Eu tinha a mais plácida certeza que mudei muito. As fotos antigas me mostram um garoto que se encontrou aí pela vida, de algumas das muitas formas nas quais é possível fazê-lo, mesmo em meio aos tropeções e trapalhadas do caminho e é claro, continua perdido de outras tantas formas, ainda que diferentes daquelas de antes.
Achei que este itinerário longo, conflituoso, mas também libertador, estivesse impresso na forma do meu maxilar, no contorno dos músculos, na distância entre meus olhos. De tal maneira que entre aquele garoto perdido e eu, restava apenas uma memória social, uma identidade exterior que me assegurava sermos, eu e ele, de fato, um só.
Ontem, porém, numa das avenidas mais insuportavelmente cheias de pedestres, na hora do almoço, me chamam. E o rosto me traz 20 anos num instante. Aquele papinho rápido de como está, o que faz, quem sabe um chope; e a pergunta pula: Como você me reconheceu? Acho que nem eu me reconheceria...
Ela achou graça e me disse que continuo o mesmo, sem óculos, de barba, mas o mesmo.
Eu olhei em seus olhos e sorri.
Ao retomar meu caminho, uma espécie de alegria estranha: a vida passando.
9 comentários:
Rafa:
Tudo é lindo, mágico e poético por estas bandas. Amo as coisas que escreve.
Abraços querido.
Edu curtiu muito muito isto!
Antes ser reconhecido do ter a certeza de estar sendo ignorado...
hahaha, Fiquei Puto da vida,
É aquele verso menino que se escreveu tantos anos atrás....., pois é....ainda não foi esquecido! Que bom!
nessas horas a gente precisa de fotos!
hehe
Oi Rafa... sou Margot... gostei do que escreveu. Ficou leve, bonito..poético. Ficou como a vida deveria ser... e como a pessoa a viu em voce. Mansidão ...essa é a palavra. Abraços. Se bem vinda, eu volto.
O Foxx tá certo!!! precisamos de fotos mesmo! Eu q o diga!!!
Cadê as fotos - pra entrar no coro!
Mas mesmo sem fotos eu adoro te ler to-di-nho... E a foto nova do profile.... hummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm! Hahahahaha! Bjz!
Post mais bacana, Rafa. Lindo, lindo.
Ando nessa também, de me dar conta da vida passando. Há quem diga que eu não mudei nada, mas o que vejo no espelho é um cara bem diferente daquele de 18 anos atrás (ufa!, por todos os motivos.)
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