Se joga, bunnniiiitaa!!!
Ótimo finde, povo querido de Blogsville.
sexta-feira, 9 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
O amargo e o doce
Ouvi uma vez que, de certo modo, todos nós sobrevivemos à infância. E acredito nisto. Grande parta da minha vida até os vinte e oito foi sentindo-me um outsider, alguém que, simplesmente não se encaixava. E isso era amargo e triste. Hoje acho ótimo, celebro certa estranheza e acho o tal do “não se encaixar” uma das coisas mais saudáveis na vida de um ser humano.
Há medo, mágoa e fragilidades em mim que foram terminantemente negadas, exorcizadas, maquiadas de todas as formas durante anos. E agora, eu as abraço. Dizendo a mim mesmo que ficará tudo bem, que sou forte, que os eventuais dias ruins não são os primeiros e nem serão os últimos. Eu agora posso fazer isto. Antes não, antes de uma certa maturidade adquirida, ninguém pode. Devem ser outros a nos envolver e acalentar em seus braços. E isso eu não tive.
Não cobro, não baseio minha relação com ninguém a partir disto. Simplesmente os tenho próximos, mas na teia mais íntima das minhas relações devo reconhecer que eles não estão. Sei que me amam à sua maneira. Sei para que e de que forma posso contar com eles, mas há uma gap afetivo que dá o tom na forma como convivemos.
Para mim há duas compreensões esclarecedoras: Não há culpados, o que significa que eu não sou responsável pela situação, idéia que me acompanhou boa parte da infância e adolescência; e eu posso, agora cuidar de mim e contar com o afeto daqueles que me amam, porque a gente cresce e passa a ter vida própria e não apenas o reflexo da forma como se é ou não amado no início de tudo.
Mas ainda é perturbador ouvir que, na infância, foi recomendado que me levassem a um psicólogo num momento bastante delicado da vida e que após algumas visitas, o tratamento foi interrompido porque era caro. Na hora, eu disse um “deixa para lá, faz tanto tempo”. Mas a pergunta que ficou na minha cabeça foi “E quantas vezes vocês trocaram de carro neste mesmo período?”.
Há medo, mágoa e fragilidades em mim que foram terminantemente negadas, exorcizadas, maquiadas de todas as formas durante anos. E agora, eu as abraço. Dizendo a mim mesmo que ficará tudo bem, que sou forte, que os eventuais dias ruins não são os primeiros e nem serão os últimos. Eu agora posso fazer isto. Antes não, antes de uma certa maturidade adquirida, ninguém pode. Devem ser outros a nos envolver e acalentar em seus braços. E isso eu não tive.
Não cobro, não baseio minha relação com ninguém a partir disto. Simplesmente os tenho próximos, mas na teia mais íntima das minhas relações devo reconhecer que eles não estão. Sei que me amam à sua maneira. Sei para que e de que forma posso contar com eles, mas há uma gap afetivo que dá o tom na forma como convivemos.
Para mim há duas compreensões esclarecedoras: Não há culpados, o que significa que eu não sou responsável pela situação, idéia que me acompanhou boa parte da infância e adolescência; e eu posso, agora cuidar de mim e contar com o afeto daqueles que me amam, porque a gente cresce e passa a ter vida própria e não apenas o reflexo da forma como se é ou não amado no início de tudo.
Mas ainda é perturbador ouvir que, na infância, foi recomendado que me levassem a um psicólogo num momento bastante delicado da vida e que após algumas visitas, o tratamento foi interrompido porque era caro. Na hora, eu disse um “deixa para lá, faz tanto tempo”. Mas a pergunta que ficou na minha cabeça foi “E quantas vezes vocês trocaram de carro neste mesmo período?”.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Aiai...
AVISO: CÍNICOS E DIABÉTICOS NÃO LEIAM O POST ABAIXO - ELE É DOCE E MELADO :)
A verdade é que eu estou morrendo de saudades.
Sinto falta de coisas que eu nem sabia que conhecia de você: a maneira como você me olha concentrado quando fala algo importante, esta preguiça matinal que nunca te deixa levantar na hora do despertador, a forma como sinto teus braços ao meu redor quando, distraído, estou na cozinha preparando nosso jantar.
Eu quero que você volte para nunca acordarmos cedo nos finais de semana, permanecer na cama horas e horas depois que despertarmos, variando o peso de um sobre o do outro, agarrados num aconchego que nunca se finda.
Eu quero ouvir sua chave na porta e te ver lindo, de roupa social chegando do trabalho de novo. Suas múltiplas reclamações sobre o calor infernal que faz nesta cidade. Ter a geladeira sempre cheia da cerveja que você nunca deixa faltar.
Quero ficar meio brabo com sua mania de pôr pimenta em qualquer prato e quero que celebremos, com abraços e beijos, seus bolos cada vez mais gostosos.
Quero nossas noites animadas pelo shuffle de incrível bom gosto do Ipod mágico, e me zangar quando você sempre pula Antony and the johnsons
Quero afundar minha cabeça em seu peito quando tudo vai mal e sorver a cura de dias péssimos da sua língua quente e doce. Ir dormir feliz porque tenho, ao meu lado, o amor.
Eu quero você. Volta logo, porra! (rsrs...)
A verdade é que eu estou morrendo de saudades.
Sinto falta de coisas que eu nem sabia que conhecia de você: a maneira como você me olha concentrado quando fala algo importante, esta preguiça matinal que nunca te deixa levantar na hora do despertador, a forma como sinto teus braços ao meu redor quando, distraído, estou na cozinha preparando nosso jantar.
Eu quero que você volte para nunca acordarmos cedo nos finais de semana, permanecer na cama horas e horas depois que despertarmos, variando o peso de um sobre o do outro, agarrados num aconchego que nunca se finda.
Eu quero ouvir sua chave na porta e te ver lindo, de roupa social chegando do trabalho de novo. Suas múltiplas reclamações sobre o calor infernal que faz nesta cidade. Ter a geladeira sempre cheia da cerveja que você nunca deixa faltar.
Quero ficar meio brabo com sua mania de pôr pimenta em qualquer prato e quero que celebremos, com abraços e beijos, seus bolos cada vez mais gostosos.
Quero nossas noites animadas pelo shuffle de incrível bom gosto do Ipod mágico, e me zangar quando você sempre pula Antony and the johnsons
Quero afundar minha cabeça em seu peito quando tudo vai mal e sorver a cura de dias péssimos da sua língua quente e doce. Ir dormir feliz porque tenho, ao meu lado, o amor.
Eu quero você. Volta logo, porra! (rsrs...)
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Palavras são só palavras
Escrever é um embuste. Porque se procura a palavra como se buscasse a partícula imaterial que desse sentido a tudo. Como se a palavra dissesse o querer, o penar, fosse o cristal perfeito onde brilha a alegria e a nota última, pendente no fim de toda a melodia amarga que é a tristeza.
Procuramos as palavras como se houvesse vida nelas mesmas, palavras que nos curem, arrebatem, transformem a nossa existência. Como se o escritor fosse um bruxo, sacerdote mágico de infinitos poderes e não um colecionador de tatis-bitatis.
A palavra é uma mentira, sua composição é fácil, onomatopéias primitivas sobre as quais se constroem sentidos. E, no entanto, se não há palavras, não vejo, não ouço, não sou.
Ainda procuro a palavra, aquela que me diga, me mostre ao outro e no qual eu possa, finalmente, saber o mundo como entregue e óbvio. Talvez esta não exista. Mas há: comichão, arenito, dendê, quiçá. E elas salvam o meu dia. Se monótono com horas se arrastando em rotinas de trabalho que ameaçam dissolver-me em tédio, eu ponho no meio de uma frase qualquer: quiçá. E sinto, de imediato, uma alegriazinha ordinária serpentear aqui dentro. É quase tão boa quanto o meu amor de criança: ornitorrinco. Tem coisa mais divertida do que or-ni-tor-rinco?
Procuramos as palavras como se houvesse vida nelas mesmas, palavras que nos curem, arrebatem, transformem a nossa existência. Como se o escritor fosse um bruxo, sacerdote mágico de infinitos poderes e não um colecionador de tatis-bitatis.
A palavra é uma mentira, sua composição é fácil, onomatopéias primitivas sobre as quais se constroem sentidos. E, no entanto, se não há palavras, não vejo, não ouço, não sou.
Ainda procuro a palavra, aquela que me diga, me mostre ao outro e no qual eu possa, finalmente, saber o mundo como entregue e óbvio. Talvez esta não exista. Mas há: comichão, arenito, dendê, quiçá. E elas salvam o meu dia. Se monótono com horas se arrastando em rotinas de trabalho que ameaçam dissolver-me em tédio, eu ponho no meio de uma frase qualquer: quiçá. E sinto, de imediato, uma alegriazinha ordinária serpentear aqui dentro. É quase tão boa quanto o meu amor de criança: ornitorrinco. Tem coisa mais divertida do que or-ni-tor-rinco?
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
O amor é uma coisa assim... ridícula
Eu me considero um pós-moderno. Entendo a gênese capitalista da obsessão pela monogamia no Ocidente, compreendo que quanto menos se importar modelos prontos, melhor será a relação. Cada casal deve, com tato e verdade, ir plasmando o que são junto um ao outro. Por isto sou contra a dissolução do ¨eu" em qualquer tipo de "nós". Há de ser "eu" "tu-outro eu" e então o que somos unidos.
Foi por isto que encarei tranquilamente a viagem de férias do marido. Ele lá 15 dias na Europa e eu aqui trabalhando e estudando, como de costume. Pensei ser bom para o cultivo das individualidades, para arejar a relação, achei maduro e chique.
Hoje é o dia da viagem e no último telefonema, ele já a caminho do aeroporto e eu da faculdade, houve um clarão que passou direto pelas minhas convicções, um estrondo lá no fundo desta coisa amorfa e quente que chamamos afeto: 15 dias sem ele.
Na sala a colega me pergunta se eu li o texto sobre a crise da cultura contemporânea. Eu viro para trás. os olhos cheios, e respondo:
-Sim. A Pós-modernidade é uma merda!
Foi por isto que encarei tranquilamente a viagem de férias do marido. Ele lá 15 dias na Europa e eu aqui trabalhando e estudando, como de costume. Pensei ser bom para o cultivo das individualidades, para arejar a relação, achei maduro e chique.
Hoje é o dia da viagem e no último telefonema, ele já a caminho do aeroporto e eu da faculdade, houve um clarão que passou direto pelas minhas convicções, um estrondo lá no fundo desta coisa amorfa e quente que chamamos afeto: 15 dias sem ele.
Na sala a colega me pergunta se eu li o texto sobre a crise da cultura contemporânea. Eu viro para trás. os olhos cheios, e respondo:
-Sim. A Pós-modernidade é uma merda!
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Pela Espada e pela Palavra
Estamos vivendo no Brasil o despertar político da luta pela cidadania gay. A questão do reconhecimento dos direitos sexuais que se inscreve no hall de direitos humanos em qualquer nação que se queira democrática e minimamente herdeira dos ideais da Revolução Francesa - liberdade, igualdade e fratarenidade – suscita paixões arrebatadoras, contra e a favor.
Conseguimos importantes vitórias no Judiciário, no âmbito estadual, aqui no Rio, temos leis para coibir a homofobia, mas nos falta ainda uma legislação nacional que mostre que o país está cumprindo de fato seu papel para com seus cidadãos homossexuais: garantir, mesmo que por leis específicas para grupos discriminados, a igualdade de oportunidades para todos.
Temos a nosso favor o fato de que, cada vez mais, a sociedade entende que a homossexualidade não é uma questão moral, que, de per si, a orientação sexual não define caráter ou sanidade mental. E contra nós os conservadores, dentre os quais os mais aguerridos são os religiosos porque entendem que a homossexualidade vai de encontro à própria criação. E se nós contamos com a crescente aprovação social para que cada um viva a sua vida amando quem se queira, os religiosos homofóbicos tem uma coesão política-ideológica nem sonhada por nós gays, e o neo-pentecostalismo cresce cada vez mais no Brasil.
Os dois parágrafos anteriores foram estruturados em termos de “Eles x Nós”. Esta polarização rompe qualquer possibilidade de procurar um terreno comum a partir do qual se possa dialogar; nos predispõe para a batalha, vendo no “outro” apenas o inimigo a ser subjugado.
Sem dúvida alguma este enfrentamento político, ideológico se faz necessário muitas vezes, e quiçá tivéssemos mais pessoas preparadas e dispostas a realizá-lo. No entanto, é igualmente necessário gente capaz de construir pontes, ainda que frágeis, temerárias, num trabalho insistente e delicado. Conheço religiosos, católicos e evangélicos assim. São como que o fermento que não pressiona “de fora”, mas faz crescer a partir do interior.
Eu não tenho mais paciência, saco, vontade para esta missão, mas peço na minha quase-ainda-fé: Que deus abençoe estes corajosos!
Conseguimos importantes vitórias no Judiciário, no âmbito estadual, aqui no Rio, temos leis para coibir a homofobia, mas nos falta ainda uma legislação nacional que mostre que o país está cumprindo de fato seu papel para com seus cidadãos homossexuais: garantir, mesmo que por leis específicas para grupos discriminados, a igualdade de oportunidades para todos.
Temos a nosso favor o fato de que, cada vez mais, a sociedade entende que a homossexualidade não é uma questão moral, que, de per si, a orientação sexual não define caráter ou sanidade mental. E contra nós os conservadores, dentre os quais os mais aguerridos são os religiosos porque entendem que a homossexualidade vai de encontro à própria criação. E se nós contamos com a crescente aprovação social para que cada um viva a sua vida amando quem se queira, os religiosos homofóbicos tem uma coesão política-ideológica nem sonhada por nós gays, e o neo-pentecostalismo cresce cada vez mais no Brasil.
Os dois parágrafos anteriores foram estruturados em termos de “Eles x Nós”. Esta polarização rompe qualquer possibilidade de procurar um terreno comum a partir do qual se possa dialogar; nos predispõe para a batalha, vendo no “outro” apenas o inimigo a ser subjugado.
Sem dúvida alguma este enfrentamento político, ideológico se faz necessário muitas vezes, e quiçá tivéssemos mais pessoas preparadas e dispostas a realizá-lo. No entanto, é igualmente necessário gente capaz de construir pontes, ainda que frágeis, temerárias, num trabalho insistente e delicado. Conheço religiosos, católicos e evangélicos assim. São como que o fermento que não pressiona “de fora”, mas faz crescer a partir do interior.
Eu não tenho mais paciência, saco, vontade para esta missão, mas peço na minha quase-ainda-fé: Que deus abençoe estes corajosos!
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