sábado, 4 de dezembro de 2010

O poder de si

Todos nós temos de lidar com inúmeros desafios ao longo da vida. A cada dia, um leão pra abater. Provar seu valor no trabalho, construir uma rica vida afetiva, encontrar a realização pretendida na complexa dinâmica dos relacionamentos. Construir, aparar, cortar, tentar, de novo e de novo. Desistir ou insistir.

Há tanto a ser feito, em tantas áreas que podemos passar a vida distraidamente tentando atender as demandas de cada uma delas, resolvendo o urgente, que nem sempre é sinônimo do fundamental. No entanto, para além desta intrincada rede de obrigações que constitui os múltiplos focos que exigem nossa atenção e energia vital, há um mais primário, o mais básico sobre o qual se erguem todos os outros: o cuidado de si.

O “si”, “self”, “eu”, “essência”, ou qualquer nome que se dê, talvez seja mesmo, como apontam os pós-modernos, uma invenção ocidental. De qualquer modo, se o inventamos é porque temos em nós uma exigência de unidade, de não-dispersão absoluta, de ir às coisas, mas voltar delas para algo que seja nós mesmos, de não nos identificarmos com a nossa mera práxis, como se tudo o que fôssemos se reduzisse ao que fizemos, o quanto realizamos ou deixamos de fazer.

Eu tenho pensado sobre este poder de si, de decisão sobre a vida, de construir uma existência que seja bela, boa, na qual você possa se reconhecer apesar de tudo. Isto se chama espiritualidade, esta compreensão geral, numa única tomada sobre a vida. Não é religião, credo, doutrina ou outra coisa, mas espiritualidade.

O quanto se tem poder sobre a vida? Qual o peso da nossa vontade e do imponderável, daquilo não-escolhido na existência?

Que, para além do pensar, “aconteça”, como pressinto. Não num milagre, iluminação ou coisa sobre-humana, mas no mais simples, real e cotidiano da minha humanidade.

14 comentários:

Unknown disse...

Assim seja!!
Pois é muito fácil a gente esquecer de si mesmo, quando deveríamos ser sempre a nossa prioridade. Porque assim, felizes/realizados, seremos ainda melhores pra outrem se for o caso.


Template novo!! Gostei.

Gui disse...

O poder de si é a coisa mais importante de se ter. Mas a mais díficil de se conseguir.

Mas, olha, não precisa ter o poder de si o tempo todo não, viu? De vez em quando já tá bom ;)

Dêco disse...

Eu sou prioridade para mim. Ante eu não era e sempre estava me anulando em favor de alguém por um tal de amor. Foi ai que eu conheci o amor próprio e BOOM! Primeiro eu, segundo eu, terceiro eu.

Rodrigo disse...

amém


adorei a casa nova!
beijos

Lobo disse...

Deixei de ver os desafios da vida como leões. Na verdade, acho que deixei de ver as coisas como um desafio. Me jogo no Rio e sigo a corrente, e onde eu parar, dou um jeito de sobreviver XD.

Matar leões tem um grande porém. Ou eles te subjulgam, ou uma hora você não tem mais leões pra matar e se ve sem ter o que fazer com tantas armas...

Um beijo Rafa!

Tá biito o blog!

Daniel Cassus disse...

Esse é um assunto que quanto mais eu penso, menos eu tenho certeza.

K. disse...

Dezembro trouxe mudanças visuais e perguntas compelxas, não??

Aprendi a fazer tudo aquilo em que posso colocar um pco de mim e não achar que preciso fazer TUDO. Ajudou. ;-)

Wans disse...

Amei o viasual novo. E concordo com o que vc disse, Rafa.

bjão!!!

Dan disse...

Hmm. tudo novo por aqui?acho que essa compreeensão geral que vc disse não passa de auto conhecimento. se a gente se conhecer, nada sai fora do eixo!

bjo Rafa
:)

Rafael disse...

Xará, como todo mundo já disse aí em cima você mandou muito bem no texto, é isso mesmo.

E por mais frase de perfil do orkut que pareça aquela máxima de "só se consegue gostar do outro quando se gosta de si mesmo" é verdade.

Bjo

Mr Gayrrisson disse...

Huuhhhuuu!!!

Super portenha a casa nova! Leeenda!

E sua foto, assim de perfil, nossa irresistível!
Aposto que as milus vem ver a foto, mas fazem linha comentando os textos!, Rs ... (brincadeira, viu) ...

Mas falando sério, encarar desafios da vida, sem uma noção de transcedência, é very, very hard.

Quando se é gay então, isso é mais complicado, uma vez que a espiritualidade pelo caminho das religiões cristãs (hegemônicas entre nós) ainda nos é vedado.

Daí não resulta, entretanto, que seja impossível trilhar um caminho de desenvolvimento espiritual, mas significa que as fórmulas prontas, institucionalidas nas religiões, certamente não nos servirão.

Mas, se serve de consolo, acho que a instituição (igreja, religião) às vezes atrapalha, e ter que trilhar caminhos sozinhos exige que estes caminhos sejam mais autênticos, mais profundos.

Olha, sei que você certamente não precisa, mas gostaria de dar duas dicas de livros:
O primeiro é:
Direção Espiritual e Homossexualidade ( é muito bom mesmo! ajuda na dificil tarefa de reconciliar nossa identidade à espiritualidade, em especial à cristã)

O segundo é
Uma Viagem através dos Mitos (O capítulo sobre o "mito" de Buda é interessantíssimo, mostra uma espiritualidade que só pode se desenvolver á partir da ruptura com dogmas!)

E último é de um monge beneditino (ok, ok, é católico, eu sei! mas acredite, sem preceonceitos. O livro é ótimo) se chama: O SER FRAGMENTADO: DA CISAO A INTEGRAÇAO - Anselm Grun.


Bem querido, é isso!

Felicidades, força e fé!

Grande Abraço!

Mr Gayrrisson disse...

Ih, falei que seriam duas dicas... mas no meio da história, me ocorreu mais um, rs...

Luciana Nepomuceno disse...

Oi, amor, queria ter muitas coisas legais pra comentar, mas teu post me trouxe muito mais perguntas do que respostas. Muitas mesmo. Mas, pra não ficar no silêncio...UAU, esta foto está tãaaaooo legal. Aliás, todo o visual novo o blog. Beijos

FOXX disse...

de verdade, eu tenho um problema com o que vc disse, por vc tomar como pressuposto a existência de uma "espiritualidade", uma parte humana além do corpo, além de suas ações, como seria esse mesmo raciocínio se esse elemento fosse completamente descartado da fórmula? funcionaria?