quarta-feira, 19 de maio de 2010

Eu sou uma pessoa melhor quando bebo

Sei que é muito feio admitir isto. Ao longo da história da humanidade se tem inventado as mais nobres desculpas para se ingerir a substância alcoólica em qualquer das suas formas: bebemos para celebrar, eis o brinde; porque está frio, viva a vodka, para agradar aos deuses, oblações judaicas de vinho e o vinho católico da missa. Mas a pura verdade, tão pura como um whisky cowboy, é que beber torna as pessoas melhores, em geral.

Eu, por exemplo, sou um cara bem legal. Inteligente, de bom-humor, interessado de verdade em um monte de coisas deste mundão e nas pessoas que nele habitam. Só que tudo isto que por si só é capaz de me conectar a outros durante horas de boa conversa, se encontra escondido, envolto por uma camada de timidez mal disfarçada.

Não sei se foi a minha família a culpada. Uma das contribuições mais legais de Freud é que você pode, desde então, jogar toda e qualquer culpa em cima de seus pais, que desorganizaram suas pulsões e bagunçaram completamente os tais id, ego e superego. Enfim, minha família é envergonhada. Meu pai sempre exerceu uma espécie de censura sobre qualquer espontaneidade, há pairando na casa deles até hoje, em cada cômodo, um: “O que será que vão pensar?” que, felizmente, consigo deixar atrás da porta quando saio de minhas visitas. Mas faz parte da minha história.

Um outro elemento foi minha formação no seminário. Pra quem não sabe estive 10 anos na vida religiosa. E junto com muita coisa boa, engoli muito de mim mesmo durante um bom tempo, até que, ou eu morria de úlcera, ou tomava a decisão mais importante da minha vida: sair.

Enfim, não sei de que argamassa e tijolo esta barreira superficial, mas extensa, é construída. Este muro que fica entre os outros e o melhor de mim mesmo. Só sei que o álcool é mesmo uma das portas para dinamitá-la. Penso que se eu não tivesse nada por dentro, nem litros de absinto ajudariam. Mas o tanto que preciso é só pra driblar minha timidez e aquilo que sou eu, o melhor escondido de mim, faz o resto.

Quer um exemplo? Meu melhor namoro (até agora, please!!) começou com a ajudinha de 3 chopes. Estava eu, despretensiosamente, bebendo com amigos em um bar, careta, diga-se de passagem, quando reparei num cara sozinho algumas mesas afastado. Eu olhei, ele olhou, ele encarou, eu sorri e se eu estivesse tomando um suco de caju, não tinha passado disto. Mas, 3 chopes depois, eu percebo que o dele estava acabando. Levanto-me, pego minha tulipa e, para espanto dos meu amigos, vou até a mesa dele.
- Oi, eu vi que seu chope tá quase no fim e não queria perder a oportunidade de brindar contigo nesta noite incrível.
Resultado: Um ano maravilhoso de namoro. Eu, definitivamente, sou uma pessoa melhor quando bebo.

8 comentários:

Bia Fontoura disse...

pois é Rafa querido... certa vez ouvi, embora de uma pessoa altamente pessimista, que, para se 'sobreviver' este turbilhão de sentimentos, pessoas, emoções, e detalhes da vida, deve-se respirar MUITO, e beber mais ainda...
O álcool ajuda a liberar o que há de bom (e ruim) dentro de nós. Se te fizer bem, beba! Se começar a aflorar coisas ruins, diminua, mas nunca pare!
pessoalmente, considero a melhor válvula de escape....
beijo grande! hasta saturday! yupi!

Lobo Cinzento disse...

Eu aprendi a me soltar sem a ajuda de álcool... ou pelo menos eu me convenci de que consigo. E ser bem convincente ao passar essa imagem para os outros...

Mas eu imagino que já seja meio desparafusado naturalmente... morro de medo de descobrir o que a bebida pode potencializar...

Beijos Rafa!

S.A.M disse...

Nossa menino que história.

Sabia que eu tava aqui parado refletindo sobre esse tempo que voce passou no seminário...

Então, eu quando bebo fico depressivo. Quando estou sóbrio, sou doido, beijo quem vier pela frente e sou pau pra toda obra... no meu caso o efeito é inverso.

Mas eu prefiro ser assim DOIDO ao natural! rs

Beijao!

p.S.: Que aconteceu com o diversidade católica? Não tenho visto mais atualizações no site :( Vc tem contato com a galera lá?

Anônimo disse...

"10 anos na vida religiosa"? ainda bem que perdemos um religioso e ganhamos um excelente cronista.

Mauri Boffil disse...

uhauhahahua, nem te conto... eu tb sou uma pessoa melhor depois de dois shots de tequila!
Vamos beber?

Visão disse...

HAUahuAhAUhaUaHuaua
Eu faço as coisas na cara limpa, mas que o alcool ajuda, isso ajuda.
PErfeito!

Vaca Jersey disse...

10 anos de vida religiosa?!?
Gente... estou cercado de coroinhas... é fetiche demais até para uma vaca devassa... hahaha!!!
Eu adoro beber. Bebo sempre. E quando bebe viro 2. Gêmeos. E tu sabes que é dos gêmeos isso de um ser do bem e outro do mal... né? Hahahaha!!! Um brinde!
E te acelera com esse short... a VJ não costuma esperar muito pelos seus homens... hahaha! Hugz!

K. disse...

1 - não fazia ideia dessa vida religiosa... agora fiquei com vontade de saber qual seria sua opinião sobre a peça Next Fall. já pra NY pra ver e me contar!

2 - achei o approach tão fofo... tente sóbrio da próxima vez. bem capaz que o efeito seja o mesmo!