terça-feira, 15 de novembro de 2011
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Pequenas bobagens ou "Falta de inspiração é uó"
Será que este blog morrerá de inanição? Nenhuma vontade e inspiração para escrever.
***
Por acaso, quando meus amigos de Manchester chegaram lá em casa estava tocando Adele. Percebi pela cara de Micky que eles não agüentariam ouvir mais um segundo. Karla me disse que “Someone like you” é a música-chiclete nas rádios inglesas. E eu respondi: “Você reclama porque não conhece o Luan Santana, darling”.
***
Barba voltando e topete cada vez maior, num estilo moderno-desconstrutivista que leva séculos para construir... Mas gostando de sair com meu topetão na rua, algo descolado mode on.
***
Agosto não é nada. Setembro tem: Amigos russos (oba!), Boroboleta e S. lá em casa (SAP: muito amor, cervejas e risadas) e meu aniversário.
***
A melhor decisão que tomei: parar de pensar tanto. Pros cerebrais como eu a mente está cheia de cadafalsos e cantos escuros onde se perde o desejo, se estrangulam afetos.
***
Terá sido este o último post????
Um fim de semana incrível para todos os habitantes de Blogsville!!
***
Por acaso, quando meus amigos de Manchester chegaram lá em casa estava tocando Adele. Percebi pela cara de Micky que eles não agüentariam ouvir mais um segundo. Karla me disse que “Someone like you” é a música-chiclete nas rádios inglesas. E eu respondi: “Você reclama porque não conhece o Luan Santana, darling”.
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Barba voltando e topete cada vez maior, num estilo moderno-desconstrutivista que leva séculos para construir... Mas gostando de sair com meu topetão na rua, algo descolado mode on.
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Agosto não é nada. Setembro tem: Amigos russos (oba!), Boroboleta e S. lá em casa (SAP: muito amor, cervejas e risadas) e meu aniversário.
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A melhor decisão que tomei: parar de pensar tanto. Pros cerebrais como eu a mente está cheia de cadafalsos e cantos escuros onde se perde o desejo, se estrangulam afetos.
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Terá sido este o último post????
Um fim de semana incrível para todos os habitantes de Blogsville!!
segunda-feira, 25 de julho de 2011
O circo dos horrores
Eu só quero dizer que eu entendo. Nem todas as peças se encaixam, a felicidade do tudo bem e do “faz sentido” é mesmo rara e efêmera e no cotidiano de tudo, os satisfeitos é que me parecem loucos.
Eu não sei se você era realmente o fenômeno que dizem. Gostava de algumas de suas músicas, mas com dois discos, sem produzir nada há anos, não sei. E me incomodava também a figura grotesca que você virou: seu inimaginável penteado, esses olhos e os tombos. Uma figura caricata de comédia ridícula até no “Pânico na TV”. Incomodava-me porque acho que rir da dor dos outros é sempre uma atitude desesperada para encobrir a própria dor.
Eu achava isso mesmo. Mas descobri que pior do que encobrir a dor, é ter gente que não a sente. E isto é tão pior! Eu entendo os artistas geniais, os loucos insociáveis, os suicidas, os que se perdem nas drogas. Isto de “vida” não é fácil. E se, de algum modo, você foi marcado com uma sensibilidade à flor de tudo, fica ainda mais difícil ainda que também mais belo. Por isto eu não gosto dos que riem da dor, mas gosto menos dos que não a sentem e olham atravessado, fazem um comentário enojadamente moralista e voltam pra suas vidinhas ridículas e previsíveis.
Enfim, eu só quero dizer que te entendo.
Eu não sei se você era realmente o fenômeno que dizem. Gostava de algumas de suas músicas, mas com dois discos, sem produzir nada há anos, não sei. E me incomodava também a figura grotesca que você virou: seu inimaginável penteado, esses olhos e os tombos. Uma figura caricata de comédia ridícula até no “Pânico na TV”. Incomodava-me porque acho que rir da dor dos outros é sempre uma atitude desesperada para encobrir a própria dor.
Eu achava isso mesmo. Mas descobri que pior do que encobrir a dor, é ter gente que não a sente. E isto é tão pior! Eu entendo os artistas geniais, os loucos insociáveis, os suicidas, os que se perdem nas drogas. Isto de “vida” não é fácil. E se, de algum modo, você foi marcado com uma sensibilidade à flor de tudo, fica ainda mais difícil ainda que também mais belo. Por isto eu não gosto dos que riem da dor, mas gosto menos dos que não a sentem e olham atravessado, fazem um comentário enojadamente moralista e voltam pra suas vidinhas ridículas e previsíveis.
Enfim, eu só quero dizer que te entendo.
terça-feira, 19 de julho de 2011
O sonho
A saída era sinuosa, uma escarpa, a montanha. No entanto, o dia estava claro, eu não estava só, vozes atrás de mim me confirmavam que outros estavam prontos a começar o caminho. Os primeiros metros foram vencidos facilmente, nenhuma dificuldade a mais do que as já esperadas. Pelo contrário, o senso de aventura, o vento no rosto me davam uma sensação boa de desbravador intrépido.
Não sei quando, em nenhum limite visível, a escarpa se fez mais e mais estreita, os desfiladeiros à direita abissais e o paredão de pedra do entorno à esquerda intransponível. O sol continuava a se refletir na pedra em tons entre azuis e cinzas discretos que seriam bonitos de se ver, se o pé, a mão, o corpo todo não sentisse, a despeito da visão do belo colorido, uma crescente aflição. Como se a pedra crescesse em volume e arestas, o caminho inventado por entre impossibilidades se afinasse mais e mais e as vozes humanas, já por isso solidárias em meio a tanta aridez mineral, fossem ecoando cada vez mais fracas.
Um pequeno mirante me fez perceber que a subida tinha chegado ao fim. Ou se fica parado numa imobilidade contagiante que, do formigamento nos pés, rouba o ar dos pulmões, cessa sístoles e diástoles e, um dia, finalmente te sufoca em pedra ou se inventa uma descida tornada possível simplesmente porque se quer assim.
Lá em baixo, construções testemunhavam que outros fizeram o mesmo. Edifícios abandonados, de portões entreabertos e janelas batendo ao vento mostravam que tais corajosos foram poucos e antigos. Eu, parado sob o sol, agora inclemente, a sentir o formigamento pétreo já na ponta dos pés; querendo descobrir uma coragem que brotasse sabe-se lá de que entranhas. Das vísceras ou dos músculos, dos ossos em atrito, de qualquer parte, menos do que via à minha frente: um desfiladeiro impossível. Então, de repente, algo se moveu.
Algo humano passou correndo entre os prédios, sem som, sem barulhos de nada: passos, respiração, grito. Um vulto, cabelos e roupas ao vento. Logo atrás, um imenso urso marrom. Soube então: não apenas a imobilidade férrea como ameaça aos que param; mas a fúria selvagem aos que ousam.
Eu soube, mas, o que senti foi: Há algo humano. E isso basta. Então, comecei a descida.
Não sei quando, em nenhum limite visível, a escarpa se fez mais e mais estreita, os desfiladeiros à direita abissais e o paredão de pedra do entorno à esquerda intransponível. O sol continuava a se refletir na pedra em tons entre azuis e cinzas discretos que seriam bonitos de se ver, se o pé, a mão, o corpo todo não sentisse, a despeito da visão do belo colorido, uma crescente aflição. Como se a pedra crescesse em volume e arestas, o caminho inventado por entre impossibilidades se afinasse mais e mais e as vozes humanas, já por isso solidárias em meio a tanta aridez mineral, fossem ecoando cada vez mais fracas.
Um pequeno mirante me fez perceber que a subida tinha chegado ao fim. Ou se fica parado numa imobilidade contagiante que, do formigamento nos pés, rouba o ar dos pulmões, cessa sístoles e diástoles e, um dia, finalmente te sufoca em pedra ou se inventa uma descida tornada possível simplesmente porque se quer assim.
Lá em baixo, construções testemunhavam que outros fizeram o mesmo. Edifícios abandonados, de portões entreabertos e janelas batendo ao vento mostravam que tais corajosos foram poucos e antigos. Eu, parado sob o sol, agora inclemente, a sentir o formigamento pétreo já na ponta dos pés; querendo descobrir uma coragem que brotasse sabe-se lá de que entranhas. Das vísceras ou dos músculos, dos ossos em atrito, de qualquer parte, menos do que via à minha frente: um desfiladeiro impossível. Então, de repente, algo se moveu.
Algo humano passou correndo entre os prédios, sem som, sem barulhos de nada: passos, respiração, grito. Um vulto, cabelos e roupas ao vento. Logo atrás, um imenso urso marrom. Soube então: não apenas a imobilidade férrea como ameaça aos que param; mas a fúria selvagem aos que ousam.
Eu soube, mas, o que senti foi: Há algo humano. E isso basta. Então, comecei a descida.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Solta, soltinha!
Eu não sei porquê, mas nas gravações ao vivo de Adele eu a achava travada, envergonhada, a música mal havia emitido o último acorde e ela já agradecia um "Thank you" rápido, seco.
Mas não é que a menina está mudada? Neste show do iTunes Festival, Adele conversa com a platéia, lhe declara seu amor, ri à beça e quase chora um par de vezes. Já a sabia simples e talentosíssima, agora, além de tudo, é uma querida também.
Confere aí embaixo. Atenção para as 2 músicas do bis com a platéia cantando com ela, é de emocionar qualquer um. Agradeço de coração ao ex-namorado dela. Nunca um pé-na-bunda rendeu tanta beleza.
Lançando a campanha: "Queremos Adele no Brasil!!"
Mas não é que a menina está mudada? Neste show do iTunes Festival, Adele conversa com a platéia, lhe declara seu amor, ri à beça e quase chora um par de vezes. Já a sabia simples e talentosíssima, agora, além de tudo, é uma querida também.
Confere aí embaixo. Atenção para as 2 músicas do bis com a platéia cantando com ela, é de emocionar qualquer um. Agradeço de coração ao ex-namorado dela. Nunca um pé-na-bunda rendeu tanta beleza.
Lançando a campanha: "Queremos Adele no Brasil!!"
domingo, 17 de julho de 2011
Para os fortes
Eu queria estar sob o sol, inerte, entregue, como se despejar sobre mim ondas de sua luz e calor fosse o único objetivo do astro-rei em toda sua existência de incontáveis milênios.
Estar olho no olho com um amigo, numa intimidade fresca de fim de tarde, apenas mediada por copos simples de cerveja gelada. E isso em alguma mesinha debaixo de uma amendoeira ordinária que marcasse o ritmo das conversas alheias com farfalhar de folhas entregues à brisa qualquer.
Após o úmido bom do teu beijo, me virar na cama desfeita pelo nosso amor e deixar que teu corpo junto ao meu, teu ressoar quase no sono, me desse a certeza de tudo.
Eu não tomo prozac, não faço uso de antidepressivos. Não tenho medo da dor. Mas quase entendo quem teme a vida. Porque se você não é um completo babaca, e talvez esta seja a opção mais fácil, a reiterada cotidianamente opção por ser um babaca, o fluxo constante de tudo, que é sim belo e inspirador, condição de possibilidade de todas as mudanças, mas também turbulento e inefável, imprevisível em seus movimentos, tudo isto extasia e cansa.
Tudo o que não sei, o que almejo, o que pretendo agora, as coisas que sinto e aquelas que gostaria de experimentar, aquilo que jurei “para sempre”, as que disse “só por hoje” e que no instante seguinte gritam horrorizadas em todas as instâncias do quer sou “Não mais!”; a vida em suas arestas e surpresas, amargos e calafrios. As encruzilhadas do que “poderia ter sido se” e daquilo que precisa ser decidido hoje, sem mais, tudo, subitamente, desperta e grita como uma comichão por todo o meu corpo. A coceira que pinica o ser, desde a superfície dita epiderme até o fluído onipresente e pastoso que alguém, um dia, chamou de “alma”.
E o que se faz com essa vida que pulsa bravia e louca? Eu gosto do fluxo, aprendi que desejar calmarias e estabilidades é construir sobre quimeras. O louco existir pode até se aquietar, esmagado pela solidez robusta das convicções, amuado pela certeza de tudo que desponta infalível das mentes dos pequenos e orgulhosos grãos de nada que somos nós, ela se aquieta, a vida, e deixa que pensemos que, finalmente, descobrimos o segredo de seu movimento. Permite que lhe tracemos margens seguras, digamos com autoridade de animais racionais, de sujeitos controlados e sábios, de crentes em deuses que detém a chave: “Vais até aqui” ou “Não ultrapasses este ponto. Aqui cessa o furor de tuas ondas”. E então, cenas de mares calmos e cândidas espumas brancas a se estender em areias de fim de dias perfeitos. Até que a garganta seca, o peito acelera e irrompe o inaudito.
O “quanto se pode”, “se fez”, os sonhos perdidos flutuam em meio à fúria das águas como destroços inúteis a que basta ao náufrago tocar, como última esperança de salvação com a ponta dos dedos, para desaparecer como inúteis quimeras.
Não nos enganemos: A vida, aquela de verdade, é para os fortes.
Estar olho no olho com um amigo, numa intimidade fresca de fim de tarde, apenas mediada por copos simples de cerveja gelada. E isso em alguma mesinha debaixo de uma amendoeira ordinária que marcasse o ritmo das conversas alheias com farfalhar de folhas entregues à brisa qualquer.
Após o úmido bom do teu beijo, me virar na cama desfeita pelo nosso amor e deixar que teu corpo junto ao meu, teu ressoar quase no sono, me desse a certeza de tudo.
Eu não tomo prozac, não faço uso de antidepressivos. Não tenho medo da dor. Mas quase entendo quem teme a vida. Porque se você não é um completo babaca, e talvez esta seja a opção mais fácil, a reiterada cotidianamente opção por ser um babaca, o fluxo constante de tudo, que é sim belo e inspirador, condição de possibilidade de todas as mudanças, mas também turbulento e inefável, imprevisível em seus movimentos, tudo isto extasia e cansa.
Tudo o que não sei, o que almejo, o que pretendo agora, as coisas que sinto e aquelas que gostaria de experimentar, aquilo que jurei “para sempre”, as que disse “só por hoje” e que no instante seguinte gritam horrorizadas em todas as instâncias do quer sou “Não mais!”; a vida em suas arestas e surpresas, amargos e calafrios. As encruzilhadas do que “poderia ter sido se” e daquilo que precisa ser decidido hoje, sem mais, tudo, subitamente, desperta e grita como uma comichão por todo o meu corpo. A coceira que pinica o ser, desde a superfície dita epiderme até o fluído onipresente e pastoso que alguém, um dia, chamou de “alma”.
E o que se faz com essa vida que pulsa bravia e louca? Eu gosto do fluxo, aprendi que desejar calmarias e estabilidades é construir sobre quimeras. O louco existir pode até se aquietar, esmagado pela solidez robusta das convicções, amuado pela certeza de tudo que desponta infalível das mentes dos pequenos e orgulhosos grãos de nada que somos nós, ela se aquieta, a vida, e deixa que pensemos que, finalmente, descobrimos o segredo de seu movimento. Permite que lhe tracemos margens seguras, digamos com autoridade de animais racionais, de sujeitos controlados e sábios, de crentes em deuses que detém a chave: “Vais até aqui” ou “Não ultrapasses este ponto. Aqui cessa o furor de tuas ondas”. E então, cenas de mares calmos e cândidas espumas brancas a se estender em areias de fim de dias perfeitos. Até que a garganta seca, o peito acelera e irrompe o inaudito.
O “quanto se pode”, “se fez”, os sonhos perdidos flutuam em meio à fúria das águas como destroços inúteis a que basta ao náufrago tocar, como última esperança de salvação com a ponta dos dedos, para desaparecer como inúteis quimeras.
Não nos enganemos: A vida, aquela de verdade, é para os fortes.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Serei eu este menino?
Olhando a foto, já não sei se sou eu o menino. Recém saído das águas; vencidos os, apenas, primeiros mergulhos. Desde lá, tenho descido às profundezas e há sempre fôlego novo para voltar, porque sei que é preciso erguer-se a tal altura que já não mais o mar assuste.
Serei eu este menino? Olhos baixos e boca aberta a cantar uma melodia secreta e feliz. A sentir-se tão diferente de tudo que o cerca: as águas, o cachorro, as plantas e mesmo sua mãe ou seu pai que o fotografam.
Devo ser eu este menino. Mãos em possível dança, captadas no passadiço instante de um ligeiro mover-se. Minha vida em instantâneos que, sem nem que eu o saiba, revelam algo de mim: a solidão de uma praia estrangeira, o conforto de águas calmas, a já citada melodia e dança inexistentes e a alegre companhia vira-lata de um cão qualquer.
Sou eu este menino. Passo pela vida desejando calmarias e insisto em salvar-me nelas em meio às tempestades. Canto belezas inexistentes em meio a dias difíceis e imagino danças voláteis onde a rigidez morta a tudo toma. Eu e meus fieis escudeiros, os vira-latas de todo o mundo, de cada dia.
Sim, sou eu este menino.
Serei eu este menino? Olhos baixos e boca aberta a cantar uma melodia secreta e feliz. A sentir-se tão diferente de tudo que o cerca: as águas, o cachorro, as plantas e mesmo sua mãe ou seu pai que o fotografam.
Devo ser eu este menino. Mãos em possível dança, captadas no passadiço instante de um ligeiro mover-se. Minha vida em instantâneos que, sem nem que eu o saiba, revelam algo de mim: a solidão de uma praia estrangeira, o conforto de águas calmas, a já citada melodia e dança inexistentes e a alegre companhia vira-lata de um cão qualquer.
Sou eu este menino. Passo pela vida desejando calmarias e insisto em salvar-me nelas em meio às tempestades. Canto belezas inexistentes em meio a dias difíceis e imagino danças voláteis onde a rigidez morta a tudo toma. Eu e meus fieis escudeiros, os vira-latas de todo o mundo, de cada dia.
Sim, sou eu este menino.
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