quinta-feira, 10 de março de 2011

Se você curte axé, livros de auto-ajuda ou acredita na força positiva do Universo que conspira a seu favor: Não leia este post

Há uma tristeza sólida, pesada, difícil de carregar que fica como pedra no caminho ou móvel mal posto no canto da sala, há toda hora se tropeça nela. Tristezas assim são dominantes, não são esquecidas, compõem letra, música e performance. Estão lá no vermelho dos olhos, no desânimo da vida, no quente e úmido travesseiro, porto seguro para estes dias.

No entanto, há também um vaporoso pesar que não impede nada, nem esparsas alegrias, risadas genuínas e momentos de real felicidade. Ele parece uma névoa, informe, porém de uma consistência tal que não se dissipa totalmente. Há pessoas que a tem na alma e numa era pré-psicologia tal sentimento dava nome há um dos quatro tipos básicos de temperamento: melancólico.

Melancolia é uma bela palavra. Politicamente incorreta no reino da felicidade compulsória, mas bela. E acho que define bem o que sinto há algum tempo. Cansaço que em sua extremidade mais longínqua, na fronteira que faz com a bruma densa de tudo que é interior, pessoal e incomunicável se faz melancolia.

Eu sei exatamente o porquê. Há exatamente cinco anos eu rompi com a minha vida e inventei uma radicalmente nova. E a verdade é que não estou onde quero. Os então novos sonhos desmoronaram como construções mal-feitas à beira de praias ridículas e a sensação de que o mundo de alguma forma me queria, abrindo seus braços para mim revelou-se, tão somente, um messianismo barato.

Eu sei o que eu quero. E estou no caminho. Mas, às vezes e cada vez mais repetidamente ele me parece longo, árduo e as pausas, em meio a risos, abraços de amigos e beijos ardorosos de amores breves porque sutis, se esgotam sempre insuficientes.

No reino da felicidade compulsória, no carnaval constante da vida os meus dias estão nublados, a minha Quarta é de cinzas e isto sem dor ou espasmos só esta coisa muda em meu peito, a névoa que a rodeia e a vontade de finalmente colher o que há tanto tempo planto. Mas quem manda nos ritmos da terra? Qual a lógica nos devaneios da história?

Eu respondo: Nenhuma. E o que fazer?
Continuar. Sim, há de se continuar

11 comentários:

Anônimo disse...

As horas que se seguem interminávelmente.....Sua quarta de cinzas trouxe o espírito de Virginia Wolf!
Gosto sempre de ler sua definição de quem sou eu: ...."sou um cara legal,tentando me manter no alto e feliz em meio ao delicado equilíbrio da vida."
Isso é uma batalha IMENSA... Não qualquer "neguinho" que consegue isso, moço bonito!
É batalha silenciosa que ninguem presta atenção justamente porque não faz alarde!
Você tem meus respeitos por isso!
bacci in cuore

AD disse...

poxa, e eu aqui todo empolgado com augusto curi, rsrs.

Rodrigo disse...

continuar sempre. eu não desisto, as vezes canso

cubcub disse...

Estava indo ouvir o Tchubirabiron! (not)

Navegar é preciso, já dizia alguém do passado, continuar também.

Bjo e abraço, o/

Júlio César Vanelis disse...

Por mais que essa névoa exista e persista por alguns momentos cruciais, existe sempre aquela certeza inegável de que você está no caminho certo, e não pode sair dele, por mais que a névoa torne o caminho mais tortuoso, menos claro...
Alguma svezes eu me sinto exatamente como você. Quando eu descobri que escrever ajuda, eu passei a escrever como uma forma de aliviar os sintomas. É quase uma dipirona para melancolia esse ato de escrever, sabia?? XD

Um abraço, Rafa... até o próximo

S. disse...

eu acho que de tão igual nós devia se casar... marca aí cartório em setembro? grata!

Lobo disse...

Tem um maldito móvel bem no meio da minha sala atrapalhando minha passagem.

Tô vendo a hora que vou dar um bico nele e bater até destruir...

Continuar é preciso...

Beijo Rafa!

Professor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
D.a.v.i.d disse...

Assopra essa névoa que ela se dissipa...

Atitude do pensar disse...

E com sua postagem volto a pensar: Vida.
Subvida.
Sobrevida.
Continuar é preciso, mas o cansaço persiste...
Bju, Rafa.

Wans disse...

Continuemos então, eu querido Rafa.