Deixou cair de suas mãos. Respirou fundo, espreguiçou-se como pôde largado ao sofá e parecia então que o bem-estar ia lhe tomando o corpo todo à medida em que o esticava. Ondas sucessivas de satisfação emanavam-se do peito à barriga, insinuavam um quase sorriso no rosto e coloriam o fim da tarde cinzenta de forma cálida e sutil.
Precisava daquilo. Experimentou num dia à toa, despreocupado e indiferente, por sugestão de amigos. Os mais interessantes faziam uso, alguns há tempos e estavam todos lá:lindos e felizes.
Pouco, muito pouco no início. Começou com o que havia em casa mesmo, depois o frisson da compra se tornou um plus delicioso, o início do barato. Daí, a necessidade de mais, vez por outra aquela espécie de êxtase. Uma vez mesmo no metrô. Parecia-lhe então que via para além das pessoas, por sobre as caras cansadas e as vidas óbvias, espaços infinitos, alturas impensáveis.
Se a vida era pouca, o dia ruim, o trabalho indigesto ou o amor só uma promessa vaga, fazia uso. Às vezes durante horas e tudo soava tão igual a princípio, porém melhor de uma forma difícil de explicar; como ali naquela tarde de feriado: cidade vazia, amigos em viagem e, no entanto, a mente cheia, fervilhante: graças ao uso, graças a ele: o livro.
4 comentários:
PHODA!!!
livro é uma droga perigosa...não é a toa que queimam e proíbem...mais que coca, maconha e afins...
essas deixam o trase..o livro a transa, pimenta na mente, insitga e atiça, pensar, eis o perigo!!!
hahaha, adorei o comentario do @melo, mas é isso mesmo. eu quando abro um, quero mergulhar em suas páginas e não voltar.
a-do-rei.
Sou viciada... a qualquer hora e lugar..faça sol ou faça chuva... leio porque preciso. É meu combustível, é o que me faz viver.
Abraços
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