segunda-feira, 23 de maio de 2011

Doce é

Leve. E isto é uma forma de ausência. Porque teu corpo sobre o meu não é jamais um peso, mas, sim, afago. Para meus ossos cansados dos atritos no longo caminhar, vigor; para minha pele, quebradiça à custa de tanto, sol, chuvas, intempéries, bálsamo; para minha boca, a tua é fonte.

Prazeres que eu não sabia; recantos agora vivos, antes em dormência de séculos, só porque você me abraça, no exato momento em que sinto teu respirar junto ao meu pescoço, tuas mãos a me bagunçar o cabelo, teu hálito, bom e quente, num convite tão próximo à minha língua sedenta.

Eu não sei de amanhãs e para sempres. Nunca soube. Mas hoje é tão bom, que, por onde passo os campos verdejam. Eu não sei de amanhãs ou depois, mas por ora, tudo em mim é vida e ela canta sua doce e perfeita melodia.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Correria, Alegria e Musiquinha

Correria danada no trabalho hoje

Alegria imensa no tum-tum (é bate o coração)

E olha que musiquinha mais legal!

terça-feira, 17 de maio de 2011

A mais triste


Ela é sem sombra de dúvida uma das cantoras mais interessantes da atualidade. Voz incrível, que atinge modalidades, texturas diversas, do tipo que você não se cansa de ouvir porque a cada vez que o faz, percebe sempre algo novo. 23 anos, mas composições, canto e visual de diva à moda antiga.

Bateu Lady Gaga recentemente no ranking de canção mais tocada, sem clipes milionários, chifres e outras bizarrices. No Brit Awards apresentou-se apenas acompanhada do piano, esteve quase imóvel diante do microfone o tempo todo, mas soltou a voz e isto foi mais que o suficiente. Única artista a se igualar a marca dos Beatles, desde 1964, tendo consecutivamente dois albúns mais vendidos e duas canções mais tocadas na Grã-Bretanha.

Outra peculiaridade é que enquanto todas as divas pops cantam sobre uma sexualidade feminina poderosa e livre, sobre o amor plenamente realizado ou sobre como, magistralmente, deram a volta por cima, Adele canta a imensa dor da perda, do esfacelamento do amor.

Em entrevista recente para a revista australiana gay “Out” afirma que o seu ex, é, de fato, sua alma gêmea e que largaria tudo, até a carreira, confinaria mesmo sua voz ao chuveiro por ele. Adele teme que, num próximo albúm em que esteja feliz, a mágica acabe. Imagina os críticos a esculhambando e recomendando que volte a ficar na merda pra que produza, de novo, algo bom.

A tristeza é bela? Ou o olhar sensível torna belo o que contempla? Não sei. Mas espero que Adele continue nos agraciando com letras deste quilate, sejam elas tristes ou alegres:

“And I wish I could lay down beside you
When the day is done
And wake up to your face against the morning sun
But like everything I've ever known
you'll disappear one day
So I'll spend my whole life hiding my heart away”

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Memória da pele

Sinto falta do quente da tua pele na minha. Ainda prevejo, no instante imediatamente anterior, o arrepio que tua barba me causa, oriçando-me a nuca, as costas, os pêlos todos. Quero de novo nossos abraços perfeitos. Tão amplos e confortáveis que hecatombes não destruiriam e maremotos não seriam capazes de nos separar.

Tua língua desenhando horas perfeitas na minha, a tarde que se escoa pesarosa de nos deixar à escuridão da noite, já que sua penumbra chuvosa foi o manto perfeito a cobrir nossa nudez entregue, nossos corpos em delícias de se dar e receber, a descoberta desta geografia de macho que tanto me encantou: tórax, pêlos, barriga, pau. Tudo devidamente conhecido, tateado, sorvido com ânsia e ternura, volúpia e delicadeza.

Quero teus planos para nós em cochichos ao meu ouvido, verdadeiras carícias em segredos que só eu e você conhecemos. O regalo dos teus braços fortes, dos teus olhos que brilham qual fruta madura da estação a sempre me abrir o apetite.

Quero que esta memória da pele, se enraíze em mim, se infiltre pelos poros, atinga os capilares, se comunique a tudo o que sou e assim, abraçado em todas as minhas possibilidades orgânicas de ser, estaremos juntos e secretamente unidos durante todo o longo e pesaroso dia.

Sinto falta do doce das tuas palavras, do veneno inebriante que é teu beijo, do suor mais que justificado a surgir do teu corpo em meio a tudo o que nos tornamos depois da entrega, sem reservas e quase sem nenhum medo, de um ao outro.

Quero a ti, de novo e de novo. Até lá, guardo viva a memória da pele pulsando em mim, teus abraços serão meu almoço, matarei minha sede no úmido de teus beijos, como se tudo o que traz vida e sustenta os meus dias evocasse luxuriosamente aquela tarde de Domingo.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Kd meu post de ontem, porra???

Sumiu o post, os comentários, já eram meu Planos Perfeitos....aff!

Bom, mas o importante é que o glorioso Rodrigo desvendou o maior enigma de todos os tempos. Porque há tanta gente como nós - quer dizer: bonito, rico, gostoso, intelectual, de bom-gosto, que entende de moda, decoração e Física Quântica - solteira?

Tchan na na nan (sempre quis escrever isto): Eis a resposta!



òtimo Fim-de-semana!!!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Planos Perfeitos

Compraremos um casarão abandonado em algum quase subúrbio da cidade. Sei do sinal: uma mangueira na frente, com cipós que se lançam ao chão e ficam por lá, relaxados e distraídos. Há de se fazer algumas reformas: cada cômodo de uma cor, precisaremos urgentemente de piso de madeira que ressoe gostoso, como nas casas felizes de antigamente.

Na sala apenas um sofá para amigos mais velhos e muitas almofadas, para que, ao chegarem, aqueles que vem sintam-se em casa desde o primeiro minuto, porque só os muito queridos entrarão. Haverá uma senha secreta e boba a ser dita no portão e só depois de ouví-la o vira-latas que tomará conta da casa e se chamará Lico, Princesa, Florzinha ou Cão, permitirá a entrada.

Aqueles que vierem serão recebidos pela gargalhada vibrante de S., receberão o brilho dos olhos de Borboleta num chamego todo especial e o meu melhor e mais terno abraço. Poderão deixar de lado as pastas, gravatas, mochilas, as roupas todas e dançaremos nús e completamente fora do ritmo durante a noite inteira. Exatamente as 2h37 pararemos a música, nos sentaremos em roda e cada um contará a história de uma paixão fracassada diante do absoluto silêncio dos demais. Ouviremos então Dolores ou Maysa ou Anthony and the johnsons ou mesmo Adele. Pode-se chorar um pouquinho, Mas logo haverá mais cerveja, outros abraços, diferentes músicas e nos lembraremos que estamos vivos e que isto é, por si só, um imenso privilégio.

Pela manhã acordarei S. e Borboleta com o cheiro inebriante do meu café invencível. Leremos os jornais desconfiando da seriedade de tudo e trocaremos as flores por outras novas, emocionados por a vida ser assim, bela e voraz. A vida consome tudo: o tempo, os planos, as reservas, os bons propósitos só o que fica é a beleza e esta será tudo nesta nossa casa. Duvida? A prova é que ao entardecer sentaremos os três em grandes poltronas, impactados pela maneira como o sol lança os últimos reflexos dourados sobre as cortinas de retalhos multicoloridos.

Beberemos vinho ouvindo Chet Baker e, revigorados, sairemos pelas ruas de mãos dadas sem deixar que percebam se somos um ménage a trois, umas virgens inocentes, velhas futriqueiras ou bando de loucos.

Teremos rasgado nossas identidades, jogado fora nossos CPF’s, feito o enterro ritual de tudo o que se exige de nós para ser alguma coisa e seremos, então, só e absolutamente o que desejarmos, o que a imaginação nos colorir, o que inflar em nós o santo e irriquieto desejo.

Amém.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Fica a dica



O post anterior foi inspirado no filme Strapped, do diretor Joseph Graham de 2010. A ação toda se passa num único prédio que, na descrição de um dos personagens, é o edifício “mais gay da rua mais gay da cidade”. Talvez por isto o michê, papel principal do filme, não consiga deixar o prédio, encontrando sempre clientes pelos corredores. Na lista inumerável destes há o tímido, os porras-loucas, o idoso, o pseudo-hétero homofóbico.

A atmosfera é quase sempre lúgubre, no entanto, é visível o afeto que o diretor tem por aqueles personagens perdidos na noite satisfazendo seus desejos. Há na relação do michê com seus clientes uma espécie de carinho, de cuidado que empresta ao filme certa ternura.

Sem dúvida alguma o grande destaque é o ator que faz o michê, Ben Bonenfant (é também dele a foto no post anterior). Sabe aqueles atores cuja câmera adora? Parece ser o caso. Não há nenhuma cena explícita, o máximo que se revela de Ben é o cofrinho, mas quando ele tira a roupa dançando sensualmente, sorri ou te olha de um jeito entre o malandro e o perdido, dá vontade mesmo de levar pra casa e dar tudo, até a senha do banco se ele te pedir com jeitinho.

Só não gostei mesmo do final (No spoiler!). Mas eu ando mesmo muito chato pra coisinhas felizes.