quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ode a um amor

Eu quero a brasa ardente sobre a pele crua,
a dor do insuportável para sempre,
para o bem e para o mal marcada na mémória: da pele que se deu e assim, não pode mais voltar a si, sem estar também nela a memória do incandescente aguilhão
Nesta volúpia louca do que é a perdição de uma vida em outra, ao mesmo tempo em que se desconhece por inteiro a si mesmo, rasgando-se identidades, emerge o doce, o sutil e o próprio de si mesma.
Eu quero a marca em altas bordas sobre a pele entregue, a dor fina do não cicatrizado, do ainda aberto, do para sempre exposto, a paga do delito que é amar , de maneira insana, contra todos os bons modos, esgueirando-se sob tudo o que já se disse ou cantou sobre isso.
O amor só, entregue, perdido, louco que uiva pelos telhados da cidade em noite de gélida lua e se encontra ainda pelas manhãs nas mãos grossas dos que, pelos butiquins, lavam restos ordinários do amor em copos de requeijão.
A marca, a flor posta a ferro, o fogo que devora e machuca a pele em guerra até que consumida pelo inefável, descansa ou jaz morta e por isto serena, entregue àquilo de que não se pode, e não se quer escapar.

4 comentários:

Goiano disse...

ai amore
que post confuso... acho q entendi so a parte do amor louco q uiva nos telhados (febre da cachorra louca é?) e se entrega ao butiquins (heleninhaaaa)

ahhaha

bjos

Bruno disse...

Muito bom!
Eu andei querendo fogo e marcas e essas coisas. Hoje eu só quero paz, sossego e cafuné.

Anônimo disse...

Adoro pessoas apaixonadas!
É tão bom estar assim, né?

Ollie disse...

Voltei aqui, li de novo. Quase chorei de novo. Saudade não mata, não.
Queria entender por que, hoje em dia, é feio amar assim? As pessoas têm medo de algo tão grandioso, e o sufocam. E culpam as outras, que não o fazem.
Mas eu não abro mão, amigo. Não abro, não.