terça-feira, 14 de junho de 2011

Desabafo ou Eu menti no post anterior

Eu disse que gostava de gente. E isto é mesmo quase uma mentira. Quer dizer, é claro que eu gosto de alguns, mas estes são a exceção, e é cada vez mais difícil fazer parte do reino dos meus consagrados, daqueles amados acima de tudo e de todos.

Antes eu era muito sociável, era sempre aquele que me movia bem em todos os grupos, querido em todas as panelas, por todos os tipos. Talvez por uma absoluta necessidade de me encaixar. Ah, mas tem coisa mais irritante do que gente? (rs)

Acho um saco os metidos, por exemplo. Há uma sofisticação natural, uma elegância real, o bom-gosto que se exala da pele da pessoa. Não é desse que falo. O metido precisa a todo instante de mil provas de que está in. Precisa provar sua inteligência, seu apurado senso estético, a exclusividade de suas escolhas para sentir-se minimamente confortável consigo mesmo, formar uma identidade própria, quanto mais esta se distanciar da massa ignara, melhor.

E os gays? Aff... Quando que, de contra-cultura, experimentalismo, contestação, a gente virou estas bilús chatas, saradinhas, propagandas ambulantes de grifes e cobaia preferencial de tratamentos estéticos mil? Ahhh.. que sono!

Ai e os religiosos? Infelizmente eu conto nos dedos das mãos, nem precisa contar com os dos pés, gente que eu conheço para quem a religião faz bem, que torna a pessoa mais autônoma, com um olhar generoso pra vida e pros outros. Que dificuldade com o diferente, seja de que diferença for! Tudo bem que se queira viver na coleira, porque apesar de prender o tal artefato dá segurança, mas impô-la aos outros?

Lobão feelings: “Cansado de tanta caretice, tanta babaquice, dessa eterna falta do que falar”
Eu não gosto de gente.
Só de gente que vale a pena e esses são poucos!
Ui... Desabafei... rsrs

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Manhã preguiçosa

A greve dos professores da rede estadual me liberou do estágio hoje. Nada de acordar as seis da matina. Tempo pra fazer o café do namorado e manhã livre. Arrumo um pouquinho a casa, faço mais uma garrafa de café e sabe o que "encontro"? Um baú cheio de meus textos: coisas curtas para o blog, contos, outros contos ainda maiores, coisas inacabadas, páginas revisadas e em estado bruto.

Este brevíssimo aí em baixo foi uma das primeiras coisas que postei no blog. E tem tanta coisa mais! Ah, se eu pudesse, se meu dinheiro desse, eu queria ser mesmo era escritor.

"Prezada A.
Ontem, enquanto o estrondo da porta batida ainda ecoava pelas paredes brancas e nuas do apartamento, tive o impulso de correr atrás de você. Mas não fiz. Descer os dois lances de escada, ofegante, tonto, com a sua última e certeira frase a girar em mim como num looping interminável, e ir procurar-te assim, não nos faria bem. Pensei que hoje, talvez te achasse no metrô, estação Carioca, de blusa azul e cabelo num corte que ficaria esquisito para o seu rosto, como da primeira vez. Ou em qualquer outro lugar que nesses quatro anos freqüentamos religiosamente. Mas também decidi não ir.

Estou aqui, sentado à mesa posta para dois, esperando o empadão de que tanto gostas assar e acompanhado só pela flor que detestastes, mesmo com o meu argumento invencível à época: “é de plástico, não morre.”.

Resolvi escrever-te. Não mandar um email que é coisa muito comercial e moderna, como somos ambos. Mas mandar-te minhas palavras, nossos momentos, com a minha letra. Eu mesmo numa caligrafia, impresso num papel de carta. Nem sabia que ainda existiam, desci agora a pouco e comprei um bloco. Mas escreverei esta única carta, talvez numa única folha. A verdade é que não sei se quero que voltes. Ontem quando a porta bateu era tudo o que eu mais queria na vida, que voltasses, arrependida, carinhosa, humilhada e depois de uma trepada nervosa e rápida instalar-se-ia novamente o cotidiano das coisas, aquele tão próprio de nós dois. Mas ter passado a noite só, iluminado porcamente pelo Néon do bar aqui em frente, já que a porra da persiana emperrou mais uma vez, me fez pensar.

Por que nos agarramos um ao outro de forma tão desesperada e inútil? Pelas ilhas de descanso aos Domingos à tarde quando todas as ofensas, injúrias e mesquinharias já foram ditas ao longo da semana? Vale a pena morrer de sede de ti para saciar-me em oásis repentinos e breves quando a tua amargura adormece e o meu cinismo e cansaço de tudo se distrai? 

Não sei se reflexões etílicas, a meia garrafa de um uísque vagabundo, feitas ao ritmo de uma música incompreensível qualquer vinda da rua, mas suficientemente ruim para ser percebida logo como tal, são confiáveis. Mas a questão é que, quando tudo começou a perder seu aspecto soturno, porque sempre me parece que a noite nunca vai acabar, e eu vi as primeiras claridades, pensei que, de fato, nós precisamos um do outro, mas não ficaremos juntos.

É injusto precisar desesperadamente de alguém só para confirmar o quanto a vida pode ser sem sentido e o quanto estamos certos em não nutrir mais nenhum sonho. Você me recorda a todo instante, não pelo que diz ou faz, mas por ser isso que você é, que não vale a pena mesmo muita expectativa, que o melhor é se acostumar, viver uma vida em horário comercial, pedir uma comida qualquer por delivery, e se emputecer com as atendentes de telemarketing ao telefone.

No entanto, caramba, o sol nasceu de uma forma tão absurda e original esta manhã que me fez pensar que algo novo pode estar prestes a irromper. Não é que não te queira mais, mas acho que não podemos fazer isso um com o outro. Vou tomar um banho, sair, ver o mar. Se esta carta chegar até você, amanhã ou depois - estás na casa da tua mãe, né? – te peço, por favor, não voltes.

Com Carinho, N.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Vontade de

Este blog nunca ficou tanto tempo parado. Eu, simplesmente, não sabia o que escrever. Faltava-me assunto, vontade, inspiração, tudo. Resolvendo mil coisas, pondo-me todo nos afazeres externos, me era impossível certo recolhimento que precede a escrita. Como quando o míope sem óculos precisa comprinir o olho para achar o foco e enxergar, há um movimento tênue mas absolutamente necessário para que eu veja, sinta e, então, escreva.

Mas hoje me deu vontade. De não versar sobre nada, só escrever. Porque fazê-lo é de certa forma, como já dizia Clarice, uma espécie de salvação (é de Clarice mesmo?). A vida é imprevisível, louca, insuperável, forças aleatórias a criar e destruir pobres seres conscientes ou não. Mas quando escrevo: “sol”, “café”, “vida”, “morte” sou eu que dou o tom, a tessitura, dou, de certa forma, uma existência a todas essas coisas. Filtro, alinho, ponho em sobretons o caráter espetacular e mágico de se estar vivo, que, normalmente, se perde em cada esquina, se esvai anonimamente a cada distração que surge.

Eu leio e escrevo no fundo porque gosto de gente. E quer você escreva poesia abstrata à décima potência, contos e novelas ou o que comeu no café da manhã é você que está ali. O que se mostra, então, é esta articulação nervosa e viva entre o que se sabe, se aprendeu na escola, nas gramáticas e o que só se intui, advinha, pressente e que nomes bobos como emoção, afeto, imaginação não conseguem dizer o que é. Eu só confio em gente que lê; se escreve então, tem meu coração e minha alma.

I`m backy, buddies!

terça-feira, 31 de maio de 2011

O professor: Recurso mais importante no combate à homofobia na escola

Lembra que eu disse aqui como fiquei feliz com um trabalho sobre transexualidade no estágio. Pois é, alegria de gay dura pouco. Esta semana o tema da aula eram as políticas de reparação e reconhecimento de grupos minoritários. O professor fez um paralelo entre a lei contra o racismo de 1989 e o Projeto de Lei Complementar 122 que, entre outras discriminações, confere o mesmo status de crime às manifestações homofóbicas de que gozam as racistas.

Disse que gostaria de um debate sobre as semelhanças e diferenças a respeito destas duas formas de discrimanção. Mas o que fez, de fato, ao longo de toda a aula foi defender que o projeto contra a homofobia era contrário à liberdade de expressão. A lei contra o racismo teria consagrado uma postura unânime da sociedade sobre o tema, enquanto a questão da homofobia é bastante controversa. Pra coroar, citou apenas uma parte do texto do projeto de lei e pôs no quadro o manifesto inteiro da Faculdade Presbiteriana Mackenzie, sublinhando a parte em que se afirma que nem toda manifestação contrária aos homossexuais é homofóbica. Citou ainda Bolsonaro e Marcelo Crivella. Ele chegou ao ponto de apelar para a questão do humor, quase dizendo que fazer piada das minorias era algo absolutamente inocente. Lembrei de um professor meu da faculdade que, em sua dissertação de mestrado sobre as travestis, afirma que as piadas e os risinhos vão criando o ambiente que ajuda a apertar o gatilho.

Desde quando a liberdade de expressão é um valor absoluto ao ponto de se permitir a degradação da dignidade humana de outros cidadãos que gozam do direito não só à vida e integridade física, mas também à sua imagem? Dizer que o repúdio ao racismo era já consenso na sociedade brasileira e por isso a lei consagrou uma atitude social já consolidada? Para que a lei então? Eu cresci vendo na televisão piadas sobre negros, pegando elevadores sociais nos quais as empregadas domésticas e porteiros, muitos deles negros, eram impedidos de entrar. Tudo isto foi mudando graças à maior consciência sim, mas muito por causa do instrumento coercitivo que a lei proporcionou a quem era descriminado.

Fiquei com pena dos alunos, alguns visivelmente gays. Mais do que material didático contra a homofobia, é urgente que se invista na sensibilização dos professores em relação à questão.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Saudade das quase 17h

São 16h43 e me falta o ar ao me lembrar do jeito como ontem, entre um gole e outro no chope, nos olhamos. As quase cinco da tarde a saudade é uma pontada. Ela nem existia quando saí hoje de manhã e te deixei: de lado, tua pele morena sobre o lençol branco, teus lábios que mesmo em sono pareciam me prometer futuros. Assim, dormindo, só perdi teus olhos: grandes, atentos, que me falam de tanta doçura ainda que dele não saiam palavras.

Deixei-te o café pronto, um bilhete de bom-dia e saí feliz, porque minha casa não estava vazia. Fechei a porta cuidadosamente, porque lá dentro, no breu do quarto, na minha cama, estava você.

À porta do prédio deve ter começado. O dia sem você, sem os olhares que tudo entendem, as pequenas carícias que me confortam, a sede de tuas mãos nas minhas a cada instante, e eu fiquei feliz de sentir, ali na esquina da rua, a pouquíssimos metros de onde você estava, esta saudade nascente.

A madrugada fora estranha. Em algum momento, entre o acordado e o sonho, tive medo. Acho que depois que disseste o quão claramente você está envolvido, tremi. Eu posso ser bem idiota nessas horas e fui, ainda que tudo tenha se passado em mim, sem nem se quer um olhar que me traísse e revelasse essas sombras. Como um raio me veio o quão vulnerável o amor nos torna ao amado, por mais que nos cerquemos contra esta espécie de fragilidade que, no entanto, faz parte mesma do que é o amor. O cansaço das últimas vezes, o quanto decidido a me relacionar de forma diferente de tudo o que se pode chamar de “namoro” eu estava.

Agora? Não sei mais. Não há planos, decisões, ou estratégias. Só esta saudade imensa, este desejo do teu abraço, da tua boca na minha, tua barba brincando em meu pescoço, esta vontade de fechar os olhos e, em paz, sentir tua respiração ao meu lado.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Teste para um projeto secreto

Foi só pôr o primeiro pé na rua e ela começou, uma chuvinha lenta, mas insistente, de um friozinho histérico. Saco! Com a minisaia e a blusa que eu tava iria sentir um puta frio até chegar em casa.
“Merda! Chuva...”

Espantada, olhei pro lado. Havia me esquecido completamente dele.

“Qual teu nome mesmo?”
“Porra, tu não lembra?”
“Cara, se lembrasse eu tava te perguntando?”
Apressei o passo. Porque todo cara bonitinho e que beija bem, sim do beijo eu lembrava, fode com tudo quando abre a boca?
“Marco”
“Ah... Tu não parece”
“Que?”
“Tua cara não é de Marco.. sei lá, parece mais Bruno ou Antônio”.

Ele fez uma cara escrota e a chuva apertou. Merda, vou chegar toda molhada em casa. A água insistia e penetrava em arrepios contínuos a malha fina da minha blusa, ensopava o jeans da saia, nem o tecido mais grosso das meias quase até os joelhos eram capazes de resistir.
“Merda de chuva!”

Ele sorriu divertido, com sua cabelerira rebelde amansada pelo dilúvio. Tinha olhos grandes o Marco.
“Vem”

Debaixo da marquise, ainda atingidos pela água onipresente, mas um pouco mais a salvo esperávamos. Seu braço tocou o meu. Eu quis lhe secar os cabelos agitando-os com minhas mãos molhadas. Beijo, beija bem o danado.

Uma língua quente no frio de uma esquina em Botafogo no meio da madrugada não é nada ruim. Aqui e ali um certo amargor de cerveja é sentido, mas não quero que ele pare. Estou molhada e com frio. Seus braços finos mas decididos me abraçam, vasculham minhas costas, apertam minha bunda. Eu não deixaria, mas ali somos só nós e a chuva. Nem um mendigo, um cachorro qualquer estaria tão desamparado debaixo daquela marquise.

Aperto-o com vontade. Começo a tremer de frio, estou molhada. Ele me aperta ainda mais e suas mãos deslizam em meu corpo, sinto a ranhura de seus dedos sobre meius peitos, vencendo minha blusa, ultrapassando o vigor do sutiã novo, a aspereza gelada de sua mão aperta os bicos dos meus peitos. Penso em protestar, mas molhada numa esquina escura no meio de uma madrugada onde o mundo desaba em água?

Dos peitos pra barriga, quando descobre meu piercing, vejo-o sorrir, eu o impeço de falar. Me beija, não pára é o que ele advinha no meu corpo fortemente junto ao dele. Molhada, peciso do seu calor. Ele desliza suas mão pra baixo do meus jeans, abre minhas coxas e, sem pudor, invade minha calcinha. Eu tremo e me lembro de minha mãe falando das meninas fáceis de hoje em dia “Que horror, que horror” e torce o nariz arrebitado em plástica. Não pare, a forma como prendo seus dedos entre minhas coxas úmidas lhe diz. Um, dois, quase três dedos. Molhada, quente.

Ele me põe contra a parede e num gesto automático, como se fizesse isso em todas as madrugadas chuvosas por todas as esquinas da cidade, abre o zíper, tira uma camisinha do bolso e se joga sobre meu corpo. Penso em gritar, mas minha boca chupa os dedos de sua mão; em pedir que pare enquanto algo se rompe definitivamente na minha vida, mas minha boca em sua orelha não deixa; minha voz arfante em palavras desconexas, minha boca na dele. Uma quentura viscosa sai de mim, enquanto esta mesma quentura em ondas se projeta em círculos desde a minha barriga, captada pelos bicos dos meus seios em ondas que me contraem o abdômen, retesam meus músculos. Vonta de rir, descontroladamenete, enquanto ele geme como se tivesse sido atingido por uma dor estranha. Mordo-lhe a orelha.

“Porra! Tá maluca, sua escrota?” Ele tenta reter o sangue que mancha agora seu pescoço. O pau já murcho, num espetáculo deprimente devidamente guardado. Marco saiu furioso e eu, rindo de gargalhar.

Sozinha, depois de dois segundos a chuva pára. Acendo o último cigarro, tento prender o cabelo e tomo o rumo de casa, ainda molhada.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Des-costura

As coisas não são, elas se fazem. No princípio era o vácuo. E, então, alguém inventou: homem, mulher, moral, sexo, normal, correto. A partir do primeiro contorno rarefeito de cada uma destas coisas se viu que era necessário mais formas, definir, moldar: mulher-dócil-materna, homem-ativo-provedor, sexo-homem/mulher; a cada laço se reforçava como o “é assim” o que se inventava apenas a cada vez que se contavam casos, histórias, teorias científicas, narrativas sagradas. Cada laço, moldando, ajustando, formando o que, depois, se vê como a identidade sólida e perene de algo. Porque tudo é performance.

Formar-se per, através de, insistindo-se perenemente, e em laços sempre outros a respeito do mesmo. Costura-se, amarra-se de todas as maneiras possíveis, a única exigência é que o tecido seja inteiro, de alto a baixo sem linhas, junturas ou justaposições. É preciso que a costura se perca para deixar que as coisas apenas “sejam”, numa identidade que se produz a cada instante e instância.

Daí o medo dos incautos. Como desafiar um mundo de certezas? Ser homem e gostar de homem? Ser mulher e não jogar as tranças esperando alguma espécie de salvação? Os covardes dirão que é tudo muito difícil e cruel, que as coisas são como são e ponto. O que eles não sabem, ou não querem enxergar, é que as coisas não são, elas se fazem.

A natureza inscrita numa espécie de código imutável a se repetir perenemente, a sociedade como instância que precisa de bases sólidas e homogêneas, protegidas como o interesse maior da humanidade, sancionada pela benção divina que criou homem e mulher. Filmes, livros, discos, “desde que o mundo é mundo é assim” transmitem certezas absolutas e contam com manicómios, exorcismos, alguma permissão temporária no carnaval, normal/anormal e lâmpadas na cara em plena avenida para ajustar os desviantes. Tudo para que o que se faz reiteradamente como condição de se manter, desponte apenas como a obviedade do “desde sempre foi assim”.

O que não se percebeu de antemão é que, cada laço que afirma não se encaixa completamente no anterior, a costura não é perfeita, há espaços, vazios, volumes e fendas não previstas. Porque sendo performance, ser homem e mulher, nunca pode ser exatamente a mesma coisa. Não sabiam disso, não contavam comigo e tantos outros.

Aqui e ali, alargamos as brechas, vemos oportunidades na folga de laços, atrapalhamos, com apurado senso de espetáculo, o fazer-se repetitivo da trama. Retiramos da invisível sombra, o tecer constante do “normal”. Ser homem, ser mulher não é de forma alguma destino natural, mas é o que se inventa disso, e nisso falaremos mais e mais, para escândalo dos opressores e glória dos que sabem ser a vida o que, afinal de contas, importa. Então porque não fazê-la mais ampla e colorida?