terça-feira, 12 de junho de 2012

Eu não gosto do Dia dos namorados

Acho uma bobagem só.

Um dia pra quem está namorando se lembrar de ser romântico, fazer coisas a dois que deixa em segundo ou terceiro plano no dia-a-dia da relação ou simplesmente poder se sentir um pouco melhor porque, apesar de tudo,não está sozinho, como tantos outros.

Um dia pra quem está solteiro, angustiar-se, entristecer-se e perguntar onde, quando, como, porque não deu certo ou, ao contrário, esbravejar aos quatro cantos o direito á solteirice, mostrar as inúmeras vantagens dessa e lutar contra a solteiricefobia de um mundo a dois onde parece que só se é alguém completo caso se estiver em par.

O meu amor eu celebro todo o dia e não preciso de data estipulada no calendário pra saber o quanto é bom acordar e dormir ao lado dele.

E acho uma bobagem essa idéia de que a gente precisa necessariamente de alguém romanticamente ligado a nós pra ser feliz. Paixão é ótimo, mas a vida vai além disso. Quando alguém pensa que se completará no outro, encontrará alívio e plenitude para tudo o que lhe falta na figura de um namorado(a) isso não se chama amor, baby, mas carência profunda.

Celebremos a vida.. a dois, a muitos, a sós... cada dia.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Cenas de um casamento

Cena 1

Terça, 21h44. Cozinha e área de serviço.

Eu: Môo, hoje não tem janta. Bora comer pizza?

Marido: Claro, Morzão.

Eu (já abrindo o congelador onde há 3 sabores de pizza): Cê quer de que?

Marido: Qualquer coisa. Escolhe aí.

(Tiro a opção 1 "Quatro queijos")

Marido: Ah não...

(Primeiro olhar - Aquele de canto de olho)

(Tiro a opção 2 - Frango com catupiry)

Marido: Ah, essa não...

(Olhar fulminante e bufada)

Eu: Tá me fazendo de palhaço é?!

Cena 2

Terça, meia-hora depois da cena 1. Sala de jantar

Marido: Vou comprar o óculos amanhã.

Eu: Humm... Escolhe um beeemmm bonito, Môo.

Marido: Pode deixar, eu tenho bom-gosto, afinal, casei com você.

Ôwnn...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sentido

Eu fico fazendo uso dessas substâncias. Eu preciso delas. Então, o café forte e sem açúcar a toda hora, a cerveja gelada pra descontrair, o vinho bom, toque de poesia e aconchego em noites nem tão frias. Insisto em chocolate quando o desânimo se faz, no suor da corrida escorrendo pelas costas como antítodo anti-stress. Sentir, provar, cheirar, o amargo e o doce me laçam ao instante, ao mundo, sem que me abandone à bruma inodora, insípida, incolor que ronda, dentro e fora e que se chama acaso, cansaço e vida.

Eu beijo só porque é bom, me esmero em temperos e condimentos, invento combinações, uso perfumes. Olho fachadas, folhas de árvores, pessoas. Pra mentir sobre a solidão que sei comigo e é bem-vinda, pra descobrir no mundo cores que contrastem com o cinza da morte que se insinua em quase tudo, pra guardar na memória laranjas de sol poente em fins de tarde perfeitos. Antítodo, reserva, a vida só: sem pensamento, decisão, projeto.

O gáudio instante do quente da pele sob o sol, do redemoinho do cabelo ao vento, de um som qualquer que de longe vem. A memória sensorial e cheia de afeto por cheiros, cores, sons. Uma espécie de salvação pelos sentidos.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Os céus se abriram e eu entendi!

Eu achei que fosse fraqueza ou uma espécie idiota de ingenuidade. Lutei contra isso em mim como pude, reputando-o à causas ancestrais: carências profundas, ausências de pai, alguma fixação paranóica de uma psiché não suficientemente desenvolvida. Tudo inútil e, então, me aceitei: Sou um otimista.

Sempre achei muito mais justificativas no pessimismo. As coisas não tem porque dar certo. Se pararmos pra pensar em qualquer situação, são tantas as variáveis que permeiam a realização de um simples ato que a nossa vontade ou nosso esforço é apenas o motor de arranque de qualquer coisa que, ao longo de sua trajetória, se colidirá com mil outras possibilidades e interferências. Tentei praticar esse pessimismo “científico”, sem resultados. Adotei então um pessimismo mais light, quase um pseudo-vai-dar-merda que eu chamaria de pessimismo metodológico. Você, lá no fundo, acha que vai dar certo, mas se prepara para o pior sempre, quando esse acontece, você já sabe e senão acontece, se alegra com o milagre inesperado.

Além de tudo, o otimismo é brega. Frases da Xuxa, o Segredo narrado por Ana Maria Braga e títulos como “Você pode mudar sua vida e perder 40kg” não são um convite a aderir à visão cor-se-rosa do mundo. para alguém minimamente inteligente. Nada como o pessimismo dos existencialistas franceses, esmagados sobre o peso de dar um sentido à vida, em cafés parisienses cheios de fumaça e álcool. Ou a cena não é mais atraente do que o apogeu do otimismo com serelepes cantoras de axé rebolando em cima de trios elétricos? Ai! Como eu gostaria de ser pessimista... Quer dizer, isso até ontem às 17h45.

Por que ontem, andando na rua, pensando em alguma coisa urgente e inútil, uma espécie de revelação me ocorreu. O otimista é, na verdade, um forte. Quantas vezes o otimista não quebra a cara? Quantas vezes suas expectativas não foram frustradas, seus sonhos espizinhados, seus desejos feitos motivos de escárnio pela vadia escrota que é a vida? E, no entanto, o otimista se refaz, levanta-se e segue crendo. E isso... é de uma força! O frágil acredita só um pouco, só uma vez e, aí, se cerca de todos os cuidados, os mais necessários e também os mais absurdos, para não ser tocado de novo pela vida. Seu pessimismo é uma inútil proteção. O que chora, esperneia, mas levanta e segue acreditando é o forte. Viva o otimismo! Isso é claro, apesar da Xuxa e da Ana Maria Braga, obviamente.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Espartanos, por Foxx


Todos nós que temos um blog, sabemos das palavras. De uma forma ou outra, com paixão mais evidente por elas, ou num romance discreto, as amamos. A primeira razão porque mantemos um blog é a crença de que palavras são capazes de nos revelar, podem construir mundos onde a realidade é estreita, podem criar laços.

Um livro é, no entanto, a expressão máxima da adoração às palavras. E escrever um é... não sei. Me escapa completamente o que seja. Pressinto a importância de, em palavras, desenhar imagens, mover músculos, prender a atenção, deliciar alguém num virar de página. "Autor" carrega pra mim um que de bruxo, de malabarista de circo e de avó gorda e de óculos, claro, sempre numa cadeira de balanço.

Por isso quando soube que Foxx escreveu um livro, foi uma espécie de choque. Conheço seu talento em brandir palavras como se espada fosse: cortar a realidade, fazer sangrar o dia, expor as vísceras ocultas das opiniões comuns. Leio seu blog há tempos. Mas um livro é outra coisa. Vi a capa, li as primeiras páginas no site que o comercializa. Ainda preciso pegá-lo, tê-lo nas mãos, cheirar a capa. E claro, comê-lo.


O muito pouco que li até agora me diz de um evento longínquo que se faz cotidiano, de personagens que sou eu, você, o Foxx, e tantos outros mais. As incipientes emoções que começo a advinhar na vida desses espartanos são as que me movem, as que me marcam, me dão prazer e causam dor. Enfim, uma dádiva, uma fina iguaria a ser sorvida com calma e encantamento.

Gostou? Então vai e compra

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Addicted

Deixou cair de suas mãos. Respirou fundo, espreguiçou-se como pôde largado ao sofá e parecia então que o bem-estar ia lhe tomando o corpo todo à medida em que o esticava. Ondas sucessivas de satisfação emanavam-se do peito à barriga, insinuavam um quase sorriso no rosto e coloriam o fim da tarde cinzenta de forma cálida e sutil.

Precisava daquilo. Experimentou num dia à toa, despreocupado e indiferente, por sugestão de amigos. Os mais interessantes faziam uso, alguns há tempos e estavam todos lá:lindos e felizes.

Pouco, muito pouco no início. Começou com o que havia em casa mesmo, depois o frisson da compra se tornou um plus delicioso, o início do barato. Daí, a necessidade de mais, vez por outra aquela espécie de êxtase. Uma vez mesmo no metrô. Parecia-lhe então que via para além das pessoas, por sobre as caras cansadas e as vidas óbvias, espaços infinitos, alturas impensáveis.

Se a vida era pouca, o dia ruim, o trabalho indigesto ou o amor só uma promessa vaga, fazia uso. Às vezes durante horas e tudo soava tão igual a princípio, porém melhor de uma forma difícil de explicar; como ali naquela tarde de feriado: cidade vazia, amigos em viagem e, no entanto, a mente cheia, fervilhante: graças ao uso, graças a ele: o livro.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

do Indicativo

Presente. Quem diria que na resposta habitual à professora, estaria a chave do enigma?

Presente. Na rua, a folha se desprende num doce bailado e pousa no chão de minhas adoráveis pedras portuguesas.

Presente. O espreguiçar gostoso de um dia todo ainda por fazer, a ânsia imediata por café quente e forte e, ao meu lado, você, ainda entregue, sempre entregue: ao sono, à vida, à coragem necessária pra ser.

Presente. Na ausência dos que me são próximos. Na voz, escrita, num sinal que vem de longe, na lembrança de quanto os amo.

Presente. O trabalho feito, o corpo cansado, a ausência de foco.

Presente. Na tarde que cai quase incógnita entre os grandes prédios, furtada por insulfilmes mil, quieta em meio aos gritos das buzinas.

Presente a mim, a ti, e a este mundo louco e belo.

Presente, que seja, eu seja, que sejamos