sexta-feira, 2 de abril de 2010

Dolce far niente

Tô aqui... mo meio do feriadão, numa praia distante 5 horas do meu amado Rio de Janeiro: Itamambuca. Fica dentro de uma reserva ambiental, com pouquíssimas casas e uma praia deslumbrante que parece saída de algum lugar pré-1500. A sensação que tenho quando venho pra cá é que à primeira pisada na areia, avistarei índios dançando entorno à uma fogueira.
Minha tia mora aqui, numa casa de sonhos, com uma estante cheia de livros e Lps, e trepadeiras subindo pela cerca de madeira do quintal. Ouve-se Dalva de Oliveira ou Edith Piaf, toma-se vinho tinto ao entardecer e se tem a absoluta licença de não fazer nada, jogado numa rede qualquer aos últimos raios de sol, que como todo o resto, preguiçosamente se põe.
Nessas horas eu penso no meu dia-a-dia, acordar 5h15, dormir sabe-se lá quando; faculdade de manhã, editora à tarde e as aulas de noite. E tudo me parece só uma realidade paralela, uma viagem de ácido, a esquizofrenia de qualquer um, menos a minha.
Eu gosto da minha vida, mesmo da correria. Sou um cara urbano, me alimento de luzes, sons e asfalto. Mais de uma semana em qualquer paraíso idílico e ao canto de pássaros, me mataria de tédio. Mas como injetar um pouquinho de verde calma na cinzenta correria da minha vida? Uma taça de vinho ao chegar do trabalho? Mais caminhadas no calçadão e menos séries de tv?
Gosto da minha rotina corrida e produtiva, mas quero que a "paz de céus azuis" não esteje confinada a feriadões a 5 horas de estrada.
Uma samambaia no quarto?
Feliz Páscoa!!

Um comentário:

Paulo disse...

Delícia de viagem!! Eu odeio isso nos feriados, você nunca acha nenhum lugar calmo para relaxar, qualquer praia que você se jogue aqui em Sampa está terrivelmente lotada... sem falar nas três ou quatro horas de trânsito pra chegar nela!!!