assaltantes e policiais, esperava meu amigo. Foi quando um outro carro chegou, e fez o boqueteiro sair correndo pras árvores, iluminado pelos faróis do carro que estacionara. Na verdade, pelo que pude ver, era o vovô o caridoso da história. Do carro saíram quatro caras, dos quais apenas um não foi para a região mais escura. Ele era bem interessante e eu o olhava de um jeito que esperava que ele entendesse que eu não estava a fim de chupar seu pau no meio da rua, em pleno bairro de Botafogo. Ele se apresentou, conversamos um pouco e logo depois meu amigo voltou. Nos beijamos, e antes que meu amigo manobrasse para sair do Aterro, ele se debruçou sobre o carro e me disse: “- Jamais imaginei que encontraria alguém como você num lugar assim”. Trocamos telefones. A última coisa que meu amigo disse antes de começar a contar o que viu, ouviu e fez, foi: “Sabe quando vocês vão se ver de novo? Nunca”.
CONTINUA...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Auto-ajudando-me a mim e a ti


Seja apenas um caso clássico de crise existencial, um faniquito passageiro, ou aquele dia que você acorda de ovo virado, aprendi este Domingo algumas valiosas dicas que compartilho com vocês, queridíssmos (as) leitores (as):

*Tome um demorado e luxuoso banho ouvindo suas músicas prediletas (tudo bem, se você não tiver sais de banho de caviar importados da Geórgia, faz espuma com o “Lux luxo”, como eu). O importante é que a música esteja beeeem alta e você se acabe de cantar no box.
*Tente pensar objetivamente na sua situação de vida e procure um motivo de contentamento, nem que seja o fato de que há milhões de pessoas mais fudidas ainda que você no mundo.
*Escolha a roupa na qual você se acha um gato (tá bem, ou gata). Não é a mais confortável mais a que valoriza seus melhores atributos. Vale recorrer até à cinta nesta hora, queridos.
*Muito importante: Saia de casa! Vai tomar um solzinho na rua, vitamina D ajuda no bem-estar, além de você ver o movimento o que te fará lembrar que você (e sua dor) não são o centro do universo, há gente pacas nele.
*Muito importante (2): Não saia só. Recrute aqueles amigos leves, engraçados, com quem você dá sua melhor risada. E fuja, dobre a esquina correndo se, ao longe, despontar a figura daquele amigo que tem um problema crônico de auto-estima. Este não é o dia para encontrá-lo.
*Se o motivo for solidão: Mande o cavalo branco de volta ao jockey, devolva a roupa de príncipe à casa de adereços carnavalescos e anote num papel: todos os filmes horrorosos que você viu para acompanhar antigos namorados, as manias irritantes de cada um dos seus ex, e o quanto você deixou passar caras incríveis porque estava tecnicamente namorando.
*Saia pra dançar. Atenção, não é sair pra fazer carão na night ou pegar o primeiro que te der mole num ato de puro desespero. Muito menos pra ficar encostado na parede da boate esperando ansioso a hora da xepa. É pra dançar mesmo, como se fosse tudo o que te restasse na vida, ao som dos seus hits preferidos. Isto te ajudará a lembrar que você tem um monte de energia, pro que der e vier.
Ah, e lembre-se: Madonna nunca, nunca desiste de nada do que quer.

E assim, encerramos nosso momento Auto-ajuda. Quem desejar pode adquirir uma apostila com outras preciosas dicas por apenas R$ 59,99.

domingo, 3 de maio de 2009

Textinho pra não sumir (muito)

Acordei hoje sentindo-me muito estranho. Rodando zonzo pela casa em busca de um café, um pão com qualquer coisa, me dei conta que estava estranhamente só. E não é apenas, ou principalmente, a falta de alguém para compartilhar os lençóis e a vida. Acho mesmo que estou minimamente tranqüilo com relação a isto, pelo menos neste momento. Sinto falta mesmo de certo entusiasmo diante das coisas, de um fascínio que me tomava sempre diante de novos desafios. Parece que vivo mais do mesmo. E não é exatamente algo que eu tenha que fazer, sair mais, ir a lugares diferentes. Desconfio que o que desejo é só encontrar gente nova, que me desafie, apresente-me seu universo, minha vida está tão os mesmos itinerários, pessoas e conversas! Rotina é necessária, estruturante mesmo pra o que a gente quer colher depois, como resultado do nosso esforço, da disciplina empregada. Mas, às vezes, é necessário ir além. Ainda que eu não saiba exatamente o que isto signifique concretamente, porque a loucura, a curtição hoje em dia são também tão óbvias! O que fazer quando se espera mais da vida, mas não se sabe exatamente o que?
Sem vontade e inspiração nenhuma para escrever. Este textinho é só mesmo pra não sumir completamente daqui. Beijos e boa semana.