Eu fui fazer Ciências Sociais porque a Filosofia não me bastava mais. Na verdade o que me interessa é ficar ali na encruzilhada entra as duas. Mas a filosofia por si só é muito teórica, versa sobre compreensões que sem dúvidas originam coisas, práticas, hábitos muito concretos, mas não parte destes.
Eu fui fazer ciências sociais porque quero estudar a questão de gênero e diversidade sexual. Compreender os processos de construção social da identidade gay, dar a minha colaboração intelectual para uma questão que me toca tão pessoalmente.
Por isto, apesar do nervosismo, foi com enorme vontade que, ao ser perguntado pelo professor de Antropologia III qual seria o assunto do meu seminário, não titubeei: A relação entre igualdade e hierarquia no segmento LGBT. A proposta era analisarmos em algum aspecto da sociedade a relação entre hierarquia e igualdade.
Quando disse o tema, as pessoas olharam pra mim com aquela cara de “Hum...” e o professor, de uma maneira meio tola, disse que um amigo dele fez um trabalho sobre travestis e era muito bem-casado com uma mulher, que nem sempre a gente estudar um tema significa que “somos aquilo”. Eu fiquei calado, com uma cara de “è, mas não é o meu caso”.
O trabalho ficou ótimo, modestamente (rs). Parti do emergir dos sujeitos LGBT’s como produtores de um discurso sobre si mesmos na década de setenta, que inexistia de forma relevante antes disto. E de como a figura do gay até então era só a do efeminado, a “bicha louca” da qual se pode fazer rir. É preciso rir das bichas porque elas embaralham as noções clássicas atribuídas aos gêneros. São homens que remetem ao feminino. E pior, na cabeça de todos são passivas, “passividade” é algo tipicamente feminino, ao contrário da atividade, força, domínio do macho.
A partir da emersão social do segmento LGBT há uma luta intensa por ampliar a cidadania desses sujeitos, o que vem se realizando num projeto assimilacionista, de alargamento dos direitos já facultados aos héteros. Para isto é necessária uma intensa campanha para assegurar a “normalidade” dos homossexuais o que também se faz, afastando-se da imagem tradicional da bicha tão presente na sociedade ainda hoje. Mostrar que se é um gay másculo, que se é de uma espécie fundamentalmente distinta do viado risível é uma forma de angariar simpatias e possibilidades de interação social muito maiores. Assim, no interior do próprio segmento se reproduz contra os efeminados, um preconceito que, em última instância, por exemplo, na legislativa, todos sofremos. Apesar da igual condição homossexual, há uma hierarquia dentro do próprio segmento com vistas à uma maior aceitação social.
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ATENÇÃO! I MEDDIETOPEBCS
Data: 26/6 (Sábado)
Hora: 16h
Local: ????????
Blogueiros do Rio e Simpatizantes interessados: Manifestem-se!
13 comentários:
Vou te adicionar no msn em casa.
Se quiser adiantar o serviço, adiciona: anjinhapsicotica@hotmail.com
Ok, pode zoar meu e-mail pré-adolescente! Tô acostumada =/
Sobre o MEDDIETOPEBC, gostou do nome, né? hahahaha
Bom, precisamos saber onde as pessoas moram! Eu super votaria no Cafeína, Na farme.
Aconchegante, delicioso e... no centro da "ferveção" carioca!
Se o pessoal preferir um chopp a um café, poderíamos ficar com o Tô nem aí.
Ontem eu fui num barzinho mára em botafogo, não lembro o nome, mas é no final da Voluntários. Sugiro também! O que acha?
Ps.: Você e seu trabalho me deram uma ligeira idéia do que apresentar no curso de semana que vem!
\o/
beeeijo, Rafa!
Droga... to no Rio nesse final de semana, não no outro!!! :(
Pena eu estar proximo do Rio Pinheiros e não do Rio de Janeiro :(
adorei seu trabalho... e vamos tentar publica-lo?
ops ... taí gostei e muito ... super interessante ... gostaria de poder conhecê-lo na íntegra se for possível ...
não sei se neste primeiro encontro poderei ir mas em outros marcados com maior antecedência eu irei participar com toda certeza ... ... dia 26 sou padrinho de um casório aqui em BH ... mas enfim ... gostando de seu ativismo ... parabéns
bjão querido
;-)
ops ... dia do CAN foi óteeemo ... kkkk
;-)
Dentre as coisas que comecei e não terminei, está a faculdade de ciências sociais...mas , confesso, que me decepcionei com a "academia"...
Te adicionei no MSN já... penso que sobre o I MEDDIETOPEBC, acho que o mais dificil já foi...agora é só garantirmos as presenças e pegar os telefones do povo para confirmar.
O*+ nervosa por revelar sua identidade secreta hauahuaha
adoraria conhecer o trabalho na íntegra também.
Sobre o encontro. Esse não vai dar, mas no próximo...
Beijão e nos encontramos na loja de material de construção. Vamos cagar juntos? Rsrsrs.
querido, seu vou! mas devo chegar um pouco mais tarde, pode ser? te confirmo via telefone depois, te explico por que!
EU particularmente, prefiro um chopp! ipanema está ótemo pra mim! bisous!
Eu gostaria de ler o seu trabalho. AChei interessante.
Bom encontro e quem sabe um dia eu apareço.
Bjs
Tenho um amigo que faz mestrado na fiocruz sobre politicas afirmativas ligadas a homossexualidade, achoq seu trabalhgo pode interessar bastante a ele.. Onde a gente pode passar um zoio????
Aliás acho q apreentar vcs seria bacana...
Rafa!
Pode contar comigo lá dia 26! Só não conte comigo pra escolher o local, porque não conheço NADA do lado de lá da poça! De preferência um lugar de onde seja mais fácil voltar pras barcas please? ahauahauhauahauahau
Que venha o MEDDIETOPEBCS!
Beijos Rafa!
Eu não entendi se você concorda ou discorda dessa parte:
"Para isto é necessária uma intensa campanha para assegurar a “normalidade” dos homossexuais o que também se faz, afastando-se da imagem tradicional da bicha tão presente na sociedade ainda hoje. Mostrar que se é um gay másculo, que se é de uma espécie fundamentalmente distinta do viado risível é uma forma de angariar simpatias e possibilidades de interação social muito maiores."
Porque me parece que ela faz ruído nesse trecho:
"Apesar da igual condição homossexual, há uma hierarquia dentro do próprio segmento"
Afinal, se um gay precisa mostrar que é másculo, ainda estamos hierarquizando dentro do prórpio segmento, certo? A hierarquização só deixa de ter sentido quando o gay não precisar mostrar nada, masculinidade, feminilidade, nada.
Queria saber o seu pensamento.
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