quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

The night is young, and the show has just began

O pilar básico do pensamento ocidental, incrustado no mais antigo substrato da filosofia grega, a famosa frase de Parmênides: “O ser é”, caducou. Seu longuíssimo prazo de validade, parece enfim, ter expirado. O ser não é; inventa-se, faz-se.
E não em algum lugar abscôndito da alma, um centro nervoso pessoal e invisível aos olhos de terceiros, na mais profunda interioridade. Não, senhores e senhoras! O ser é performance. Constrói-se em gestos, frases de efeitos suspensas no ar por algo entre a fina ironia no que acaba de ser posto de forma tão calculada e a antecipação do gozo que este movimento provoca em quem a disse. E para isto, meus amigos, é preciso uma platéia.
Quer na imensidão de um grande teatro ou no têt à têt numa esquina, numa mesa de jantar com poucos convivas ou no horário nobre da televisão. Repete-se tanto o papel, aprimora-se mais e mais os trejeitos, se trabalha de forma tão exaustiva as marcas de entonação e a forma de olhar que julgamos ser natural quem somos e fruto de uma espontaneidade que se alimenta, sem filtros, de algo como “a mais pura essência, o ‘eu’”.
De bom grado ou por obrigação, com quase espontaneidade ou real esforço, representamos sempre aos outros, não para enganá-los ou convencê-los, mas para realizar ambas atitudes, no fundo, em relação a nós mesmos.

And the show must go on.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Phóton



Não é meu, mas poderia ser...

"Acordar ao seu lado, esse eterno amanhecer por dentro, um sol interno tão aceso, essa alegria gratuita. E existe algo em nós que é tão recíproco, cúmplice e intenso. Dos nossos olhares que dizem tanto sobre tudo, silenciosamente. Um movimento de corpo que é tão ao encontro o tempo todo. Da compreensão e paciência a que nos dedicamos diariamente. E o amor que permeia tanta poesia, e a poesia que se entrega inteira pras palavras que querem dizer do abraço. Seu corpo tão moldado ao meu, natureza líquida de água e jarro. Você me conduzindo à fonte de todas as coisas, lá onde o desejo se origina. E nada míngua com o passar do tempo e mesmo acreditando não ter mais espaço, cresce, flui, se imensa clareando o que era escuro e frio.Cada vez mais e mais eu preciso dizer do amor. Dessa ternura delicada. Cada vez mais o amor sendo a melhor experiência. Cada vez mais eu percebendo que se nada no mundo é definitivo, nossa história eu sei perene. Uma primavera inaugurada a cada dia. E mesmo que nada possa ser eterno, mesmo que o "pra sempre" não exista, eu sei que vou seguir te amando, pelo menos, pelos próximos 99 invernos.

(E se ainda eu não consigo explicar você pra mim, eu simplesmente aceito e agradeço)".

(Marla de Queiroz)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Florence, sua linda!

Ando meio obcecado por Florence Welch. Isto significa longas horas de pesquisa na net em busca de delicinhas raras e que me conseguem arrancar um belo sorriso do rosto. Biografia não me interessa, agora a discografia...

Florence participou de uma banda que lançou um único CD, em 2007, chamada "Ashok". O som é bem legal e o estranho é ouví-la fazendo quase que só a segunda voz nas músicas. Confere a ótima "New Year's ansiety":



Depois, a ruiva mais delícia da Inglaterra se juntou com Isabella Summers numa banda de dois com nome complicado, "Florrible and Misrabella". Desta época temos "Small hands":



Sem esquecer as versões alternativas às do primeiro álbum:



E o melhor é que Florence fará shows no Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo e Floripa, em Janeiro. E o mais legal é ficar sabendo pela própria, no facebook. Pergunta, pergunta se eu vou...

domingo, 20 de novembro de 2011

Conclui-se que...

No post passado, o tema principal, era, sem dúvida alguma, o absurdo mercado imobiliário do Rio de Janeiro, com preços para os quais o céu é o limite. Tinha até imagem mega-ilustrativa sobre o assunto.

Eu pensei que os queridos comentadores iriam tecer considerações sobre as causas de tal desvario imobiliário, deixar testemunhos edificantes de como conseguiram o sonho da casa própria, apresentar uma comparação de preços entre o Rio e a própria cidade, ou, investigar as causas econômicas e sociais do fenômeno.

No entanto, bastou eu escrever “marido” e citar, assim, em passant, que estávamos procurando apê juntos para ser este o assunto que bombou nos comentários. De onde se concluí que:

O POVO DE BLOGSVILLE GOSTA MESMO É DE FOFOCA!!

rsrsr

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Alugar ou morrer


Uma pesquisa recente mostrou que o custo de vida no Rio de janeiro é um dos mais caros do mundo. Mais caro que Nova York, tanto quanto Paris. E isto, naturalmente, vale para o preço dos imóveis. Qualquer kitinete meia-boca começa, só o aluguel, em R$ 600. E isto, os bem ruinzinhos, e no centro da cidade, claro, zona sul nem pensar.

Eu e marido estamos procurando um quarto e sala realmente habitável no centro, porque onde moro agora, Flamengo, é impossível. Outro dia parecia um milagre anunciado nos classificados: uma rua perto da minha, quarto e sala, por apenas (?) R$ 1.450. Chegamos animados para a visita: uma sala que dava para o pátio interno do prédio e uma cozinha que, na verdade, era um vão no corredor entre a sala e o quarto.

Neste calvário imobiliário, se você acha um apê bom e barato, faz-se a guerra. Corra imediatamente para a imobiliária com a ficha preenchida na mão, os documentos em ordem e reze para o seu fiador ter mais cacife do que o do concorrente. Há anúncios que exigem que o fiador tenha 2 imóveis!

Perder um apê bom e barato nestas circunstâncias só com anos de terapia, uma imensa capacidade de superação e um bom porre, como se fosse um amor que se foi, um parente numa desastrosa curva de estrada.

Mas também não adianta baixar o nível de exigência. Eu, por exemplo, faço questão de uma vista digna (eu disse "digna" não "maravilhosa") e uma sala que caiba amigos reunidos em preguiçosas tardes de Domingo.

No Rio, alugar é para os fortes...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O que você quer ouvir de verdade

Fazia muito tempo que um álbum da Marisa Monte não me pegava assim, na primeira distraída escutada. De certa forma para os phynnos e phynnas da música é um álbum quase para se ter vergonha de gostar, um flerte deliberado e delicioso com o brega, cheirando a rádio anos 70 e, por isto mesmo, uma delícia. Tem até forró! Quem diria hein, Senhora Monte?
Mas a música-chiclete para mim é esta aí embaixo: