quarta-feira, 8 de abril de 2009

Remniscências Amorosas


(Queridos, o título do post é brega propositalmente, ok? rs)


O PAULISTA


Ele sorria e era nítida sua timidez. Também pudera: 4 contra um. E eu não sabia ao certo, se de fato, o achei àquela primeira vista, assim tão interessante, se foi o desafio dos amigos ou os três chopes até aquele momento consumidos por mim. O fato é que ele estava lá, há duas mesas de distância, me encarava rapidamente, baixava os olhos e sorria.
Faltava um último gole. Talvez do último chope. Não o tinha visto comer, tampouco sabia se ele o faria. Era preciso agir, se eu o quisesse. Levantei-me com a minha tulipa na mão e, para alvoroço dos meus amigos, fui até ele.
- Boa Noite. Eu vi que seu chope tá quase no fim e não quero perder a oportunidade de brindar contigo. Você é muito bonito.
Sentamos. Chegou o sanduíche dele, mais chopes para nós, meus amigos foram embora e eu fiquei, ficamos a noite toda. Depois do barzinho, uma boate. E às 6h mais um beijo de despedida, bem em frente ao hostel dele, no meio da rua, enquanto velhinhas passavam para comprar o pão e porteiros limpavam a calçada de seus prédios.
Ele morava em São Paulo e, na época, eu acreditava que qualquer quilometragem não significava nada quando uma afeição extraordinária te liga a alguém. Ficamos um ano, de 15 em 15 dias, eu indo, ele vindo. Lembro-me perfeitamente das quase madrugadas de Sábado esperando-o na rodoviária e da fascinação que vê-lo sair do ônibus me provocava: lindo. Podíamos falar ou calar um dia inteiro, eu o apresentei à cidade que tanto amo, ele me mostrou uma São Paulo cheia de afeto e de uma vida pulsante. Comecei a me sentir em casa lá, transitava fascinado pelas ruas paulistas, seus musseus, barzinhos e padocas. Não sabia se a cidade era de fato tudo aquilo que tanto me encantava ou se a razão do meu imenso bem-estar era simplesmente ele, o Carlos.
Ainda hoje não posso ver Nutella, ouvir falar na Benedito Calixto sem me recordar de seu sorriso lindo e seus olhos atentos. Com ele tive as melhores sessões de mãos dadas no cinema, os beijos mais amargos de despedida, as ligações mais chorosas ao telefone e, é claro, também as contas mais caras. E tudo valeu absolutamente a pena.
Até que chegamos num estágio em que não era mais possível. Pensei mil vezes em me mudar para São Paulo, mas havia uma série de impecílios incontornáveis. A distância foi se tornando maior, as incompreensões crescendo, minha insatisfação aumentando e tão despretensiosamente como tudo começou, chegamos ao fim.
No entanto, o afeto e alegria por tudo que é bom, verdadeiro, nobre não acabam. O tempo não apaga e nem se perde o que de melhor se vive. Carlos, São Paulo, padocas e mensagens em francês são parte definitivas de mim, da minha história. E eu amo isto.

14 comentários:

Goiano disse...

Espera ai que to suspirando ate agora!!!

msn ja p trocarmos figurinhas hehehe vc tem o meu ne?

Goiano disse...

Bha... acho que nao... vou ter que me apresentar oficialmente
ehheeh

SAM disse...

É TÃO GOSTOSO SE DEPARAR COM A VIDA E TER ESSAS RECORDAÇÕES!

É POR COISAS ASSIM QUE A GENTE REFLETE QUE A VIDA MERECE SER DE FATO, VIVIDA!

BEIJAO QUERIDO!

ESPERO QUE NO FDS POSSAMOS NOS FALAR NO MSN! KKKKKK

:D

Jan disse...

Histórias como a sua me fazem acreditar cada vez mais que o amor pode ser éterno, mas que pra isso não é preciso estar eternamente com quem se ama e tbm que podemos ter muitos amores...

Lindoooooooo
Bj

Mauri Stern Boffil disse...

ai ai, suspiros..

Gay Alpha disse...

WOW!!! Curti!!! Muito bom recordar e lembrar... não esquecendo, claro, que para frente que se anda... hehehe!!!
Hugzz!!! E ótima Páscoa!!!!

Anônimo disse...

Ah, que lindinho, Rafa!
E nem achei o título brega!
Uma hora eu roubo e utilizo ele no meu blog, hahahah

Tantas saudades de vc!!!
Odeio virar amigo e sentir tanta falta assim, hehehe

Bjos

Eric Novello disse...

Nutella me lembra menino hospitaleiro em show da madonna!!Bjs!

Syn (apses) disse...

Que linda história! Ah, eu também quero ter uma dessas pra contar um dia, aiai...

E o mais legal, sem dúvida, é que ainda existe respeito, uma certa admiração e um carinho guardado num cantinho do coração. Muito melhor que colecionar mágoas e inimizades desnecessárias tão comuns nos fins de relacionamentos.

Feliz Páscoa!
Abração ^^

FOXX disse...

estou com inveja
num vou mentir
i-n-v-e-j-a!

Fernando disse...

Comentar sobre a beleza da história e do texto seria mais do mesmo. O pessoal aí de cima já falou. De dar inveja, de causar suspiros, de ficar na lembrança. E se tá nas lembranças é porque foi vivida, e bem vivida. É sua. Já tá valendo.

Bruno disse...

Chorei horrores!
Já vivi uma coisa a distância. No meu caso não foi amor... Dai não deu certo.
Muito bonito o texto!

Luan disse...

amor a distancia alimenta um senso de cuidado por conta propria na gente que só faz bem.

e é a felicidade mais individual pra se sentir tbem.

bração!

Gato de Cheshire disse...

Ahhh Toda essa distancia, São Paulo, a possibilidade de mudar.. Pra que eu entrei aqui, hein??? Droga.. Essas coisas não podem entrar no qrto do pânico....
Lembrei de uma citação do Millôr agora...

"Só depois que a tecnologia inventou o telefone, o telégrafo, a televisão, a internet, foi que se descobriu que o problema de comunicação mais sério era o de perto."

Fato...