Resiliência – Capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas (Wikipédia)
È isto de que boa parte das minorias são feitas. Para existir, o que por si só já é resistir, num mundo com padrões rígidos de ser aos quais você não satisfaz, por um motivo ou outro, ou por quase todos, é preciso resiliência.
E isto fica absolutamente claro através da celebração das “filhas da chiquita”. A festa surgiu em 1975 no bojo da maior manifestação religiosa do norte do Brasil, o Círio de Nazaré que atrai cerca de 2.000.000 de pessoas em Outubro.
Este contexto é interessantíssimo. O mais importante evento gay de Belém do Pará nasce em simbiose total com a festa católica mais tradicional da região. Espera-se a imagem da santa ser transladada até a Igreja da Sé e depois no meio deste percurso acontece a festa. Há shows de drag, música e muito, muito fervo.
Eu conhecia esta história por alto, mas ontem vi o ótimo documentário “As filhas da Chiquita” (Direção: Priscilla Brasil. 2006). O filme retrata muito bem esta interseção entra as duas festas e a maneira como cada um dos respectivos organizadores lida com esta confluência de motivos, pessoas e rituais tão díspares.
O discurso da Igreja é o óbvio lulante e não poderia ser outro a partir dos personagens escolhidos para representá-la: um padre com cara de infeliz que repete todos os bordões de uma teologia rasa contra a homossexualidade e uma senhorinha fofa de cabelos quase azuis que diz que um assassino merece mais perdão do que um homossexual.
A fala das “chiquitas” é bem mais interessante. Mostra como cada um, e muitos se afirmavam devotos, ressignificou a pertença religiosa para além da questão da culpa pela homossexualidade. Mais do que isso, desde que esta é entendida como algo intrínseco, vivê-la é de algum modo respeitar a sua natureza e, assim sendo, ser autêntico, verdadeiro, valores morais positivos diante de Deus.
O documentário, rapidamente, conversa com gente simples sentado num bar. Um diz que a homossexualidade é algo estranho à cultura cabocla, indígena da região, uma espécie de contágio que viria do “sul”, das novelas a que os companheiros de mesa logo desdizem; um senhor faz mesmo um discurso bastante libertário sobre o que, nós “do sul”, chamamos de “direitos individuais”. O que mais me chamou atenção nesta sequência, no entanto foi o uso tranqüilo, plenamente incorporado ao discurso, do termo “gay”. Não deixou de me causar certo fascínio pensar que tal termo foi incorporado à homossexualidade nos E.U.A. como uma forma de positivar a experiência de ser homossexual e foi se propagando por meio da militância e setores mais engajados com esta mesma finalidade, chegando até uma mesa de bar bem simples em Belém do Pará.
É o “mestre de cerimônias” da festa das filhas da Chuiquita, no entanto, que nos dá a forma mais feliz de entender a relação entre estas duas festas. Uma imagem que sai cheia de flores, com um manto todo trabalhado na pedraria tinha mesmo que inspirar uma festa gay. E eu acrescentaria: que é conduzida num carro puxado por um bando de homens se roçando uns aos outros para segurar a corda. Ok, talvez a melhor frase mesmo seja a da Miss “Chiquita 2006”, uma drag pobre e descabelada que no seu agradecimento disse cinco frases incompreensíveis, no meio das quais soltou esta: “Nasci feia. Porque quando eu nasci, a beleza tava de férias”.
Fiquei pensando também se apesar de ser um grande fervo a festa das chiquitas não é por si só a manifestação gay política mais significativa do Norte. Existir e se mostrar em praça pública, no evento sagrado e sério do Círio, talvez seja maior do que qualquer manifestação sisuda e cheia de cartazes.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Na tela da TV, no meio deste povo, a gente vai se ver...#NOT
Há uns anos atrás, recém-saído da vida religiosa, o que eu mais queria era folia, confete e serpentina e, claro, bocas, muitas. Carnaval era época de complexas estratégias para realizar meus planos de sair de um bloco e imediatamente cair em outro. Começava cedinho no, então, bucólico “Céu na terra”, em Santa Tereza no qual os músicos tocavam no bondinho e terminava o dia, ou começava a madruga, em alguma coisa mega populosa como a Banda de Ipanema.
Com o passar do tempo fui restringindo o meu carnaval à interesses exclusivamente acadêmicos, digamos assim, pesquisa antropológica. Meu programa de então era o mal-falado, com toda a razão, baile de carnaval gay de Gafieira centenária chamada “Elite”, no centro do Rio. Local super tradicional durante o ano todo que resolve descolar algum money em cima das bibas no carnaval. É um salão velho, sem ar condicionado, com mil e quinhentos cafuçus se espremendo sem camisa, e tantos mais admiradores do tipo, embalados por marchinhas carnavalescas de priscas eras. O chão de madeira treme como se um terremoto estivesse prestes a começar, a sorte é que a gafieira funciona no segundo andar de um casarão e, no térreo do mesmo, há uma funerária, o que me dava uma espécie de paz sempre que eu lembrava disto. Pensando bem, quem liga? Com samba, suor e cafuçus que o mundo se exploda.
Pois bem, neste carnaval tudo o que eu quero é a trilha sonora, a tranqüilidade e o não ziriguidum do conforto do meu lar. Que sejam alegres bem longe de mim. Deixem-me com meus livros, filmes e amigos anti-foliões como eu. Marido disse que gosta de um bloco ou outro, pois que vá com seus amigos fervidos, né não?
O problema é que o carnaval é algo de que, muitas vezes, não se pode escapar. De alguma forma, numa força coerciva absurdamente penetrante ele acaba na sua sala, nos seus ouvidos, rasgando seu descanso anti-folia. São amigos bêbados que te telefonam de blocos barulhentos, sua mão que te liga para dizer como a Portela está linda este ano, jatos de serpentina que te pegam desprevenido enquanto se vai comprar dois pães franceses e um croissant.
Domingo passado, por exemplo, que nem carnaval era, saímos eu e marido para ir ao cinema Odeon, há dez minutos de casa pensando em tomar um café e ver “Millenium: O homem que não amava as mulheres” e no meio do caminho havia o bloco da Preta Gil. Chegamos atrasados no cinema, não tomamos o café – tudo fechado – e eu, cheiroso e limpinho, passei maus-bocados no meio de um povo xexelento, mal-lavado e bêbado...
Aff.. “O carnaval é um verdadeiro matadouro para uma pessoa phynnah”
Com o passar do tempo fui restringindo o meu carnaval à interesses exclusivamente acadêmicos, digamos assim, pesquisa antropológica. Meu programa de então era o mal-falado, com toda a razão, baile de carnaval gay de Gafieira centenária chamada “Elite”, no centro do Rio. Local super tradicional durante o ano todo que resolve descolar algum money em cima das bibas no carnaval. É um salão velho, sem ar condicionado, com mil e quinhentos cafuçus se espremendo sem camisa, e tantos mais admiradores do tipo, embalados por marchinhas carnavalescas de priscas eras. O chão de madeira treme como se um terremoto estivesse prestes a começar, a sorte é que a gafieira funciona no segundo andar de um casarão e, no térreo do mesmo, há uma funerária, o que me dava uma espécie de paz sempre que eu lembrava disto. Pensando bem, quem liga? Com samba, suor e cafuçus que o mundo se exploda.
Pois bem, neste carnaval tudo o que eu quero é a trilha sonora, a tranqüilidade e o não ziriguidum do conforto do meu lar. Que sejam alegres bem longe de mim. Deixem-me com meus livros, filmes e amigos anti-foliões como eu. Marido disse que gosta de um bloco ou outro, pois que vá com seus amigos fervidos, né não?
O problema é que o carnaval é algo de que, muitas vezes, não se pode escapar. De alguma forma, numa força coerciva absurdamente penetrante ele acaba na sua sala, nos seus ouvidos, rasgando seu descanso anti-folia. São amigos bêbados que te telefonam de blocos barulhentos, sua mão que te liga para dizer como a Portela está linda este ano, jatos de serpentina que te pegam desprevenido enquanto se vai comprar dois pães franceses e um croissant.
Domingo passado, por exemplo, que nem carnaval era, saímos eu e marido para ir ao cinema Odeon, há dez minutos de casa pensando em tomar um café e ver “Millenium: O homem que não amava as mulheres” e no meio do caminho havia o bloco da Preta Gil. Chegamos atrasados no cinema, não tomamos o café – tudo fechado – e eu, cheiroso e limpinho, passei maus-bocados no meio de um povo xexelento, mal-lavado e bêbado...
Aff.. “O carnaval é um verdadeiro matadouro para uma pessoa phynnah”
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Cena carioca
6h15. Você bota o pé fora de casa já no ritmo da música que pulsa no seu ipod. Os primeiros metros são vencidos desviando-se de pedestres, gente parada no ponto de ônibus, trabalhadores com pesados carrinhos de mão. Finalmente diante de você, só o calçadão quase livre que se estende pra lá dos arcos da Lapa. Uma única mesa do bar "Só kana" ainda resiste aos primeiros raios da manhã. Três senhoras. Quase desisto da corrida, ao passar por elas e ouvir a mais velha, cabelo acajú, lá pelos sessenta, gritar pro garçom sonolento: - Meu filho, traz a saideira!
Há! Essa é das minhas...
Excelente final-de-semana em Blogsville!
Há! Essa é das minhas...
Excelente final-de-semana em Blogsville!
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Brasilidades
Esses dias li coisas que detesto. Elitismos de classe, de gente que se acha in, bem acima da média dos demais pobres, da “nova classe C”. E se tais privilegiados tem Facebook, e todos tem, lançam logo status com o mote infalível da “orkutização do FB”. Este antes era reduto de gente diferenciada, quase uma Higienópolis ou um Leblon virtual. E é claro, afirma outro, são todos brasileiros os responsáveis. Um terceiro reclama em inglês do calor que faz no Rio, inveja das nevascas européias, onde se pode usar casacos e botas e não quase andar de tanga nestes trópicos do inferno.
Gente que fala mal do Brasil e de sua gente, não como resultado de real capacidade crítica que enxerga as mil deficiências do nosso país, mas fruto de um complexo de vira-lata que olha sempre para além-mar como se o Éden, o jardim paradisíaco, há tanto tempo perdido fosse lá. Pessoas que não saem de seus grandes centros urbanos e os enxergam como o negativo da metrópole idealizada: Nova York, Paris, Londres.
Eu quero um país onde a coisa pública seja tratada com imparcialidade, sem personalismos, uma burocracia estatal eficiente, as condições básicas para que a vida dos cidadãos transcorra em paz, saúde e segurança garantidas de verdade pelo Estado, afinal é sua obrigação.
Mas gosto da malemolência de nossas terras, deste sorriso frouxo da nossa gente, essa coisa de chegar fácil e iniciar uma conversa, os nossos sotaques encantados, nossa cultura solar. Gosto do meu Rio de mares e montanhas em paisagens de tirar o fôlego, de saber que São Paulo está aqui ao lado. Gosto da gente do Nordeste, de conversas em tardes de brisa depois da praia de águas mornas.
Ouço música estrangeira, detesto futebol e não sei sambar. Mas daí a pensar que o Brasil é só um poço de problemas, gente deselegante num forno a mil graus Celsius é muito colonialismo introjetado desses “caboclos querendo ser ingleses”, como diz o bom e velho Cazuza.
Gente que fala mal do Brasil e de sua gente, não como resultado de real capacidade crítica que enxerga as mil deficiências do nosso país, mas fruto de um complexo de vira-lata que olha sempre para além-mar como se o Éden, o jardim paradisíaco, há tanto tempo perdido fosse lá. Pessoas que não saem de seus grandes centros urbanos e os enxergam como o negativo da metrópole idealizada: Nova York, Paris, Londres.
Eu quero um país onde a coisa pública seja tratada com imparcialidade, sem personalismos, uma burocracia estatal eficiente, as condições básicas para que a vida dos cidadãos transcorra em paz, saúde e segurança garantidas de verdade pelo Estado, afinal é sua obrigação.
Mas gosto da malemolência de nossas terras, deste sorriso frouxo da nossa gente, essa coisa de chegar fácil e iniciar uma conversa, os nossos sotaques encantados, nossa cultura solar. Gosto do meu Rio de mares e montanhas em paisagens de tirar o fôlego, de saber que São Paulo está aqui ao lado. Gosto da gente do Nordeste, de conversas em tardes de brisa depois da praia de águas mornas.
Ouço música estrangeira, detesto futebol e não sei sambar. Mas daí a pensar que o Brasil é só um poço de problemas, gente deselegante num forno a mil graus Celsius é muito colonialismo introjetado desses “caboclos querendo ser ingleses”, como diz o bom e velho Cazuza.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
De tudo o que tenho e do que me falta
Tem frase mais verdadeira na música brasileira do que “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”? Eu por exemplo. Acho um delícia aos 28 anos ter mandado tudo pro alto – tudo mesmo – e reinventado a vida.
Seis anos depois estou muito mais feliz, mais bonito, mais leve. Delícia!
Agora nem de longe, profissionalmente, estou onde desejo. E aí, nos piores dias, olho com invejinha para aqueles que encontraram o que fazer da vida lá pelos vinte e poucos. Aos trinta e quatro devem estar colhendo frutos bons de sua já longa trajetória, ou talvez, estejam mortalmente entediados.
O fato é que os freela que eu sempre reputei como provisórios, aquela coisa que você nem gosta tanto, mas que te garante o camembert de cada dia, acabaram se tornando toda minha vida profissional ao longo deste tempo.
O que eu quero mesmo é fazer doutorado, dar aula e fazer pesquisa. Mas o que vai acontecer é que me formarei ano que vem e vou arranjar um emprego no ensino médio, para ter um mínimo de estabilidade financeira - saber daqui a 3 meses o quanto vou receber de $ é um sonho para este freelancer que vos escreve – e aprender francês suficiente para a prova do doutorado.
Tenho muita coisa que amo. Mas, às vezes, o que não tenho fica aqui pesando no peito.
E aí é aquela coisa: Levanta, bate-o-cabelo e dá a volta por cima
Seis anos depois estou muito mais feliz, mais bonito, mais leve. Delícia!
Agora nem de longe, profissionalmente, estou onde desejo. E aí, nos piores dias, olho com invejinha para aqueles que encontraram o que fazer da vida lá pelos vinte e poucos. Aos trinta e quatro devem estar colhendo frutos bons de sua já longa trajetória, ou talvez, estejam mortalmente entediados.
O fato é que os freela que eu sempre reputei como provisórios, aquela coisa que você nem gosta tanto, mas que te garante o camembert de cada dia, acabaram se tornando toda minha vida profissional ao longo deste tempo.
O que eu quero mesmo é fazer doutorado, dar aula e fazer pesquisa. Mas o que vai acontecer é que me formarei ano que vem e vou arranjar um emprego no ensino médio, para ter um mínimo de estabilidade financeira - saber daqui a 3 meses o quanto vou receber de $ é um sonho para este freelancer que vos escreve – e aprender francês suficiente para a prova do doutorado.
Tenho muita coisa que amo. Mas, às vezes, o que não tenho fica aqui pesando no peito.
E aí é aquela coisa: Levanta, bate-o-cabelo e dá a volta por cima
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Quinta. Entre 5 e 6 da tarde
-Por que a gente tem que perder tudo o que ama?
E o olho luziu numa provável lágrima. Eu ali, parado, absorto no instante deste quase choro. Mas o olho se fechou e a boca aberta procurou a minha. Por uma espécie de piedade chinfrim eu correspondi. A língua quente, aquele sabor de gente passando por poros e cantos, a língua com a língua. Sobre nós nenhum deus, nenhum céu, só as pás do ventilador numa sinfonia zumbida, sem vento. O suor empapando o lençol, meu corpo sobre, o dele em mim. Teso, a barba por fazer, seu cabelo negro nublando meus olhos irritados de suor. O corpo magro, a vida pouca, a idade em flor.
Então os derradeiros raios horizontais mal venciam a persiana torta, entravam, a custo no quarto, jogando-se sobre a parede num lento suicídio. O garoto me abraçava como a garantir qualquer coisa, a cabeça incômoda no meu peito, seu pau murcho a roçar minhas pernas vez em quando.
Afasto-o e começo a me vestir. Sem quase ter se mexido, meio submerso na bagunça de lençóis úmidos, seus grandes olhos me perscrutam:
- Me responde.
Camisa posta, olho-o imóvel na cama. A bunda boa e branca, as costas quase infantis, lisas de músculos e trabalhos. Só seu olhar.
- Por que a gente tem que perder tudo o que ama. E isso, é só o começo, garoto.
A porta bate. Detenho-me um instante, nenhum som, só o monótono zumbido de um ventilador inútil.
A lágrima cai em silêncio.
E o olho luziu numa provável lágrima. Eu ali, parado, absorto no instante deste quase choro. Mas o olho se fechou e a boca aberta procurou a minha. Por uma espécie de piedade chinfrim eu correspondi. A língua quente, aquele sabor de gente passando por poros e cantos, a língua com a língua. Sobre nós nenhum deus, nenhum céu, só as pás do ventilador numa sinfonia zumbida, sem vento. O suor empapando o lençol, meu corpo sobre, o dele em mim. Teso, a barba por fazer, seu cabelo negro nublando meus olhos irritados de suor. O corpo magro, a vida pouca, a idade em flor.
Então os derradeiros raios horizontais mal venciam a persiana torta, entravam, a custo no quarto, jogando-se sobre a parede num lento suicídio. O garoto me abraçava como a garantir qualquer coisa, a cabeça incômoda no meu peito, seu pau murcho a roçar minhas pernas vez em quando.
Afasto-o e começo a me vestir. Sem quase ter se mexido, meio submerso na bagunça de lençóis úmidos, seus grandes olhos me perscrutam:
- Me responde.
Camisa posta, olho-o imóvel na cama. A bunda boa e branca, as costas quase infantis, lisas de músculos e trabalhos. Só seu olhar.
- Por que a gente tem que perder tudo o que ama. E isso, é só o começo, garoto.
A porta bate. Detenho-me um instante, nenhum som, só o monótono zumbido de um ventilador inútil.
A lágrima cai em silêncio.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
O retrato do artista quando...velho (?)
Vi a pouco a prévia do clipe de “Give me all your lovin’”.Eu sempre gostei muito da Madonna. No universo efêmero da pop music, as letras mais inteligentes, os clipes poderosos e as provocações mais interssantes eram da loira em questão. Fui aos dois shows aqui no Rio, em 1993 e ano retrasado (?) e até hoje muitas das suas músicas fazem parte da minha playlist de corrida.
De uns anos pra cá, no entanto, eu me pergunto: É o pop um universo exclusivamente menor de idade? Devem seus ídolos, divas bafônicas lá pelos 40-45 cantar sobre amores maduros, aprender um instrumento e parar de rebolar com shorts minúsculos em meio a canhões de luzes nos palcos pelo mundo? A outra saída digna para os ídolos pop seria a morte jovem e trágica?
Uma parte de mim diz que não a ambas possibilidades, puro preconceito meu. Que as mulheres, inclusive as da rara categoria “divas pop”, podem comportar-se da forma que for em qualquer idade. No entanto, será que perseguir a todo custo uma pele de 25 anos, trejeitos de adolescente (que capa é essa do novo single, Madge??) e namorados mancebos, é uma atitude libertária ou uma forma de escravidão aos deus pop da jovialidade?
Não sei não, por melhor que esteje aos 53 anos, ver Madonna num clima de cheerleader, cantando coisas apropriadas à faixa etária das fãs de Miley Cyrus não me parece nada provocante. Um passo em falso da loira e se cruzará a linha do ridículo.
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