sábado, 10 de abril de 2010

O tal jogo de esconde-esconde

Há algum tempo atrás, durante a vigência do meu período ultra-romântico, eu pensava que duas pessoas se conheciam e que suas vidas, gostos e desejos se encaixavam como partes complementares de uma mesma engrenagem que deslizavam uma para a outra sob o efeito do óleo do amor (Não, nenhuma alusão ao KY please...)

Mas a verdade é que esta coisa toda afetiva é uma espécie de jogo: pode ser esconde-esconde, xadrez, no qual você calcula por antecipação várias jogadas do seu partner, ou um carteado qualquer cheio de coringas e blefes. Eu sempre prefiro jogar “Verdade ou conseqüência”, o que não é nada esperto da minha parte.

A questão é que todos os (poucos) namoros verdadeiramente incríveis que tive até agora começaram de forma incalculada, inesperada e a marca de todos eles foi a fluidez com que tudo foi se realizando. O desejo de estar junto sendo alimentado por mais desejo, horas longas passadas em minutos só por causa da companhia do outro, e uma experiência de que, apesar de todos os reveses que implica conviver intimamente com outro ser humano, valia a pena. Esta sensação eu não tenho há um bom tempo. E, apesar de parecer o contrário, não estou reclamando. Só não quero jogar, emitir sinais que gritam como frases em outdoor algo e no minuto seguinte, olhar pro cara como se ele fosse um estranho.

Uma coisa tenho aprendido: me resguardar. Pra que te conheçam, e logicamente, para você conhecer o outro, leva tempo. Existem mil expectativas iniciais que não se referem a você mesmo, mas ao papel que o outro espera que desempenhe alguém que entre na vida dele neste escaninho do “peguete”, “ficante”, “namorado”, ou “príncipe-encantado-metade-da-laranja-Uhuuu, achei!”. Até que ele te conheça de verdade, você é algo como uma projeção de tudo o que ele espera, deseja, teme, ou adora. Tem muito pouco a ver com o que você é. Por isto, seria injusto deixar que uma recusa, uma desistência, o popular pé-na-bunda passe a impressão de que diz algo verdadeiro sobre quem você é neste mundo complexo dos relacionamentos.

5 comentários:

JOÃO disse...

Certa vez destes "jogadores" me diz uma certa frase da qual nunca esqueci: Manda mais quem ama menos...

Leandro K. disse...

Como diria uma professora de francês: acaba a contradança, podemos passar à dança?

um pra lá, dois pra cá... ritmo. relacionamento depende disso, até os que estão começando... =)

mas concordo com tudo!

Vaca Jersey disse...

Acho válido... hehehe... e cá entre nós: adoro esse joguinho... esconde-esconde... morde-assopra... hahaha!!! HuGZ!

Paulo disse...

Adorei a parte do período ultra-romântico, haha! Também já fui assim, mas esse meu lado foi devidamente assassinado por um ex namorado traira...

Mas uma coisa não nego, sou jogador, praticamente um enxadrezista! Não tem nada que eu não faça prevendo os movimentos do outro, quais respostas esperar e ações à tomar. Tem horas que odeio isso em mim, quando rola o famoso "encosto" de Bette Davis e eu começo a calcular cada olhar, cada passo, cada ajeitada no topete, esperando uma reação do outro...

INC.MARCOS disse...
Este comentário foi removido pelo autor.