terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

De tudo o que tenho e do que me falta

Tem frase mais verdadeira na música brasileira do que “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”? Eu por exemplo. Acho um delícia aos 28 anos ter mandado tudo pro alto – tudo mesmo – e reinventado a vida.

Seis anos depois estou muito mais feliz, mais bonito, mais leve. Delícia!
Agora nem de longe, profissionalmente, estou onde desejo. E aí, nos piores dias, olho com invejinha para aqueles que encontraram o que fazer da vida lá pelos vinte e poucos. Aos trinta e quatro devem estar colhendo frutos bons de sua já longa trajetória, ou talvez, estejam mortalmente entediados.

O fato é que os freela que eu sempre reputei como provisórios, aquela coisa que você nem gosta tanto, mas que te garante o camembert de cada dia, acabaram se tornando toda minha vida profissional ao longo deste tempo.

O que eu quero mesmo é fazer doutorado, dar aula e fazer pesquisa. Mas o que vai acontecer é que me formarei ano que vem e vou arranjar um emprego no ensino médio, para ter um mínimo de estabilidade financeira - saber daqui a 3 meses o quanto vou receber de $ é um sonho para este freelancer que vos escreve – e aprender francês suficiente para a prova do doutorado.

Tenho muita coisa que amo. Mas, às vezes, o que não tenho fica aqui pesando no peito.
E aí é aquela coisa: Levanta, bate-o-cabelo e dá a volta por cima

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Quinta. Entre 5 e 6 da tarde

-Por que a gente tem que perder tudo o que ama?

E o olho luziu numa provável lágrima. Eu ali, parado, absorto no instante deste quase choro. Mas o olho se fechou e a boca aberta procurou a minha. Por uma espécie de piedade chinfrim eu correspondi. A língua quente, aquele sabor de gente passando por poros e cantos, a língua com a língua. Sobre nós nenhum deus, nenhum céu, só as pás do ventilador numa sinfonia zumbida, sem vento. O suor empapando o lençol, meu corpo sobre, o dele em mim. Teso, a barba por fazer, seu cabelo negro nublando meus olhos irritados de suor. O corpo magro, a vida pouca, a idade em flor.

Então os derradeiros raios horizontais mal venciam a persiana torta, entravam, a custo no quarto, jogando-se sobre a parede num lento suicídio. O garoto me abraçava como a garantir qualquer coisa, a cabeça incômoda no meu peito, seu pau murcho a roçar minhas pernas vez em quando.

Afasto-o e começo a me vestir. Sem quase ter se mexido, meio submerso na bagunça de lençóis úmidos, seus grandes olhos me perscrutam:
- Me responde.

Camisa posta, olho-o imóvel na cama. A bunda boa e branca, as costas quase infantis, lisas de músculos e trabalhos. Só seu olhar.

- Por que a gente tem que perder tudo o que ama. E isso, é só o começo, garoto.

A porta bate. Detenho-me um instante, nenhum som, só o monótono zumbido de um ventilador inútil.

A lágrima cai em silêncio.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O retrato do artista quando...velho (?)


Vi a pouco a prévia do clipe de “Give me all your lovin’”.Eu sempre gostei muito da Madonna. No universo efêmero da pop music, as letras mais inteligentes, os clipes poderosos e as provocações mais interssantes eram da loira em questão. Fui aos dois shows aqui no Rio, em 1993 e ano retrasado (?) e até hoje muitas das suas músicas fazem parte da minha playlist de corrida.

De uns anos pra cá, no entanto, eu me pergunto: É o pop um universo exclusivamente menor de idade? Devem seus ídolos, divas bafônicas lá pelos 40-45 cantar sobre amores maduros, aprender um instrumento e parar de rebolar com shorts minúsculos em meio a canhões de luzes nos palcos pelo mundo? A outra saída digna para os ídolos pop seria a morte jovem e trágica?

Uma parte de mim diz que não a ambas possibilidades, puro preconceito meu. Que as mulheres, inclusive as da rara categoria “divas pop”, podem comportar-se da forma que for em qualquer idade. No entanto, será que perseguir a todo custo uma pele de 25 anos, trejeitos de adolescente (que capa é essa do novo single, Madge??) e namorados mancebos, é uma atitude libertária ou uma forma de escravidão aos deus pop da jovialidade?

Não sei não, por melhor que esteje aos 53 anos, ver Madonna num clima de cheerleader, cantando coisas apropriadas à faixa etária das fãs de Miley Cyrus não me parece nada provocante. Um passo em falso da loira e se cruzará a linha do ridículo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

The night is young, and the show has just began

O pilar básico do pensamento ocidental, incrustado no mais antigo substrato da filosofia grega, a famosa frase de Parmênides: “O ser é”, caducou. Seu longuíssimo prazo de validade, parece enfim, ter expirado. O ser não é; inventa-se, faz-se.
E não em algum lugar abscôndito da alma, um centro nervoso pessoal e invisível aos olhos de terceiros, na mais profunda interioridade. Não, senhores e senhoras! O ser é performance. Constrói-se em gestos, frases de efeitos suspensas no ar por algo entre a fina ironia no que acaba de ser posto de forma tão calculada e a antecipação do gozo que este movimento provoca em quem a disse. E para isto, meus amigos, é preciso uma platéia.
Quer na imensidão de um grande teatro ou no têt à têt numa esquina, numa mesa de jantar com poucos convivas ou no horário nobre da televisão. Repete-se tanto o papel, aprimora-se mais e mais os trejeitos, se trabalha de forma tão exaustiva as marcas de entonação e a forma de olhar que julgamos ser natural quem somos e fruto de uma espontaneidade que se alimenta, sem filtros, de algo como “a mais pura essência, o ‘eu’”.
De bom grado ou por obrigação, com quase espontaneidade ou real esforço, representamos sempre aos outros, não para enganá-los ou convencê-los, mas para realizar ambas atitudes, no fundo, em relação a nós mesmos.

And the show must go on.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Phóton



Não é meu, mas poderia ser...

"Acordar ao seu lado, esse eterno amanhecer por dentro, um sol interno tão aceso, essa alegria gratuita. E existe algo em nós que é tão recíproco, cúmplice e intenso. Dos nossos olhares que dizem tanto sobre tudo, silenciosamente. Um movimento de corpo que é tão ao encontro o tempo todo. Da compreensão e paciência a que nos dedicamos diariamente. E o amor que permeia tanta poesia, e a poesia que se entrega inteira pras palavras que querem dizer do abraço. Seu corpo tão moldado ao meu, natureza líquida de água e jarro. Você me conduzindo à fonte de todas as coisas, lá onde o desejo se origina. E nada míngua com o passar do tempo e mesmo acreditando não ter mais espaço, cresce, flui, se imensa clareando o que era escuro e frio.Cada vez mais e mais eu preciso dizer do amor. Dessa ternura delicada. Cada vez mais o amor sendo a melhor experiência. Cada vez mais eu percebendo que se nada no mundo é definitivo, nossa história eu sei perene. Uma primavera inaugurada a cada dia. E mesmo que nada possa ser eterno, mesmo que o "pra sempre" não exista, eu sei que vou seguir te amando, pelo menos, pelos próximos 99 invernos.

(E se ainda eu não consigo explicar você pra mim, eu simplesmente aceito e agradeço)".

(Marla de Queiroz)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Florence, sua linda!

Ando meio obcecado por Florence Welch. Isto significa longas horas de pesquisa na net em busca de delicinhas raras e que me conseguem arrancar um belo sorriso do rosto. Biografia não me interessa, agora a discografia...

Florence participou de uma banda que lançou um único CD, em 2007, chamada "Ashok". O som é bem legal e o estranho é ouví-la fazendo quase que só a segunda voz nas músicas. Confere a ótima "New Year's ansiety":



Depois, a ruiva mais delícia da Inglaterra se juntou com Isabella Summers numa banda de dois com nome complicado, "Florrible and Misrabella". Desta época temos "Small hands":



Sem esquecer as versões alternativas às do primeiro álbum:



E o melhor é que Florence fará shows no Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo e Floripa, em Janeiro. E o mais legal é ficar sabendo pela própria, no facebook. Pergunta, pergunta se eu vou...