quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O coração das coisas

Há uma dimensão essencial de tudo que é difícil de atingir. A gente inventou um símbolo orgânico para ela, o “coração”. Ali está a vida, o amor, o que se é de mais sensível e belo, o melhor de todos nós. Deixar que alguém habite o coração é o verbo “amar”.
No entanto, as coisas, e não só, as pessoas, têm coração. A razão de ser, a identidade inigualável, o que torna algo o que isto é, a essência de cada coisa é o seu coração. Todos nós ansiamos por estar no coração de tudo o que existe. Porque lá é o que há de mais simples, singelo e real.
Um livro tem seu coração quando as palavras, vírgulas, páginas conduzem o leitor a um novo encontro com o pulsar da vida, quando revela dimensões normalmente ocultas no dia-a-dia. Um filme tem um coração, um ápice, o ponto culminante para o qual a história se desenvolve desde o início. Os conhecidos, colegas, companheiros, tornam-se amigos (aqueles que habitam nosso coração) quando fazem parte de nós, quando, por meio deles, nos descobrimos mais vivos, mais felizes, mais reais.
Hoje, atingi o coração do meu projeto de doutorado. Um mês e meio, quatorze páginas escritas e muito mais lidas, para chegar ali, no nevrálgico centro da minha proposta. Aquilo que a faz ser, de fato algo original, relevante, plausível. E, por isso, um pouco do meu cansaço, irritação, desgaste ao longo deste processo todo, por tantas dificuldades adicionais àquelas já esperadas, se dissipou. É bom estar no coração das coisas, respirar o essencial, descansar um pouco da íngreme escalada.

2 comentários:

Ollie disse...

Opa! Mas isso é algo a ser comemorado!!

Eu estarei no coração do meu coração em alguns dias, se Deus quiser.

Anônimo disse...

Você está no meu. Desde o dia 01. E cada dia mais.