Há uns anos atrás, recém-saído da vida religiosa, o que eu mais queria era folia, confete e serpentina e, claro, bocas, muitas. Carnaval era época de complexas estratégias para realizar meus planos de sair de um bloco e imediatamente cair em outro. Começava cedinho no, então, bucólico “Céu na terra”, em Santa Tereza no qual os músicos tocavam no bondinho e terminava o dia, ou começava a madruga, em alguma coisa mega populosa como a Banda de Ipanema.
Com o passar do tempo fui restringindo o meu carnaval à interesses exclusivamente acadêmicos, digamos assim, pesquisa antropológica. Meu programa de então era o mal-falado, com toda a razão, baile de carnaval gay de Gafieira centenária chamada “Elite”, no centro do Rio. Local super tradicional durante o ano todo que resolve descolar algum money em cima das bibas no carnaval. É um salão velho, sem ar condicionado, com mil e quinhentos cafuçus se espremendo sem camisa, e tantos mais admiradores do tipo, embalados por marchinhas carnavalescas de priscas eras. O chão de madeira treme como se um terremoto estivesse prestes a começar, a sorte é que a gafieira funciona no segundo andar de um casarão e, no térreo do mesmo, há uma funerária, o que me dava uma espécie de paz sempre que eu lembrava disto. Pensando bem, quem liga? Com samba, suor e cafuçus que o mundo se exploda.
Pois bem, neste carnaval tudo o que eu quero é a trilha sonora, a tranqüilidade e o não ziriguidum do conforto do meu lar. Que sejam alegres bem longe de mim. Deixem-me com meus livros, filmes e amigos anti-foliões como eu. Marido disse que gosta de um bloco ou outro, pois que vá com seus amigos fervidos, né não?
O problema é que o carnaval é algo de que, muitas vezes, não se pode escapar. De alguma forma, numa força coerciva absurdamente penetrante ele acaba na sua sala, nos seus ouvidos, rasgando seu descanso anti-folia. São amigos bêbados que te telefonam de blocos barulhentos, sua mão que te liga para dizer como a Portela está linda este ano, jatos de serpentina que te pegam desprevenido enquanto se vai comprar dois pães franceses e um croissant.
Domingo passado, por exemplo, que nem carnaval era, saímos eu e marido para ir ao cinema Odeon, há dez minutos de casa pensando em tomar um café e ver “Millenium: O homem que não amava as mulheres” e no meio do caminho havia o bloco da Preta Gil. Chegamos atrasados no cinema, não tomamos o café – tudo fechado – e eu, cheiroso e limpinho, passei maus-bocados no meio de um povo xexelento, mal-lavado e bêbado...
Aff.. “O carnaval é um verdadeiro matadouro para uma pessoa phynnah”
13 comentários:
eu gosto de ver filmes, ler muito, jogar baralho...mas, confesso: passo a madrugada vendo as escolas do rio :P
Eu não gosto de carnaval. Fato. Feliz por Melo tb odiar. Nem no delicioso ABC Bailão eu chego a dançar qdo toca os axés e tal. Nem bêbado eu chego a curtir essas festividades.
Bjão, Rafa.
Eu ODEIO carnaval. Simples assim! Agora... fantasia mesmo é imaginar vc "recém saído da vida religiosa"... ai, ai... vou MESMO arder no fogo do inferno. Hehehe!!!
Outra coisa:
"Este blog é um verdadeiro matadouro para uma pessoa phynnah" - diz vc no TPM;
"O carnaval é um verdadeiro matadouro para uma pessoa phynnah" - diz vc aqui!
Tu tá muito "phynnah nesses" dias, hein???? Se quiser que eu tete dê uma "engrossada" é só falar que tamosaí, viu??? Hahahahahahaha!
Beijoooooooo!
posso fazer uma piada? e se tivesse solteiro? hauahauahuahau
Ah? Foi em você quem eu vomitei no bloco da Preta no domingo?
Foi mal, aê!
;)
Também, um salão que funciona em cima de uma funerária e com marchinhas de priscas (gente... priscas?!... kkkkk) eras... até eu garrei um ódio aqui...
Abraços.
Hahahahha, adoro vc mal-humorado.
:-P
www.fragmentosdoautor.wordpress.com
Eu não curto carnaval, mas não é pela música. Eu particularmente adoro um samba. È pelo clima de "festa" mesmo... detesto gente bêbada.
Rafa:
Tudo depende do que está sendo apresentado e meu status amoroso...rs.
Linda semana. Abraços.
Concordo. Franguinho não alimenta ninguém. Com certeza te recomendo uma dieta com carne fibrosa, rija e bruta... quenemasminha,claro! E como (ui) bom gaúcho sabes que de carne eu entendo, nzé? Hahahahaha! Bjz, queridão!
O Carnaval é um matadouro de gente phynna, pobre, de tudo que é jeito. Tô fugindo pro Sana esse carnaval hahaha
Corra para as montanhas!
Beijo Rafa!
Pois eu estou ansiosa pela hora de tirar a fantasia de pessoa responsável e ver no que vai dar hauhauhauhau
Beijo
Em São Paulo o Carnaval é uma época tão gostosa... cidade vazia dá até gosto!
(Estou lendo um livro que, agora me ocorreu, seria legal de debater com vc. Mas vc mora longe demais. rs)
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