quarta-feira, 14 de julho de 2010

alegrias...

O que se procura com ardor, pelas estradas, não se acha. As fomes ancestrais que devoram os estômagos, corações e vidas de todos os homens só crescem. O desejo nunca saciado estala por todas as paragens, campos e seu uivo ecoa desde a rua aos últimos andares dos edifícios.

O homem, este mendicante. Pensar dói, desejar é loucura. Por isto nos distraímos. Precisamos de apetrechos, gadgets, fofoca, porque se nos concentramos sobre o que nos falta, então, nossos olhos se abrirão. Se ao menos chegássemos perto de agarrá-lo, ele simplesmente saltaria por sobre nossas cabeças e se tornaria, de novo, o inalcançável. Somos os eternos insatisfeitos, os nunca realizados por completo, aqueles que só precisam variar os motivos de sua carência, já que estes não faltam.

E isto nos faz estranhamente humanos. Nos dá a arte, esta mentira necessária de alguma plenitude, a técnica, para nos distrairmos construindo um mundo, o amor, a forma mais sublime de escapar do trágico destino que nos pervade a todos: nascer e morrer absolutamente só.

E nada disto quer dizer que a vida seja má. Mas que, sem desconsiderar a necessidade de um pouco de utopia para temperar sua rudeza, é preciso abraçá-la nua, como esta nos chega. Se não esperamos nada depois que dê sentido ao agora, nenhum fim redentor que aja retrospectivamente, o que nos resta? Agora.

Sol bom na pele fria, uma vista, café quente e amargo, antes o cheiro deste a se espalhar por tudo, qualquer coisa com amigos. Um amor quando em vez. Tudo o que se comunique a nós e sem palavras transmita a sensação certeira de se estar vivo. E isto é bom. As pequenas alegrias. Isto importa.
Quer mais?
Ouça aí embaixo...

10 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Vou tomar este teu post na veia, certo? Eu superdimensiono e faço drama e escrevo e rio e choro só pra não saber: desejo.
Passagens compradinhas, quero a Lapa!E quero cartas, quero sim!

Lobo disse...

De pequenos momentos vamos fazendo a nossa felicidade. A grande, a que todo mundo quer, será realmente alçavel, ou apenas ilusão causada por todas estas pequenas sensações?

Beijos Rafa!

A gente vê alguma depois da minha viagem no inicio de agosto... quem sabe, eu não me animo a ir mesmo? Hahaha

Rodrigo disse...

Um lindo texto com Nina Simone como a cereja do bolo.

para.béns, gato.

Dan disse...

as pequenas alegrias valem mais do que qualquer ferrari. ou são mais importantes do que qq desejo que a gente inventa.
ouvir Nina Simone logo de manhã é uma delas.
bjo Rafa

Anônimo disse...

Mendicante foi algooooooo!!!
Arrasou com tudo - texto e áudio, claro!!!
Hugz - de ceroulas - pra ti... hahahaha!

Paulo Roberto Figueiredo Braccini - Bratz disse...

Caraca! que coisa mais linda, contundente e verdadeira, traduzida de forma didática e sensível ... parabéns ...

Nina ... sem comentários né? maravilhosa sempre e encaixou como uma luva neste post ...

Simplicidade ... momento ... detalhe ... é isto ... viver plena e abundantemente cada um deles tal e qual eles se nos apresentam ... isto é o segredo do bem viver ...

bjux

;-)

Edilson Cravo disse...

Simples, lindo e poético. Pra que mais coisa né? rs Tô esperando tua visita ao Lua hein... rs
Abraços.

Wans disse...

Nada poderia casar mlehor com Nina Simone.

Arrazou!

AD disse...

add lá adsjnr@hot

Antonio de Castro disse...

são pequenas coisinhas.

mas às vezes parecem tão pequenas.

by the way, ótima escolha de música na melhor de todas as versões.