sexta-feira, 29 de abril de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Estilhaço-instante
Este é o momento para rasgar o instante.
À minha frente o monitor desdobra-se em mil telas, cada uma pendência de algo a se fazer.
Meio copo d’água e uma xícara de café vazia, borra na qual não se advinha futuro algum.
Mais à esquerda Edu liga, trabalha, suspira: conformado. E à direita, a cidade se move impávida e monótona, bem ao ritmo das Quintas-feiras por volta de 17h15 da tarde.
Vamos rasgar o instante?
Play, música, o amargo do café, o aperto no pau por sobre a calça, a lembrança do derradeiro abraço do último amor.
Vamos estilhaçar o momento inerte em frente desta geringonça devoradora de almas?
Intimidades que se comem junto com o almoço na companhia querida do amigo há horas atrás, amanhã é sexta, há vinho em casa e o último chocolate da páscoa ainda te espera em cima da geladeira.
Sábado beberei com Bia, Domingo será dia de dormir até não poder mais e tenho meia dúzia de pessoas queridas com quem conto pro que der e vier.
Pronto.
Salvo o instante, volto ao trabalho.
À minha frente o monitor desdobra-se em mil telas, cada uma pendência de algo a se fazer.
Meio copo d’água e uma xícara de café vazia, borra na qual não se advinha futuro algum.
Mais à esquerda Edu liga, trabalha, suspira: conformado. E à direita, a cidade se move impávida e monótona, bem ao ritmo das Quintas-feiras por volta de 17h15 da tarde.
Vamos rasgar o instante?
Play, música, o amargo do café, o aperto no pau por sobre a calça, a lembrança do derradeiro abraço do último amor.
Vamos estilhaçar o momento inerte em frente desta geringonça devoradora de almas?
Intimidades que se comem junto com o almoço na companhia querida do amigo há horas atrás, amanhã é sexta, há vinho em casa e o último chocolate da páscoa ainda te espera em cima da geladeira.
Sábado beberei com Bia, Domingo será dia de dormir até não poder mais e tenho meia dúzia de pessoas queridas com quem conto pro que der e vier.
Pronto.
Salvo o instante, volto ao trabalho.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Contracorrente
Fui preparado para o clássico roteiro de filme gay: Um amor incandescente e proibido entre dois machos, os conflitos, um querendo tornar pública a relação e o outro satisfeito com o armário e, claro, um final trágico. Há coisa mais sofrida que filme de biba?
Confesso que os atores serviram como um chamariz a mais. Dentre as miríades de tipos que me despertam o interesse, há um lugar especial para os barbudos, adoro-os. É o caso dos dois no filme. Um ainda é pescador: aquela wibe rústica, torso bronzeado ao sol, corpo trabalhado nas labutas ao mar... aiai.
Contracorrente fica no limiar entre o óbvio, sem fugir muito do esquema previsto e o surpreendente, porque o faz a partir de elementos inusitados. Confesso que o acontecimento que dá o mote à obra me deixou bem irritado quando o entendi, mas depois ele surge como metáfora maravilhosa para os amores no armário.
É um alívio e uma situação muito confortável para milhares de homens e mulheres que curtem o mesmo sexo, manter um estilo de vida socialmente aprovado e domesticar o desejo, deixando-o escondido ou vivê-lo em escapadelas, em hiatos, em breves momentos nos quais se pensa poder suspender sua inserção social, seu papel, sua identidade conquistada diante dos outros e realizar então o interdito desejo às margens, na penumbra esquizofrênica entre o que arde em nós e quem nos permitimos ser.
Não gosto de moralismos, mas acho mesmo que, de uma forma ou de outra, é assumindo em alguma instância o que se é, discreta ou corajosamente, que vai se naturalizando questões como a da homossexualidade. Às vezes para a nossa realização e para que outros encontrem mais espaço e possam respirar mais livremente sendo quem são é preciso mesmo nadar contracorrente.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Farmacon
A sua loucura, ela punha-a em potes. Em épocas de tensões hormonais, reuniões de avaliação, prazos de entrega: grandes baldes que se espalhavam pela casa toda, sempre respingando e, por isto, não podia mesmo evitar shots de cachaça às segundas, noites insones com homens que sabia não valer a pena nas quartas. Mas tudo bem, o excesso estava mesmo contido em baldes, panelas e vasilhames por toda a a casa.
Normalmente, no entanto, pequenos potes de requeijão, de antigos perfumes, de outros tantos conteúdos lhe bastavam. E assim passava por uma mulher independente, culta e que já chegou a orgasmos inúmeras vezes na vida, uma mulher “Cláudia” ou, até mesmo, uma fêmea “Marie Claire”.
Até bem pouco tempo tampava com força cada pote, a fim de evitar qualquer emanação de loucura. Queria prendê-la, negá-la, tampando-a à vácuo. No entanto aqui e ali, o cabelo tão amansado de secador e escova rebelava-se em cacho, misteriosamente a saia comportada se abria em fendas e ela em confraternizações de trabalho e happy hours para networking se via dando mole de forma horrorosamente vulgar para os mais reprováveis tipos. A loucura havia escapado.
Hoje, a carrega em ampolas na bolsa. Quando o trânsito vai mal, abre suavemente o vidrinho e aspira: aumenta o som e balança a cabeça como num derradeiro show de Metal. No meio da reunião, metas a serem atingidas, capital a ser conquistado; para escapar à carranca de tédio absoluto que ameaça se formar, passa um pouquinho de loucura no pulso e a cheira como um perfume; então, enquanto se decifram os balancetes do ano anterior, desce a mão discretamente, apalpa as próprias cochas, vasculha o interior da saia sentindo a suavidade do tecido que roça sua pele em arrepio e chega, em brevíssimas investidas, na fonte úmida de seu prazer.
Ontem bebeu um vidrinho inteiro e, diante das preocupações do chefe sisudo, riu solta e deliberadamente, pegou suas coisas e, antes de bater a porta com estrondo, jogou, como uma bóia a um náufrago, um pote médio de loucura no colo do patrão com o rótulo: Consumir todo. Acredite, você precisa.
Normalmente, no entanto, pequenos potes de requeijão, de antigos perfumes, de outros tantos conteúdos lhe bastavam. E assim passava por uma mulher independente, culta e que já chegou a orgasmos inúmeras vezes na vida, uma mulher “Cláudia” ou, até mesmo, uma fêmea “Marie Claire”.
Até bem pouco tempo tampava com força cada pote, a fim de evitar qualquer emanação de loucura. Queria prendê-la, negá-la, tampando-a à vácuo. No entanto aqui e ali, o cabelo tão amansado de secador e escova rebelava-se em cacho, misteriosamente a saia comportada se abria em fendas e ela em confraternizações de trabalho e happy hours para networking se via dando mole de forma horrorosamente vulgar para os mais reprováveis tipos. A loucura havia escapado.
Hoje, a carrega em ampolas na bolsa. Quando o trânsito vai mal, abre suavemente o vidrinho e aspira: aumenta o som e balança a cabeça como num derradeiro show de Metal. No meio da reunião, metas a serem atingidas, capital a ser conquistado; para escapar à carranca de tédio absoluto que ameaça se formar, passa um pouquinho de loucura no pulso e a cheira como um perfume; então, enquanto se decifram os balancetes do ano anterior, desce a mão discretamente, apalpa as próprias cochas, vasculha o interior da saia sentindo a suavidade do tecido que roça sua pele em arrepio e chega, em brevíssimas investidas, na fonte úmida de seu prazer.
Ontem bebeu um vidrinho inteiro e, diante das preocupações do chefe sisudo, riu solta e deliberadamente, pegou suas coisas e, antes de bater a porta com estrondo, jogou, como uma bóia a um náufrago, um pote médio de loucura no colo do patrão com o rótulo: Consumir todo. Acredite, você precisa.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
No currículo escolar
Comecei meu estágio, obrigatório para quem faz licenciatura, atrasado por motivos burocráticos. Hoje o professor corrigiu a prova bimestral e 2 trabalhos que complementaram a nota desta. E qual não foi minha surpresa ao ver que um destes trabalhos era sobre gênero e diversidade sexual.
A primeira questão pedia para citar 2 elementos que definem o sexo de uma pessoa, por exemplo, órgãos genitais e hormônios. A segunda era sobre gênero, definindo-o como a expectativa social a respeito dos sexos em determinada cultura. A última questão: Qual a orientação sexual de uma transexual?
O professor salientou que aceitou tanto quem considerou a orientação da trans antes da operação de mudança de sexo, que segundo ele seria então “homossexual”, quanto após a cirurgia, aí a resposta correta seria “heterossexual”.
Confesso que achei bem esquisita a questão. Mas ver meninos e meninas por volta de dezesseis anos em um colégio estadual discutindo sobre diversidade sexual como matéria de aula renovou minha esperança que, apesar de tanta caretice neste mundo, a gente está definitivamente conquistando espaços e preparando uma sociedade mais plural e colorida sem que se tenha que matar ou morrer tanto por causa disto. E viva o Gay Power!
A primeira questão pedia para citar 2 elementos que definem o sexo de uma pessoa, por exemplo, órgãos genitais e hormônios. A segunda era sobre gênero, definindo-o como a expectativa social a respeito dos sexos em determinada cultura. A última questão: Qual a orientação sexual de uma transexual?
O professor salientou que aceitou tanto quem considerou a orientação da trans antes da operação de mudança de sexo, que segundo ele seria então “homossexual”, quanto após a cirurgia, aí a resposta correta seria “heterossexual”.
Confesso que achei bem esquisita a questão. Mas ver meninos e meninas por volta de dezesseis anos em um colégio estadual discutindo sobre diversidade sexual como matéria de aula renovou minha esperança que, apesar de tanta caretice neste mundo, a gente está definitivamente conquistando espaços e preparando uma sociedade mais plural e colorida sem que se tenha que matar ou morrer tanto por causa disto. E viva o Gay Power!
quarta-feira, 20 de abril de 2011
"Comi uma cenora... tão GRANDE ela era..."
Querid@s, irmanados por este hino pornô-soft de Páscoa desejo a todos:
Ótima Páscoa
Excelente Feriado
Até semana que vem!!
Ótima Páscoa
Excelente Feriado
Até semana que vem!!
terça-feira, 19 de abril de 2011
Se acaso você chegasse
Eu já quis você em meus braços em tardes de domingo embaladas com sol, cerveja e amigos quando, aqui e ali, riríamos bobos de coisas que só nós saberíamos.
Já te quis como o ombro que não falta, o abraço que aquece e as mãos sempre dadas no cinema.
Quis te levar em almoços de família, em churrascos de colegas, te desejei expor em públicas manifestações, porque nosso amor seria motivo suficiente para desafiar todas as nossas próprias covardias, pelo menos, as mais complacentes com a caretice absurda do mundo.
Eu também já te quis apenas esta noite, enquanto a música está alta e a bebida faz efeito. Te desejei em fogos breves, na exata duração da tua boca em minha nuca, meu peso sobre o teu, enquanto minha sede não se encontrasse satisfeita em teu corpo másculo, no teu pau rijo.
Eu te amei de longe e no mais perto, para sempre e só por um instante ao saber de tuas belezas e medos mais sutis e sem nem ouvir teu nome.
E agora?
Falta-me disposição para me encantar contigo. Em cinco minutos de conversa me vêem trezentas opções melhores para se fazer àquela hora do que estar em teus braços.
Tudo que te interessa me parece já visto: teus sussurros são ecos de tantos outros, tuas percepções de mundo, compradas em bancas de jornal em qualquer esquina.
Teu amor reciclado me dá ânsias de vômito e tuas promessas e declarações se desfazem no ar, são um sopro, duram a medida exata da mesma voz que as pronunciou e depois, o vazio.
O que fazer num mundo de desertos? Pegar o que é seu, pôr ao ombro seu fardo e continuar caminhando. Estender o abraço aos amigos, perfurar com dificuldade e obstinação seu próprio poço e beber da sua água, satisfazendo-se, dando-a aos outros, saciando sedes, mas sem dar-se.
Até que você apareça, até que surjas tu que me capte num sorriso e vença meu olhar experiente de tudo já ter visto, com um brilho novo.
Até que as palavras se calem, as lógicas sejam vencidas e, num gesto absolutamente consciente e livre, eu abra a minha porta e, sereno, diga: Sê bem-vindo.
Por ora, meu ceticismo pergunta: Acaso você existe?
Já te quis como o ombro que não falta, o abraço que aquece e as mãos sempre dadas no cinema.
Quis te levar em almoços de família, em churrascos de colegas, te desejei expor em públicas manifestações, porque nosso amor seria motivo suficiente para desafiar todas as nossas próprias covardias, pelo menos, as mais complacentes com a caretice absurda do mundo.
Eu também já te quis apenas esta noite, enquanto a música está alta e a bebida faz efeito. Te desejei em fogos breves, na exata duração da tua boca em minha nuca, meu peso sobre o teu, enquanto minha sede não se encontrasse satisfeita em teu corpo másculo, no teu pau rijo.
Eu te amei de longe e no mais perto, para sempre e só por um instante ao saber de tuas belezas e medos mais sutis e sem nem ouvir teu nome.
E agora?
Falta-me disposição para me encantar contigo. Em cinco minutos de conversa me vêem trezentas opções melhores para se fazer àquela hora do que estar em teus braços.
Tudo que te interessa me parece já visto: teus sussurros são ecos de tantos outros, tuas percepções de mundo, compradas em bancas de jornal em qualquer esquina.
Teu amor reciclado me dá ânsias de vômito e tuas promessas e declarações se desfazem no ar, são um sopro, duram a medida exata da mesma voz que as pronunciou e depois, o vazio.
O que fazer num mundo de desertos? Pegar o que é seu, pôr ao ombro seu fardo e continuar caminhando. Estender o abraço aos amigos, perfurar com dificuldade e obstinação seu próprio poço e beber da sua água, satisfazendo-se, dando-a aos outros, saciando sedes, mas sem dar-se.
Até que você apareça, até que surjas tu que me capte num sorriso e vença meu olhar experiente de tudo já ter visto, com um brilho novo.
Até que as palavras se calem, as lógicas sejam vencidas e, num gesto absolutamente consciente e livre, eu abra a minha porta e, sereno, diga: Sê bem-vindo.
Por ora, meu ceticismo pergunta: Acaso você existe?
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