segunda-feira, 31 de maio de 2010

Rio Fashion We...ird

É tudo grande, comprido, largos espaços, longos corredores. O cais do porto, uma das zonas mais degradadas do Rio, recebeu uma maquiagem completa, como só um evento de moda poderia fazer. Até a degradação ficou chique, uma coisa meio decadénce com grife.

Encontramos a Miss Brasil bem na entrada e se no carnaval pulando conosco sob o sol de Ipanema ela já era linda, produzida para os holofotes e flashes dos fotógrafos, fazendo pose em mil camarotes, parecia mesmo um outro tipo de gente, diferente de nós, meros mortais “hum.. até que hoje eu to bonito”.

Pulseirnhas postas, entramos no camarote da revista da moda, guiados devidamente pelo Mister Atol das Rocas, mais corpaço que beleza, mas muito simpático e a nossa porta de entrada para o mundo dos canapés de alcachofra com limão siciliano. Mas o que me importava mesmo estava aos litros dentro do reluzente balde de gelo: Champagne. O camarote parecia um mini-zôo fashion, com todas a as espécies possíveis deste estranho universo: bichas cabelereiras à la Lady Gaga, assistentes histéricos com crachás enormes fazendo poses, anãs-fashions de cabelo chanel sentindo-se Mirandas Priestlys, as próprias Mirandas Priestlys, anônimos querendo passar por famosos, celebridades fingindo que queriam passar anônimas. Do nada, aparecem ex-BBB’ s (Ex-Hein? Quem?) mais flashes pipocam, alguns globais, cantoras que um dia estiveram na moda e nós, os bicões alienígenas só bebendo de graça.

Na verdade, todo o clima era muito estranho. Uma mise-en-scéne completa. A impressão que eu tinha enquanto sorvia em goles prazerosos as plásticas taças de champagne era que a qualquer momento uma sirene tocaria e todo mundo começaria a desfazer os inusitados penteados, tirar a maquiagem bizarra, parar com a encenação e voltar a ser gente de verdade. Um arrepio percorreu-me a alma quando entendi que ninguém iria se desfazer da sua persona, e se um dia o quiserem, talvez não possam porque, como diz o poema, por tanto tempo ali, a máscara grudou-se à cara e já não há quem possa arrancá-la.

Não falo mal da moda. Sei que é uma indústria como outra qualquer. Também um campo onde se expressa a criatividade e o gênio humano. Refiro-me à esta atitude poser que emana das modelos dos desfiles e atinge a todos em qualquer momento e função. Alguém segura uma taça como se fosse sair na capa da próxima Vanity Fair ou vai até o banheiro sentindo-se La Bündchen no principal desfile da noite.

Até que meu novo cavanhaque pós-moderno funcionou super bem, se eu me comportasse um pouquinho como alguém que deseja conquistar o mundo numa cruzada de pernas ou estivesse usando alguma peça de roupa bizarra e original, poderia quase passar por um deles.
Mas não, o bom mesmo é observar este estranho universo, enquanto aproveito o melhor dele: Champagne, do bom e de graça!

Ouvindo: Chelsea Hotel - Rufus Wainwright

11 comentários:

Visão disse...

A moda é estranha seus personagens também. Fato! Eu vi o make up da semana da moda de NY e achei massa. Mas estes povos vertidos como alegoria de carnaval me intriga, e acho supercorajoso fazer isso.
Mas o melhor mesmo é o champagne - e os homens também. pronto, falei!
Bjs e boa semana.

Introspective disse...

Puro estranhamento antropológico! Vai dizer que no fim das contas vc não se divertiu? :)

Paulo Braccini disse...

Com certeza deve ser um universo muito louco mesmo ... não tive esta oportunidade de desfrutar ainda ... mas ... tudo na vida tem que ser conhecido e curtido ... até para que possamos, pelo menos dizer não gosto ou não gostei ... de graça então ... é tudo de bom ... rs

Rufus Wainwright ... perfeito ...

bjux e uma semana toda especial para vc ...

bjux

;-)

AD disse...

Semana de moda é o novo zoo. E não encosta muito nos bichos, senão mordem.

Paulo disse...

Já passei muito por isso, hehe... Tive um namorado booker e outro dono de agência. Era um porre quando chegavam essas semanas de moda, valiam apenas por uma festa ou outra!

Mauri Boffil disse...

Adoro isso!
O bom é ficar falando mal das modelos e identificas as celulites/varizes, ver que elas também são humanas...
Além de ver aquelas roupas espalhafatosas que eu NUNCA na vida teria coragem de usar.

Lobo Cinzento disse...

Não consigo... isso de moda não entra na minha cabeça de jeito nenhum. Gente doida que transformou vestimentas que serviam meramente para incrementar o potencial dos pelos em mais um motivo para enlouquecerem.

Quanto mais eu observo, mais eu me sinto away desse mundo...

Beijos Rafa!

K. disse...

No início dos anos 2000, a "fauna" urbana era dominada pelos intelectuais, principalmente os cinéfilos. Gradativamente, a "fauna" passou a ser representada pelos fashionistas...

Eu sempre gostei das duas faunas, mas há um momento, o ápice, em que tudo fica over, fake e cafona. Moda está nesse momento, infelizmente.

(fauna não é nenhuma ofensa... eu já fiz parte de uma! haha)

Serginho Tavares disse...

essa atitude poser existiu e sempre existirá em todos lados da moda
o porque eu não sei mas alguém achou bonito e virou parte de todos que a fazem

Ana Wants Revenge disse...

hum, deu vontade de kir royal... nhamy!

beijos
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Vaca Jersey disse...

Tá muito VIP. Tá muito phyno. Tá muito gostoso. Mas a principal pergunta que fica desse post: esse novo cavanhaque pós moderno serve para fazer cócegas no meu umbigo ou na minha nuca????? Hahahahaha!!!!!! I'm back, guri! Hugz!