segunda-feira, 17 de maio de 2010

Divagações depois de um bom dia

É estranha esta sensação de cansaço físico e nenhum sono. Você chega morto de um dia maravilhoso, com amigos queridos, flanando por um dos bairros mais charmosos do Rio, Santa Tereza, pronto pra tomar banho e dormir imediatamente. De repente, a cama fica imensa, vira-se de um lado a outro, uma espessa névoa recai sobre seus pensamentos e mais do que a penumbra do quarto, sua alma se torna sombria.

Do teto estalactites se formam sob o impacto de um frio de séculos que em minutos se cristaliza: a solidão. E tudo o que se quer naquele momento é alguém a seu lado que irradia luz e calor, acolha o teu rosto junto a seu peito quente e seque toda a lágrima com suas mãos reconfortantes. Alguém para se aninhar e ficar como se o corpo dele fosse toda a fonte de calor do universo, pulsando junto ao seu, alimentando o que em você é tão débil, que chega a doer nos ossos como se fosse um reumatismo, mas você sabe que não é.

Então a ausência se torna ainda maior e mais profunda e tudo o que se tem é esta presença ao contrário, de algo que você sente só porque não existe, um doce que apenas começa a ser sorvido, já o fel toma conta de toda a boca.
Você se levanta, toma um pouco d`água e tudo vai voltando às suas reais proporções. De fato, você está só, mas por mais que seja muito bom ter alguém ao lado, há espaços que não se preenchem, alturas que não se chegam, e centros que não se atingem: uma solidão que é preciso encarar porque nos faz humanos, anda que seja muito bom distraí-la, às vezes, com fantasias e máscaras de comunhão perfeita e amor eterno.

O amor verdadeiro é um encontro entre duas solidões que se dão as mãos. E o nosso problema é achar que de algum modo, alguém tem que nos resgatar de forma absoluta da nossa. O vácuo, o vazio é aquilo que nos faz ir adiante, continuar em busca: do amor, de um deus qualquer, de uma felicidade possível. Neste sentido, só o ser humano é capaz de solidão: a sempre, maior ou menor discrepância entre o que se tem e o tanto que se almeja.

Talvez isto sejam só divagações tolas numa quase madrugada de Segunda-feira. Talvez não. De qualquer modo, é ótimo poder escrevê-las livremente por aqui enquanto o corpo cansado pede repouso e a mente, agora em paz, num instante, lhe vai obedecer. Boa-noite, queridos.

11 comentários:

Visão disse...

Ótima reflexão. Eu estou me sentindo assim, e acho que veio com a idade [28anos] Precisando de alguém ao meu lado para me ajudar a vencer a solidão de estar acompanhado mas ao mesmo tempo só.

Edu disse...

Ótima reflexão [2]! E é duro não cair no clichê da "metade da laranja". Quero ser uma laranja completa, vivendo com outra laranja completa, com casca, sementes, bagaço e, por que não, dólares na cueca!

Anônimo disse...

Eu também voltando para casa nesta "quase madrugada de segunda" vi claramente estas "estalactites" se formando no teto do carro.

Bia Fontoura disse...

querido meu... uma grande questão do ser humano é sempre buscar essa idealização nas coisas ou pessoas. Buscar esse 'relacionamento ideal', esse deus ideal, esse trabalho ideal, tudo ideal e perfeito. Nos esquecemos que não há nada perfeito. Tomamos como referência algo que simplesmente não existe.... acredito que quando paramos de buscar com referência no irreal (pois para mim o ideal é irreal, logo não tem sentido) e passamos a procurar algo real, as coisas realmente comecam a conspirar a favor....
enquanto isso, tire o maior proveito possível desta solidão, pois te garanto que te fará falta quando estiveres num relacionamento.
Pense no lado positivos das coisas, das situações, dos momentos.
Sempre há.
beijo do lado esquerdo

Mauri Boffil disse...

Isso é uma verdade...
Sempre me questionei... Pq a felicidade precisa vir com o amor de uma pessoa?

Vaca Jersey disse...

Ai, ai... MUITO BOM!!!
Adoro ler teus textos, guri!
Poderia passar muito tempo contigo... te lendo, claro... hehe!
Hugzz!

Lobo Cinzento disse...

Engraçado.

Será que algum alinhamento dos planetas causou algum compartilhamento de sentimentos em escala no mínimo estadual?

Pois eu passei o domingo inteiro e a madrugada da segunda com isso na cabeça... Estalactites bem que poderiam se transformar em outras metades...

Beijos Rafa!

K. disse...

impossível não resgatar camus...

o amor verdadeira ocorre uma ou duas vezes... o resto é tédio.

mas concordo. para mim, o sentimento vem com um adicional - é estrangeiro, alienígena. por mais que se tenha a sensação de haver espaço ao lado, eu tenho a certeza de não saber o que fazer se ele for preenchido. acostumei.

Mauri Boffil disse...

Dormiu melhor essa noite?

Autor disse...

Poxa, Rafa, me deixou angustiado, sei lá pq!
Saudade de vc, cara pálida!
Beijão, tá!

Vaca Jersey disse...

Largou a moda e pegou só a rola, então? Hahahahaha! Sorry, a VJ tá acesa hj!!! Valeu, Rafa e pode esquentar as mãozinhas: Boi Zebu com update... pra vc... hehe! Hugz!