segunda-feira, 25 de julho de 2011

O circo dos horrores

Eu só quero dizer que eu entendo. Nem todas as peças se encaixam, a felicidade do tudo bem e do “faz sentido” é mesmo rara e efêmera e no cotidiano de tudo, os satisfeitos é que me parecem loucos.

Eu não sei se você era realmente o fenômeno que dizem. Gostava de algumas de suas músicas, mas com dois discos, sem produzir nada há anos, não sei. E me incomodava também a figura grotesca que você virou: seu inimaginável penteado, esses olhos e os tombos. Uma figura caricata de comédia ridícula até no “Pânico na TV”. Incomodava-me porque acho que rir da dor dos outros é sempre uma atitude desesperada para encobrir a própria dor.

Eu achava isso mesmo. Mas descobri que pior do que encobrir a dor, é ter gente que não a sente. E isto é tão pior! Eu entendo os artistas geniais, os loucos insociáveis, os suicidas, os que se perdem nas drogas. Isto de “vida” não é fácil. E se, de algum modo, você foi marcado com uma sensibilidade à flor de tudo, fica ainda mais difícil ainda que também mais belo. Por isto eu não gosto dos que riem da dor, mas gosto menos dos que não a sentem e olham atravessado, fazem um comentário enojadamente moralista e voltam pra suas vidinhas ridículas e previsíveis.
Enfim, eu só quero dizer que te entendo.

17 comentários:

Rapha disse...

Curti pouco a Amy porque o estilo musical dela não era o meu favorito, todavia compreendo a importância que ela tinha no cenário musical... Infelizmente mais um talento foi perdido para o vício.

Bjs

FOXX disse...

belo texto, rafa, belo texto. mas eu tenho uma pergunta: será q os vícios da amy era realmente pra fugir de uma vida q ela não suportava? será?

Dan disse...

ouvi ou vi em algum lugar uma farse dela que era assim: "Eu vivo minha vida exatamente como quero viver."
vai saber né?

bjo querido. otimo texto!

S.A.M disse...

Então nós a entendemos, e mais, acho que ela viveu como desejou viver.
Talvez um excesso de egocentrismo ou sei lá mais o quê.

Belissima colocação!

^^

anonimo.com disse...

muito bom o texto, fazia tempo q não comentava aqui. mas sempre to acompanhando.

sábado foi difícil de acreditar, mesmo já esperando por isso a qualquer hora.

Antonio de Castro disse...

estava conversando com minha mãe hoje sobre isso. sobre a pressão que os artistas sofrem, sobre o fato de eles serem mais sensíveis e por isso mais expostos ao mundo e às dores do mundo.

acho q eu tb entendo.

K. disse...

Acho que combinou demais com o seu "observe o vão".

Paulo disse...

Foi uma perda tremenda. Me apaixonei por ela antes dela estourar de vez, depois de ler uma resenha do primeiro cd numa revista. A voz dela era fantástica, perfeita, conseguia dar a carga perfeita de emoção em todas as músicas...

Vai fazer falta... :(

Lobo disse...

Eu não fiquei surpreso. Nem um pouco. Era só uma questão de tempo.

Mas eu continuo achando drogas coisa de gente fraca.

Luciana Nepomuceno disse...

De tanto que eu li sobre isso, seu texto foi o que mais se aproximou do que sinto. Nem curtia tanto a Amy, mas curto menos o moralismo condenatório ou a premonição boçal.

Menina no Sotão disse...

Li tanto sobre ela nos últimos dias que acho que já posso dizer que sei quem ela é, mas até então nada sabia. As vezes me permito alienar meus sentidos com relação a certas coisas, as vezes não me permito coisa alguma.
Enfim, cada qual escolhe a forma de eternidade que melhor lhe satisfaz.

bacio

Fred disse...

Capacidade de entendimento é TZUDO nessa vida, Rafão-Tesão! Bjzzzz!

Edilson Cravo disse...

Amy deixará muitas saudades - mas era o reflexo de uma sociedade decadente e vivendo uma grande crise de valores. Ela refletia muitos jovens perturbados e vazios que buscam em rotas de fuga uma salvação que nunca vem. Uma grande perda e pena mesmo.
Linda semana. Abraços.
Obs: Seu texto tá ótimo.

Paulo Roberto Figueiredo Braccini - Bratz disse...

Sou visceralmente contra as drogas mas não contra quem as usa. Muitos usam e não perdem o seu controle, outros usam e se destroem, outros usam e destroem os outros ... mas enfim ... cada um é q sabe de si ...

Agora vc foi portentoso com o epílogo de seu texto: "Por isto eu não gosto dos que riem da dor, mas gosto menos dos que não a sentem e olham atravessado, fazem um comentário enojadamente moralista e voltam pra suas vidinhas ridículas e previsíveis. "

Eu preferiria ser um drogado e morrer por causa dela a ter uma vidinha ridícula e previsível ... esta sim é a droga maior e ela tem um nome ... mediocridade

Rodrigo disse...

Faço minhas as ótimas palavras do Paulo.

Beijos, guri

Fred disse...

Tu anda super saidinho, hein?????
Quer saber? Adorooooo!
Hahahahaha!
Bjzzzzzzz!

Anônimo disse...

Foi ótimo ler isso !!