Foi só pôr o primeiro pé na rua e ela começou, uma chuvinha lenta, mas insistente, de um friozinho histérico. Saco! Com a minisaia e a blusa que eu tava iria sentir um puta frio até chegar em casa.
“Merda! Chuva...”
Espantada, olhei pro lado. Havia me esquecido completamente dele.
“Qual teu nome mesmo?”
“Porra, tu não lembra?”
“Cara, se lembrasse eu tava te perguntando?”
Apressei o passo. Porque todo cara bonitinho e que beija bem, sim do beijo eu lembrava, fode com tudo quando abre a boca?
“Marco”
“Ah... Tu não parece”
“Que?”
“Tua cara não é de Marco.. sei lá, parece mais Bruno ou Antônio”.
Ele fez uma cara escrota e a chuva apertou. Merda, vou chegar toda molhada em casa. A água insistia e penetrava em arrepios contínuos a malha fina da minha blusa, ensopava o jeans da saia, nem o tecido mais grosso das meias quase até os joelhos eram capazes de resistir.
“Merda de chuva!”
Ele sorriu divertido, com sua cabelerira rebelde amansada pelo dilúvio. Tinha olhos grandes o Marco.
“Vem”
Debaixo da marquise, ainda atingidos pela água onipresente, mas um pouco mais a salvo esperávamos. Seu braço tocou o meu. Eu quis lhe secar os cabelos agitando-os com minhas mãos molhadas. Beijo, beija bem o danado.
Uma língua quente no frio de uma esquina em Botafogo no meio da madrugada não é nada ruim. Aqui e ali um certo amargor de cerveja é sentido, mas não quero que ele pare. Estou molhada e com frio. Seus braços finos mas decididos me abraçam, vasculham minhas costas, apertam minha bunda. Eu não deixaria, mas ali somos só nós e a chuva. Nem um mendigo, um cachorro qualquer estaria tão desamparado debaixo daquela marquise.
Aperto-o com vontade. Começo a tremer de frio, estou molhada. Ele me aperta ainda mais e suas mãos deslizam em meu corpo, sinto a ranhura de seus dedos sobre meius peitos, vencendo minha blusa, ultrapassando o vigor do sutiã novo, a aspereza gelada de sua mão aperta os bicos dos meus peitos. Penso em protestar, mas molhada numa esquina escura no meio de uma madrugada onde o mundo desaba em água?
Dos peitos pra barriga, quando descobre meu piercing, vejo-o sorrir, eu o impeço de falar. Me beija, não pára é o que ele advinha no meu corpo fortemente junto ao dele. Molhada, peciso do seu calor. Ele desliza suas mão pra baixo do meus jeans, abre minhas coxas e, sem pudor, invade minha calcinha. Eu tremo e me lembro de minha mãe falando das meninas fáceis de hoje em dia “Que horror, que horror” e torce o nariz arrebitado em plástica. Não pare, a forma como prendo seus dedos entre minhas coxas úmidas lhe diz. Um, dois, quase três dedos. Molhada, quente.
Ele me põe contra a parede e num gesto automático, como se fizesse isso em todas as madrugadas chuvosas por todas as esquinas da cidade, abre o zíper, tira uma camisinha do bolso e se joga sobre meu corpo. Penso em gritar, mas minha boca chupa os dedos de sua mão; em pedir que pare enquanto algo se rompe definitivamente na minha vida, mas minha boca em sua orelha não deixa; minha voz arfante em palavras desconexas, minha boca na dele. Uma quentura viscosa sai de mim, enquanto esta mesma quentura em ondas se projeta em círculos desde a minha barriga, captada pelos bicos dos meus seios em ondas que me contraem o abdômen, retesam meus músculos. Vonta de rir, descontroladamenete, enquanto ele geme como se tivesse sido atingido por uma dor estranha. Mordo-lhe a orelha.
“Porra! Tá maluca, sua escrota?” Ele tenta reter o sangue que mancha agora seu pescoço. O pau já murcho, num espetáculo deprimente devidamente guardado. Marco saiu furioso e eu, rindo de gargalhar.
Sozinha, depois de dois segundos a chuva pára. Acendo o último cigarro, tento prender o cabelo e tomo o rumo de casa, ainda molhada.