terça-feira, 21 de abril de 2009

Pessoal, bem pessoal


Tenho gostado imensamente da minha casa nos últimos tempos. Mudei-me efetivamente para cá há pouco. Antes ficava dividido entre a casa dos meus pais, durante a semana, por questões de proximidade do trabalho e de grana, e aqui, nos fins de semana. Mas, nesta época, este meu “aqui” era mais um dormitório, um porto de reabastecimento de sono e de alimento em meio às inúmeras saídas: para a casa de amigos, para a night, para o que der e viesse.
Agora não, tô mais quieto e estar em casa é uma delícia. Porque casa, lar não é o lugar físico em que se habita, mas uma experiência de estar à vontade, tranqüilo, na íntima convivência com você mesmo, com o que te faz bem, sem as pressões e os papéis que a a gente assume em outras instâncias da vida.
Não me sinto assim na casa dos meus pais, nem com eles de forma geral. Estou em casa com os amigos e, queria eu, com o amor. A verdade é que não tem sido simples abrir minha porta e deixar alguém entrar. Acho que não é um movimento natural meu me sentir à vontade com alguém, a não ser em raríssimas exceções. Tem em algo em se relacionar que me incomoda, que me diz toda hora o quanto é melhor estar só, e aí, de forma mais ou menos consciente, escolho isto e nada vai muito pra frente no campo afetivo.
Ontem saí com o E. de novo. Segundo encontro, primeiro a sós. A conversa foi boa, os beijos ótimos. O sexo, bem, pode ser melhor, mas nada que não possa progredir. Agora, durante a madrugada, enquanto ouvia sua respiração a meu lado, e, em meio ao lusco-fusco do quarto, adivinhava suas formas na cama, tive o enorme desejo de que ele acordasse àquela hora mesmo e fosse embora. Quis estar só, programar minha vida totalmente como tenho feito, sem precisar negociar nada. Estava no meu quarto, deitado em minha cama, mas não me sentia totalmente em casa. Será que isto significa que não é ele? Ou será que, de fato, eu tenho uma enorme dificuldade em me relacionar? Vou em frente mesmo diante desta estranheza, não porque precise ficar desesperadamente com ele, ou com alguém neste momento, mas porque se é uma reação freqüente minha este estranhamento, quero insistir um pouco, ver qual é. Eu pensei que fosse mais simples, que amar fosse algo nítido, claro e que se apaixonar fosse tão constitutivo meu quanto à amizade que devoto aos meus queridos. Ah, eu pensei sempre um monte de coisas.

7 comentários:

Gato de Cheshire disse...

É bem verdade que ter clareza acerca do que se deseja é algo muito menos simples do que aparenta... Mas meu querido, basta uma lida atenciosa no seu relato que a gente enxerga o obvio...
Sem querer ser piegas (acredite, não sou), mas levar alguém que vc estah saindo pela segunda vez (primeira sozinho), pra dentro da sua casa, do seu quarto, pra cima da sua cama... É meio complicado...
Leia bem, não estou falando simplesmente o sexo em si, afinal não tem nenhuma criança envolvida nisso, ambos são adultos, espero que vacinados e sabiam o que estavam fazendo .. Estou falando de algo muito além... De um corpo estranho num organismo. Você mesmo estabeleceu a relação clara entre sua casa e seu universo, apontando o qto de subjetividade existe na idéia de lar...
É a mesma coisa de ir pra um ponto de ônibus e contar a vida pra um desconhecido... Uma hora o sujeito vai pensar: Que porra é essa que eu to fazendo???

Mauri Boffil disse...

Nada como o lar (e como uma costela que nos tape do frio)

Anônimo disse...

Bem, eu adoro a sua casa, rs... Me senti tão à vontade aí, heheheeh

Quanto a essa sensação é o que te falei no msn.
Pode ser que passe ou não.
Deixe o barco ir...

FOXX disse...

gente
vc tá no segundo encontro e não quer sentir nenhuma estranheza ao lado do cara?
não acha que tá exigindo mta coisa pra pouco tempo não?

Gay Alpha disse...

Ah... nada como a casa da gente. Home sweet home!!! Hehehe!! E qto ao corpo ao lado... preocupante será quando ele trouxer a escova de dentes... até lá... aproveita: relaxa e goza!!!! Hehehe!!!!! Hugz!!!!

Fernando disse...

Vontade de mandar embora no meio da noite? Próximo da fila. Vamos por partes: concentre-se na adoração ao lar, concentre-se na sua adoração, concentre-se na adoração ao próximo, que não é esse.

E uma próxima dica: não confie nos meus conselhos. Pelos textos do meu blog você pode ver que não tô em condições de aconselhar ninguém em relacionamentos.

Venenoso disse...

meu lar está longe...mais 40 e tantos meses de carro pra pagar!
mas não tenho sentido vontade de morar com alguem... faz tempo!

bjo