Prezadas famílias de comercial de margarina, células fundamentais da nossa sociedade, núcleos familiares formados por um pai provedor-bonachão-de-bigodes, mãe-de-avental-fazendo-bolinhos-de-chuva-no-Domingo-de-tarde e crianças-loiras-e-sapecas-comendo-seus-sucrilhos-no-café-da-manhã: Nós os gays, também chamados de bichas, viados, boyolas existimos!
Talvez vocês não tenham reparado, mas aquele tio solteirão, o primo que raramente comparece às festas de família e sempre que vai, leva um amigo, sãos gays. Desculpem-me avisá-los assim, mas há entre nós senhores de respeitável aparência e família solidamente formada e mulheres eternamente insatisfeitas com os maridos que, uma única vez, numa Quinta à noite tocaram suas amigas por sobre a blusa. Isto e pegações em lugares escuros, encontros fortuitos e uma psique destroçada era todo o possível para nós, as bichas, até algumas décadas atrás.
Felizmente hoje, nós temos maior visibilidade e aceitação social. A sensação que se tem de que a “ameaça gay” está se alastrando é só isso: uma impressão. O que acontece é que homens e mulheres gays deixaram de constituir famílias heterossexuais que seriam infelizes e não precisam se esconder tanto, ainda que não seja fácil assumir-se em muitas instâncias sociais. Mas fiquem tranqüilos: estatisticamente não estamos nos multiplicando.
O pânico que despertamos nos setores conservadores da sociedade supõe que a humanidade inteira é composta por bissexuais e que se estes descobrirem o terrível e fascinante segredo de que o sexo entre os que tem o mesmo sexo é muito mais prazeroso, a espécie humana estará terminada. Apesar de concordar com vocês que o sexo com outro homem é bem mais interessante do que com mulheres, minhas amigas lésbicas aqui discordarão, devo lhes dizer que há homens que gostam de mulher de verdade. É sério! Gostam de beijar-lhes, ternamente, o seio, passar a língua no bico intumescido e descobrir-lhes o quente e úmido do entre as pernas enquanto aspiram ao perfume que, em ondas, emana de seus cabelos É estranho, mas é verdade, existem homens que gostam de mulheres e vice-versa. Ou seja, o pânico de que, se reconhecerem nosso modo de amar como legítimo, a humanidade findará é só uma imensa bobagem.
Outra novidade: crianças criadas por casais gays não se tornam necessariamente homossexuais. A imensa maioria dos gays que conheço e eu próprio fomos criados em lares heterossexuais, numa escola heteronormativa, numa sociedade heterosexista e somos viados. Ou seja, há algo muito forte e real na forma como cada ser humano ama e deseja, capaz de contradizer as instâncias mais fundamentais da vida social. Seu filho, sua linda filha de maria-chiquinha e vestido florido não vão “virar” gay por ver um casal de homens com seu filho na capa de uma revista, nem duas mulheres se acarinhando românticas à luz do dia, pelo contrário, talvez isto os ajude a se tornar seres humanos melhores: mais plurais, humanamente fraternos e capazes de reconhecer o brilho da vida em toda a parte em que ele refulge.
Pra dizer a verdade, os gays não são uma ameaça à família ou a humanidade em geral. O que corrói estas sagradas instâncias é a falta de amor, de interesse no outro, de diálogo e partilha e estes males não tem gênero, nem orientação sexual definida. Lamento informá-los, mas nós não somos os monstros que se pensa, procure-os dentro de vocês. Eu sei dos meus e mantenho-os vigiados, sem deixar que se projetem no outro só porque esse é diferente de mim.
30 comentários:
como é que eu posso demonstrar que estou aplaudindo de pé aqui?
como é que eu posso demonstrar que estou aplaudindo de pé aqui? [2]
Orra!
Nnca tinha entrado, mas que coisa não?
Me fez pensar.
=)
abraço!
Uma das melhores abordagens que já li sobre o tema.
Sabe... Alguém precisa acordar essa família margarina...!
Queria que isso fosse lido em horário nobre!
bjo querido!
Meu amor...com a intimidade de quem tem cartas pra receber, não pergunto, aviso: vou publicar em todos os meus blogs. Letrinha por letrinha (especialmente aquelas da língua no bico intumescido, rsrs). Uma abordagem visceral, verdadeira e de extrema sensibilidade. Eu já disse que te quero um bem enome? Ah, já.
Putz, fodástico! Vou passar pra frente esse texto, ok?!
Estava a conversar sobre esse tema com uma amiga que mora comigo: Ela e outra amiga nossa (que segundo a expressão; que nem gosto, estava no armário) estão namorando. E o amor delas trouxe várias pressões.
Além disso, nesse instante me lembro de uma discussão em sala de aula na matéria de direito social: adoção de crianças por casais gays. Foi assustadora, a sala estava permeada pelo preconceito.
Aff!
Será que ele diminuiu?
Sei não...
Bjin
como é que eu posso demonstrar que estou aplaudindo de pé aqui? [3]
como é que eu posso demonstrar que estou aplaudindo de pé aqui? [4]
acho q foi o seu melhor post ... uma aula ... parabéns ao amigo ...
vou compartilhar no face ... tem q ser lido
bjux
;-)
Fala, Rafa!! To vendo que voltei na melhor hora! Belíssimo texto, meus parabéns!!
Se bem que eu estava começando a gostar dessa alcunha de monstro, destruidor de lares tradicionais e ameaça sem precedentes à humanidade... Quase um Godzilla de blush e unhas pintadas esmagando Nova York, hehehe...
Como esse povo todo viaja sobre nós, não é?
beijo!
Maravilhoso!
Como é que eu posso demonstrar que estou aplaudindo de pé aqui? [3]
Tá. De alguns eu tenho medo. De ti, por exemplo... hahahaha!
Just kidding... excelente abordagem e ótima escrita!
Clap, clap, clap!
Bjz!
Rafa, eu já te disse que te amo?
sem mais por hora meretissimo!!!
bjs do voy
Excelente.
Emocionado como você colocou tudo no lugar e com o cuidado e carinho necessário para não chocar a "família margarina".
Merece ser publicado na mídia!
Eu fico aqui esperando um dia que façam um comercial de margarina onde chove.
As coisas são muito simples sempre. As pessoas é que complicam...
Beijo Rafa!
Posso falar?? Achei o máximo... Vc tocou no ponto fraco, do quanto essa estrutura em ruinas que é a família-de-comercial-de-margarina precisa de auto-afirmação... Enquanto pudermos, seremos a pedra no sapato deles... Quem sabe assim eles não tomam coragem e olham na nossa cara???
Abraço Rafa... Até o próximo
casa comigo?
às vezes dá a louca e a gente quer falar sobre isso, né?
eu tô com o Dan. queria q isso fosse lido em horário nobre.
SUPIMPA!!!!!!!!!
Baby, eu estou mesmo aplaudindo de pé aqui. e tanto que coloquei lá no blog tb. beijinhos amorosos.
e publiquei no face. rsrsrsrsr. puta que o pariu, viu??? texto bom demais!!!!!!
Penso que é a primeira vez que venho até seu espaço. O que li aqui é muito feito com cabeça. Parabéns! gostei e vou ser seu seguidor. Seja meu também em:
www.congulolundo.blogspot.com
www.minhalmaempoemas.blogspot.com
www.queriaserselvagem.blogspot.com
Um abração e tudo de bom.
Querido e amado... a saudade de sempre assola meu coração.
Vou postar teu texto no meu blog, com um link para cá.
O endereço que vc pediu é http://riscoventura.blogspot.com É que realmente estava deste meados de novembro sem nenhuma inspiração. Agora voltei com o mesmo gás da época do "Dose de Gautama".
Beijo grande.
Gostaria de me somar a onda de elogios! muito bom mesmo, sensível e inteligente. Parabéns!
Leandro
Parabéns, cara.
Muito bom... reflexões extremamente pertinentes, corajosas e bem colocadas.
Voltarei.
Tenho medo de quem não atualiza o blog na segunda-feira. Hahahaha!
Bjzzzz - de dentro da piscina!!!! Hahaha!
Esse ano não li nada tão perfeito como esse texto...brilhante.
abraços
Oi Rafa! Cheguei aqui através do blog da Borboleta. Adorei! Parabéns!
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