Carregou sua melhor arma. Tirou o cigarro da boca, mirou, meio de lado, e jogando aquele olharzinho de desprezo, deixou a fumaça sair em grandes círculos. Tinha visto num filme, Marlene Dietrich ou Rita Hayworth, coisa assim.
Mas a vítima, ao invés de cair fulminada no chão, àquela hora, grudento da boate, sorriu e deu de ombros. Não pôde deixar de sorrir também. E assim foram vencidas distâncias, trocados nomes, profissões, bandas preferidas. Júlio bebia cerveja, Carlos só vodka e pura. Júlio nunca tinha experimentado, uma ou outra caipvodka, mas não pura e achou intenso e forte o gosto nos lábios de Carlos.
A vodka quente em seus lábios, os braços em torno aos seus, um cheiro de suor e perfume que não se sabia mais de quem. Até que as luzes se acenderam, o carrossel mágico parou de girar e Carlos sabia, então, que o amor expirara. Etiqueta velha, prazo de validade marcado para as primeiras horas do novo dia, o primeiro pé pra fora nas calçadas do cotidiano.
E, no entanto, Júlio ligou, uma e outra vez. Até que Carlos respondeu, o fez só por lembrar o arco das sobrancelhas do outro levantando enquanto seu sorriso em covinhas surgia diante do olhar blasé, até então matador, de Carlos.
Cinema, show, praia, pizza. E nada de sexo. Uma espécie de sinal dos céus, porque nas raras vezes em que houve algum segundo e terceiro encontro, era sexo e nada de cinema, show, praia e pizza. E então, numa quinta-feira, 15h42, assim que Carlos chegou com o DVD prometido a Júlio, o beijo levou-os ao pescoço, este ao ouvido, se estendendo numa linha úmida até o mamilo esquerdo e desde lá, tudo se fez.
Foi quando os últimos raios de luz daquela quinta entraram míopes pela veneziana quase fechada, encontrando-os nus e sujos, de amor e porra, que Carlos soube: Era ele. Então toda a prudência sólida, a esperteza adquirida, as palavras quase naturais porque ditas à exaustão, as regras de sobrevivência no mundo cão dos amores cotidianos e fátuos se romperam e o que se julgava domesticado, desaparecido ou extinto emergiu, com a força que só a repressão insistente pode dar a um estímulo.
No breu do quarto, virou-se para dizer, mas as palavras de tão gastas se rasgaram antes que pudesse costurá-las em linda frase. Ali, bem próximo a si, aninhado a seu corpo, Júlio, no entanto, pareceu ter compreendido. Carlos não pode ver se sorria em covinhas, preencheu-lhe a boca em beijo urgente e demorado.
No outro dia, Carlos ligou. De novo.
No outro, também.
E no seguinte.
Fim
P.S. Blog ainda em férias!
P.S. 2: Essa postagem se deve única e exclusivamente: 1. À súbita inspiração. 2. À promessa do Sr. Fred de, se eu voltasse a postar, publicar uma foto sua de cueca. Promessa é dívida, estou esperando.
21 comentários:
Primeiro de tudo: que p*rra de férias são essas que não terminam nunca?!?
Segundo de tudo: que inveja que me dá de um homem desses que numa "súbita inspiração" escreve um texto tão perfeito e cheio de detalhes e entrelinhas como este?!?
Terceiro de tudo: Pode deixar que eu honro meus compromissos... até pq minha palavra (e minha pose) foram das poucas coisas que me restaram... hehehehehe!!!
Quarto de tudo: quando eu crescer quero ser que nem Rafão Coração de Leão!
Bjão!!!!
Love it!
tow com o fred: se isso é súbita inspiração, eu fico imaginando o que é que vc escreveria se tivesse inspirações constantes.
Na real sempre acho que o senhor não é "certa pessoa"... mas sim a "pessoa certa"... ;)
Bom finde, guri! Bjão!
Adorei o texto Rafa. Volte logo, e hhummmm.. que bom que postou... o Fred ficou tdb naquela foto...kkkkk
Beijos
E - sem falsa modéstia - não é só de comentário que eu sou bom, viu?!? Hahahahaha!
E te aquieta, Margot! Hahahaha!
Bjonas!
Meu caro... é que "essa poesia" que tem aqui eu não exibo demais não... prefiro dedicar a alguns poucos... como tu, por exemplo... hehehehe! Beijão e fico feliz que tenhas curtido o texto!
Sensualidade é tudo isso que tu mostra na exata medida em que te escondes de mim. Hehehehehehe! Bjonas!
Caramba!Preciso aprender a fazer isso! Se é que dom pode ser aprendido...
Beijos
Bem, bem legal o texto !
"Que inveja que me dá de um homem desses que numa 'súbita inspiração' escreve um texto tão perfeito e cheio de detalhes e entrelinhas como este" [2]
Ótimo texto, Rafa, perfeito.
Você brilha, rapaz.
Bom, meu caro (e sumido) Rafão Coração de Leão... fazemos assim: terei muita satisfação em lhe servir meu doce... desde que tu entres com teu salgado... afinal, numa amizade é preciso haver essa troca, NZÉ? Hahahahahahahahaha!
Beijão seu sumido duma figa! Saudadonas de ti! Cuidado, hein?!? Quem não dá assistência, abre concorrência, visse?!?
É perder-se nessas linhas!
Se servir de elogio POUCOS, muito poucos conseguem fazer isso comigo!
Bjs
Depois de ler o texto, alguém viu meu fôlego por aí?
Muito bem escrito e, pior, serviu de carapuça para mim.
Ainda que, por linhas tortas, vivo uma história com lancinantes semelhanças!
Com picada ou sem picada... cadê as atualizations desse blog? Não me visita, não me cutuca no FB, não manda nem sinal de fumaça... começo a ficar tenso. Hahahahahaha! Bjos, tinhoso!
Deviamos fazer uma paralização pela sua volta, vivo no F5 nessa poha esperando o sr postar!
Beijo
É Rafão... tem vezes que "se mostrar" é preciso... hehehe! Bom que tu me entendes e me vê para além do que o TPM mostra! Beijão, gatucho! Saudades sempre... porque tu é desses que a gente quer todo santo dia... haha!
pohán...eu volto e você saiu:????
Mas se tu participasse da Gincana ganhava ela e o dono do blog junto... hahahahaha! Seu sumido! Gracias pelo carinho e por ser esse "rafa todo" que eu adoro! Bjão e vê se voltaaaaaaaaaa!
Pois é... a "Biscatagem" foi minha única alternativa depois de ter sido largado por um certo rapaz fino, culto, elegante, inteligente, filho de mãe pelotense e bem dotado de pinto. Fazer o quê, né? Hahahahahaha! Vorrrrrrrrrrrrrrrta pra mim, Rafão! Eu juro que tomo jeito e fico bonzinho, tzá?????? Hahahahah! Bjos, meu príncipe!
Pois é meu filho... Gustavo Lima, calcinha e sertanejo... tá vendo como ficar sem o senhor me tira do eixo??! Me diz onde te acho que prometo jogar uma cueca pra ti, tzá? Hahahahahahaha! Bjonas!
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