A primeira vez que a ouvi foi no blog do Dan. Na ocasião eu simplesmente "gostei", ou seja, nada que despertasse a minha ânsia de procurar na wikipédia sobre, conferir a discografia, baixar as músicas, como faço quando adoro.
Mas então houve o Brit Awards e Adele fez uma das apresentações mais tocantes que já vi. Sem saltitar no palco, se vestir de chã de dentro e patinho ou ter um ventilador constantemente diante da cabeleira, a jovem de apenas 22 anos(!) mostrou-se do porte de uma diva: voz, e que voz, e interpretação eletrizante.
Aí sim, quis saber tudo, baixei os dois CD`s da moça (19 e 21) e ouço quase todo dia, algumas músicas, como a da apresentação no Brit Awards, mais de uma vez... vício é assim.
Confere aí embaixo. É ou náo uma diva?
quinta-feira, 14 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
"Quando Setembro chegar" ou "À tarde, com Borboleta"
Sair deste escritório, romper o ensurdecedor barulho dos carros, da britadeira na esquina, esquecer o zumbido constante das pequenas preocupações dos transeuntes. Arregaçar mangas, expulsar a gravata e num rodopio olímpico ver os sapatos pendurados em qualquer fio de alta-tensão.
Quero te encontrar na praia. Deve ser à hora precisa: 17h45. Porque assim falaremos sobre o obscuro dos dias, o pesado da alma, o quanto é preciso ser forte a cada instante e matar um leão a cada três horas neste mundo louco, até que, surpreendidos pela luz rósea, olharemos o Dois Irmãos e, diante do sol, que se vai num último êxtase espalhando sua luminosidade difusa sobre a areia branca, entenderemos que tudo na vida se põe. E que enquanto estamos vivos e de pé não se pode negligenciar o milagre.
Deixaremos lentamente a praia junto à caravana de crianças saltitantes e pais cansados e procuraremos o bar mais simples, com mesas de alumínio, balcão velho, azulejos azuis e cerveja gelada. Do centro do mundo onde estamos, abriremos uma, duas, mais garrafas e ouvindo a noite começar ao redor, fixar-me-ei em teus olhos risonhos que são uma celebração.
Quero te encontrar na praia. Deve ser à hora precisa: 17h45. Porque assim falaremos sobre o obscuro dos dias, o pesado da alma, o quanto é preciso ser forte a cada instante e matar um leão a cada três horas neste mundo louco, até que, surpreendidos pela luz rósea, olharemos o Dois Irmãos e, diante do sol, que se vai num último êxtase espalhando sua luminosidade difusa sobre a areia branca, entenderemos que tudo na vida se põe. E que enquanto estamos vivos e de pé não se pode negligenciar o milagre.
Deixaremos lentamente a praia junto à caravana de crianças saltitantes e pais cansados e procuraremos o bar mais simples, com mesas de alumínio, balcão velho, azulejos azuis e cerveja gelada. Do centro do mundo onde estamos, abriremos uma, duas, mais garrafas e ouvindo a noite começar ao redor, fixar-me-ei em teus olhos risonhos que são uma celebração.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Women in love -
Acabei de assistir o primeiro episódio da nova minissérie da BBC: Women in love. Adaptação para a TV de duas obras de D.H. Lawrence: The rainbow e sua sequência Women in love. Eu já havia lido, há muito tempo atrás, do mesmo autor O amante de Lady Chatterley, obra proibida na Inglaterra durante 32 anos. Foi escrito em 1927 e contava um romance entre uma aristocrática lady e um serviçal (escândalo) onde o desejo feminino é manifesto sem subterfúgios (mais escândalo), em narrativas que, se hoje não chocam nem o mais pudico dos homens, eram devastadoras para a época (ápice do escândalo!).
Pelo que percebi na minissérie, estas duas obras que a inspiram tem a mesma pegada de O amante de Lady Chatterley. Não há pornografia, o que se faz é desvelar o sexo como realidade essencialmente humana e, portanto que deve ser dita, representada, vista. Para além dos esquemas morais, o sexo surge como o abismo no qual o bem e o mal se mostram pontos eqüidistantes no desejo. Força incontrolável é capaz de comunicar o que é mais pessoal ao outro, e por isto se mostra fascinante e perigoso, porque afinal nunca estamos expostos a alguém como no sexo, sendo a nudez física apenas o primeiro dos desvelamentos.
Os personagens principais são duas irmãs: Ursula (Rosamund Pike), uma professora, e Gudrun Brangwen (Rachel Stirling - belíssima!) pintora, e dois amigos Rupert Birkin (Rory Kinnear) pastor, e Gerald Crich (Joseph Mawle) industrial.
Atenção para o texto que é incrível. Há uma cena em que Ursula revela à mãe o real motivo do seu desinteresse pelo noivo que é um dos diálogos mais lindos que vi recentemente. Bom, não quero falar mais para não cometer o sacrilégio imperdoável do spoiler. Mas fica a dica.
Não somos racistas?!
“O número de homicídios de jovens brancos caiu significativamente no período 2002/2008, passando de 6.592 para 4.582, o que representa uma queda de 30% nesses seis anos. Já entre os jovens negros, os homicídios passaram de 11.308 para 12.749, o que representa um incremento de 13%. Com isso, a brecha de mortalidade entre brancos e negros cresceu 43% num breve lapso de tempo. Da mesma forma, se as taxas brancas caíram 23,3% (de 39,3 para 30,2) as taxas negras cresceram 13,2% no período. Com esse diferencial de evolução entre brancos e negros, a brecha histórica de vitimização negra se incentiva drasticamente no quinquênio: Em 2002, morriam proporcionalmente 45,8% mais negros do que brancos. Se esse já é um dado grave, em 2005, esse indicador sobe mais ainda: vai para 77,8%. E, em 2008, o índice atinge 127,6%.”
Ano: 2008
Taxa de homicídio de jovens negros entre 15 e 25 anos: 70,6%
Fonte: WAISELFISZ, Julio Jacobo (coord.). Mapa da violência 2011. Instituto Sangari. Ministério da Justiça. p. 60-65.
Não dá pra diluir a questão racial no Brasil na gritante diferença social entre ricos e pobres. Há uma razão histórica para que a maioria destes últimos serem negros: Uma abolição quase pró-forma, realizada sem nenhuma preocupação de inserção social do contingento liberto de forma digna na sociedade brasileira. Aos negros restou permanecer nas cozinhas, realizando trabalhos braçais.
Ainda hoje se você é pobre, há mais probabilidade de ter uma arma apontada pra sua cabeça, mas se você além de pobre é negro esta possibilidade é 127% maior.
A celebrada democracia racial brasileira é um mito que serve à uma ideologia: a dos desejosos de perpetuar o status quo.
Ano: 2008
Taxa de homicídio de jovens negros entre 15 e 25 anos: 70,6%
Fonte: WAISELFISZ, Julio Jacobo (coord.). Mapa da violência 2011. Instituto Sangari. Ministério da Justiça. p. 60-65.
Não dá pra diluir a questão racial no Brasil na gritante diferença social entre ricos e pobres. Há uma razão histórica para que a maioria destes últimos serem negros: Uma abolição quase pró-forma, realizada sem nenhuma preocupação de inserção social do contingento liberto de forma digna na sociedade brasileira. Aos negros restou permanecer nas cozinhas, realizando trabalhos braçais.
Ainda hoje se você é pobre, há mais probabilidade de ter uma arma apontada pra sua cabeça, mas se você além de pobre é negro esta possibilidade é 127% maior.
A celebrada democracia racial brasileira é um mito que serve à uma ideologia: a dos desejosos de perpetuar o status quo.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Semeando em meio à chuva
A questão toda da vida é que ela “deveria ser”, é o “se ela fosse”, o “seu eu pudesse”, porque, na verdade, pura e simplesmente, a vida é. E isto tem uma densidade, um peso, paira no ar sobre todos com sua cor marrom. Como num quarto com paredes que vão se juntando, comprimindo o vão livre, tornando o espaço mais e mais exíguo, vamos crescendo nos tornando alguém, anulando as possibilidades que uma identidade, um emprego, uma inscrição no tempo e no espaço acarreta.
Há dias nos quais este confinamento é palpável: a conta do banco com jeito de fim de mês e nem dia 15 é ainda, caminhos rotineiros, dias cinzas, o mundo povoado de chatos, segunda-feira. E o que se faz com a vida que é?
A gente reclama um pouquinho, bebe pra esquecer, às vezes senta no meio-fio e chora. Mas depois de qualquer uma dessas opções o recomendável mesmo é fazer como eu. Num dia enclausurado, com as mãos grossas da vida sufocantes ao pescoço: tomei banho com meu produto importado que faz espumas milagrosas, descobri um novo som e fiz os caminhos de sempre, mas atento para detectar as rachaduras, as quebras, os hiatos e semear na homogênea rotina um pouco do frescor chamado “Liberdade”, algo de sutil e com cheiro de jasmim-Esperança, tendo o cuidado de aqui e ali não esquecer das sementes de alegria.
Sementes sim, porque, por ora espero germinarem, vê-las florescer em breve, não idealizando o impossível, mas que, um passo após o outro, eu possa colher em sol aquilo que semeei em meio aos ventos e à tempestade.
A vida é assim.
Mas eu ainda acredito na subversão.
Há dias nos quais este confinamento é palpável: a conta do banco com jeito de fim de mês e nem dia 15 é ainda, caminhos rotineiros, dias cinzas, o mundo povoado de chatos, segunda-feira. E o que se faz com a vida que é?
A gente reclama um pouquinho, bebe pra esquecer, às vezes senta no meio-fio e chora. Mas depois de qualquer uma dessas opções o recomendável mesmo é fazer como eu. Num dia enclausurado, com as mãos grossas da vida sufocantes ao pescoço: tomei banho com meu produto importado que faz espumas milagrosas, descobri um novo som e fiz os caminhos de sempre, mas atento para detectar as rachaduras, as quebras, os hiatos e semear na homogênea rotina um pouco do frescor chamado “Liberdade”, algo de sutil e com cheiro de jasmim-Esperança, tendo o cuidado de aqui e ali não esquecer das sementes de alegria.
Sementes sim, porque, por ora espero germinarem, vê-las florescer em breve, não idealizando o impossível, mas que, um passo após o outro, eu possa colher em sol aquilo que semeei em meio aos ventos e à tempestade.
A vida é assim.
Mas eu ainda acredito na subversão.
domingo, 10 de abril de 2011
A vida em um dia
O que surpreende em “A vida em um dia” não é a extrema diversidade de culturas e tipos de pessoas sobre a terra, é o fato de, apesar disso, sermos todos fundamentalmente humanos. Aproveitei o último dia do festival “É tudo verdade” que estava rolando aqui no Rio e em Sampa para conferir a instigante proposta de Ridley e Tony Scott: voluntários gravariam suas vidas em um dia preciso, 24/07/2010, e a partir deste material se faria um documentário. Mais de 80.000 inscritos em 192 países responderam ao chamado dos produtores em parceria com o Youtube, somando o total de 4.500 horas gravadas.
De meia noite à meia-noite do dia seguinte vemos passar pela tela um monte de gente nas mais variadas situações ao redor do mundo. A única trama são perguntas que foram respondidas por alguns voluntários como o que eles mais amavam, qual era o medo maior deles, entre outras. Tem gente que só aparece escovando o dente, fritando um ovo, mas há alguns personagens mais constantes como o coreano que dá a volta ao mundo numa bicicleta há 9 anos e um menino no Peru que trabalha como engraxate e que ama a Wikipédia. Duas participações brasileiras no documentário. Pés à beira d’água enquanto se ouve a confissão de que o que a menina mais ama é sentir a areia molhada e uma cena engraçadíssima de um pai filmando o parto do filho.
A transição entre as horas é um recorte de hábitos associados àqueles momentos: muitos desjejuns, sonecas de tarde (24/7 foi um sábado), tudo ao som de uma trilha sonora fofa com um certo quê de comercial da mastercard.
Gostei do filme, ajuda a gente a perceber como este mundão é grande e que estamos todos envolvidos na mais bela e difícil batalha, a do dia-a-dia, com suas pequenas glórias, seus momentos de puro regozijo e, vez por outra, muitos motivos para sentar e chorar. Mas prosseguimos, quase sempre, quase todo mundo.
P.S. O blog só voltaria na próxima sexta quando resolvo umas pendengas que tem tirado meus sono, mas blogsville é irresistível!
De meia noite à meia-noite do dia seguinte vemos passar pela tela um monte de gente nas mais variadas situações ao redor do mundo. A única trama são perguntas que foram respondidas por alguns voluntários como o que eles mais amavam, qual era o medo maior deles, entre outras. Tem gente que só aparece escovando o dente, fritando um ovo, mas há alguns personagens mais constantes como o coreano que dá a volta ao mundo numa bicicleta há 9 anos e um menino no Peru que trabalha como engraxate e que ama a Wikipédia. Duas participações brasileiras no documentário. Pés à beira d’água enquanto se ouve a confissão de que o que a menina mais ama é sentir a areia molhada e uma cena engraçadíssima de um pai filmando o parto do filho.
A transição entre as horas é um recorte de hábitos associados àqueles momentos: muitos desjejuns, sonecas de tarde (24/7 foi um sábado), tudo ao som de uma trilha sonora fofa com um certo quê de comercial da mastercard.
Gostei do filme, ajuda a gente a perceber como este mundão é grande e que estamos todos envolvidos na mais bela e difícil batalha, a do dia-a-dia, com suas pequenas glórias, seus momentos de puro regozijo e, vez por outra, muitos motivos para sentar e chorar. Mas prosseguimos, quase sempre, quase todo mundo.
P.S. O blog só voltaria na próxima sexta quando resolvo umas pendengas que tem tirado meus sono, mas blogsville é irresistível!
quarta-feira, 6 de abril de 2011
BLOG INTERDITADO TEMPORARIAMENTE
Motivos de "Força maior" (adoro esta explicação obscura)
Mas eu volto,
Bjão
Mas eu volto,
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