Não sei se pela alucinógena cafeína sorvida em goles colossais, pelo ritmo e a magia de Ella Fitzgerald que ainda ecoavam na minha cabeça, ou se por qualquer vertigem de um texto bem escrito lido aqui ou acolá. O fato é que se apodera de mim de novo uma súbita e idiota emoção por sentir-me simplesmente vivo.
Eu não estou num momento paradisíaco à beira de águas, ou vencendo uma encosta rochosa com a força nenhuma dos meus bíceps. Estou em frente ao computador, sentado, num dia de domingo nublado com a obrigação de visitar a avó de tarde e um gosto amargo na boca, não do café sem açúcar que adoro, mas do fato de ser ainda tão ridiculamente romântico.
Eu quero matar o romântico, estrangular o amor até sentir seu pescoço parar de pulsar sôfrego por entre meus dedos finos; concentrar a paixão toda em um só lugar, retirá-la dos suspiros, do sorriso fácil, dos braços que, espreguiçados, parecem atingir com facilidade o céu, antes, tão longe. Quero pôr a paixão toda e completamente no pau: rijo, intenso, decidido que se desfaz, no entanto, sem dor, sem esperança, sem amanhã, logo após satisfeito. Meu projeto afetivo agora é rir de sonhos a dois, destrinchar social e antropologicamente com mil argumentos a ideologia burguesa do amor romântico.
Acusar o amor de pretexto hollywoodiano para se vender ingressos de cinema e combos de pipoca e coca-cola. Mas no momento, tudo o que experimento agora é uma fisgada, iluminação, insight, ou princípio de caso psiquiátrico: estou vivo e há de se pagar um preço por isto.
8 comentários:
Gostei do seu estilo, da proposta e do contexto de crônicas de seu blog!
segurei seus passos!
Interessante sua forma sexual de se expressar, é quase tangível e é quase um orgasmo ler sua atitude extrema de se evidenciar nítido.
Gostando muito de te ler.
Rafa, eu também quero tudo isso...será que vem de presente de dia das mães?
"ideologia burguesa do amor romântico" - eu preciso que me explique o que é isso.
Obrigado pelas palavras...no "memoires".
Gosto muito de sua escrita, de suas ideias. Sempre que posso passo aqui, mas é uma pena que não faço isso todo dia. Ah, quanto a ler literatura ...eu estou como vc, o pós me matta com tantas leituras que não a que mais amo: a literária, a arte dos escritores como Guimarães Rosa bem o fez.
Uma braço,
P
sempre há uma opção, mas nem sempre ela é mais fácil... =)
Jura que me conta o segredo quando conseguir isso? Tô tentando a tanto tempo sem resultado...
Beijos!
Gente... adorei esse texto. Aliás, depois desse texto nem precisa de favores sexuais para ganhar a caneca... hahaha.. Hum... não... de ti até me interesso por algum favor desse tipo... hahahaha!!! Vacagalinha mode on! Hugzzzzzzz!!!
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