Esses dias li coisas que detesto. Elitismos de classe, de gente que se acha in, bem acima da média dos demais pobres, da “nova classe C”. E se tais privilegiados tem Facebook, e todos tem, lançam logo status com o mote infalível da “orkutização do FB”. Este antes era reduto de gente diferenciada, quase uma Higienópolis ou um Leblon virtual. E é claro, afirma outro, são todos brasileiros os responsáveis. Um terceiro reclama em inglês do calor que faz no Rio, inveja das nevascas européias, onde se pode usar casacos e botas e não quase andar de tanga nestes trópicos do inferno.
Gente que fala mal do Brasil e de sua gente, não como resultado de real capacidade crítica que enxerga as mil deficiências do nosso país, mas fruto de um complexo de vira-lata que olha sempre para além-mar como se o Éden, o jardim paradisíaco, há tanto tempo perdido fosse lá. Pessoas que não saem de seus grandes centros urbanos e os enxergam como o negativo da metrópole idealizada: Nova York, Paris, Londres.
Eu quero um país onde a coisa pública seja tratada com imparcialidade, sem personalismos, uma burocracia estatal eficiente, as condições básicas para que a vida dos cidadãos transcorra em paz, saúde e segurança garantidas de verdade pelo Estado, afinal é sua obrigação.
Mas gosto da malemolência de nossas terras, deste sorriso frouxo da nossa gente, essa coisa de chegar fácil e iniciar uma conversa, os nossos sotaques encantados, nossa cultura solar. Gosto do meu Rio de mares e montanhas em paisagens de tirar o fôlego, de saber que São Paulo está aqui ao lado. Gosto da gente do Nordeste, de conversas em tardes de brisa depois da praia de águas mornas.
Ouço música estrangeira, detesto futebol e não sei sambar. Mas daí a pensar que o Brasil é só um poço de problemas, gente deselegante num forno a mil graus Celsius é muito colonialismo introjetado desses “caboclos querendo ser ingleses”, como diz o bom e velho Cazuza.
7 comentários:
nosso país tem muita coisa boa e precisamos valorizar. lá fora acontecem coisas ruins também, não é só nosso isso, apesar de alguns não enxergarem desse modo.
Eu acho super INNNNNN curtir o Brasil! Tô contigo, claro! E babe... te prometo que quando eu tirar a camisa regata e a calça jeans salpicada de concreto tu não vais ver uma cuelcinha, TZÁ???? Hahahahaha! Bjz!
Que todas essas maravilhas que temos sejam coisas admiráveis... que esse povo “fashion-cu-da-mãe” não merece nem um dedo de prosa... tudo bem. A injustiça é o descaso com todos os que sustentam essa ópera insana... eu vejo isso todo dia, nas filas do SUS... dá muita pena!
Beijão.
sim. os sotaques encantados tbém me cativam. e cativam ainda mais meu namorado francês, que não quer voltar pra frança mas de jeito nenhum. ele sim vê o Brasil de verdade, que muita gente não vê. Deixe eles pra lá. sobra mais terra brasilis pra gente querido!
sério! eheheh
bj
grass is greener on the other side
é natural do ser humano não gostar da condição em que está e idealizar a outra... a postura pode ser saudável, pois é um propulsor para mudanças. mas pode ser uma armadilha de acomodação, também.
mas sinceramente? odeio o calor brasileiro e sempre reclamo com a minha mãe por ter me feito nascer aqui e não em um país mais geladinho. =D
beleza de texto... ;-)
Absurdamente bem escrito.
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