domingo, 5 de abril de 2009

Ghostbuster


Todo mundo tem medo do escuro? Aquele que existe mais lá no fundinho da gente, quando algum dos nossos planos não se realiza, quando na vida perfeita sonhada por nós há peças fora do lugar que não se encaixam de jeito nenhum?
É de lá que eles surgem, não com grandes sustos e imensas traquinagens de fantasmas bobos dos filmes de terror. Meus fantasmas são delicados. Chegam tão pé-ante-pé que, por pouco, não os noto. Começa a me dar um desânimo, um tédio e tudo por aí suspira: “Ah, não vai dar certo, as coisas não acontecem para mim, não nasci para ser feliz...” Os fantasmas são delicados sim, mas nem um pouco criativos, pois, em geral repetem a mesma ladainha e a dos meus é esta.
Eles me sugerem que há uma espécie de ordem cósmica que insiste em me tirar do melhor da vida. Como se no exato momento em que a luva de borracha do médico me catou do meio das entranhas de mamãe houvesse uma conjuntura diabólica de astros: Netuno, Plutão, Marte e sei lá que luas e galáxias a lançar sobre a minha pobre existência uma maldição do: “desculpa, não vai dar para você” ou do “perdeu playboy”. Tudo isto, claro, sem tanto drama, sem cargas homéricas, só brisas suaves e palavras sussurradas mas que tem o potencial destruidor de um Katrina.
O bom é que cada vez mais identifico no ato a presença destes fantasmas. Quando a minha caixa de pandora se abre, tenho estado muito mais sensível a esta névoa nebulosa que me ameaça. E aí, dou uma de ghostbuster. Nada de escuridão nem fantasmas sussurrantes. Pé na realidade, não adianta idealizar demais. E nem achar que o caminho percorrido até aqui é todo o caminho e nem que as dificuldades enfrentadas serão sempre as mesmas e se forem é porque isto é a vida e eu sou forte o bastante para lutar uma e outra vez. E não existe nada que me jogue fora do ringue, assim como nada, de antemão, que me garanta a vitória. O que há é a luta, o suor e o empenho. E assim, às vezes mais devagar, outras instantaneamente, os bichinhos caem fora. E eu fico feliz comigo mesmo e agradecido à minha porção ghostbuster.

10 comentários:

FOXX disse...

um post hermético né?

Klero disse...

hummmm
parece-me que está na hora de uma revolução... chega do GeléiA (era esse o nome do fantasminha verde? rs)

deixa a continuação disso limitar-se ao cinema!

Jan disse...

O que sempra há é a luta, suor e empenho...
Ótimo texto.
Bj

Anônimo disse...

Realmente, todos temos os nossos fantasmas.
Os meus são parecidos com os seus.
E são fantasminhas filhos da puta esses, pois não são grandes o suficiente para nos assombrar, mas ficam ali, martelando e nos desanimando.
Vou dar um de caça-fantasmas como vc! Aliás, estou tentando tem um tempinho já! ;-)

Gay Alpha disse...

Excelente!!! Ghostbuster na veia... hahahaha!!!!! Hugz!

Luan disse...

queria ser mais ghostbuster!!!

otimo post.

bração!

Mauri Stern Boffil disse...

Queria ter coragem e vencer meus fantasmas...
Abração

Anônimo disse...

adorei a analogia com o medo de escuro, acho que esse medo é o primeiro que conseguimos racionalizar, mas ele é a mesma coisa que todos os nossos medos futuros: um desconforto, uma insegurança, uma insatisfação que faz com que questionemos toda a integridade...

belo post, parabéns!

Anônimo disse...

amigo!!! adivinha? passei em todas as fases do processo seletivo da Petrobrás... então... provavelmente mês que vem esteja aportando ai pelas suas bandas... mas precisamos nos falar né? kd vc? me manda seus telefones, q eu t ligo ok?

bjss


with love



mister angel.

Syn (apses) disse...

Na verdade essa espécie de fantasmas não são exclusividade sua. E pra falar a verdade, a ladainha também não é exclusiva dos seus fantasmas.

O bom é ver atitude (como a sua) pra não desistir mesmo sem ter a certeza de vencer. Boa sorte ghostbuster!

Excelente expressão, viu?
Abraços!