terça-feira, 23 de novembro de 2010

O que deve ser dito

Até onde se estende o afeto? Em dois meses aprendi muito sobre os limites do meu. Sempre fora explosivo, fogos de artifício, tão lindo e mobilizador quanto muito breve.

Em dois meses, descobri a alegria e o suportar estar junto. Um problema nos lábios dele me roubou seu beijo nos últimos quinze dias e com ele seu desejo. O meu estava aqui se agüentando firme, o que ardia não era a falta de seu corpo no meu, mas a dúvida. Ele quer passar mais tempo comigo, como eu quero com ele? O que afinal nós temos? O que não é uma mera questão de classificações, mas equivale a pensar sobre o quanto você se entrega.

A duras penas entendi que o máximo que se pode fazer é entender o que eu sinto, o que eu quero com ele e lhe dizer. Imaginar o mundo que é o outro é desbravar profundezas abissais, chegando a lugar algum e ser tragado de dúvida em dúvida, num mar infindo de suposições. O que se tem a fazer: Eu sinto assim. E esperar que como espada afiada, isto rompa a capa de mistério que envolve o outro.

No Sábado, pela primeira vez, desde o início não nos vimos, não nos falamos: torpedos. A minha medrosa afetividade teria se conformado assim. Mas algo em mim, e fora de mim em amigas queridas, disse: Há coisas que precisam ser ditas. Não se pode viver uma história e deixá-la suspensa em mensagens ambíguas, em projeções do que se acha que o outro quer dizer.

Domingo, se disse o que era necessário. Ele me quer na inexatidão do que temos. Eu o quero mais, e por isto, não sei se posso me contentar. Senti-me orgulhoso e quase triste. Pela dignidade e transparência com que tudo se deu e pela ausência que em algum pensamento furtivo me assalta: numa música, numa risada, em algum momento tolo vivido de maneira absurdamente gratificante com ele.

Continuar? Sinceramente não sei, o que me embalava ultimamente era o desejo de uma presença que eu pensava me querer em constância, o ocasional, talvez, e se frise bem este advérbio, não me baste.

13 comentários:

Unknown disse...

Nada melhor pra tirar as minhocas da cabeça do que uma conversa franca. Mas se você for pisciano, como yo, ah como a gente gosta de minhoca na cabeça...

Orgulhe-se, pois! E veja onde o "talvez" te leva.

FOXX disse...

então qr dizer q vc começa o texto reclamando q ele te quer mais do que vc quer ele, e termina reclamando q vc o quer mais do que ele te quer?

mesmo?

e vc acha q assim o problema ainda é ele?

(se sooei mto grosso, me desculpe, mas tow um tantinho revoltado com vc neste instante)

S.A.M disse...

Todo esse incomodo que voce sentiu quanto um dia que se fala apenas com as mensagens e tal é extremamente normal, quando as coisas saem do padrão é normal sentirmos assim.

Quanto a questão de presença e proximidade e expectativa, se não há essa sintonia de um com o outro a coisa realmente complica um pouco.

É bacana haver essa transparencia, como tu teve com ele, quando as coisas são ditas as claras, tudo fica mais facil de ser resolvido: não se engana, e se é possível se chega a um consenso.

Mas, pergunta: qual é a relevancia do que é bacana frente a 'nomeação' do que voces estão tendo?
Se ele for exclusivo a voce mesmo sem ser um 'namorado' isso não haveria tanto problema. O problema mesmo é a pessoa usar dessa suspensão pra andar por outras estradas ao mesmo tempo.

Beijao!

P.S.: Andei sumido pq descobri que vc nao tava nos meus preferidos :(

Rafael disse...

Não dou muito conta de deixar as coisas se apagarem lentamente, pelo menos não no primeiro momento, tenho tendências de deixar pensamentos e dúvidas me consumirem, por isso, se acho que as coisas tem jeito, costumo apelar pro "vamos conversar".

Sempre dá certo? CLaro que não, na verdade precisa de muito cuidado pra nao ser mal-interpretado, mas as vezes é melhor do que o silêncio.

Acho mesmo que não tem certo ou errado, escolhe um dos dois e arrisca pra ver se esse =/ sai da tua cara.

Shuzy disse...

Às vezes o que a gente cala é o que o outro mais quer ouvir!

Visão disse...

Como disse o Edu "veja onde o "talvez" te leva". Beijos

Edilson Cravo disse...

Sou a favor de deixar as coisas se guirem seu curso normal, ou acontecem ou não...assim é a vida, e que assim seja. Linda semana. Abraços.

Gui disse...

Acho que o Sam falou uma parada importante, de avaliar, de fato, a situação de vocês.

O nome, em si, significa tão pouco...o que importa é a relação que, de fato, vocês tem.

Beijão!

K. disse...

sinceramente? sobreviverá se não der certo... mas se não tentar...

é aquele velho clichê: melhor arrepender-se do que fez!

Luciana Nepomuceno disse...

Já dizia a Clarice, sempre tão sabida: viver ultrapassa todo entendimento. Então, né? Bola pra frente e é andando que se faz a estrada. Querer bem nunca precisou de batismo...pronto, todos os chavões eu já disse. Agora, fico por aqui te querendo bem, tá?

Antonio de Castro disse...

o sentimento de que era o texto de um adulto. sem as infantilidades que o "amor" nos dá.

e o clichê do K... faz todo sentido.

Lobo disse...

Cada um sabe o que pode suportar. Se o ocasional não te basta, então não basta. É triste, mas assim como certas coisas precisam ser ditas, certas coisas também precisam ser feitas.

Sorte ai Rafa.

Um beijo!

Wans disse...

Eu entendo o seu medo. È difícil quando nos entregamos e ficamos a mercê. Eu sinceramente não sei o que lhe dizer, mas espero que tudo dê certo e que vc seja muito feliz, Rafa.

bj