sexta-feira, 18 de maio de 2012
Espartanos, por Foxx
Todos nós que temos um blog, sabemos das palavras. De uma forma ou outra, com paixão mais evidente por elas, ou num romance discreto, as amamos. A primeira razão porque mantemos um blog é a crença de que palavras são capazes de nos revelar, podem construir mundos onde a realidade é estreita, podem criar laços.
Um livro é, no entanto, a expressão máxima da adoração às palavras. E escrever um é... não sei. Me escapa completamente o que seja. Pressinto a importância de, em palavras, desenhar imagens, mover músculos, prender a atenção, deliciar alguém num virar de página. "Autor" carrega pra mim um que de bruxo, de malabarista de circo e de avó gorda e de óculos, claro, sempre numa cadeira de balanço.
Por isso quando soube que Foxx escreveu um livro, foi uma espécie de choque. Conheço seu talento em brandir palavras como se espada fosse: cortar a realidade, fazer sangrar o dia, expor as vísceras ocultas das opiniões comuns. Leio seu blog há tempos. Mas um livro é outra coisa. Vi a capa, li as primeiras páginas no site que o comercializa. Ainda preciso pegá-lo, tê-lo nas mãos, cheirar a capa. E claro, comê-lo.
O muito pouco que li até agora me diz de um evento longínquo que se faz cotidiano, de personagens que sou eu, você, o Foxx, e tantos outros mais. As incipientes emoções que começo a advinhar na vida desses espartanos são as que me movem, as que me marcam, me dão prazer e causam dor. Enfim, uma dádiva, uma fina iguaria a ser sorvida com calma e encantamento.
Gostou? Então vai lá e compra
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Addicted
Deixou cair de suas mãos. Respirou fundo, espreguiçou-se como pôde largado ao sofá e parecia então que o bem-estar ia lhe tomando o corpo todo à medida em que o esticava. Ondas sucessivas de satisfação emanavam-se do peito à barriga, insinuavam um quase sorriso no rosto e coloriam o fim da tarde cinzenta de forma cálida e sutil.
Precisava daquilo. Experimentou num dia à toa, despreocupado e indiferente, por sugestão de amigos. Os mais interessantes faziam uso, alguns há tempos e estavam todos lá:lindos e felizes.
Pouco, muito pouco no início. Começou com o que havia em casa mesmo, depois o frisson da compra se tornou um plus delicioso, o início do barato. Daí, a necessidade de mais, vez por outra aquela espécie de êxtase. Uma vez mesmo no metrô. Parecia-lhe então que via para além das pessoas, por sobre as caras cansadas e as vidas óbvias, espaços infinitos, alturas impensáveis.
Se a vida era pouca, o dia ruim, o trabalho indigesto ou o amor só uma promessa vaga, fazia uso. Às vezes durante horas e tudo soava tão igual a princípio, porém melhor de uma forma difícil de explicar; como ali naquela tarde de feriado: cidade vazia, amigos em viagem e, no entanto, a mente cheia, fervilhante: graças ao uso, graças a ele: o livro.
Precisava daquilo. Experimentou num dia à toa, despreocupado e indiferente, por sugestão de amigos. Os mais interessantes faziam uso, alguns há tempos e estavam todos lá:lindos e felizes.
Pouco, muito pouco no início. Começou com o que havia em casa mesmo, depois o frisson da compra se tornou um plus delicioso, o início do barato. Daí, a necessidade de mais, vez por outra aquela espécie de êxtase. Uma vez mesmo no metrô. Parecia-lhe então que via para além das pessoas, por sobre as caras cansadas e as vidas óbvias, espaços infinitos, alturas impensáveis.
Se a vida era pouca, o dia ruim, o trabalho indigesto ou o amor só uma promessa vaga, fazia uso. Às vezes durante horas e tudo soava tão igual a princípio, porém melhor de uma forma difícil de explicar; como ali naquela tarde de feriado: cidade vazia, amigos em viagem e, no entanto, a mente cheia, fervilhante: graças ao uso, graças a ele: o livro.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
do Indicativo
Presente. Quem diria que na resposta habitual à professora, estaria a chave do enigma?
Presente. Na rua, a folha se desprende num doce bailado e pousa no chão de minhas adoráveis pedras portuguesas.
Presente. O espreguiçar gostoso de um dia todo ainda por fazer, a ânsia imediata por café quente e forte e, ao meu lado, você, ainda entregue, sempre entregue: ao sono, à vida, à coragem necessária pra ser.
Presente. Na ausência dos que me são próximos. Na voz, escrita, num sinal que vem de longe, na lembrança de quanto os amo.
Presente. O trabalho feito, o corpo cansado, a ausência de foco.
Presente. Na tarde que cai quase incógnita entre os grandes prédios, furtada por insulfilmes mil, quieta em meio aos gritos das buzinas.
Presente a mim, a ti, e a este mundo louco e belo.
Presente, que seja, eu seja, que sejamos
Presente. Na rua, a folha se desprende num doce bailado e pousa no chão de minhas adoráveis pedras portuguesas.
Presente. O espreguiçar gostoso de um dia todo ainda por fazer, a ânsia imediata por café quente e forte e, ao meu lado, você, ainda entregue, sempre entregue: ao sono, à vida, à coragem necessária pra ser.
Presente. Na ausência dos que me são próximos. Na voz, escrita, num sinal que vem de longe, na lembrança de quanto os amo.
Presente. O trabalho feito, o corpo cansado, a ausência de foco.
Presente. Na tarde que cai quase incógnita entre os grandes prédios, furtada por insulfilmes mil, quieta em meio aos gritos das buzinas.
Presente a mim, a ti, e a este mundo louco e belo.
Presente, que seja, eu seja, que sejamos
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Vivo e bem , na maior parte do tempo
Queridos e Queridas de Blogsville,
Só pra dizer que tô bem, mesmo. Minha inspiração pra escrever aqui, muitas vezes, é o fino de um sentimento, algo que só se insinua e escapa. Mas eu agarro aquela sombra do quase-sentir e finjo que é o todo de mim. Palavras são uma hipérbole da verdade aqui nesse cantinho e eu sou um mentiroso, metido a poeta.
P.S. Peguei um freela enorme... mas tô acabando. Já volto aos blogs queridos.
domingo, 6 de maio de 2012
...
A raspa, os restos de cristianismo em putrefação pendentes das arestas de mim, insistem em dizer que é aprendizado, ensaio pro que virá. Em meios às névoas e clarões sobressaltados de vida e morte cotidiana, insinua um sentido, o sentido. Mas eu não ouço. Calo-me bebendo. E na minha taça, o vinho espesso é também amargo. Finjo que só os fortes podem sorvê-lo, mas não. Sou frágil, quebradiço, natimorto nesse mundo de luzes infindáveis e pessoas que tudo sabem. Não adoço mais o viscoso líquido que desce agarrando-se à minha garganta, quase num sufocamento, mão rubra e densa enfiando-se por minha goela abaixo. Falta-me o ar, meus olhos enchem-se, um aperto lá, onde uma vez pulsou qualquer coisa de nome besta como "coração". E, no entanto, continuo. Vivo; só o novo morreu. A possibilidade de uma redenção qualquer, a fé em alguma forma de começo. Em minha mão, a taça. Outro gole.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Mel-ancolia
Névoa quase imperceptível enquanto se faz a vida no dia-a-dia. Apenas um sintoma bobo aqui e ali: certo pesar entre coisas tão cotidianas, um amargo no canto da boca, um "E se" quando o pensamento escapa da sua obrigação de dar conta das tarefas de sempre.
Quando se é metido a pensador, a saber-se, logo escrutinamos todas as possibilidades para este sentimentozinho tão fino porém insistente. E com facilidade se acham razões muito boas. Explica-se a melancolia e então ela some... por um minuto ou dois.
Espécie de sentido interno aflorado. Você se comporta como de costume, interage bem com as pessoas, mas tudo isto é experimentado como exterior, como camadas epidérmicas deste núcleo morno e pastoso que de fato se é. Uma dimensão para além do que se pode comunicar, que não se entrega ao pensamento lógico coerente, à solução mágica da causa-efeito.
é o danado do sentir.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Curte aí
Goffman iria adorar o Facebook. Fico imaginando os 15 volumaços sobre o tema que iria escrever. A obra que, de fato, ele chegou a escrever, A representação do eu na vida cotidiana, versa sobre a interação social a partir de papéis simbólicos desempenhados pelas pessoas que interagem e que, em linhas gerais são determinados em suas possibilidades pela sociedade.
Na relação cliente-empregado, marido-mulher as possibilidades de interação são dadas pelo estatuto da sociedade, do grupo social, da época em que tais papéis são desempenhados, cabendo aos indivíduos interpretá-los, mais ou menos conscientemente, a partir deste repertório disponível.
No FB a gente só pode ser feliz. Esta semana duas queridas amigas postaram coisas que mereceriam um comentário animador e depois, um telefonema e um bom abraço real o quanto antes. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que um monte de gente havia "curtido" aquele status?! "Estou mal", "A vida não vale a pena", se eu postar isto, as pessoas vão curtir?!
O fato de só haver, pelo menos "oficialmente", um botão que não seja o "comentar/compartilhar" e que a função deste seja justamente "curtir" me parece uma mensagem bastante clara. Aqui é o reino das Happiest faces ever, por isto, esconda sua tristeza, vá cuidar de seus problemas sozinho, não incomode as pessoas com sua dor. Ficar triste, vez por outra, não é de bom tom, não é educado, as pessoas não precisam saber, mesmo que, graças a outro recurso do site, eu possa determinar quem lerá aquela minha publicação.
O FB é o retrato fiel da nossa sociedade: Além de ser magro, lindo e loiro, há de se ser feliz, sempre. Tristeza é brega, uma coisa assim tão 1998. Vá dançar um pouco de axé, fazer uma comprinha ou ler um bom livro que te dê o segredo do universo e o sentido da vida por R$ 42,99.
E viva o Fakebook!
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