domingo, 20 de novembro de 2011

Conclui-se que...

No post passado, o tema principal, era, sem dúvida alguma, o absurdo mercado imobiliário do Rio de Janeiro, com preços para os quais o céu é o limite. Tinha até imagem mega-ilustrativa sobre o assunto.

Eu pensei que os queridos comentadores iriam tecer considerações sobre as causas de tal desvario imobiliário, deixar testemunhos edificantes de como conseguiram o sonho da casa própria, apresentar uma comparação de preços entre o Rio e a própria cidade, ou, investigar as causas econômicas e sociais do fenômeno.

No entanto, bastou eu escrever “marido” e citar, assim, em passant, que estávamos procurando apê juntos para ser este o assunto que bombou nos comentários. De onde se concluí que:

O POVO DE BLOGSVILLE GOSTA MESMO É DE FOFOCA!!

rsrsr

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Alugar ou morrer


Uma pesquisa recente mostrou que o custo de vida no Rio de janeiro é um dos mais caros do mundo. Mais caro que Nova York, tanto quanto Paris. E isto, naturalmente, vale para o preço dos imóveis. Qualquer kitinete meia-boca começa, só o aluguel, em R$ 600. E isto, os bem ruinzinhos, e no centro da cidade, claro, zona sul nem pensar.

Eu e marido estamos procurando um quarto e sala realmente habitável no centro, porque onde moro agora, Flamengo, é impossível. Outro dia parecia um milagre anunciado nos classificados: uma rua perto da minha, quarto e sala, por apenas (?) R$ 1.450. Chegamos animados para a visita: uma sala que dava para o pátio interno do prédio e uma cozinha que, na verdade, era um vão no corredor entre a sala e o quarto.

Neste calvário imobiliário, se você acha um apê bom e barato, faz-se a guerra. Corra imediatamente para a imobiliária com a ficha preenchida na mão, os documentos em ordem e reze para o seu fiador ter mais cacife do que o do concorrente. Há anúncios que exigem que o fiador tenha 2 imóveis!

Perder um apê bom e barato nestas circunstâncias só com anos de terapia, uma imensa capacidade de superação e um bom porre, como se fosse um amor que se foi, um parente numa desastrosa curva de estrada.

Mas também não adianta baixar o nível de exigência. Eu, por exemplo, faço questão de uma vista digna (eu disse "digna" não "maravilhosa") e uma sala que caiba amigos reunidos em preguiçosas tardes de Domingo.

No Rio, alugar é para os fortes...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O que você quer ouvir de verdade

Fazia muito tempo que um álbum da Marisa Monte não me pegava assim, na primeira distraída escutada. De certa forma para os phynnos e phynnas da música é um álbum quase para se ter vergonha de gostar, um flerte deliberado e delicioso com o brega, cheirando a rádio anos 70 e, por isto mesmo, uma delícia. Tem até forró! Quem diria hein, Senhora Monte?
Mas a música-chiclete para mim é esta aí embaixo:

terça-feira, 15 de novembro de 2011






sexta-feira, 29 de julho de 2011

Pequenas bobagens ou "Falta de inspiração é uó"

Será que este blog morrerá de inanição? Nenhuma vontade e inspiração para escrever.

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Por acaso, quando meus amigos de Manchester chegaram lá em casa estava tocando Adele. Percebi pela cara de Micky que eles não agüentariam ouvir mais um segundo. Karla me disse que “Someone like you” é a música-chiclete nas rádios inglesas. E eu respondi: “Você reclama porque não conhece o Luan Santana, darling”.

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Barba voltando e topete cada vez maior, num estilo moderno-desconstrutivista que leva séculos para construir... Mas gostando de sair com meu topetão na rua, algo descolado mode on.

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Agosto não é nada. Setembro tem: Amigos russos (oba!), Boroboleta e S. lá em casa (SAP: muito amor, cervejas e risadas) e meu aniversário.

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A melhor decisão que tomei: parar de pensar tanto. Pros cerebrais como eu a mente está cheia de cadafalsos e cantos escuros onde se perde o desejo, se estrangulam afetos.

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Terá sido este o último post????

Um fim de semana incrível para todos os habitantes de Blogsville!!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O circo dos horrores

Eu só quero dizer que eu entendo. Nem todas as peças se encaixam, a felicidade do tudo bem e do “faz sentido” é mesmo rara e efêmera e no cotidiano de tudo, os satisfeitos é que me parecem loucos.

Eu não sei se você era realmente o fenômeno que dizem. Gostava de algumas de suas músicas, mas com dois discos, sem produzir nada há anos, não sei. E me incomodava também a figura grotesca que você virou: seu inimaginável penteado, esses olhos e os tombos. Uma figura caricata de comédia ridícula até no “Pânico na TV”. Incomodava-me porque acho que rir da dor dos outros é sempre uma atitude desesperada para encobrir a própria dor.

Eu achava isso mesmo. Mas descobri que pior do que encobrir a dor, é ter gente que não a sente. E isto é tão pior! Eu entendo os artistas geniais, os loucos insociáveis, os suicidas, os que se perdem nas drogas. Isto de “vida” não é fácil. E se, de algum modo, você foi marcado com uma sensibilidade à flor de tudo, fica ainda mais difícil ainda que também mais belo. Por isto eu não gosto dos que riem da dor, mas gosto menos dos que não a sentem e olham atravessado, fazem um comentário enojadamente moralista e voltam pra suas vidinhas ridículas e previsíveis.
Enfim, eu só quero dizer que te entendo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

O sonho

A saída era sinuosa, uma escarpa, a montanha. No entanto, o dia estava claro, eu não estava só, vozes atrás de mim me confirmavam que outros estavam prontos a começar o caminho. Os primeiros metros foram vencidos facilmente, nenhuma dificuldade a mais do que as já esperadas. Pelo contrário, o senso de aventura, o vento no rosto me davam uma sensação boa de desbravador intrépido.

Não sei quando, em nenhum limite visível, a escarpa se fez mais e mais estreita, os desfiladeiros à direita abissais e o paredão de pedra do entorno à esquerda intransponível. O sol continuava a se refletir na pedra em tons entre azuis e cinzas discretos que seriam bonitos de se ver, se o pé, a mão, o corpo todo não sentisse, a despeito da visão do belo colorido, uma crescente aflição. Como se a pedra crescesse em volume e arestas, o caminho inventado por entre impossibilidades se afinasse mais e mais e as vozes humanas, já por isso solidárias em meio a tanta aridez mineral, fossem ecoando cada vez mais fracas.

Um pequeno mirante me fez perceber que a subida tinha chegado ao fim. Ou se fica parado numa imobilidade contagiante que, do formigamento nos pés, rouba o ar dos pulmões, cessa sístoles e diástoles e, um dia, finalmente te sufoca em pedra ou se inventa uma descida tornada possível simplesmente porque se quer assim.

Lá em baixo, construções testemunhavam que outros fizeram o mesmo. Edifícios abandonados, de portões entreabertos e janelas batendo ao vento mostravam que tais corajosos foram poucos e antigos. Eu, parado sob o sol, agora inclemente, a sentir o formigamento pétreo já na ponta dos pés; querendo descobrir uma coragem que brotasse sabe-se lá de que entranhas. Das vísceras ou dos músculos, dos ossos em atrito, de qualquer parte, menos do que via à minha frente: um desfiladeiro impossível. Então, de repente, algo se moveu.

Algo humano passou correndo entre os prédios, sem som, sem barulhos de nada: passos, respiração, grito. Um vulto, cabelos e roupas ao vento. Logo atrás, um imenso urso marrom. Soube então: não apenas a imobilidade férrea como ameaça aos que param; mas a fúria selvagem aos que ousam.

Eu soube, mas, o que senti foi: Há algo humano. E isso basta. Então, comecei a descida.