quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Brasilidades

Esses dias li coisas que detesto. Elitismos de classe, de gente que se acha in, bem acima da média dos demais pobres, da “nova classe C”. E se tais privilegiados tem Facebook, e todos tem, lançam logo status com o mote infalível da “orkutização do FB”. Este antes era reduto de gente diferenciada, quase uma Higienópolis ou um Leblon virtual. E é claro, afirma outro, são todos brasileiros os responsáveis. Um terceiro reclama em inglês do calor que faz no Rio, inveja das nevascas européias, onde se pode usar casacos e botas e não quase andar de tanga nestes trópicos do inferno.

Gente que fala mal do Brasil e de sua gente, não como resultado de real capacidade crítica que enxerga as mil deficiências do nosso país, mas fruto de um complexo de vira-lata que olha sempre para além-mar como se o Éden, o jardim paradisíaco, há tanto tempo perdido fosse lá. Pessoas que não saem de seus grandes centros urbanos e os enxergam como o negativo da metrópole idealizada: Nova York, Paris, Londres.

Eu quero um país onde a coisa pública seja tratada com imparcialidade, sem personalismos, uma burocracia estatal eficiente, as condições básicas para que a vida dos cidadãos transcorra em paz, saúde e segurança garantidas de verdade pelo Estado, afinal é sua obrigação.

Mas gosto da malemolência de nossas terras, deste sorriso frouxo da nossa gente, essa coisa de chegar fácil e iniciar uma conversa, os nossos sotaques encantados, nossa cultura solar. Gosto do meu Rio de mares e montanhas em paisagens de tirar o fôlego, de saber que São Paulo está aqui ao lado. Gosto da gente do Nordeste, de conversas em tardes de brisa depois da praia de águas mornas.

Ouço música estrangeira, detesto futebol e não sei sambar. Mas daí a pensar que o Brasil é só um poço de problemas, gente deselegante num forno a mil graus Celsius é muito colonialismo introjetado desses “caboclos querendo ser ingleses”, como diz o bom e velho Cazuza.

7 comentários:

railer disse...

nosso país tem muita coisa boa e precisamos valorizar. lá fora acontecem coisas ruins também, não é só nosso isso, apesar de alguns não enxergarem desse modo.

Fred disse...

Eu acho super INNNNNN curtir o Brasil! Tô contigo, claro! E babe... te prometo que quando eu tirar a camisa regata e a calça jeans salpicada de concreto tu não vais ver uma cuelcinha, TZÁ???? Hahahahaha! Bjz!

Cesinha disse...

Que todas essas maravilhas que temos sejam coisas admiráveis... que esse povo “fashion-cu-da-mãe” não merece nem um dedo de prosa... tudo bem. A injustiça é o descaso com todos os que sustentam essa ópera insana... eu vejo isso todo dia, nas filas do SUS... dá muita pena!

Beijão.

Dan disse...

sim. os sotaques encantados tbém me cativam. e cativam ainda mais meu namorado francês, que não quer voltar pra frança mas de jeito nenhum. ele sim vê o Brasil de verdade, que muita gente não vê. Deixe eles pra lá. sobra mais terra brasilis pra gente querido!
sério! eheheh

bj

Anônimo disse...

grass is greener on the other side

é natural do ser humano não gostar da condição em que está e idealizar a outra... a postura pode ser saudável, pois é um propulsor para mudanças. mas pode ser uma armadilha de acomodação, também.

mas sinceramente? odeio o calor brasileiro e sempre reclamo com a minha mãe por ter me feito nascer aqui e não em um país mais geladinho. =D

Luciana Nepomuceno disse...

beleza de texto... ;-)

Adso Eco disse...

Absurdamente bem escrito.