segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Força que nunca seca


Deu no jornal: lançamento do livro :“Poesias para me sentir viva”. A autora tem ELA, uma doença degenerativa que ataca os neurônios motores. Atualmente Leide nem pisca porém, movimenta os olhos e foi assim que ela “escreveu” os 60 poemas da obra.

Há forças enormes que me surpreendem, amores à vida mais fortes do que a morte (não seria uma solução mais fácil?): todas coisas que me tocam profundamente e me espantam. Por que eu não sei se seria capaz.

O quanto eu estou vivo? Em que condições vale a pena estar? Até onde podem ir minha determinação e desejo. De três anos para cá tenho precisado muito deles. E eles não têm me faltado. De uma forma muito concreta tenho me descoberto mais forte e adulto do que jamais sonhei. Mas minha fragilidade e a paralisia do medo também me rondam. E nesse equilíbrio instável de forças e abismos que sou eu mesmo, há sempre, no entanto algo constante, a coragem de não me iludir, de não repousar em uma vida pré-fabricada, não construir sobre expectativas alheias, palácios cômodos. Desbravar tudo, sangrar todo, ir, sempre, mais, adiante. Necessidade de que sou feito ou coragem salutar?

Parabéns a Leide e à surpreendente vida.

3 comentários:

Paulo disse...

Também fico espantado com a força que certas pessoas tem. Eu confesso, tenho força para muita coisa, mas acho que nunca conseguiria passar pelo que as pessoas que tem ELA passam. Ficar preso dentro do próprio corpo é um inferno em vida. Não suportaria passar por isso...


abração!

Anônimo disse...

Poxa, isso realmente surpreende e emociona.
Sucesso pra ela e força pra levar a vida com essa doença.
Beijo, amigo!

Flor disse...

Odeio admitir, mas é passando por todo esse caos que a gente se torna maravilhosos como somos. Como se fossemos diamantes brutos e isso tudo fosse o processo de lapidação.