domingo, 6 de maio de 2012

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A raspa, os restos de cristianismo em putrefação pendentes das arestas de mim, insistem em dizer que é aprendizado, ensaio pro que virá. Em meios às névoas e clarões sobressaltados de vida e morte cotidiana, insinua um sentido, o sentido. Mas eu não ouço. Calo-me bebendo. E na minha taça, o vinho espesso é também amargo. Finjo que só os fortes podem sorvê-lo, mas não. Sou frágil, quebradiço, natimorto nesse mundo de luzes infindáveis e pessoas que tudo sabem. Não adoço mais o viscoso líquido que desce agarrando-se à minha garganta, quase num sufocamento, mão rubra e densa enfiando-se por minha goela abaixo. Falta-me o ar, meus olhos enchem-se, um aperto lá, onde uma vez pulsou qualquer coisa de nome besta como "coração". E, no entanto, continuo. Vivo; só o novo morreu. A possibilidade de uma redenção qualquer, a fé em alguma forma de começo. Em minha mão, a taça. Outro gole.

2 comentários:

Anônimo disse...

Rafa....
Isso é um caso de possessão dupla!
Freud e Nietzsche!
Chama uma mãe-de-santo, zifio, que tù tá mais carregado que pilha alcalina!
Saravá e bjs

M. disse...

Rafa, espero que a raspa do cristianismo seja aquela da fé pura. O cálice de vinho(sangue) descendo forçosamente em nossa garganta é que nos mantem. Por isso, superamos o sufocamento, a falta de ar. A água jorra pra nos aliviar... água é vida, vc sabe. Ela fará seu(nosso) coração redentor....renascer.
Beijos querido.