segunda-feira, 21 de maio de 2012

Os céus se abriram e eu entendi!

Eu achei que fosse fraqueza ou uma espécie idiota de ingenuidade. Lutei contra isso em mim como pude, reputando-o à causas ancestrais: carências profundas, ausências de pai, alguma fixação paranóica de uma psiché não suficientemente desenvolvida. Tudo inútil e, então, me aceitei: Sou um otimista.

Sempre achei muito mais justificativas no pessimismo. As coisas não tem porque dar certo. Se pararmos pra pensar em qualquer situação, são tantas as variáveis que permeiam a realização de um simples ato que a nossa vontade ou nosso esforço é apenas o motor de arranque de qualquer coisa que, ao longo de sua trajetória, se colidirá com mil outras possibilidades e interferências. Tentei praticar esse pessimismo “científico”, sem resultados. Adotei então um pessimismo mais light, quase um pseudo-vai-dar-merda que eu chamaria de pessimismo metodológico. Você, lá no fundo, acha que vai dar certo, mas se prepara para o pior sempre, quando esse acontece, você já sabe e senão acontece, se alegra com o milagre inesperado.

Além de tudo, o otimismo é brega. Frases da Xuxa, o Segredo narrado por Ana Maria Braga e títulos como “Você pode mudar sua vida e perder 40kg” não são um convite a aderir à visão cor-se-rosa do mundo. para alguém minimamente inteligente. Nada como o pessimismo dos existencialistas franceses, esmagados sobre o peso de dar um sentido à vida, em cafés parisienses cheios de fumaça e álcool. Ou a cena não é mais atraente do que o apogeu do otimismo com serelepes cantoras de axé rebolando em cima de trios elétricos? Ai! Como eu gostaria de ser pessimista... Quer dizer, isso até ontem às 17h45.

Por que ontem, andando na rua, pensando em alguma coisa urgente e inútil, uma espécie de revelação me ocorreu. O otimista é, na verdade, um forte. Quantas vezes o otimista não quebra a cara? Quantas vezes suas expectativas não foram frustradas, seus sonhos espizinhados, seus desejos feitos motivos de escárnio pela vadia escrota que é a vida? E, no entanto, o otimista se refaz, levanta-se e segue crendo. E isso... é de uma força! O frágil acredita só um pouco, só uma vez e, aí, se cerca de todos os cuidados, os mais necessários e também os mais absurdos, para não ser tocado de novo pela vida. Seu pessimismo é uma inútil proteção. O que chora, esperneia, mas levanta e segue acreditando é o forte. Viva o otimismo! Isso é claro, apesar da Xuxa e da Ana Maria Braga, obviamente.

7 comentários:

Unknown disse...

Estamos juntos nessa, irmão!

Luciana Nepomuceno disse...

eu to nessa, meu lado Pollyana é mundialmente conhecido, rs

Anônimo disse...

Juntos nesse mesmo auto da braca dos céus!

Fred disse...

A Xuxa e a Namariabraga ninguém merece. #FATO. E tipo assim... otimismo em excesso me deixa TENSO... hahahaha! Pra mim é simples: se algo pode dar certo, vai dar. Eu pelo menos dou. Hahahahahahaha!
Tô de vorta, meu TomFord!
Beijoooooo!

M. disse...

Rapaz... não sei se sou otimista, mas se alguma coisa não da certo... sigo em frente. Aceito as perdas, choro o luto devido e bola pra frente, com uma bagagem a mais, o aprendizado do fato.
Até mais Rafa. excelente texto...como sempre.

Lobo disse...

Eu sou team pessimismo. Na verdade, estou mais para pessimista pseudo-vai-dar-merda hahaha

E digo mais. Tenho nervoso de gente otimista hahaha.

O otimista pode até ser forte, mas é meio besta de sofrer tantas vezes por acreditar. Tão mais fácil se dar conta e se preparar para o pior. Não é uma proteção nada inútil. Sem ela, estaríamos muito piores.

Beijo Rafa!

::::FER:::: disse...

Acho a vida linda, não concordo com " vadia escrota que é a vida", o mundo sim é vadio e escroto. Foi muito bom ler seu texto hoje me ajudou a refletir sobre algo que tenho buscado, mas tive que peneirá-lo. Penso que sou otimista, pois não me entreguei ainda como os depressivos que simplesmente perdem a vontade, enquanto eu acordar querendo ver mudanças, sei que estarei sendo otimista!
Abraços do FER!