Eu fico fazendo uso dessas substâncias. Eu preciso delas. Então, o café forte e sem açúcar a toda hora, a cerveja gelada pra descontrair, o vinho bom, toque de poesia e aconchego em noites nem tão frias. Insisto em chocolate quando o desânimo se faz, no suor da corrida escorrendo pelas costas como antítodo anti-stress. Sentir, provar, cheirar, o amargo e o doce me laçam ao instante, ao mundo, sem que me abandone à bruma inodora, insípida, incolor que ronda, dentro e fora e que se chama acaso, cansaço e vida.
Eu beijo só porque é bom, me esmero em temperos e condimentos, invento combinações, uso perfumes. Olho fachadas, folhas de árvores, pessoas. Pra mentir sobre a solidão que sei comigo e é bem-vinda, pra descobrir no mundo cores que contrastem com o cinza da morte que se insinua em quase tudo, pra guardar na memória laranjas de sol poente em fins de tarde perfeitos. Antítodo, reserva, a vida só: sem pensamento, decisão, projeto.
O gáudio instante do quente da pele sob o sol, do redemoinho do cabelo ao vento, de um som qualquer que de longe vem. A memória sensorial e cheia de afeto por cheiros, cores, sons. Uma espécie de salvação pelos sentidos.
7 comentários:
São substancias que realmente viciam, nos deixam tontos, energizados... Você tem bons hábitos e excelentes vícios! rs
Abraços Rafa e,
Bem vindo ao ponta de punhal.
Nossa, esse post foi tão legal. Eu curti bastante. Gosto da maneira que escreve com precisão e sentimento. Isso é muito bacana... Há muito tempo não vinha aqui. saudades...
Bjs
Orgásmico como de costume.
Rafão sempre aguçando nossos sentidos. Ui!
E te lavava todinho com sabão de coco... hummmmmmmm...
Beijaços!
Inspiradíssimo, hein, Rafa?
E hoje aqui em Sampa, o dia está pedindo uma taça de vinho e uma companhiapara acompanhar.
bjão!
Dessas substâncias todas, só uso o café!
Mas olha, os outros sentidos, não tenho foco nenhum, é tudo tão bonito que quase morro atropelado todos os dias :p
Beijo Rafa!
Bom saber que tomei parte no teu fim de tarde... hehehe! Beijos... no lóbulo esquerdo... hehe!
Virginio, Virginio.....Cadê o livro Wolf?
Como é bom ler voce!
Bjs
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