segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Macho vintage

Se alguém quer entender do que é feito um macho tradicional, aquele que coça o saco, discute horas sobre futebol e quase desloca a retina ao passar uma gostosa, precisa ir a um boteco. É claro que não estou falando desses bares arrumadinhos, de origem paulista, que plagiaram a gloriosa alcunha. O sítio antropológico mais propício para a observação da espécime macho-alfa é aquele constituído por um balcão, um banheiro fétido e mais nada.

Ali na calçada em frente, os homens vêm e vão ao ritmo das garrafas que se esvaziam, com suas camisas abertas e piadas grosseiras, atrapalhando a vida de quem só quer fazer uso do seu sagrado direito de ir e vir. Falo com conhecimento de causa porque há um exemplar típico destes botecos na minha rua. Volta e meio quase esbarro com um cliente, o que seria uma pena, pois nenhum deles me interessa, a não ser o macho vintage.

Ele está quase todo dia ali, abriu um escritório de administração de condomínios literalmente do lado do bar. Uma única vez trocamos duas palavras sobre os malefícios da cerveja choca. O macho vintage é só um pouco mais baixo do que eu, cabelo de um preto tão intenso quanto o dos grandes olhos que se apertam para mirar as que passam. O ângulo entre os olhos quase cerrados e a boca que se abre num sussurro a comentar a beldade que se vai, forma a cara de safado mais gostosa que já vi.

Pra coroar a representação clássica do malandro-macho carioca há um bigodinho que, em qualquer gay seria uma reivindicação de “olha como eu sou moderno”, mas nele só faz atualizar gerações de malandros, hordas de homens viris, tornando-o a encarnação irresistível e certeira do homem que sabe fazer uso do que a natureza lhe deu: um bom pau no meio das pernas.

É claro que isto eu só imagino, pressinto ou desejo, enquanto no ordinário dos dias, nas sucessivas chegadas e saídas, olho-o rápido, num relance e, quase sem ar, sigo o meu caminho.

19 comentários:

S. disse...

ah... o desejo...que nos faz idealizar o que existe no meio das pernas e dentro do coração...
beijinhos, meu flor!

Paulo Roberto Figueiredo Braccini - Bratz disse...

ai ai ... e quem não sonha com um macho vintage querido ... qdo me deparo com um passo dias, meses a idealizá-lo por inteiro ... mas depois de algum tempo tudo passa pois ele é e será sempre apenas mais um macho como todos os outros ... com seu papo ruim, seu bafo ruim, sua idéia ruim e principalmente com seu pinto ruim ... rs

Rapha disse...

Nossa! Acredita que eu fiquei excitado só lendo essa descrição perfeita que você fez de um BOM MACHO DE VERDADE!! Ao lado da minha casa tem um bar (pertence ao meu tio) e nele eu vejo todo tipo de homens, mas nenhum é tão bom quanto esse que você descreveu. Quando o mais bonitinho abre a boca para falar, eu desencanto na hora tamanha quantidade de besteiras que ele diz... =/

Bjs

Antonio de Castro disse...

homem que é homem usa bigode e bebe cerveja.

e a gente gosta de homem.

Daniel Cassus disse...

...há um bigodinho que, em qualquer gay seria uma reivindicação de “olha como eu sou moderno”
Meio autobiográfico isso, não?

Luciana Nepomuceno disse...

Bom, diz aí, eu sou o tipo dele?Se for, pego e te conto tudo. Não é a mesma coisa, mas já é alguma coisa, rsrrs.

Júlio César Vanelis disse...

Nossa, cara... De verdade, você (d)escreve(u) muito bem... O malandro carioca do bar que fica na sua rua, tem fantasia melhor que essa? hahahahahahha
E me parece que o cenário ajuda muito a construir a "macheza" do bofe... Adorei... hahahahaa

Um abraço, rapaz... Até o próximo

Unknown disse...

Fotinho, por favor? Porque ele até pode ser "ruim de internet" como disse o Bracciola, mas fantasiar é preciso! :-)

Atitude do pensar disse...

Nada melhor do que em plena terça, com cara de segundona, ler uma descrição dessas.
A semana será até mais gostosa (o)...hehe
Bju, Rafa!

cubcub disse...

Ahh, os héteros tentadores. Se você morasse aqui na minha vila, ia ver muitos desses machos vintage, MUITOS mesmo, haha

Bjo e abraço, o/

Fred disse...

Genteeeeee!
Descobri.
Sou vintage!
Hahahahahahaha!!!
Bjz!

FOXX disse...

hauahuahauahau
nem macho eu sou
qnto mais vintage
kkkkkkk

Edilson Cravo disse...

Vc tá apaixonado pelo zé do caroço??? rsss Os cariocas são muy calientes e ordinários ( palavra de carioca)..hahahaha. Linda semana. Abraços.

Lobo disse...

Fala não. Frustrante essa coisa de ficar só no mundo dos sonhos...

Mas de certa forma, ainda bem né? Em uma situação real, acho que não aguento o papo de um cara desses não hahaha

Beijo Rafa!

Wans disse...

Fiquei de pau duro. Como faz?

railer disse...

amor platônico é um tipo de amor.

Anônimo disse...

Depois desse post, estão todos convidados, intimados, a ler ou ver MADAME BOVARY....Vale a versão Jennifer Jones, a versão Isabelle Hupert ou o livro de Flaubert....Ocês tão no divino mundo da fantasia...Tudo de bom!

Alexandre Willer Melo disse...

super PUT(a)!!

adorei macho vintage, posso usar? adoro boteco desses que a vigilância sanitária deveria fechar para sempre.

é aí que tem macho mesmo, desses que podem até sair com o viado mas nem quer beijo, quer socar rola e mais nada. ele deixa você chupar enquanto toma uma breja...

não pode apaixonar né gato? danou-se...é só pra diversão mesmo...

Anônimo disse...

Delicioso o texto!

Esse é [pra mim, nos tempso de solteiro sempre foi] o maior problema: os machos assim costumam ser melhor na fantasia. Na vida real, porém, a minha, sempre acabou me mostrando que as melhores coisas que eu imaginava neles não passavam mesmo de desejo irrelizado, sonhos, fantasias.

Mas, enquanto houver fantasia, haverá esperanças. Sonhar, desejar, felizmente, não nos custa. E alimenta.